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Salvando Allison

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Resumo

Allison nunca foi de falar. Ela é quieta, tímida, não tem amigos e vive na sua. Ela nunca foi assim quando era mais nova. Mas, quando sua mãe morreu, tudo desmoronou. Seu pai tornou-se um alcoólatra abusivo. Allison e o pai moram em uma casinha térrea. E esta será a quarta escola dela em dois anos. Ela acha que sua vida nunca vai melhorar. Mas ela está muito enganada. Tommy é o alfa de uma das maiores alcateias da América do Norte. Ele é alto, bonito e não tem companheira. Pelo menos, até agora. Tommy e seus amigos estudam na Northwestern High. Eles estavam brincando pelos corredores quando ouvem alguém chorando em um banheiro. Desde aquele momento, Tommy está apaixonado.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.6 572 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo 1: O Início

Allison

Soltei um gemido enquanto me virava para olhar o despertador.

Tive vontade de me enfiar num buraco e morrer quando vi que marcava 5h30 da manhã.

Saí da cama lentamente e me vesti.

Depois de pronta, fiz minhas necessidades no banheiro e desci as escadas devagar.

Preciso ter cuidado para não acordar meu pai.

Ele não é muito de acordar cedo... nem tarde... nem à noite. Na verdade, ele nem é muito de ser gente.

Se você está perguntando o porquê, eu te conto.

Desde que minha mãe morreu de câncer no cérebro, há 3 anos, meu pai virou um caco.

Ele recorreu à bebida como sua única saída. E tem também o fato de que ele me bate pra caralho sempre que pode.

E se você está perguntando por que tenho que acordar às 5h30 toda manhã, é porque preciso fazer o café dele. Ele exige que esteja pronto na mesa às 6h30 em ponto.

Se não estiver, bom, digamos que a coisa fica feia.

Finalmente cheguei à cozinha e abri a geladeira em silêncio.

Depois de pegar os ovos e ligar o fogão, pego o pão e coloco perto da torradeira.

Ele me obriga a fazer a mesma coisa todas as manhãs.

3 ovos estalados, duas fatias de pão com geleia de uva e três fatias de bacon. Ah, não posso esquecer a cerveja gelada que ele sempre quer.

Esse homem bebe umas 30 cervejas por dia. Não estou brincando.

Como ele só gosta da cerveja trincando de gelada, eu a tiro da geladeira assim que ouço o primeiro passo dele na escada.

Tenho que estar parada de lado bem quando ele pisa na cozinha. Se eu não estiver, levo um tapa na cara ou um soco na barriga. O tapa é quando ele está de bom humor.

Suspirei enquanto colocava o pão na torradeira e quebrava os ovos na frigideira.

Como a frigideira é muito pequena, tenho que fazer os ovos um por um.

Como dá para notar, não temos muito dinheiro.

Eu e meu pai acabamos de nos mudar para cá ontem.

Moramos em uma casinha térrea branca em um bairro de merda. Literalmente. Tem tanto crime acontecendo aqui que me surpreendo que o prefeito não feche essa parte da cidade para o público.

Parei de olhar em volta da cozinha quando ouvi a torradeira apitar.

Peguei a geleia na geladeira rapidinho e tirei as torradas da torradeira.

Olhei para trás para garantir que o bacon não tinha queimado.

Meu pai odeia bacon queimado. Ele gosta de mastigar, mas não muito.

Coloquei os três ovos no prato e as torradas com geleia ao lado.

Ouvi a porta do quarto dele abrir.

"Puta merda", disse para mim mesma enquanto corria para a mesa e colocava o prato lá.

Olhei para o prato para ter certeza de que não faltava nada.

Ouvi ele gemer enquanto descia as escadas.

"A cerveja!", pensei enquanto corria para a geladeira.

Peguei uma na geladeira e abri a gaveta onde papai guardava o abridor.

Coloquei a cerveja no balcão e revirei a gaveta.

"Cadê essa porra?", gritei mentalmente.

Comecei a entrar em pânico quando ouvi meu pai atravessando a sala.

Puta merda!

Peguei a garrafa rapidamente e posicionei a tampa na borda do balcão.

Depois de alinhar, dei um tapa na tampa e ela voou.

Joguei a tampinha fora, coloquei a cerveja do lado do prato dele e fiquei na minha posição bem quando ele entrou na cozinha.

Droga, essa foi por pouco.

"Vejo que conseguiu seguir as ordens corretamente desta vez. Ótimo", meu pai resmungou enquanto olhava para o prato e depois para mim.

"Obrigada, pai", disse com a voz monótona.

Arfei quando senti algo atingir minha bochecha e minha cabeça bater na parede.

"Eu achei que tinha te dito para nunca mais me chamar assim. Você é uma garotinha muito burra!", ele gritou enquanto ficava por cima de mim.

Protegi minha bochecha e balancei a cabeça. "D-desculpe, senhor."

Meu pai apenas resmungou antes de se virar para a mesa e sentar.

Ele estava prestes a falar, mas algo chamou sua atenção.

Segui o olhar dele e me encolhi.

Ele estava olhando para o balcão que usei para abrir a cerveja.

"Por que esse balcão está estragado?", ele perguntou com os olhos semicerrados.

Travei. Inventa uma mentira, Allison!

"E-eu não sei, senhor", disse levantando, ainda segurando a bochecha. "Já estava assim quando desci. Pensei que tivesse sido algum dos carregadores."

"Idiotas", ele rosnou para o balcão. "Achei que tinha mandado eles tomarem cuidado."

Concordei com a cabeça. Era sempre melhor apenas concordar. Aprendi isso do jeito difícil.

"Enfim", ele disse, enfiando a mão no bolso e tirando algo. "Você começa a escola amanhã. Pegue isso e vá à loja comprar qualquer merda que precise."

Me encolhi quando ele jogou uma nota de 10 dólares em mim.

Peguei do chão. "Obrigada, senhor."

"Tanto faz. Agora suma da minha frente", ele disse enquanto tomava um gole da cerveja.

Calcei meus sapatos e saí pela porta.

Sorri enquanto respirava o ar puro.

Enquanto esperava no banco minúsculo do ponto de ônibus, alguém veio até mim.

"E aí", ele murmurou, enrolando a língua.

Ótimo. Mais um bêbado.

Quem diabos está bêbado às 7h50 de um domingo? Fala sério.

Continuei olhando para frente. Nem ousei encarar o homem. Vai saber o que podia acontecer.

"Ei!", ele gritou enquanto tropeçava em minha direção. "Estou falando com você."

Não responda, Allison. As coisas só vão piorar se você responder.

Olhei de canto de olho e arfei.

O homem estava correndo na minha direção agora.

Entrei em pânico, mas parei quando o ônibus finalmente dobrou a esquina.

Qual é! Esse ônibus não pode andar mais rápido?

O ônibus parou bem na minha frente e as portas abriram devagar.

Dane-se!

Me lancei para dentro e passei pelas portas, bem quando o bêbado chegou onde eu estava.

"Sua vadiazinha!", o bêbado gritou enquanto batia nas portas.

Suspirei de alívio e me sentei em uma cadeira.

Gosto desse ônibus porque este é um dos poucos motoristas que não deixa bêbados agressivos subirem.

"Dia difícil, querida?", uma voz gentil perguntou.

Olhei para o lado e vi Rosie.

Concordei com a cabeça com um sorriso triste. "Pode se dizer que sim."

Rosie mora a apenas um quarteirão de mim. O marido dela morreu há anos.

Ela é a senhorinha mais fofa que já vi na vida.

"As coisas vão melhorar", ela sorriu. "Lembre-se: o professor está sempre em silêncio durante a lição."

Eu ri com desdém. "Detesto te decepcionar, Rosie, mas estou nessa lição há 3 anos. E tenho quase certeza de que estou sozinha. Nenhum professor vai me salvar."

"Só dê tempo ao tempo, querida. Deus tem um futuro brilhante para você", Rosie sorriu.

Tive vontade de rir.

Ela não tem dentes. Por isso, eu sempre sorrio quando ela sorri.

Ela diz que, se o sorriso dela me faz rir, ela não se importa em não ter dentes.

Além disso, ela diz que não tem utilidade para eles. Ela é vegetariana, então não precisa de dentes para comer frutas e legumes.

O ônibus parou no ponto logo ao lado do Walmart.

"Tchau, Rosie!", disse, acenando para ela.

"Tchau, querida. Lembre-se: mantenha o queixo erguido!", ela gritou para mim.

Virei os olhos e sorri. Típico da Rosie.

"Onde diabos estão os cadernos?", perguntei a mim mesma enquanto vagava pelo corredor de materiais escolares.

Desde que mudaram tudo de lugar no Walmart, ninguém mais consegue achar nada.

Tive vontade de arrancar meus cabelos enquanto continuava procurando.

Eu estava prestes a gritar quando uma senhora se aproximou de mim.

"Você está bem?", ela perguntou rindo. "Você parece que vai arrancar os cabelos."

Suspirei. "Não consigo achar os cadernos."

"Começando a escola?", ela perguntou.

Concordei. "Vou ser aluna do segundo ano na Northwestern High. Começo amanhã."

"Ah, que bom!", ela exclamou animada. "Meu filho estuda lá. Mas por que só está começando agora? Já é o segundo semestre."

"Uh, meu pai e eu nos mudamos para cá ontem", expliquei.

"Ah. Para onde vocês se mudaram?", ela perguntou.

Devo contar para ela? Ah, por que não? Não é como se eu fosse vê-la novamente.

"Moro no centro", disse.

"Ah? Ahhh. Naquela parte da cidade", ela disse devagar.

"É. É um bairro adorável", concordei, minha voz carregada de sarcasmo.

Ela deu uma risadinha.

"Bom, é melhor eu ir", ela sorriu. "Foi um prazer te conhecer."

"O prazer foi meu", disse, retribuindo o sorriso.

"Ah", ela disse, voltando-se para mim. "Os materiais escolares ficam bem ali, na esquina."

Eu ri. "Obrigada."


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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

Ver 10 comentários anteriores...
author

I hate her dad, poor thing.

um ano
3
author

👌

um ano
1
author

For everyone asking how she knew Rosie and the bus driver, she had to go buy groceries after they moved in because I doubt her trash father would do it.

um ano
2

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