Her Mythical Warriors (Livro Um)

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Resumo

Akira Hendrix nasceu como um Empty Vessel. Wolfric Selinofoto procurou por seu Havent durante a maior parte de sua vida, então ele dá de cara com a garotinha mais fofa, mas ninguém acreditará que ele é o seu Warrior. Como uma criança sem alma pode ter um Warrior? Ele não deixará que o impeçam de ficar com ela. Ele sabe o que e quem ela é, e assim que encontrarem seus outros quatro Warriors, todos aqueles que a negaram também saberão, e se curvarão diante dela e dos poderes escondidos profundamente em seu interior.

Status
Completo
Capítulos
48
Classificação
4.9 138 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo Um: Vaso Vazio

Akira Hendrix, de três anos, olhou para as barras acima dela. As crianças maiores conseguiam escalar as barras de macaco. Por que ela não conseguia?

— Sai da frente, nanica — um garoto mais velho disse, empurrando Akira no chão.

Rindo, ele subiu as escadas que levavam às barras de macaco.

Akira segurou as lágrimas enquanto franzia o rosto. Eles sempre eram tão cruéis com ela, só porque era pequena e não tinha poderes. Achavam que eram melhores que ela. Bom, ela ia mostrar pra eles.

Akira se levantou e foi até as escadas que o garoto malvado tinha acabado de subir. Respirou fundo e começou a escalar. Chegou ao topo e franziu a testa. Não conseguia alcançar as barras. Era pequena demais. Conseguia ouvir as outras crianças rindo dela.

Se fosse uma Havent de verdade, conseguiria usar magia e balançar nas barras. Mas ela era o que chamavam de Vaso Vazio. Por isso seu pai a odiava tanto. Ele era um Guerreiro forte, e sua mãe, uma Havent muito poderosa. Mas Akira era um fracasso.

Não só era um fracasso, como também era pequena. Pelo menos era esperta. Akira sorriu e olhou para o obstáculo à sua frente. Balançou a cabeça para si mesma e subiu na barra ao lado. Cada vez mais alto, até as barras de macaco.

Com um sorriso radiante, segurou a primeira barra e balançou para a próxima. Estava conseguindo — estava mesmo!

‘Cadê a mamãe? A mamãe precisa me ver fazendo isso!’

Um vento forte soprou, fazendo-a balançar para frente e para trás. Ela sabia que uma das crianças estava usando seus poderes, mas não se importava. Ia conseguir — Akira gritou quando uma rajada a fez perder o controle, e ela começou a cair.

Isso ia doer — pra caramba.

~⚔~

Wolfric Selinofoto olhou a hora no celular. Ia se atrasar para a reunião. Há mais de dez anos, trabalhava com seus irmãos (ou melhor, para eles). Cada um tinha sua própria Havent, e o provocavam sem piedade. Wolfric tinha desistido de encontrar sua Havent e se juntado aos irmãos, apesar das gozações.

Sabia que eles sentiam pena dele e só faziam aquilo para distraí-lo do fato de não ter uma Havent, sua Psychi.

Wolfric passou por um pequeno parque e ouviu crianças rindo enquanto sentia um vento forte soprar. Crianças brincando com seus poderes sempre acabavam em desastre. Ele sabia bem disso — suas sobrinhas e sobrinhos já tinham destruído a casa dos pais mais de uma vez.

Ouviu um grito e se virou bem a tempo de ver uma menina usar seus poderes para derrubar uma criança bem pequena das barras de macaco. Sem pensar duas vezes, correu para ajudar. Escorregou na areia bem quando ela caiu, e o ar foi arrancado de seus pulmões. Wolfric grunhiu e fechou os olhos. A criança em seus braços chorava, e ninguém parecia correr para ajudá-la.

Wolfric abriu os olhos e se sentou, ainda com a criança nos braços. Colocou-a no chão e tirou a areia dos joelhos dela. Ela fungou enquanto o observava.

— Obrigada — disse a voz mais doce que ele já tinha ouvido.

Wolfric olhou para cima bem quando ela limpou o nariz com o braço. Ele fitou os olhos mais lindos que já tinha visto. A cor âmbar brilhava como uma tocha. Engoliu em seco e ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.

— Você está bem? — sussurrou.

Ela assentiu e continuou a encará-lo.

— Qual é o seu nome? — perguntou, os olhos ainda presos aos dela.

— Akira — sussurrou. — E o seu?

Wolfric sorriu. — Eu sou o Wolfric.

Akira deu uma risadinha. Que nome engraçado, mas ela gostou.

— Vou te chamar de Wolfie — disse.

Wolfric riu. — Pode me chamar do que quiser, Psychi.

Akira riu de novo. Ele era bobo — tinha acabado de chamá-la de alma. Ela gostou dele. Era bonito e gentil. Ele não parava de olhar para ela, mas isso não a assustava. Sentia-se em paz ao lado dele.

— O que você está fazendo com a minha filha?! — um homem forte exigiu, avançando na direção de Wolfric e Akira.

Wolfric viu os olhos de Akira se apagarem. Franziu a testa e se levantou, então encarou o homem. O sujeito era definitivamente um Guerreiro, o que fazia de Akira uma Havent. Wolfric sorriu. Agora entendia por que não tinha encontrado sua Havent todos aqueles anos.

Ela ainda não tinha nascido.

— Ela caiu das barras de macaco — disse Wolfric.

Viu sua Psychi estremecer quando o pai colocou a mão no ombro dela. Algo definitivamente estava errado ali. O homem puxou Akira para trás de si e se aproximou de Wolfric, com um sorriso de escárnio.

— Ouvi o que você chamou minha filha.

Wolfric sorriu. Não eram muitos os pais que gostavam de ter um Lobo das Trevas como Guerreiro da filha. Mas ela era sua Psychi, e ele nunca a machucaria.

‘Não importa o que ela seja.’

Não conseguia sentir os poderes dela, mas eles tinham que estar ali. Caso contrário, ela não teria um Guerreiro.

— Sei que não sou o que você esperava para sua filha. Mas nunca a machucaria.

O Guerreiro rosnou: — Não sei qual é o seu jogo aqui, mas minha filha não tem Guerreiros. Nunca terá. Ela é um ádeio docheío.

Wolfric piscou. Um Vaso Vazio.

‘Não, isso não pode ser.’

Ele sabia que tinha visto nos olhos dela.

Wolfric olhou por cima do homem grande para a menininha. Ela estava chorando de novo, os olhos vermelhos e inchados. Olhou para ele, e seu coração deu um salto. Os olhos dela brilhavam tanto que ele soube que ela era sua. Voltou a encarar o Guerreiro.

O homem não era tão grande quanto Wolfric, mas era um Guerreiro robusto. Wolfric se perguntou onde estavam os outros Guerreiros e a Havent. A mãe da criança.

— Fique longe da minha filha — disse o Guerreiro.

O Guerreiro agarrou Wolfric pela gola e o levantou do chão. Tá bom — se esse homem não fosse o pai de sua Psychi, já teria arrancado os braços dele a essa altura.

— Papai, não — Akira disse, puxando a perna da calça do pai.

O Guerreiro jogou Wolfric no chão e o encarou com desdém.

— Minha filha está fora dos limites. Ela já me trouxe vergonha suficiente, a mim e à minha Havent. Não precisa de um pervertido atrás dela.

Wolfric encarou o homem. Não sabia do que estava mais puto: de ser chamado de pervertido ou do fato de ele falar assim da própria filha. Muitos já tiveram Vasos Vazios como filhos, mas às vezes eles desenvolvem seus poderes mais tarde, e às vezes não. Wolfric rosnou e olhou com raiva para o Guerreiro.

Uma mulher de cabelos loiros longos correu até eles e puxou Akira para seus braços. Abraçou a menina e beijou suas bochechas.

‘Então só o pai tem vergonha dela’, pensou Wolfric. ‘Onde estão os outros Guerreiros dela?’

— Qual parece ser o problema aqui? — um policial perguntou ao se aproximar.

Alguém deve ter chamado a polícia.

— Esse homem assediou minha filha — disse o Guerreiro, apontando para Wolfric.

Wolfric bufou.

— Não, papai — Akira disse, se afastando da mãe. — Ele me salvou. Eu caí das barras de macaco.

Wolfric olhou para a menininha. Ela não devia ter mais que uns dois anos. Era esperta e tinha um vocabulário bom. Só isso já mostrava que tinha potencial como Havent. Era só uma questão de amadurecer.

O Guerreiro se virou para Akira e parecia querer dar um tapa nela. Mas se conteve ao lembrar onde estava.

— Não quero esse homem perto da minha filha — disse o Guerreiro, virando-se para o policial. — Ele a chamou de Psychi.

A mãe de Akira ofegou e encarou Wolfric. Mas não podia ser. Ela era um Vaso Vazio. O Guerreiro dela sentiria a Havent da filha, não sentiria?

O policial se virou para Wolfric e balançou a cabeça. — Todo mundo sabe que a menina é um Vaso Vazio. Eles não têm Psychi. São ápsychos.

Wolfric rosnou. Aquela criança não era sem alma; ele sabia que ninguém acreditaria nele. Parecia que só ele conseguia sentir a alma dela — sua Havent. Estava enterrada bem fundo, mas ele a viu nos olhos dela. Sabia que ela era sua, tanto quanto ele era dela.

— Não quero te levar preso, Sr. Selinofoto. Mas se for visto com essa criança de novo, vou ter que fazer isso — disse o policial, então se virou para os pais de Akira. — Vou garantir que ele nunca mais os incomode.

O policial se virou para Wolfric, o puxou para ficar de pé e o levou para longe do parque.

Wolfric se virou e olhou para sua Psychi. Ela estava chorando de novo enquanto o policial o arrastava. Gritou quando o pai a agarrou pelo braço e a sacudiu, gritando com ela por falar com um estranho.

As palavras *Perigo de Estranho* passaram pela cabeça de Wolfric, e ele riu.

Ele protegeria sua Psychi, mesmo que isso o matasse.

~⚔~

Aquela noite, Akira estava deitada na cama. O bumbum doía por causa da surra que o pai tinha dado com o cinto por falar com o “pervertido”.

Fosse lá o que isso significasse.

Mas Wolfie não era um estranho nem um pervertido. Ela fungou, fechou os olhos e adormeceu.

Sonhou com seu Wolfie salvando-a do pai e levando-a para uma terra coberta de neve. Lá, podia comer doces o dia todo, e Wolfie lia histórias para ela à noite. Como a mamãe costumava fazer, até o papai bater nela e dizer que um Vaso Vazio sem alma não merecia Hora da História.

~⚔~

Wolfric ficou do lado de fora da janela do quarto de sua Psychi, ouvindo-a chorar. Tinha chegado tarde demais para impedir o pai de surrá-la. Juro por Zeus que mataria aquele homem assim que Akira fosse mais velha e ele pudesse tirá-la dali.

Quando ela adormeceu, ele se sentou no chão embaixo da janela e franziu a testa, olhando para o céu. Por que os Deuses tinham lhe dado sua Psychi depois de tanto tempo, só para tirá-la dele? Muitos Guerreiros encontravam sua Psychi tão jovem e ajudavam os pais a criá-la até que tivesse idade para aceitar seus Guerreiros.

Fechou os olhos. Tinha contado aos irmãos o que acontecera, e eles ficaram felizes por ele ter finalmente encontrado sua Havent. E furiosos com o pai da criança. Por que a mãe de Akira não a protegia? E onde diabos estavam os outros Guerreiros dela?

Wolfric adormeceu e sonhou em levar sua Psychi para longe dos pais, para um lugar com neve, onde comiam doces o dia todo e ele lia histórias para ela à noite. Sorriu enquanto dormia, abraçando sua Psychi junto ao coração.

Ela seria dele.

~⚔~

Akira caminhava ao lado da mãe a caminho da pré-escola; era a mais nova da turma e a mais inteligente. Viu uma sombra e se virou. Algo grande as seguia, mas ela não sentiu medo. Seu coraçãozinho disparou ao observar a sombra gigante, até que o viu.

Um lobo enorme!

— Wolfie — sussurrou.

Sabia que ele a tinha ouvido, porque o rabo do lobo balançou, e a língua pendia da boca, fazendo-a rir.

— O que você está vendo? — a mamãe perguntou, olhando na direção em que ela ria.

Akira balançou a cabeça e olhou para a mãe.

Temple Hendrix sorriu para a filha. O que quer que ela estivesse escondendo, deixaria que tivesse. Tinha só três anos e não tivera a melhor vida possível. Ser um Vaso Vazio tornava a vida difícil no mundo delas.

O Guerreiro de Temple negava a possibilidade de o Lobo das Trevas ser o Guerreiro da filha. Akira nunca tinha mostrado nenhum sinal de ter poderes. Mas devia haver algo ali se aquele Guerreiro a tinha reivindicado. Certo?

Akira acenou para seu Wolfie enquanto entravam no pátio da escola.

Esperava vê-lo de novo.