Tatum e Henry

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Resumo

Livro 2 de Beta Henry. “Toda vez que fecho os olhos, ela aparece na minha frente. Parada, olhando para mim, com um uniforme do exército encharcado de sangue. Em uma mão ela segura seu arco e, na outra, uma faca. A expressão em seu rosto diz tudo. Quero correr até ela, e na minha cabeça eu corro, eu a pego em meus braços, e ela ri e sorri para mim. Mas, na realidade, nunca aconteceu assim. Na realidade, o olhar em seu rosto diz tudo, e como estamos na mesma região, sinto suas emoções. Tristeza, dor, perda. E sei que a culpa é minha. Eu fiz isso com ela.” Negligenciada e com um recém-nascido, Tatum, uma humana, deixa seu parceiro lobisomem para ficar com a família. O Beta Henrik (Henry), seu parceiro, sabe que a culpa de ela ter partido foi dele e, embora estivesse fora de seu controle, ele carrega o peso do arrependimento todos os dias. Com uma guerra racial pairando sobre sua cabeça, será que ele verá Tatum novamente? Será que ele terá sua família de volta? Às vezes, o Destino tem um plano; qual será o plano dele para Tatum e Henry?

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
4.9 37 avaliações
Classificação Etária
18+

PART ONE: 1. Alba

POV – Tatum

“Você está pronta?” Jed, meu meio-irmão, pergunta enquanto pega na minha mão. Dou uma última olhada na sala de estar integrada.

“Sim”, digo. Sei que a diarista virá durante a semana e nossos cheiros vão sumir, mas fazer o quê.

Coloco Rhiannon na cadeirinha e prendo o cinto antes de sentar no banco do motorista e sair.

“Puta merda”, praguejo enquanto seguimos em direção ao Parque Nacional.

“O que foi?”, pergunta Jed.

“Ainda estamos ligados à alcateia”, digo.

“Não se preocupe, vamos chegar à fronteira e eu te conto o que precisamos fazer”, diz Jed.

“Tá bom”, concordo. Estaciono em frente à árvore com a placa de “proibida a entrada, propriedade particular” pregada nela. Jed sai do carro e eu o sigo.

“Repita comigo”, diz Jed.

“Eu, Jed Delaney, renuncio à minha posição na alcateia Silva Luporum”, ele diz. Em seguida, Jed segura a cabeça, sentindo dor.

“Você está bem, Jed?”, pergunto, correndo até ele e puxando-o para um abraço.

“Sim, eu só senti meu elo com a alcateia se romper”, ele responde. Ele então se levanta e olha para mim. Eu concordo com a cabeça, sabendo que é a minha vez de quebrar meu vínculo.

“Eu, Tatum Sullivan Erstad, renuncio à minha posição na alcateia Silva Luporum”, declaro. Sinto imediatamente uma pontada na cabeça à medida que meu elo com a alcateia se rompe.

Depois que a dor passa, levanto-me e suspiro.

“Merda, esqueci de uma coisa”, digo então, correndo de volta ao carro e tirando duas coisas da minha bolsa.

“O que é?”, pergunta Jed.

“Meu celular”, sorrio, jogando-o na floresta. Então, olho para o cartão bancário que meu companheiro, Henry, me deu para acessar a conta dele. Dobro-o ao meio e o quebro. Dou uma metade para Jed e ambos jogamos no mato.

“Vamos nessa”, sorrio para Jed. Ele concorda.

“Vamos”, ele responde. Batemos os punhos e voltamos para o carro.

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Dirijo o dia todo, parando apenas para comer e abastecer. Eu estava tirando algum dinheiro da conta do Henry desde o dia de Natal, quando Jed me perguntou se podíamos morar com a prima do meu pai. Não tirei muito, apenas uns seiscentos dólares, e de qualquer forma tenho minhas próprias economias e conta de quando trabalhava na lanchonete, mas isso não me impede de sentir culpa.

Enquanto dirijo, penso no que aconteceu em nossas vidas desde o nascimento da minha filha, Rhiannon, em outubro. Henry, meu companheiro, tirou duas semanas de folga do trabalho para ficar conosco quando Rhiannon nasceu. Ele era atencioso e carinhoso. Mas, depois que voltou a trabalhar, ele mudou. Ficou distante, frio. Parou de levar Jed para a escola e de vir para casa. Dias passavam e não o víamos. Dias viraram semanas, meu aniversário passou, o aniversário dele passou, e ainda nem uma palavra.

Tentei fazer um esforço, tentei manter contato. Pedi para almoçar com ele uma vez, e a Alfa Bridie e o Luno Paul se juntaram a nós. As palavras que ele me disse vão me assombrar para sempre: “Você teve a bebê naturalmente ou ela foi cortada de você?”. Luno Paul tinha me perguntado aquilo, exatamente como o homem que me sequestrou havia ameaçado. Tentei chamar a atenção de Henry, para ele ver meu medo, mas ele não viu. Lágrimas rolam pelo meu rosto e sinto a mão de Jed apertar meu braço enquanto dirijo. Sei que estou assustada, mas sinto culpa por Jed ter que ser o forte entre nós dois.

Tentei manter contato com os pais dele, de verdade. Mas não os conheço muito bem e, sem o Henry, nosso contato ficou cada vez menor. Senti-me cada vez mais isolada e sozinha. Lamentei a falta da minha mãe, pela ajuda e pelo amor que eu teria recebido se ela estivesse viva. Eu era tímida demais para me abrir sobre tudo o que estava acontecendo com o Henry e pedir isso a eles.

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Passamos uma noite em um motel de estrada e saímos cedo no dia seguinte para a casa da minha prima.

Oito horas depois, estou com um bebê dormindo nos braços, parada em frente à porta da prima do meu pai. Jed bate na porta e esperamos que ela abra.

Uma mulher de meia-idade abre a porta e sorri quando me vê. Olho para a mulher que lembro de ter conhecido quando criança. Antes de meu pai falecer, íamos às reuniões de família, mas ela sempre ficava com os adultos e eu com as crianças. Genevieve estava mais velha agora e mais cheinha, não era mais a jovem adulta das minhas lembranças.

“Tatum! Olha só para você, toda crescida”, ela sorri, e então se vira para Jed.

“Olá, rapaz, e quem seria você?”, ela pergunta a ele.

“Eu sou Jedediah Delaney, e também já estou crescido”, ele diz, estendendo a mão para ela.

“Bem, Sr. Jedediah Delaney, eu sou Genevieve Sullivan, prima do seu pai, e é uma honra estar na sua presença”, ela diz, apertando a mão de Jed.

“Entrem, vocês devem estar cansados”, diz Genevieve, fechando a porta enquanto entramos na casa. Ela nos leva pelo corredor em direção a dois quartos.

“Este quarto pode ser seu, Jed”, ela diz, abrindo uma porta. Entro e vejo um quarto pequeno com uma cama de solteiro. Parece bom, pequeno, mas perfeito para uma pessoa.

“E este quarto é para você”, ela sorri, mostrando-me um quarto de tamanho médio com uma cama de casal e um moisés.

“Onde você conseguiu o moisés?”, pergunto, colocando Rhiannon nele. Ela quase ocupa todo o espaço.

“Minha prima tem quatro filhos, mas parece que você vai precisar de um berço”, ela reflete.

“Obrigada, Genevieve”, digo, dando-lhe um abraço.

“Aposto que ambos estão com fome”, ela diz.

“Sim!”, Jed exclama. Eu sorrio e vamos para a cozinha.

Jed e eu observamos Genevieve esquentar uma lasanha no micro-ondas e colocar dois pratos na nossa frente. Jed sorri e come tudo rápido, perguntando se ela tem mais. Genevieve ri e volta ao freezer para pegar o resto da lasanha.

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Ter um bebê pequeno que você ainda está amamentando significa que o sono da noite é interrompido por mamadas, e ainda estou cansada quando acordo na manhã seguinte. Entro na cozinha e vejo Jed sentado à mesa com Genevieve, comendo cereal no café da manhã.

“Bom dia, Tate. Você vai encontrar cereal na despensa e leite na geladeira”, oferece Genevieve.

“Obrigada”, respondo.

“Jed e eu estávamos conversando, e ele diz que gosta de praticar caratê, assim como o Jason”, sorri Genevieve. Concordo com a cabeça. Jed tem sete anos, e sua idade significa que não tem como ele ser parente do meu pai, Jason. Ganhei a guarda de Jed quando nossos pais, minha mãe e meu padrasto, foram mortos um ano atrás.

São férias escolares e, ao contrário da maioria dos garotinhos da sua idade, Jed está lá fora, no jardim, brincando com alguns brinquedos de ar livre que Genevieve comprou para ele quando concordou em nos deixar morar com ela. Pego um tapete de atividades e estendo no chão lá fora, assim posso trazer a Rhiannon e observar minha pequena família se divertindo ao sol.

Volto para dentro para pegar a Rhiannon quando ouço Genevieve abrir a porta e deixar algumas pessoas entrarem. Ajustando a Rhiannon no meu quadril, entro na sala e vejo duas mulheres conversando com a Genevieve. Uma parece um pouco mais velha que a outra, que está segurando uma criança pequena.

“Oi”, cumprimento, olhando para as duas.

“Oi, eu sou Vas”, diz a mulher mais jovem, de cabelos castanhos escuros e olhos castanhos, com a criança no colo.

“E eu sou Margot, prima da Genevieve”, cumprimenta a mulher mais velha, de cabelos castanhos claros e olhos azul-escuros.

“É um prazer conhecer vocês”, sorrio. Ambas concordam com a cabeça e a criança nos braços de Vas se mexe.

“Bebê”, diz a criança.

“Esta é a Zoe”, Vas sorri, apontando para sua filha de cabelos loiros claros e olhos verdes. Sua filha parece um pouco com a Vas, mas acho que os traços dela puxaram mais o pai.

“Não esperava ver você hoje, Margot. Eu ia te ligar sobre conseguir um berço para a Rhiannon, ela está grande demais para o moisés”, diz Genevieve.

“Ah, precisávamos passar por aqui de qualquer jeito”, diz Margot, olhando para mim.

“Sim”, concorda Vas, passando o cabelo para o outro lado do ombro, revelando uma marca de mordida no pescoço.

Dou um passo para trás, sem saber o que pensar. Genevieve não tem marca no pescoço, e eu propositalmente não tinha mencionado minha conexão com lobisomens porque não sabia o quanto a Genevieve sabia.

“Hum, claro. Eu estava indo lá fora”, digo, saindo pela porta dos fundos e colocando a Rhiannon no tapete.

“Quantos meses ela tem?”, pergunta-me Vas.

“Quase quatro meses. E a sua?”, pergunto, observando Zoe sentar e se juntar à Rhiannon.

“Vinte e seis meses”, sorri Vas. Jed vem até nós então.

“Olá”, cumprimenta Margot.

“Oi, eu sou o Jed”, diz Jed, apresentando-se.

“Olá, Jed. Quantos anos você tem?”, pergunta Margot então.

“Sete”, sorri Jed.

“Tenho um filho perto da sua idade, o William. Meu nome é Margot”, diz ela, oferecendo a mão para o Jed, que a aperta.

“Eu sou a Vas”, diz Vas, oferecendo a mão. Jed aperta a mão dela também e depois olha para elas com curiosidade.

“Vocês são lobisomens?”, ele pergunta. Ambas sorriem.

“Eu sou”, declara Margot.

“Eu tenho os genes, mas nasci humana”, diz Vas. Jed concorda.

“Beleza!”, ele sorri, saindo correndo para continuar chutando sua bola.

“Ele reagiu bem”, observa Vas. Concordo com a cabeça.

“Ele passou por muita coisa neste último ano”, admito.

“E você também. Gostaria de nos contar sobre isso?”, pergunta Margot.

Olho para as duas e não respondo. Não conheço essas mulheres, mas há algo nelas que me faz querer confiar nelas.

“Bem”, diz Margot, ajeitando-se na cadeira, “meu nome é Margot Hembry, e a Vas aqui é descendente de um lobo branco. A filha dela, Zoe, também é um lobo branco”, começa ela. Olho para elas. Vas sorri.

“O lobo branco é raro entre os lobisomens. Dizem que os lobos brancos são descendentes diretos da própria deusa da lua; eles são dotados de certos dons que os lobisomens comuns não possuem. Na minha família, os lobos brancos são passados pela linhagem feminina”, explica Vas, percebendo minha falta de compreensão.

“Mas você não é um lobo?”, pergunto a Vas. Ela sorri.

“Meus pais eram humanos, assim como meus avós e os pais deles, mas minha tataravó foi a última loba branca na minha linhagem familiar. Eu sou apenas a primeira mulher nascida em quatro gerações. Meu companheiro é um Beta, e é por isso que a Zoe é uma loba”, acrescenta Vas.

“Meu companheiro é primo da Vas”, sorri Margot. “De qualquer forma, nós duas trabalhamos para uma organização chamada ‘Alba’. A Alba resgata lobisomens rejeitados, perdidos e refugiados. Principalmente lobas, às vezes machos, às vezes famílias, como a sua”, continua ela.

“Como a minha?”, pergunto.

“Um dos dons da Zoe é encontrar lobos perdidos, como sua tataravó. Ela fez um desenho da sua família com a Genevieve”, diz Vas, me entregando um pedaço de papel. Abro e vejo o desenho de criança de duas mulheres, um menino e um bebê.

“Ela nos contou todos os seus nomes: Gen, Tate, Jed e Anna”, sorri Vas. Concordo com a cabeça, processando tudo aquilo.

“Sou como você, Tatum. Quando eu tinha catorze anos, escapei da minha antiga alcateia e cruzei com a Elizabeth Hembry, avó da Vas. Quatro anos depois, descobri que o primo da Vas era meu companheiro, e o resto é história”, admite Margot.

“Por que... por que você teve que fugir da sua antiga alcateia?”, pergunto. Observo Margot soltar o ar que estava prendendo.

“Meus pais eram deltas, mas quando eu tinha dez anos, minha alcateia foi atacada por renegados, e eles foram mortos. A alcateia de onde vim era pequena, e perdemos muitos ômegas e deltas. Como meus pais foram mortos no ataque, fui vista como fraca. Meus pais foram vistos como alguém que decepcionou a alcateia, então eu, e alguns dos outros órfãos, fomos abusados e tratados como escravos”, Margot para, com lágrimas descendo pelo rosto.

“Sinto muito”, começo. Ela concorda.

“Está tudo bem. Alguns de nós escapamos. Fomos para a próxima alcateia maior e buscamos refúgio. Eles foram maravilhosos, gentis, amigáveis. Eles entraram em guerra com minha antiga alcateia e tomaram o controle. Alguns dos órfãos com quem escapei voltaram depois que a hierarquia da alcateia foi derrubada, mas decidi seguir em frente. Acabei em Sefton e fui encontrada pela Elizabeth Hembry. Agora, ajudo a organização que me ajudou”, sorri Margot.

Observo Margot, sabendo que tudo o que ela me contou é verdade.

“Tatum, você pode nos contar sua história?”, pergunta Vas então.