Sangue de Bruxa

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Summary

Algo antigo despertou. E está dentro dela. Maia passou a vida tentando ignorar os sussurros, os sonhos estranhos e a sensação de que era observada por algo que vive nas sombras. Mas na noite em que o sangue correu sobre o altar, a verdade se revelou: ela é a última herdeira de uma linhagem esquecida de bruxas. Agora, forçada a enfrentar o retorno de uma entidade ancestral, Maia deve reunir um círculo perdido, decifrar os segredos deixados por sua avó, e realizar o Ritual dos Elementos — antes que a Teogonia Sombria consuma não apenas sua alma, mas todo o território sagrado. Em um mundo onde magia e memória são perigosas, ela terá que decidir: quem ela era... e no que está disposta a se tornar. Sangue de Bruxa é uma fantasia sombria sobre ancestralidade, poder feminino e o preço de lembrar quem você é. Ideal para fãs de Anne Rice e A Descoberta das Bruxas.

Genre
Fantasy
Author
Eveli
Status
Ongoing
Chapters
6
Rating
5.0 1 review
Age Rating
18+

Prólogo

A noite não era apenas escura — era espessa, como uma manta de veludo que abafava o som e a luz, uma escuridão que devorava tudo ao seu redor. O ar carregava um peso incomum, denso e invisível, quase palpável, como se o próprio mundo respirasse de forma errada. Mariana sabia que não deveria estar ali, mas algo a impelia, mais forte que a razão. Sua intuição sussurrava advertências, mas o desejo de encontrar alguém — alguém perdido nas sombras — a guiava.

O som da Royal Enfield cortou o silêncio, pesado e quase cerimonial, um presságio de que algo irreversível estava para acontecer. A motocicleta de sua namorada, restaurada com zelo, parou diante dela. Sem hesitar, Mariana subiu, e juntas aceleraram, a máquina rugindo sob seus corpos. A sensação de liberdade durou pouco — o peso da decisão que tomaram apertava mais a cada quilômetro percorrido.

Tudo começara com um simples desejo: explorar as ruínas de um prédio abandonado no centro da cidade. Seu pai sempre alertara sobre o perigo daquele lugar, murmurando histórias sobre maldições e uma presença sombria que ali habitava. Mas a curiosidade consumia Mariana, uma chama que não podia ser apagada. Quando uma festa foi organizada no local, ela sentiu algo visceral — uma advertência direta em sua alma. Ainda assim, ignorou.

Ao chegar, um sentimento estranho se apossou dela. Algo estava errado, mas não sabia o quê. As ruínas, com paredes desmoronadas e janelas estilhaçadas, pareciam quase vivas, murmurando segredos pelo vento que uivava entre as rachaduras. Mas não era o vento. Era algo mais antigo — uma presença que Mariana jamais havia sentido.

Dentro do prédio, o ar se tornou mais denso, úmido. O cheiro de mofo e desolação invadiu suas narinas. As pessoas lá dentro, suas expressões vazias, os olhares predatórios, não eram como as que ela conhecia. Eram mais sombras que carne e osso, guardando segredos que ela não conseguia decifrar. Quando sua namorada desapareceu, a sensação de ser observada se intensificou. Era como se o próprio lugar estivesse se fechando sobre elas.

Mariana tentou procurar, gritou seu nome, mas só ouviu um silêncio pesado e interminável. O medo apertava seu peito, crescendo rápido em pânico, enquanto corria pelos corredores. O espaço parecia se contorcer, conspirando contra sua fuga. Cada saída que encontrava a levava de volta ao ponto de partida — um labirinto sem fim.

Foi então que ela os viu — seus amigos. Um lampejo de esperança que se apagou rápido, como uma vela engolida por uma tempestade. Eles sabiam. Estavam esperando. Sempre souberam.

Ao longe, o rugido das motos ecoava, um grito primal que vibrava nas profundezas de sua espinha. A adrenalina misturava-se ao terror, o vento batia forte no rosto, a sensação de ser caçada — mas por quem? Por quê? Algo estava à espreita.

De repente, um puxão forte no seu pé. O chão veio com velocidade impossível. Ela caiu. Tentou se levantar, mas uma força invisível a aprisionava. Correntes etéreas, impossíveis de romper, imobilizavam seu corpo e alma. Ela era uma marionete, dançando ao ritmo de uma força maior. No centro das sombras, ele apareceu.

O homem encapuzado, sempre presente, sempre observando, agora se aproximava. Não era um homem, não de verdade. Era uma ideia, uma manifestação de um mal antigo, camuflado na escuridão. Ele riu, uma risada gelada e cruel que fez o sangue de Mariana parar por um momento. Não era uma risada humana — era a risada de algo que jamais deveria ter sido trazido à existência.

Ele se aproximou, e um calafrio percorreu seu corpo. As correntes invisíveis tornaram-se fios de ferro, apertando cada vez mais. Ela sabia que não havia mais escapatória.

Aquela presença não era algo que pudesse compreender. A liberdade que tanto desejara havia sido tomada. Agora estava nas garras de algo eterno, que observava e esperava. Seu grito foi engolido pela noite — silencioso, sufocado, perdido para sempre.