Te amarei na próxima vida também!

All Rights Reserved ©

Summary

Alycia perdeu o grande amor da sua vida na adolescência, quase não superou e viveu em função do seu luto e com a promessa de sempre amar apenas Maya... mas ela não esperava que 10 anos após a morte de seu primeiro amor... a garota cumprisse uma promessa feita antes de morrer... "te encontrarei na próxima vida" Agora Aly é uma médica respeitada e está de volta aos EUA após passar um longo período estudando na Inglaterra, ela é a nova neurocirurgiã do mesmo hospital onde conheceu seu primeiro amor, mas uma surpresa a choca quando sua nova residente diz ser seu antigo amor e diz ter voltado para cumprir sua promessa... Agora ela está em uma luta incessante para ficar longe da garota que ela acha estar tentando lhe enganar. OBRA AUTORAL #PLAGIOÉCRIME Ignorem alguns erros, estou digitando pelo celular também, então o corretor não ajuda, prometo depois rever e consertar. Espero que gostem e incentivem.

Genre
Fantasy/Romance
Author
Sara
Status
Ongoing
Chapters
2
Rating
n/a
Age Rating
18+

CAPÍTULO 1

Minha vida nunca foi ruim, de verdade, sempre houve, de certa forma, tranquilidade e estabilidade, minha relação com a minha mãe era limitada, nós duas não tínhamos tantas coisas em comum, meu pai também não era tão presente, passava muito tempo trabalhando e só se importava se eu estudasse, eu sempre fui esforçada e reservada, mas sempre precisava melhorar em algo, nunca era o suficiente, me cobrava a ponto de ter crises de ansiedade e ataques de pânico quando algo não saia como eu esperava, era angustiante e estressante, minha vida amorosa era algo ilusório, nunca consegui manter um relacionamento por muito tempo, sempre fui muito intensa, das dores aos amores, mas tinha um certo efeito magnético para pessoas destrutivas e que me rendiam uma terapia duradoura e cara, então acabei deixando minha vida amorosa em modo de hibernação para evitar sofrer ainda mais de novo, pelo menos eu tentei...

O inverno tinha acabado de chegar e as noites eram mais longas do que os dias, o frio era irritante para muitas pessoas, mas eu amava o clima de neve e o ar gelado, me sentia bem de qualquer forma, sempre ia passear pelo shopping e me preparar para o Natal que estava a porta juntamente com a neve, amava andar sozinha e ir assistir as cantatas, minha mãe odiava sair em dias de neve e meu pai... bem, os raros momentos que o via em casa, ele também compartilhava o mesmo pavor da minha mãe a ideia de sair no frio, então eu costumava ir sozinha e me contagiar com o espírito natalino, mas aquele inverno foi diferente...

Eu estava a caminho da cantata que teria no central Park quando senti uma dor de cabeça muito forte, um som agudo atravessou meus ouvidos e me apoiei em um poste próximo que vi, a dor foi tão grande que senti falta de ar e apertei os olhos com força sem conseguir me conter, de repente senti algo quente escorrendo pelo meu nariz e ouvi alguns burburinhos ao meu redor, mas não tive tempo de saber o que era, já que logo após houve apenas escuridão total, desmaiei de forma repentina e sem entender o que estava acontecendo.

- Senhorita.... - antes de abrir os olhos eu pude ouvir as vozes e barulhos lá no fundo, como se estivessem muito longe de mim, então foi se aproximando e ficando mais alto - Senhorita, você sabe me dizer seu nome?

havia algumas pessoas ao meu redor e eu estava deitada em algum tipo de sala ou quarto, era bem claro, o som dos aparelhos me fizeram perceber que eu estava em um hospital, um homem alto e bonito usando um jaleco branco e apontando uma lanterna no meu olho, me fazia perguntas que ainda estavam difíceis de raciocinar.

- o ... o que aconteceu? - consegui falar, mas a dor de cabeça ainda estava ali, embora não tão forte, mas ainda presente. - minha cabeça...

- você consegue seguir a luz com os olhos? - o homem continuava fazendo perguntas e eu tentei fazer o que ele queria, mas a dor não deixava.

- está doendo minha cabeça...

- precisamos levar ela para fazer uma TC de Crânio com urgência. - ele falou com algumas pessoas ao redor que começaram a se mover rapidamente.

- Consegui falar com os responsáveis dela - uma voz distante falou, mas não consegui identificar de quem era, apenas descansei minha cabeça e dormi novamente, estava tão cansada...

Não sei dizer quanto tempo exatamente fiquei inconsciente, algumas vezes parecia estar acordando e dormindo de novo, burburinhos, ouvi a voz do meu pai em algum momento, então minha mãe parecia chorar, mas eu estava tão cansada que apenas dormia novamente, não sabia o que estava acontecendo, só sentia que havia algo muito errado.

****

Antes mesmo de abrir os olhos, senti meu corpo um pouco dolorido, como se eu tivesse dormido um longo período, fui tentando assimilar as coisas ao meu redor, primeiro senti um cheiro forte de álcool e algo que me lembrava salas de hospitais, percebi que estava deitada realmente e fui abrindo os olhos devagar, estava de dia e apertei os olhos um pouco para me acostumar com a luminosidade que agredia minha visão, ouvi o barulho de alguns equipamentos e olhei ao redor com dificuldade, minha garganta estava seca e eu estava confusa, eu estava em um quarto de hospital, a cortina estava fechada, mas dava para notar que era dia lá fora, eu estava sozinha e um humidificador espirrava uma essência doce no quarto, apoiei a cabeça no travesseiro novamente e respirei fundo.

De repente a porta se abriu e uma garota entrou rapidamente fechando a porta e observando pelo vidro como se fugisse de algo, ela não percebeu minha presença, vestia a mesma roupa hospitalar que eu, a parte de trás era aberta e eu tive uma visão da sua costa nua e descobri que ela não usava roupas íntimas, o que me fez pensar “Bela bunda” então me repreendi, era indelicado.

- Idiotas - ela riu baixo como se tivesse tido um plano bem-sucedido e olhava pelo vidro da porta, foi quando ela pareceu notar algo e virou-se rapidamente ficando surpresa ao me ver acordada e olhando para ela com uma confusão aparente. - eita, você está acordada.

- nos conhecemos? - inclinei a cabeça devagar e senti uma leve dor então fiz careta.

- você está bem? - a garota correu até mim preocupada - droga, preciso chamar o médico.

- quem é você?

....

Ela me encarou surpresa, mas apenas sorriu graciosamente.

- me chamo Maya - ela falou sem jeito quando eu me afastei do seu toque, eu não gostava de pessoas estranhas me tocando e ficava desconfortável com isso.

- Desculpe... - suspirei cansada - mas pode me dizer onde estou?

- você não se lembra do que houve?

- lembro de estar indo para o central Park no Natal - forcei minha memória - então acho que desmaiei e só isso.

- bem, isso foi a um mês- ela encolheu o ombro calmamente.

- um mês? - falei surpresa e senti um leve desconforto no corpo, parecia cansada realmente - mas como? Onde estão meus pais?

- não sei bem - ela parecia realmente sem jeito - não sei muito, sou apenas sua vizinha de quarto, mas vou chamar as enfermeiras ok? Espere aqui.

Ela saiu antes mesmo que eu pudesse responder, ela era estranhamente agitada e por algum motivo eu senti que ela era familiar.

Alguns minutos depois vi a porta abrir bruscamente e meus pais entraram correndo e logo depois algumas enfermeiras e um homem alto com jaleco que eu supus ser o médico, eu também havia notado uma faixa na minha cabeça, o que me indicava que eu poderia ter me machucado ao cair, mas estava tudo muito confuso.

- Aly! - minha mãe chorava ao me ver sentada e meu pai, que parecia não fazer a barba há muito tempo, parecia estranhamente aliviado, eles pegavam na minha mão enquanto o médico fazia alguns exames em mim.

Após toda a comoção, meus pais me explicaram o que houve, aparentemente, eu tinha um tumor no cérebro, era operável, mas estava em uma área que afetava minha memória também, felizmente eu fui operada, mas fiquei em coma por um mês mesmo a cirurgia tendo sido um sucesso e o tumor tenha sido removido, eu já estava fora de risco, mas precisava ficar em observação agora que havia acordado, para identificar possíveis sequelas, fiquei surpresa demais com tudo, realmente nunca tinha tido sintomas, foi tudo tão repentino quando começou e ao acabar, não sabia o que sentir, já que não tinha noção de que tinha um tumor e quando soube, já havia sido operada, não sabia como me sentir, apenas ouvi e assimilei, meus pais estavam fazendo várias perguntas para o médico e eu apenas observava tudo sem falar nada, vi a garota de antes espreitando pela porta se escondendo da visão dos outros, ela parecia aliviada também, mas não entendi o por que, então ela apenas sumiu novamente.

- Dr. - uma das inférteis entrou poucos minutos depois - Maya sumiu novamente.

- Aquela garota - ele suspirou e massageou as têmporas como se estivesse trabalhando sua paciência- ok, estou indo.

Ele se despediu de nós e avisou que voltaria depois para checar tudo e me encaminhar para exames complementares, apenas concordei e fomos deixados pela equipe médica.

Meus pais me atualizaram de tudo, era até estranho tê-los daquela forma, pela primeira vez senti que eles realmente se importavam comigo.

“Foi preciso um tumor no cérebro” pensei ironicamente.

Meu pai havia deixado alguém responsável pela empresa por enquanto e minha mãe tinha passado a maior parte de seus dias ali comigo, até meu irmão mais velho que morava em Boston, estava indo e voltando para estar a par da minha situação, ele havia voltado para Boston no dia anterior, mas logo estaria de volta ao hospital.

Tanta atenção... que estranho.

****

Os dias passavam lentamente, tive que fazer fisioterapia por passar tantos dias deitada, tomava muitos remédios e fiz vários exames, tudo muito chato, eu dormia a maior parte do tempo, alguns colegas do colégio foram me visitar e levaram flores, mas nada que me fizesse ficar feliz ou mudar meu estado de espírito, não gostava dos olhares de pena.

Acordei sentindo um peso estranho e assim que abri os olhos vi a garota de antes com seu rosto quase colado ao meu, estávamos tão próximas que pude sentir seu hálito doce, seu braço estava estirado tocando algo acima da minha cabeça e ela estava apoiada na cama, seus olhos arregalados me encaravam surpresa e seu rosto corado quase parecia uma chaleira, encarei a garota por alguns segundos antes de perguntar:

- o que está fazendo?

- m... me desculpa - ela saiu numa velocidade extraordinária e deu dois passos para longe da minha cama - eu só estava ajustando o umidificador e acabei escorregando, não estava... quer dizer, não queria.... ahh que coisa constrangedora... - ela tapou o rosto com vergonha.

Eu me sentei encarando tudo um tanto curiosa pela menina, ela era fofa, um pouco irritante, mas fofa de um jeito desengonçado.

- o que está fazendo no meu quarto?

- eu só... bem, apenas quis ver se você estava bem.

- nós já nos conhecemos antes?

- não - ela falou sem confiança e eu a encarei desconfiada - bem, sim

.. eu conheço você, estudamos na mesma escola, em turmas vizinhas, não é engraçado? Agora somos vizinhas novamente.

- entendo, me desculpe, não lembro de você.

- eu imaginei- ela falou tentando esconder a decepção e fiquei observando. - bem, fique bem logo ok?

- você não está sendo mal-educada?

- desculpe? - a garota parou a caminho da porta e me encarou confusa.

- disse que veio ver se eu estava bem - expliquei - não deveria pelo menos trazer alguns lanches ou presentes?

- bem... - ela parecia desnorteada.

- estou apenas brincando - falei e ela relaxou mais.

- as pessoas costumam rir quando brincam - ela sorriu surpresa.

- se me conhece mesmo, deve saber que não sou muito de sorrir.

- um bom ponto.

- o que faz aqui?

- já expliquei...

- não aqui no meu quarto - a interrompi impaciente - digo, no hospital, por que está aqui também? Acordei já faz alguns dias e você ainda permanece aqui, o que você tem?

Eu não era tola, estávamos na ala de oncologia neurológica, se ela era minha vizinha de quarto, obviamente tinha algo em sua cabeça, mas eu queria saber os detalhes, por algum motivo, queria conversar um pouco com a garota.

- Tenho um tumor raro - ela falou apenas isso - é inoperável, parece que está em um lugar muito perigoso que não podem alcançar no meu cérebro, ele está comprimindo alguns lugares bem chatinhos e eu tenho algumas dores e outras coisas bem ruins - ela falou de forma descontraída como se falasse de outra pessoa, parecia não estar preocupada, o que me deixou surpresa, já que ela literalmente tinha um tumor que iria matá-la em algum momento.

- você não parece assustada. - falei de modo curioso e ela me encarou surpresa e então sorriu.

- por que não estou, todos morremos um dia, eu apenas tenho data definida - ela deu de ombros como se fosse algo simples, fiquei maravilhada e intrigada, como ela podia não ter medo? Deveria estar tentando não demonstrar.

- se já sabe que vai morrer, por que não vai para casa? Não tem cura de qualquer forma, por que tentam manter você aqui? - tentei pressioná-la a admitir que tinha medo da morte

- meu irmão e meus pais ainda não aceitaram bem a ideia de me deixarem ir - ela pareceu triste pela primeira vez, que curioso, ela não se importava em morrer, mas estava triste por sua família sentir sua falta, então era assim ter uma família amorosa?

- eles devem se importar muito com você.

- meu irmão é médico aqui também - ela logo mudou de assunto - sempre consigo porções extras das comidas e - ela cochichou como se fosse segredo - não conta para ninguém, mas as vezes consigo até alguns doces.

- contrabando assim tão fácil? - falei impressionada e ela abriu os braços fazendo uma pose estilo “poderoso chefão”

- o que posso fazer, tenho conexões.

- estou vendo.

- e você, já sabe quando cai embora?

- ainda não me falaram, mas acho que ainda vou passar algumas semanas aqui.

- se quiser, posso trazer alguns doces para você as vezes.

- você quer me tornar uma cúmplice?

- apenas fazendo amizades.

- amizades são para benefício mútuo, o que eu ganharei? Afinal, se o que diz está certo, você irá morrer logo, terei apenas perdido tempo

- você é realmente cruel - ela fingiu doe no peito - não tem medo de me magoar com palavras tão duras?

- pelo pouco tempo que pude ter sua companhia, você não parece do tipo que se magoa com falas sinceras.

- você está certa. - ela concordou balançando a cabeça- então, o que devo fazer....? Já sei, posso tornar sua estadia aqui confortável e vir visitá-la todas as tardes para conversarmos, o que acha? Não ficará mais tão sozinha.

- o que te garante que não fico sozinha por vontade própria? Às vezes eu posso gostar da minha solitude.

- não acho - ela apenas sorriu e deu de ombros. - acho que todos precisamos de alguém em algum momento, precisamos de carinho e contato, é natural, sua alma precisa de afeto.

- acredito que não devo ter alma então.

- não fale besteiras, é claro que tem, só não percebeu ainda as coisas boas ao seu redor.

- você é uma daquelas pessoas positivas para tudo, não é?

- não sou, apenas não me importo com a dor, acho que para existir amor, precisa ter a dor em algum momento, momentos bons só são bons quando você conhece os ruins para saber distinguir, sabia?

- garota estranha.

- ouço bastante isso.

Ela levantou rapidamente sorrindo e respirou fundo.

- bom, agora vou indo, está quase na hora dos meus remédios e tenho uma fuga para planejar, até amanhã no mesmo horário, minha nova amiga.

- não somos amigas - falei enquanto ela saia rindo.

- somos sim - ouvi apenas sua voz sorridente enquanto ela saia alegre do meu quarto.

Que garota esquisita, como ela era tão tranquila e despreocupada? Isso não era normal, talvez o tumor dela estivesse realmente afetando seu senso, não era normal ter uma perspectiva tão descontraída de uma situação dessas.

*****

Os dias se passaram e assim como Maya havia dito ela fez, todas as tardes ela ia me visitar, ficávamos conversando sobre coisas aleatórias normalmente, algumas vezes ela contava histórias do colégio quando eu não a conhecia, me trazia doces quase sempre, eu os guardava na minha gaveta toda vez para que ela não visse, com o tempo acabei me acostumando com a garota, ela conseguiu arrancar alguns sorrisos meus e até mesmo me fazer sentir à vontade com sua presença que no começo me incomodou, mas acabei ficando menos desconfortável, ela se preocupava em não me tocar muito pois sabia que eu não gostava de toques físicos, mas algumas vezes acabava brincando comigo e tocando minhas mãos ou braços, de início meus instintos eram recuar, mas depois apenas fui aceitando e devagar até gostando, era bom ter a energia da garota ali comigo.

*****