Paternidade Surpresa

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Resumo

Por quanto tempo uma mãe consegue esconder a identidade do pai de sua filha? Não por muito tempo se a sorte não estiver do seu lado. *** Se ser mãe fosse apenas dar à luz um bebê após 9 meses de gravidez, a vida teria sido mais fácil para Charlotte Garnett. Infelizmente, não é esse o caso. Quando sua bebê cresce e se torna uma menina inteligente que começa a questionar a ausência do pai, a maternidade de Charlotte é posta à prova. Seu maior medo é ter que contar à filha de 7 anos que ela foi concebida em um *one-night stand* com um completo estranho. Em pânico, Charlotte decide mentir, prometendo a si mesma que contará a verdade quando a menina for um pouco mais velha. Infelizmente, o destino decide trazer o homem de volta à sua vida quando ela menos espera. E o pior: ele é o CEO com quem ela vive em pé de guerra no seu novo emprego. O inferno se instala. Charlotte acaba sendo confrontada pelas suas próprias mentiras. ----------------------------

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.8 177 avaliações
Classificação Etária
18+

Um bebê de surpresa

Não importa o quanto eu esteja preparada para a conversa, morro de medo da pergunta que virá a seguir.

"Você quer levar a gravidez adiante?", Sandy pergunta, com os olhos fixos no meu cartão de pré-natal que está em suas mãos. A caligrafia apressada em tinta azul diz Charlotte Garnett, encarando-a de volta.

Olho para baixo, para a minha barriga, que está escondida sob o meu moletom bordô. Na semana passada, eu nem sabia que havia um feijãozinho se aconchegando dentro do meu útero, dependendo de mim para viver. Quando o médico confirmou nesta manhã que eu estava com doze semanas de gravidez, meu mundo começou a virar de cabeça para baixo, e eu não sei como colocá-lo no lugar. Minha cabeça tem corrido dentro de um labirinto enorme, sem saber para onde ir.

"Eu não sei", digo, quase sussurrando.

Quero fazer tantas coisas na vida e adoro me desafiar. Estou sempre interessada em experimentar coisas que a maioria das pessoas não faria, mesmo que seja numa zona moralmente cinzenta, porque odeio me limitar. Minha lista de coisas para fazer antes de morrer aumenta a cada dia, mas ter um bebê nunca foi uma delas.

"Não é tarde demais se você quiser abortar." A voz da Sandy vacila. "Quero dizer, foi concebido em uma noite de bebedeira e você nem sabe quem é o pai. Além disso, você estava bebendo até a semana passada, quando suspeitou que estava grávida." Ela coloca meu cartão de volta na mesa do computador, com cuidado para não derrubá-lo, como se fosse o próprio bebê. "Não sou nenhuma especialista, mas carregar um bebê no último ano da faculdade é difícil, especialmente quando o pai não está presente. São motivos válidos, não é?"

Eu faço bico, considerando o conselho da minha melhor amiga enquanto tento ver todas as possibilidades. "Talvez eu possa voltar àquela república e perguntar por aí? Talvez eu consiga encontrar aquele filho da puta."

Ela levanta uma sobrancelha. "Perguntar como? Algo como 'Ei, vocês conhecem o cara que eu fodi três meses atrás em uma das suas festas'?" Ela ri com desdém. "Acorda, Char. Você sequer lembra como ele era? A cor do cabelo? O nome dele?"

"Não, na verdade não." Suspiro antes de me jogar para trás na cama da Sandy. "Mas lembro dos olhos dele. São verdes, verde-esmeralda. E ele tem cabelo escuro."

"Escuro tipo preto ou castanho escuro?"

"Não tenho certeza. O quarto estava escuro demais para notar a diferença."

"Alguma lembrança do nome dele? Algum apelido, talvez?"

Fico olhando fixamente para o teto do quarto da Sandy, tentando me lembrar de algo útil para rastrear a pessoa, mas nada vem à mente. Balanço a cabeça em sinal de derrota.

"De quem foi o nome que você gritou quando teve um orgasmo, então? Não me diga que você gemeu o nome do Ethan."

Lanço um olhar mortal para a minha amiga, frio o suficiente para congelar a garganta de um dragão. "Podemos não discutir o meu orgasmo agora? Um assunto mais importante precisa ser tratado. Com urgência."

Sandy joga as mãos para o alto. "Foi mal. Eu só estava curiosa. Como você não consegue se lembrar de nada sobre o cara com quem você transou a noite toda?"

"Eu estava bêbada, ok? Foi na noite em que o Ethan terminou comigo. Eu estava tão perdida e precisando de uma piroca", digo, quase me encolhendo depois que a última palavra escapa da minha boca.

"Você conseguiu uma, com certeza, e ainda levou o bônus de brinde." Sandy aponta para a minha barriga.

Eu gemo enquanto cubro o rosto com as mãos. "Juro que usamos camisinha naquela noite. Que droga."

"Char, você tem certeza de que não é do Ethan?"

"Tenho certeza absoluta. A gente não transava há semanas quando terminamos. Se fosse dele, eu já estaria com quatro meses de gravidez."

Sandy assente, mas a expressão de preocupação nunca sai do seu rosto. "Mas falando sério, mesmo se você o encontrasse, o que você ia dizer a ele?"

"Que nós estamos grávidos? Talvez a gente possa decidir o que fazer juntos?" É verdade, eu pareço a pessoa mais idiota do mundo. Ou talvez eu possa culpar o meu cérebro de grávida.

"Nós? Não existe 'nós'. Vocês dois não são um casal. E o que te faz pensar que ele se lembra de você?", ela pergunta. "Se ele se lembrar de você e do que aconteceu naquela noite, ele vai simplesmente dizer 'aborte'. Se ele não te reconhecer, vai pensar que você é uma maluca que está desesperadamente precisando de um cara aleatório para ser pai do seu filho."

Solto um gemido. Odeio quando a Sandy joga verdades na minha cara.

A cena daquela noite louca passa pela minha cabeça. Eu estava irritada e decepcionada com o Ethan, meu namorado de dois anos, porque ele escolheu terminar comigo em vez de tentar resolver nossos problemas. Implorei para ele me dar uma chance de explicar, mas ele estava decidido. A próxima coisa que soube foi que aceitei o convite do meu colega de classe, Willy, para invadir uma festa de república em outro campus da cidade. Eu precisava esquecer minha noite de merda.

Nunca vá a uma festa de república e encha a cara depois de um término doloroso. Eu gostaria de ter ouvido esse conselho, mas não ouvi. Conforme a noite avançava, dancei para afastar a dor e tomei todo tipo de álcool que estava ao meu alcance. Surpreendentemente, não vomitei de tanto beber, mas fiquei excitada. Muito excitada. Como se o universo tivesse pena do meu desespero por uma fuga, esbarrei com um cara gostoso com um par de olhos verdes fascinantes. Era exatamente o que eu precisava, porque ele estava no mesmo estado mental: alterado e louco para foder.

Uma coisa levou à outra, e antes que eu percebesse, acabamos em um dos quartos vazios, brincando de esconder a salsicha. Foi uma maravilha. Apesar de ainda querer o Ethan de volta, o sexo me ajudou a entorpecer a dor aguda do término recente. Mas quando acordei na manhã seguinte, nua e gemendo por causa da dor de cabeça latejante da ressaca, entrei em pânico ao encontrar um estranho ao meu lado, roncando e tão nu quanto eu.

A próxima coisa que fiz foi me vestir e correr.

Gemo novamente com a lembrança antes de rolar para o lado, enterrando meu rosto no travesseiro fofinho da Sandy. "O que eu vou fazer?"

"Eu acho que interromper a gravidez é uma escolha sensata agora."

"Eu não sei, Sandy. Eu vi no monitor do ultrassom hoje de manhã. Já parecia um bebê de verdade!" Minha garganta aperta com a imagem mental. "Eu não posso matá-lo. Isso me assombraria pelo resto da minha vida."

"Então, você quer ficar com ele."

Sandy conclui por mim, mas eu também não consigo concordar com isso. Em vez disso, as últimas pessoas com quem quero lidar aparecem de forma rebelde na minha cabeça. E eu choro baixinho. "Meus pais vão me matar."

Ela olha para mim com um olhar suave, quase com pena; o mesmo olhar que ela sempre me dá toda vez que eu faço merda. E eu odeio isso, porque sempre faço merda. Não preciso de ninguém para me lembrar de que minha vida é uma bagunça. Uma bagunça gigantesca.

"Se você quer ficar com ele, precisa descobrir como dar a notícia a eles mais cedo ou mais tarde. Quanto antes, melhor."

"Eu sei." Suspiro fundo. "Eles vão ficar furiosos, com certeza. Vai ser a prova de que continuo sendo a garota impulsiva que nunca aprende e não tem juízo nenhum sobre o próprio futuro."

Ela se levanta da cadeira e se joga ao meu lado. Ela passa os dedos pelas minhas mechas castanhas, afastando suavemente a parte que cobre meu rosto. "Você pode até ser um pouco impulsiva, mas o que eu vejo em você é uma pessoa corajosa, mente aberta e que não julga os outros. E você está cagando e andando para o seu futuro. Não deixe as palavras deles entrarem na sua cabeça."

Aperto a mão da Sandy que está no meu cabelo e forço um sorriso. "Você sempre sabe como me fazer sentir melhor."

"E você sabe que, qualquer que seja a decisão que tomar, eu vou te apoiar. Se quiser interromper, estarei lá durante todo o processo. Se quiser ficar, vou ajudar no que puder até a hora do parto."

Pensar no parto é o suficiente para fazer meu estômago revirar. Minha visão de futuro termina no momento em que a bolsa estourar. Não consigo ver nada além disso porque é aterrorizante demais. Mas como o prazo é de seis meses, preciso me preparar seriamente. "Como vou criar o bebê?"

Ela faz uma careta. "Hein? Você quer criar o bebê sozinha? Eu pensei que..."

"Eu fosse dar para adoção?", completo a frase dela, sentindo uma pontada no peito.

Ela assente. "Pensei que você quisesse ficar com ele porque simplesmente não teve coragem de matá-lo", diz ela, franzindo as sobrancelhas. "Você não queria ter um bebê, certo? Digo, depois que o bebê nascer, você pode fazer outra família feliz com o novo pacotinho deles. Então você pode seguir com a sua vida."

Ignorando o sentimento crescente de inquietação, admito que a Sandy tem razão. Minha vida pode estar pausada neste momento, mas posso seguir em frente depois de garantir que o bebê esteja em boas mãos. Porque eu também mereço um futuro, espero que com o Ethan de volta na história.

Forço um sorriso. "Acho que posso fazer isso."