(Bl) No Friends por N.R. Seventeen em Inkitt
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(BL) Sem amigos

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Resumo

Sam e Ray são amigos desde sempre. E parece que eles sabem tudo um sobre o outro. Mas será mesmo?

Status
Completo
Capítulos
77
Classificação
4.6 11 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo 1 - Surpresa

Estamos andando por um caminho que não conheço. Bem, tudo bem, afinal é uma surpresa. Estou intrigado. Ray caminha à minha frente, mal conseguindo se segurar para não sair saltitando. Talvez eu devesse estar preocupado?..


Chegamos a um prédio com luzes brilhantes e uma placa chamativa. Isso é... uma boate gay. Pelo menos é o que diz a placa.


Bom, isso é definitivamente uma surpresa...


“Ta-dã!”, Ray exclama alegremente a princípio, mas logo nota minha confusão. Devo estar com uma cara de susto, pois ele se aproxima rapidamente e pergunta com preocupação genuína: “O que foi?”


“Como assim, o que foi?”


“Hum...” Agora entendo ainda menos do que enquanto caminhava até aqui. E, na verdade, eu já não estava entendendo porra nenhuma!


“Eu não gosto muito de boates, e achei que você soubesse disso”, digo com voz calma, ainda torcendo para que seja uma brincadeira.


“Ah, uma vez não vai te matar!”


Ok, talvez ele só não saiba mesmo?..


“Mas... isso é uma boate gay. Tem algo que eu não saiba sobre você?”, pergunto. Os olhos de Ray mudam. Ele me olha como se eu estivesse no leito de morte...


“Bem, sim, é uma boate gay!”, ele afirma e me encara com expectativa. O que ele quer de mim?


“E o que estamos fazendo aqui?”, pergunto. Ray solta um suspiro cansado e irritado.


“Bom, eu esperava que isso te ajudasse a finalmente sair do armário”, ele explica.


“O quê?!”


“Eu sei que você é gay, ok? E eu queria te mostrar que não tenho problema nenhum com isso!”


Bem, agora é a hora de gritar: “Surpresa!” Atônito, encaro Ray em silêncio. Não posso dizer que estou animado, assustado ou nervoso. É só que... não era isso que eu queria no meu aniversário...


E, no geral, eu não pretendia contar a Ray sobre minha sexualidade até... hum, quantos anos eu tenho agora?... Vinte e três. Ok, então até eu morrer!


“Como você ficou sabendo?”, pergunto sem emoção.


“Bom... o seu... é, obviamente, o seu ex veio aqui outro dia. Você não estava em casa. Eu não acreditei nele no começo, e... bem, não importa! O que importa é que eu sei agora, e pensei...”


“Que se eu sou gay, eu ia querer vir a uma boate gay?”, completo para ele, irritado.


“Ora, é por isso que se chamam boates gays, não é? Estou tentando mostrar que aceito você como você é. Por que está bravo comigo? Eu não entendo. Eu tive uma boa intenção!”


Olho para o rosto confuso dele e entendo que ele realmente teve uma boa intenção, mas...


“Vamos embora daqui”, digo, virando as costas para ele.


“Mas por quê?”


Paro e me viro. Não consigo nem entender com quem estou bravo: com ele ou comigo mesmo?


“Bom, primeiro de tudo, muito obrigado”, minha voz soa sarcástica. “Por me deixar ser quem sou, embora eu não achasse que precisasse da sua permissão, ou pior, que devesse me preocupar se você me aceita ou não, se aprova ou não. E, segundo... estou indo para casa.”


“Sam! Qual é! Sam!”


Mas eu acelero o passo. Ray me alcança, fazendo biquinho.


“Que porra é essa? Eu fiz isso por você!”


“Eu não sei por que você fez isso!”, reclamo. “Para me humilhar?”


“Por que humilhar?! É uma humilhação para um homem gay ir a uma boate gay? Ou é porque você está com um hétero?!”


“Com um idiota!”, grito desesperado.


Não espero por Ray e apresso o passo.


Em casa, no apartamento que alugamos há três anos, bato a porta do meu quarto. Ray faz o mesmo.


Que babaca! Ótimo presente, filho da puta! “Eu preparei uma surpresa para você”, disse ele. Surpresa o caralho!


Mas hoje é meu aniversário. Eu pensei que ia me divertir um pouco. As últimas semanas foram barra pesada.


Trabalho na pet shop do meu irmão. Meu irmão mais velho é contador. Ele cuida de todos os balanços financeiros e eu sou atendente. Eu gosto do trabalho. Adoro animais. Só não chinchilas... por algum motivo, elas me dão um medo do caralho. Seus olhos são inteligentes demais, como se soubessem de alguma coisa... brrr...


Agora, tivemos uma troca de fornecedores e há problemas no abastecimento... Então, na semana passada, estive mais ocupado que o normal. Achei que poderia descansar no meu aniversário! Mas nãooooo! Esse imbecil teve que inventar de me surpreender! Ele não podia ter trazido cerveja e salgadinhos como sempre fazia? Ele mantém isso desde o ensino médio! E sempre funcionou muito bem para nós dois!


Era... divertido... Não sei onde ele conseguia a cerveja naquela época. Mas achávamos um lugar para nos esconder e fingíamos que estávamos bêbados...


Como éramos bobos...


Ah, droga... Ok, esse otário realmente não teve intenção de machucar. Ele é só um bobão, é isso.


Saio do apartamento, compro cerveja e salgadinhos na loja lá embaixo, volto e bato na porta do quarto de Ray.


“Está aberto”, ele diz com a voz abafada. Entro e o vejo deitado na cama com um violão. Esse troço medonho consegue me enfurecer em segundos. Ray dedilha as cordas. Ele não está tocando! Ele está, porra, maltratando o instrumento! E nunca – jamais! – tentou afiná-lo!


Não digo que tenho um ouvido absoluto, mas até eu sei que esse violão precisa ser destruído para acabar com o seu sofrimento.


“Você está mentindo e fazendo bico para mim?”, pergunto, enquanto jogo um pacote de salgadinhos para ele. Ray coloca o violão de lado e se senta. Sento-me ao lado dele e entrego uma cerveja.


“Parabéns para mim”, digo, batendo minha garrafa na dele e dando um gole longo.


“Olha, Sam, eu...”, começa Ray, com um ar de culpa.


“Não faz isso, tá? Chega. Eu perdi a cabeça. Só não estava pronto, mas não vamos falar disso.”


“Por quê?”, o tom de Ray soa indignado.


“Por que o quê?”, pergunto, sem entender.


“Por que você escondeu isso de mim?! Você e eu somos amigos desde sempre! Desde o ensino fundamental! Moramos juntos há três anos! Por que você nunca me contou?”


“Você está louco? Como é que isso ia soar? ‘Meu querido amigo Ray, ei, eu sou gay!’”, falo num tom de brincadeira, piscando para ele. “Você ia surtar! Eu te conheço! Você ia até achar que eu estava prestes a me declarar para você ou algo assim!”


“Vai se foder! E o que há de errado com isso? Eu sou impossível de amar?!”


Eu bufo: “Qual é! Isso é muito clichê. Se apaixonar pelo melhor amigo hétero de infância”, dou risada, balanço a cabeça e tomo outro gole.


“Clichê ou não, você não respondeu! Eu sou feio?”. O tom dele é ridiculamente sério, e começo a rir alto.


“Vai se foder!”, Ray se ofende.


“Qual é! Eu só não pensei nisso”, digo tentando apaziguar, já me acalmando. “E... sobre a minha sexualidade... Não é que eu estivesse escondendo de você... Eu só não ando por aí alardeando. Isso é um problema meu. Por exemplo, eu nunca conheci nenhuma das garotas com quem você saiu.”


“Eu não tenho tanta sorte com garotas...”, Ray infla o peito. “Mas se eu tivesse sorte, com certeza eu as teria apresentado!”


“Escuta, tudo bem. Eu sou gay. Pronto, confessei oficialmente para você. Se sente melhor agora?”


“Sua mãe sabe? Seu irmão?”


“Talvez eu devesse colocar uma faixa na entrada?! Minha sexualidade não é da conta de ninguém!”


“Você vai a paradas de orgulho?”


“O quê?!”


“Bem, elas parecem divertidas...”


“Ray, você está bem?!”


Eu olho para ele e não consigo segurar o sorriso. Ele é assim desde criança. Ele sempre tenta me apoiar.


Quando éramos crianças, eu era magro e alto, e Ray era gordinho e troncudo. E sempre fomos aquela dupla cômica... Ray estava lá para qualquer travessura que eu planejasse. Ele sempre me apoiava, não importava o quão estúpido pudesse parecer. Por exemplo, eu era alérgico a chocolate quando criança. E Ray disse que ele também era e parou de comer chocolate. Mas depois descobrimos que ele nunca teve alergia! E quando perguntei por que ele mentiu, ele disse que não queria que eu me sentisse excluído. O Ray é assim... E ele é meu amigo mais próximo. Eu nem fiz novos amigos na faculdade! Só tive alguns romances passageiros com finais tristes.


“Por que você terminou com aquele cara?”, pergunta Ray, ainda fazendo bico.


“Ele me traiu”, respondo simplesmente.


“Com quem?”


“Isso importa? Ele achou que eu ficaria bem com isso. Ele queria um relacionamento aberto.”


“E você?”


“E eu acho que ele deveria ter dito isso claramente em vez de desperdiçar meu tempo.”


“Como... você se sente? Você não está chateado?”, Ray me encara.


“Ah, qual é. Fazem quase duas semanas. Não é como se ele tivesse partido meu coração nem nada”, solto uma risada.


Ray reflete sobre minhas palavras. Não gosto dessa cara de pensativo dele. Vai saber o que passa pela cabeça dele? Talvez ele se convença de que agora eu preciso do apoio dele também...


“Sabe, Sam”, diz Ray finalmente, após um longo silêncio. Sua voz está estranhamente séria. “Acho que também sou gay.”


Eu cuspo a cerveja e tusso de tanto rir. Como eu disse, essa mania dele de pensar demais não é boa coisa.


Não consigo parar de rir: “Então, que tipo de cara você gosta, hein?”


“Bem...”, Ray pondera. “Você sabe...”


“O quê?”


“Com músculos e... com pelos...”


“Onde?”, as lágrimas já estão escorrendo de tanto eu rir.


“Em todo lugar!”, grita Ray, irritado. “Vai se foder!”. E ele se cobre com o cobertor, escondendo a cabeça. Eu enxugo minhas lágrimas e tento me acalmar.


“Ei, Ray-gay”, dou um cutucão nele por baixo do cobertor, mas ele me dá um chute para longe. “Tá, tá, qual é... Eu sou grato a você... por ter me aceitado”, tento falar com sinceridade, tentando encontrar esse sentimento dentro de mim. “Mas eu estou bem. Eu me aceitei há muito tempo. E agora você sabe tudo sobre mim. Isso é bom. E é bom que sua atitude comigo não tenha mudado. Você não precisa mudar nada, ok? Estou bem comigo mesmo e com você.”


Mas Ray parecia ter ficado muito ofendido. Eu suspiro. Bom, definitivamente não é o meu dia. Deixo Ray, termino minha cerveja e vou dormir.

Capítulos
1. Capítulo 1 - Surpresa
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Ver 3 comentários anteriores...
author

you should name the chapters from thier pov . because some of the chapters I had to take moment to figure out from who's point of view I am reading it

3 anos
author

I'm curious, I see this title to loklok apps a mini-series movie I guess from thailand

3 anos
1
author

I loveeee the first chapter! They're soo cute! ^^

um ano
1

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