Capítulo 1
Amelia
“Mas quem ousa me ameaçar com uma guerra? Um lobo imundo? Um portador de vermes? Responda-me!”
Meu conselheiro e comandante supremo do meu exército olhou para mim, procurando respostas em sua mente enquanto segurava aquele pergaminho nas mãos.
“Minha rainha, tecnicamente eles não são lobisomens, mas Lycans.”
“São todos da mesma família! Assim como as pulgas e os carrapatos que eles abrigam naqueles pelos sebosos!”
Eu estava realmente puta da vida! Como era possível que um rei de meia-tigela ousasse enviar a mim, rainha dos vampiros, uma carta exigindo minha presença em suas terras? Para evitar uma guerra? Mas que guerra? Nossas espécies viviam em paz desde que concordamos em lutar ao lado dos humanos em suas guerras bobas e assinamos um tratado de paz entre as três espécies: humanos, lobisomens/Lycans e vampiros. Posteriormente, dividimos o mundo em duas partes. O hemisfério norte é nosso território e o hemisfério sul é o território dos lobisomens/Lycans/pulgas e carrapatos! Então, depois de todos os esforços dos nossos ancestrais, receber uma ameaça de guerra me deixa possessa!
“Arthemedis, como meu conselheiro, qual você acha que deveria ser nosso próximo passo? Um ataque rápido e mortal ou um lento e tático?”
Vejo preocupação em seus belos traços. Seus olhos escuros fixos nos meus, seu maxilar cerrado e a montanha de músculos tensos me dizem que ele não concorda. Observo-o levantar-se lentamente do seu assento em frente à minha mesa e caminhar ao redor dela até ficar a poucos centímetros de mim. Permaneço recostada na cadeira, fingindo não estar nervosa com a sua proximidade. O cheiro dele invade minhas narinas e meu cérebro entra em curto-circuito. Estreito os olhos e arqueio a sobrancelha, questionando. Aquele vampiro de quase dois metros, cabelos castanhos claros na altura dos ombros e um rosto perfeito, mexe comigo de um jeito que me assusta, e ele sabe disso muito bem.
“Amelia, não podemos começar uma guerra contra os Lycans. Embora sejam poucos em número, eles são muito fortes, rápidos, inteligentes e, além disso, têm os lobisomens como aliados. Não é sensato tomar uma decisão dessas; precisamos ouvi-los e descobrir o que está acontecendo.”
Senti o ar quente da sua boca na minha orelha esquerda, onde ele fez questão de sussurrar sua opinião. Cada pelo do meu corpo se arrepiou e respirei fundo para processar suas palavras, que ainda não tinham chegado ao meu cérebro. Sem pensar duas vezes, segurei-o pelo maxilar com a minha mão e puxei-o para os meus lábios. Nós nos beijamos como se não houvesse amanhã. Nossas línguas entraram em uma dança sensual enquanto nossas mãos percorriam nossos corpos desesperadamente. Em um movimento rápido com o braço, Arthemedis varreu todos os objetos da minha mesa, que voaram e se estilhaçaram no chão.
“Arthemedis...” - falei rouca, com a boca ainda presa na dele - “Eu ainda não estou pronta...”
Depois de ouvir minhas palavras, vi que ele fechou os olhos e suspirou antes de se soltar dos meus lábios. Frustração e um grande volume entre as pernas era o que restava da nossa sessão de amassos. Embora eu me sentisse culpada por não termos avançado para o próximo passo, sabia que ainda não era o momento, mesmo que meu corpo estivesse desesperado pelo toque dele. Era como se meu corpo quisesse uma coisa e minha mente, outra.
“Sinto muito”, disse eu, envergonhada.
“Tudo bem, estou acostumado. Agora acho que vou limpar essa bagunça.”
Doeu ouvir suas palavras, mas não disse nada; apenas o ajudei a arrumar no silêncio desconfortável que nos envolvia. Quando terminamos, busquei seu abraço e descansei a cabeça em seu peito forte. Era reconfortante e acalmava, permitindo-me pensar claramente sobre os problemas que me incomodavam. Fechei os olhos e me deliciei com a mão dele acariciando minha cabeça e seus dedos que se enroscavam no meu cabelo em uma brincadeira alegre. Olhei para cima e encarei seu rosto calmo e sereno, com um sorriso. Ele era uns 25 centímetros mais alto que eu, o que me fazia sentir como uma donzela em perigo, e ele era meu cavaleiro destemido e protetor.
“Devemos falar com o Rei Lycan?” - perguntei com o rosto enterrado em seu peito.
“Acho que sim, minha rainha”, respondeu ele calmamente.
Então que assim seja. Veremos o que aquele monte de pulgas tem a me dizer.
“Descubra tudo o que puder sobre ele, especialmente as sujeiras que posso usar contra ele.”
Pisquei para ele com um sorriso, um pequeno incentivo para o meu vampiro mais leal.
“É claro, minha rainha...”
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Maria Clara de Andrade ;)