Resgatados pelo MC - Livro 1

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Resumo

A equipe do The Rescuer's MC retorna de uma missão de uma semana onde resgataram uma mulher e seus filhos de um marido e pai abusivo. Todos os homens provocavam seu líder, Wolf, dizendo que ele estava "pussy whipped", o que ele aceitou sem guardar ressentimentos, pelo menos até chegar em casa e encontrar sua mulher na cama com seu melhor amigo! Nenhum de seus irmãos de clube tentou avisá-lo sobre o que ele estava prestes a encontrar, deixando-o com uma sensação de traição, como se tivessem usado suas costas como alvo para a prática de arremesso de facas! Hope e Devon haviam saído para um dia de caminhada em uma trilha favorita da família quando são abordados por caçadores ilegais em busca de uma "diversão" depravada com Hope. Quando eles se recusam, os caçadores atiram em Devon, ferindo-o, mas, ao cair no chão, ele bate a cabeça em uma pedra e desmaia. Acreditando que ele esteja morto, Hope fica aterrorizada com o que os caçadores farão com ela e sai correndo, transtornada e chorando pela perda do irmão, apavorada com o que os assassinos de Devon farão se a alcançarem. Por 4 dias e 3 noites, ela consegue evitá-los, mas eles estão se aproximando e suas rotas de fuga estão diminuindo rapidamente quando ela encontra não apenas uma cabana à beira de um lago, mas um motoqueiro muito bonito que acaba sendo não apenas seu salvador, mas o amor de sua vida!

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
5.0 47 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 – A Traição de um Irmão

A Equipe de Resgate 1, Wolf, Hammer, Chains, Buzzard e dois prospects vinham rodando há mais de uma semana na última missão: resgatar uma jovem mãe e seus dois filhos de uma situação de merda.

O filho da puta já estava "fora de cena, permanentemente", e a mãe e as crianças estavam de volta com a família, em segurança. O desgraçado vinha batendo na mulher havia muito tempo, e os filhos não só tinham visto tudo como também tinham apanhado um pouco. Aquilo era algo que nenhum deles conseguia tolerar.

A mulher tinha chamado a polícia várias vezes, mas eles não faziam quase nada, só prendiam o marido por uma noite e o soltavam assim que ele ficava sóbrio. Dessa última vez, depois que ele foi levado para a cadeia, ela entrou em contato com o Rescuers MC, e o Prez mandou sua melhor equipe para resolver a situação. Ela disse que só precisava de ajuda para se afastar dele antes que o soltassem de novo.

Infelizmente, eles o soltaram antes que os Rescuers chegassem, e dessa vez ele estava sóbrio quando a espancou feio. Estava puto porque ela o tinha mandado para a cadeia de novo por bater nela. Dessa vez, ele disse que, se ela chamasse a polícia outra vez, ia matá-la quando saísse. Ela contou que ele riu, dizendo que estava ficando íntimo dos policiais e que agora os conhecia pelo primeiro nome.

Wolf e os outros chegaram logo depois que ele saiu para o bar. Ajudaram a mulher a juntar algumas coisas que ela e os filhos precisariam e os tiraram de lá em segurança, mas ela avisou a Wolf que o desgraçado sabia para onde ela fugiria, então eles ficaram esperando ele voltar.

Demorou uns dois dias, mas ele finalmente apareceu tarde da noite, como sempre, bêbado que nem um gambá e gritando para a mulher abrir a porta. Caramba, a cara dele quando Hammer abriu a porta não tinha preço!

Eles "resolveram" o problema e agora estavam voltando para casa. Wolf precisou se controlar para não passar do limite de velocidade, porque a última coisa que queria era ser parado por excesso de velocidade só porque estava louco para voltar para a Ceecee.

Todos os irmãos que estavam com Wolf zoaram ele a viagem inteira, dizendo que ele estava um cachorrinho apaixonado, porque Wolf tinha contado os planos de pedir a mulher em casamento quando chegasse em casa. Tinha comprado o anel e ia pedir ao Prez para encomendar o colete de propriedade dela, e quando chegasse, ia se ajoelhar e fazer o pedido completo.

Wolf e Ceecee estavam saindo desde a primeira vez que ela apareceu no bar com umas amigas, quase um ano atrás. Ele achou que tinham combinado de ficar só um com o outro, mas estava redondamente enganado em confiar nela!

Ceecee era alta, mas ainda assim quase trinta centímetros mais baixa que ele. Cabelos loiros e longos, olhos azuis grandes, e, embora não tivesse peitos enormes, sabia se vestir para valorizar o que tinha, dando um corpo que parava o trânsito onde quer que fosse.

Ele se lembrava dela entrando no bar do clube uma noite com umas amigas, usando uma blusa que mostrava o decote na medida certa e uma saia justíssima e curta, que exibia aquelas pernas longas e perfeitas e uma bunda redonda que ele tinha certeza de que caberia perfeitamente nas mãos dele. Ficou atraído na hora e decidiu que ia fazê-la sua. Convidou-a para dançar, e desde então estavam juntos.

Talvez fosse porque fazia tempo que ele não ficava com uma mulher, mesmo com as putas do clube sempre atrás dele. Mas ele recusava transar com elas porque só queriam ele pelo status no clube. Ou talvez fosse porque estava começando a sentir inveja dos irmãos que tinham mulheres fixas, ou porque estava se sentindo sozinho, mesmo morando numa casa cheia de homens que, para ele, eram mais que amigos. Eram seus irmãos de clube, e a única pessoa com quem tinha sido mais próximo era seu irmão de sangue, Drake.

Embora não tivessem passado muito tempo conversando, Ceecee era boa na cama, e a aparência dela compensava os poucos defeitos que Wolf tinha notado até então. Como o fato de ela gostar de flertar. E de fazer comentários provocantes para outros homens.

Eles tiveram uma briga feia por causa disso uma noite, quando estavam no bar da cidade e ela flertou com um cara tão bêbado que mal conseguia ficar em pé, enquanto Wolf estava no banheiro. Quando voltou, encontrou a mão do cara no quadril dela, e ela rindo da situação!

Ele deveria ter visto quem ela era naquele momento e simplesmente ter ido embora, mas, em vez de culpar ela, Wolf culpou o cara e quebrou o nariz dele por ter posto as mãos nela.

Infelizmente, Wolf acreditou quando ela disse que tinha ficado com medo de que o cara a machucasse se tentasse empurrá-lo, e que estava rindo de nervoso.

Ele estava tão cego pela beleza dela que não fazia ideia do quanto ela estava escondendo. Ela o fez acreditar que ele era tudo para ela, que não queria as mãos de mais ninguém além das dele. A transa de reconciliação depois foi ótima!

Então, depois de meses namorando, e mesmo sem ter sentido aquele "tapa na cara" que os irmãos descreviam quando encontravam suas mulheres, Wolf se convenceu de que ela era a certa.

Afinal, ele não estava ficando mais novo, e com certeza não queria ser um velho quando tivessem filhos. Outro ponto que deveria ter conversado com ela, em vez de simplesmente presumir que ela também queria crianças.

Passou semanas procurando o anel perfeito, quase tanto tempo planejando como ia fazer o pedido. Já sabia que não ia se lembrar de nada do discurso que tinha ensaiado na frente do espelho, mas mesmo assim mal podia esperar para chegar em casa e colocar o plano em prática.

Assim que entraram no pátio, Wolf notou que o carro da Ceecee estava ali. Alguém tinha ligado para ela e avisado que eles voltariam hoje? Como, se ninguém sabia que estavam voltando? Ninguém tinha ligado para dizer que estavam a caminho. Então por que ela estava ali tão cedo, ainda mais a essa hora? Wolf teve um pressentimento ruim, mas não percebeu os olhares que os irmãos trocaram entre si.

Wolf entrou na sede do clube e olhou em volta, mas Ceecee não estava em lugar nenhum. De repente, o pressentimento piorou. Ninguém falava, na verdade, a sala inteira ficou em silêncio quando eles entraram. Puta merda, a maioria das pessoas nem olhava para ele. "Bom, que bela recepção de volta!", Wolf murmurou baixinho ao entrar.

Buzzard entrou por último e gritou: "Querida, chegamos!", mas ninguém riu nem disse uma palavra. "Ei, pessoal! Estamos fora há mais de uma semana! Não esperamos uma festa, mas vocês podiam pelo menos dizer 'bem-vindos' ou 'como foi a viagem?'."

Alguns resmungos ecoaram pela sala, mas a maioria continuou bebendo suas cervejas e evitando olhar para eles, especialmente para Wolf.

"Tanto faz", Wolf pensou, mas dava para sentir que algo estava errado. Deixou isso de lado porque, no momento, só queria ver a Ceecee. Estava com saudade dela pra caramba. Talvez ela estivesse com uma das old ladies? De alguma forma, duvidava, porque nenhuma delas parecia gostar dela, mas Wolf tinha atribuído isso a ciúme ou inveja. Embora não fizesse ideia do que elas teriam para ter ciúme ou inveja, já que todas eram bonitas à sua maneira, mas por algum motivo simplesmente não se davam bem com a Ceecee.

Sabia que ia encontrá-la, mas primeiro queria tomar um banho e vestir uma roupa limpa. Subiu as escadas de dois em dois degraus e seguiu pelo corredor até seu quarto. Não passou despercebido pelo seu ouvido apurado que, de repente, a sala atrás dele pareceu ganhar vida com vozes. Ouviu alguém dizer: "Não esperávamos vocês de volta até amanhã." Devia ter desconfiado quando escutou outro falar: "Puta merda, a bomba vai explodir!".

Alguns segundos depois, aquele único comentário pareceu uma facada nas costas quando Wolf abriu a porta, esperando encontrar Ceecee esperando por ele, mas o que viu o deixou de queixo caído. Ficou ali, paralisado, olhando para uma cena que, a princípio, não conseguia acreditar.

Uma enxurrada de sentimentos o atingiu. Descrença, depois uma dor no peito que quase o deixou sem ar. Em seguida, uma raiva avassaladora, como nunca tinha sentido antes, seguida por um vazio, como se alguém tivesse enfiado a mão no peito dele e arrancado o coração.

Ceecee o viu primeiro e, honestamente, parecia com medo dele. Ele nunca a tinha machucado! Seria por causa da expressão no rosto dele? Ela não podia mesmo culpá-lo, podia? Estava transando de bom grado com o melhor amigo dele! Tudo o que disse foi "Puta merda!" enquanto tentava empurrar o peito de Digger, tentando tirá-lo de cima dela.

Quando Digger finalmente percebeu que ele estava ali, pulou da cama, o pau ainda pingando os fluidos da Ceecee e SEM CAMISINHA! Caralho, ela sempre insistia para que ele usasse, dizendo: "Ainda não estou pronta para ter filhos."

"Wolf! Não esperávamos você de volta tão cedo. Olha, cara..." foi tudo o que conseguiu dizer antes que Wolf avançasse nele.

Poderia ter matado os dois. Ninguém o culparia. Ele partiu para cima de Digger, derrubando-o no chão, e socou onde conseguia alcançar, enquanto Ceecee gritava para ele parar. Digger nem tentou revidar, porque sabia que tinha feito a pior coisa que podia ter feito ao seu irmão de clube e melhor amigo!

Finalmente, Prez e Hammer conseguiram tirar Wolf de cima de Digger, e o Prez gritou para um prospect chamar o Doc, enquanto seguravam Wolf para impedi-lo de atacar Digger ou Ceecee. Embora, para ser sincero, o Prez quase queria deixá-lo descontar a raiva naquela vadia!

"Há quanto tempo, Ceecee? Há quanto tempo você está transando com o meu melhor amigo? Como pôde fazer isso comigo? Achei que me amasse, você disse que amava." Wolf gritou com ela, mas ela não disse uma palavra. "Sai daqui, sua puta. Você não passa de uma vagabunda. Some daqui e nunca mais apareça perto de mim." Quando Prez e Hammer finalmente o soltaram, ele jogou algumas roupas dela em cima dela e foi tudo o que pôde fazer para não torcer o pescoço dela!

Ceecee vestiu a blusa e depois o short. Pegou a calcinha e os sapatos e saiu correndo do quarto. "Desculpa!", ela chorou enquanto corria pelo corredor.

"SAI DAQUI! AGORA!", Wolf berrou, enquanto a observava, cerrando os punhos e respirando com dificuldade. Estava se segurando para não perder o pouco de controle que ainda tinha.

Prez mandou Hammer e Doc levarem Digger para a clínica, e, por sorte, Digger ficou de boca fechada enquanto saíam do quarto de Wolf.

"Há quanto tempo?", Wolf finalmente perguntou ao Prez, quando ficaram sozinhos.

"Pelo que sei, a primeira vez foi há uns dois meses, quando vocês foram para o Tennessee", Prez respondeu, sentindo-se culpado. "Devia ter te contado, mas eles ficavam dizendo que iam resolver, então decidi não me meter. Desculpa."

"Ela está grávida?", Wolf perguntou.

"Não sei. Não é da minha conta. Acho que todo mundo pensou assim. Ninguém quis ser o primeiro a te contar."

"Então, em vez disso, todo mundo deixou eu passar por idiota, por um idiota apaixonado. Não acredito que o Digger fez isso comigo. Achei que ele era meu amigo. Achei que podia confiar nele mais do que em qualquer um. Como ele pôde me trair assim? Como todos vocês puderam me trair assim? Achei que eram meus irmãos! Preciso de uma bebida. Preciso de muitas bebidas." Wolf murmurou, mais para si mesmo do que para alguém.

Normalmente, ele não era de beber muito, então aquilo surpreendeu o Prez, mas, naquele momento, não podia mesmo culpá-lo. Como presidente do clube, o Prez tinha decepcionado um dos melhores homens que conhecia, e sua decisão de não se meter tinha magoado um bom amigo.

Naquela noite, Wolf ficou bêbado pra caralho. Uma das putas do clube tentou se aproximar, mas ele rosnou: "Fica longe de mim."

Hammer e Chains finalmente o arrastaram para a cama por volta das 3 da manhã, depois que ele apagou em cima da mesa de sinuca. Só puxaram o edredom manchado de porra, o jogaram na cama, tiraram as botas e o cinto e o deixaram dormir. O Prez tinha tirado a arma dele antes, para que não atirasse no Digger – que o Prez mandou ficar na enfermaria com o Doc, por segurança – ou se machucasse.

Wolf acordou por volta de uma da tarde do dia seguinte e ficou sentado na beira da cama por um minuto, tentando se lembrar do que tinha acontecido e por que sua cabeça e a mão direita doíam tanto. Perguntou-se por que ainda estava completamente vestido, exceto pelas botas e o cinto. Até o colete e o coldre de ombro estavam no lugar, mas a arma tinha sumido. Onde? Não fazia ideia e, sinceramente, não estava nem aí.

Estava sentado com a cabeça entre as mãos, desejando que aquele homenzinho martelando dentro do seu cérebro — que parecia estar dentro de um balde de lixo agora — parasse. Quando as lembranças finalmente inundaram sua mente, levantou-se e correu para o banheiro, onde vomitou uma garrafa inteira de uísque e as seis latinhas de cerveja que tinha bebido na noite anterior, de estômago vazio.

Desejando que o sujeito batendo no balde de metal em sua cabeça calasse a boca, abriu a água quente do chuveiro. Tirou a roupa e entrou debaixo do jato, deixando a água bater no pescoço e nas costas enquanto tentava processar o que tinha acontecido. Nada poderia tê-lo preparado para a traição que sofrera no dia anterior.

Isso ia além da sua mulher o traindo. Aquilo já era ruim o suficiente, mas a traição do Digger tinha arrancado seu coração! Doía pra caralho que o único homem em quem achava que podia confiar cegamente, que já tinha salvado sua vida várias vezes, tivesse feito aquilo com ele.

E não era só o Digger, seu ex-melhor amigo, mas o clube inteiro. Parecia que todos os seus irmãos de clube sabiam que a Ceecee e o Digger estavam juntos enquanto ele estava fora em missões. Todos sabiam que os dois estavam transando quando ele voltou para casa ontem.

Mas, em vez de lhe mostrarem lealdade e o alertarem, deixaram que ele entrasse naquele quarto e descobrisse o que nunca imaginaria ser possível. Se sabiam o que estava rolando, por que não o avisaram?

Eram os homens que ele sempre achou que estariam ao seu lado, acontecesse o que acontecesse, mas deixaram que ele caísse direto no inferno. Essa era a traição que mais doía. Sempre pensou que podia contar com eles, como sempre contou com cada um.

Mas, quando parou para pensar, o que teria feito se a situação fosse inversa? Como seria difícil contar para um irmão que a mulher dele estava o traindo? Conseguia imaginar não só o quanto seria complicado, mas também o perigo que seria.

Sempre tentou ignorar quando a Ceecee flertava, e quando a confrontava, ela só ria e dizia que estava só "brincando". Agora percebia que era exatamente isso que ela fazia o tempo todo. Sempre concordava quando ele dizia que a amava. Nunca dizia com todas as letras que retribuía o sentimento. Só sorria, murmurava ou dizia "Eu também".

E tinha que admitir que, se algum dos irmãos tivesse falado mal da Ceecee antes disso, ele não teria acreditado e ainda teria acabado em briga. Estava magoado por ela ter o traído, mas o que realmente o feriu foi a traição do Digger.

Aquilo era algo que nunca imaginaria ser possível. Ia levar um tempo para superar. Estava ferido, e um Lobo ferido é perigoso para todos ao redor.

Quando finalmente sentiu que tinha queimado as costas o suficiente, terminou o banho, lavou o cabelo, fechou a água e saiu do box. Secou-se. Graças à sua herança indígena, não precisava se barbear, então só escovou os dentes e penteou o cabelo preto e longo, que quase chegava à cintura, antes de trançá-lo rapidamente.

Vestiu a roupa de sempre: uma calça jeans preta limpa, uma camiseta regata preta e meias, depois enfiou os pés nas botas. Enquanto passava o cinto pelas presilhas da calça, ficou olhando para o colete por alguns instantes, em guerra consigo mesmo, sem saber se queria ficar ali, mas sabia que precisava dar uma chance para que explicassem.

Colocou o coldre de ombro e, meio que lembrando que o Prez estava com sua arma, vestiu o colete e se sentiu finalmente vestido. Pegou a carteira e o celular dos bolsos da calça suja e os guardou nos novos.

Wolf abriu a porta e encontrou um cesto de roupa suja na frente, com as roupas da viagem, limpas e dobradas, e sua mochila de couro em cima. Pegou o cesto e colocou na cama. Ia ter que trocar os lençóis antes de dormir de novo, mas, por enquanto, queria café e algo para comer.

Desceu até a cozinha e encontrou o Prez e o VP do clube, Spokes, conversando com Butcher, o cozinheiro. Wolf entrou e serviu-se de café. "Butcher, tem chance de arrumar alguma coisa pra comer?", perguntou.

"Bom dia. Claro. Tenho um ensopado que sobrou do almoço." Butcher respondeu, pegando uma tigela do armário e começando a enchê-la para Wolf antes de colocá-la no micro-ondas para esquentar.

"Tá bom. Valeu." Wolf disse e foi se sentar em um dos bancos ao redor do balcão da cozinha. Sabia que o Prez ia querer conversar com ele, nem que fosse só para saber como tinha sido a missão de que acabaram de voltar. Depois de um ou dois minutos, Spokes inventou uma desculpa sobre precisar verificar algo que estavam discutindo e saiu da cozinha.

"E aí, como foi a missão?", o Prez perguntou, como Wolf já esperava.

"A gente resolveu o problema. A mãe e as crianças já estão com a família dela. O cara já estava todo quebrado antes de a gente chegar, por ter sido preso, depois foi para um bar, mas acabou voltando uns dias depois, bêbado que nem um gambá e puto da vida.

Quem dera eu tivesse tirado uma foto da cara dele quando o Hammer abriu a porta. Impagável! Enfim, o Hammer fez ele sentir um pouco da dor que andava distribuindo antes de a gente dar um fim nele. Valeu, Butcher." Wolf disse quando Butcher colocou uma tigela fumegante de ensopado na sua frente e empurrou um pão em sua direção.

Deixaram que comesse em paz por alguns minutos e, quando a tigela ficou vazia, ele perguntou: "Vocês têm alguma coisa para o meu time por enquanto?"

"Não. Por enquanto, não, graças a Deus. Por quê?", o Prez respondeu.

"Ótimo. Preciso dar um tempo daqui. Pelo menos por um tempo. Não consigo ficar aqui e ver os dois juntos. E com certeza não quero ficar perto daquele filho da puta por um tempo, se é que algum dia vou querer de novo." Wolf disse.

"Prez, vou até a cidade. Preciso de umas coisas para o jantar. Volto em mais ou menos uma hora." Butcher disse. Não precisava ficar ali ouvindo aquilo. Se tivesse visto o Wolf quando ele chegou ontem à noite, teria impedido que subisse ou pelo menos o alertado sobre o que ia encontrar.

Butcher sempre gostou do Wolf. Era um homem de palavra, alguém em quem todos os irmãos podiam confiar. A traição deles era exatamente isso: uma traição. Ele entendia como o Wolf estava se sentindo agora.

"Tá bom. Se cuida. Leva um prospecto se precisar de ajuda para carregar as coisas." O Prez disse, e Butcher só assentiu antes de sair da cozinha.

O Prez decidiu ser totalmente honesto com o Wolf. Nunca tinha gostado muito da Ceecee, mas, enquanto ela era mulher do Wolf, nunca tinha falado mal dela, pelo menos não diretamente para ele.

"Wolf, sei que você gostava dela e, enquanto ela se comportou, não disse nada, mas a Ceecee é dissimulada e, na minha opinião, não passa de uma vadia. O Digger ainda não sabe, mas não é o único com quem ela está transando." O Prez disse.

"Então mais de um dos meus irmãos me traiu? Que maravilha!" Wolf disse. Respirou fundo e se levantou. "Vou dar o fora daqui. Preciso de um tempo para colocar a cabeça no lugar antes de fazer alguma coisa da qual eu vá me arrepender."

"Entendo, mas até você me dizer que quer ser um, não vou te colocar como nômade. Vai! Tira um tempo para você. Você merece. A gente sempre vai estar aqui quando você voltar." O Prez disse. Odiava ver qualquer um dos seus homens sofrendo assim, mas principalmente o Wolf. Ele era um dos bons. O clube inteiro ia sofrer se ele decidisse ir embora, porque era o melhor rastreador do estado, não só do clube.

"Preciso da minha arma de volta." Wolf disse.

"Está no seu cofre." O Prez respondeu. "Você estava apagado na cama quando guardei."

O Prez tinha conversado com o Digger e a Ceecee depois de pegá-los se beijando no pátio uma noite, alguns meses atrás. Os dois garantiram que iam contar para o Wolf, mas nenhum dos dois disse nada.

A Ceecee teria tido tudo se tivesse mantido as pernas fechadas e sido fiel a ele, mas não! Andava transando com um monte de caras, sempre na surdina, para que nenhum soubesse dos outros.

O Prez só tinha visto o Digger e a Ceecee juntos aquela vez e só tinha ouvido rumores ou comentários estranhos sobre ela, mas nunca tinha visto nada com os próprios olhos até a noite passada. Ontem à noite, vários dos caras tinham contado que a viram saindo dos quartos de outros irmãos.

Mas o Digger sabia o quanto o Wolf tinha se apegado a ela, sabia dos planos dele de pedi-la em casamento, então o Wolf tinha razão em se sentir traído. Mesmo que o Digger estivesse bêbado pra caralho na primeira vez, não estava em todas as outras depois daquilo.

Wolf voltou para o quarto, arrumou as roupas limpas do cesto e colocou mais algumas mudas, porque não sabia quanto tempo ia ficar fora. Pegou a arma do cofre e a colocou no coldre. Pegou a mochila e, com um último olhar pelo quarto, levou-a até a moto e a prendeu. Nem se despediu de ninguém. Não sabia se voltaria, mas, por enquanto, precisava sair dali antes de fazer ou dizer algo de que pudesse se arrepender depois.

Colocou as luvas que sempre usava para pilotar, jogou a perna por cima da moto, levantou o descanso e ligou o motor. Saiu acelerando do complexo e pegou a estrada. No começo, só dirigiu. Sem rumo certo. Só precisava sentir o vento no rosto e o ronco do motor entre as pernas.

Algumas horas depois, parou para abastecer. Ao se ver no reflexo da janela do posto, pela primeira vez em mais de cinco anos, tirou o colete e o guardou na bolsa da moto. Não conseguia usá-lo sabendo que cada um daqueles seus "irmãos" o tinha traído daquele jeito. Além disso, usar as cores fora do território deles podia ser perigoso, ainda mais sozinho.

Como tirar o colete deixava a arma à mostra, transferiu a pistola para o coldre da bota, tirou o de ombro e o guardou na bolsa junto com o colete. Pagou o combustível e, ao sair da loja, o cheiro de algo que alguém estava cozinhando invadiu seu nariz.

Sabia que logo ia escurecer e pilotar à noite era ainda mais perigoso quando se estava sozinho. Além disso, ia precisar dormir, mas primeiro queria comer. Seguiu o cheiro até um pequeno restaurante e entrou.

A garçonete era uma mulher baixinha e cheinha, com um crachá escrito "Mabel" no uniforme. "O que vai querer, querido?", perguntou enquanto levava um copo d’água, talheres e um cardápio até a mesa onde ele tinha se sentado.

"O que é que está cheirando tão bem?", Wolf perguntou.

"Deve ser o prato do dia, que é carne de panela. Vem com purê de batatas, molho, ervilhas e pão de milho ou pão francês." Mabel disse, sorrindo.

"Vou querer esse, com pão de milho e um copo de leite, por favor." Wolf disse.

"Já vai saindo." Mabel disse e voltou até a janela para falar com o cozinheiro. "Um prato do dia com pão de milho, por favor." Depois serviu um copo grande de leite para o Wolf.

Alguns minutos depois, voltou com o jantar e disse: "Temos torta de maçã de sobremesa e até sorvete de baunilha, se quiser."

"Por favor! Parece ótimo!" Wolf disse, sorrindo. Decidiu não pensar em mais nada enquanto saboreava o jantar. Assim que terminou, Mabel trouxe a sobremesa e mais um copo de leite. "Valeu, Mabel. Esse foi o melhor carne de panela que comi em muito tempo." Não era que não gostasse do carne de panela do Butcher, mas o fato de não ter que se servir e a comida não estar pela metade, e sim bem apresentada, fazia diferença.

"Obrigada... Desculpa, não peguei seu nome. Você está se mudando para cá ou só de passagem?", Mabel perguntou.

"Drew. Infelizmente, só de passagem. Tem algum hotel ou pousada por aqui onde eu possa passar a noite?" Wolf perguntou, usando seu nome verdadeiro. Parecia estranho não se apresentar como Wolf, nome que usava desde que tinha entrado para os Rescuers MC, quase quatro anos atrás.

Mas, depois do que tinha rolado com o Digger e a Ceecee, não sabia se ia continuar com eles por muito mais tempo. Estava lutando contra a sensação de traição por parte dos homens que considerava seus irmãos havia tanto tempo.

“Prazer em conhecê-lo, Drew. Tem um Motel 6 a uns dois quilômetros daqui, limpo e com preço razoável. Devem ter quartos disponíveis, mas um conselho? Não coma no hotel. É tudo comida processada, que eles só esquentam e servem. Venha amanhã tomar café da manhã. A gente abre às 5 da manhã.” Mabel sorriu.

“Valeu! Vou me lembrar disso. Se o café da manhã for tão bom quanto esse jantar, não vai ser sacrifício nenhum voltar.” Wolf sorriu para ela.

Ele terminou a sobremesa e deixou vinte dólares na mesa antes de acenar em despedida e sair.

Wolf fez o check-in no Motel 6 e pegou um quarto no térreo, o que foi perfeito, já que assim podia ficar de olho em quem tentasse mexer na sua moto. Tomou um banho e ligou a TV. Com algum esforço, conseguiu tirar Ceecee e Digger da cabeça.

Tentou achar algo para assistir, mas nada prendia sua atenção. Tinha desligado o celular mais cedo, mas lembrou de colocá-lo para carregar antes de se virar, ajeitar o travesseiro algumas vezes e tentar dormir.

No começo, sonhou com a traição de Ceecee e Digger, mas depois ficou um tempo sem sonhar com nada e dormiu tranquilo, até que os sonhos viraram algo misterioso. Teria jurado que ouviu a voz da mãe, mas o que ela tentava dizer não chegava claro o suficiente para entender. Logo ao amanhecer, acordou com a sensação estranha de que algo estava por vir. Não sabia o que era, mas aquilo o deixou em alerta.

Ao se vestir, lembrou do que Mabel tinha dito sobre não comer no hotel. Pegou suas coisas e conferiu se não tinha esquecido nada antes de sair do quarto. Olhou o buffet na hora de fazer o check-out e concordou com a opinião dela. Devolveu a chave, saiu do hotel, colocou a mochila de volta na moto e voltou para a lanchonete. Como esperado, já estavam abertos, e o cheiro que vinha de lá era de dar água na boca.

Depois de outra refeição excelente — dessa vez waffles, ovos, linguiça e um dos melhores cafés que Wolf já tinha tomado —, aproveitou uma segunda xícara antes de deixar mais vinte dólares na mesa. Despediu-se de Mabel e voltou para a estrada, prometendo parar de novo se passasse por ali.

Pegou a estrada e seguiu para sudeste. Estava em dúvida sobre para onde ir para se afastar de tudo e pensou em ir para a praia, mas acabou decidindo voltar para a cabana onde ele e a família costumavam passar férias quando ele e Drake eram garotos. Talvez fosse pescar. Não pescava desde a última vez que tinha ido lá com Drake, pouco antes de ele embarcar para o exterior, uns dois meses depois do aniversário de 21 anos de Wolf.

Drake era dois anos mais velho que ele. Tinham sido muito próximos na infância. Drake o levou para o primeiro bar na noite em que Wolf completou 21 anos, e tudo estava indo bem. Estavam se divertindo, jogando sinuca, dardos, rindo como não faziam havia muito tempo.

Aí um bêbado começou a encher o saco de uma garçonete porque ela não queria dar atenção para ele. Drake estava no banheiro quando Drew decidiu intervir, depois que o cara levantou a mão para bater na moça.

Drew segurou o braço do homem quando ele o ergueu acima da cabeça, pronto para descer na garota, e o empurrou para trás. O bêbado tropeçou, e Drew passou o braço pela cintura da garçonete, tirando-a de perto do perigo. Estava de costas para o cara quando Drake saiu do banheiro.

Chegou bem a tempo de ver o bêbado acertar Drew por trás com um taco de sinuca. Drake viu o sangue jorrar da cabeça do irmão quando ele caiu para frente e pirou. Partiu para cima do cara, gritando que o bêbado tinha matado seu irmão, e foram precisos vários homens para tirá-lo de cima dele. Quando conseguiram, o sujeito estava todo arrebentado.

Drew acordou no hospital dois dias depois, com oito pontos na nuca, e Drake estava preso. Quando a polícia foi interrogá-lo, não conseguiu dizer muita coisa, só que tinha um grandalhão bêbado enchendo o saco de uma mulher. Tentou tirá-la de perto dele, mas a próxima coisa que lembrava era de estar no hospital, com uma dor de cabeça insuportável e oito pontos no couro cabeludo.

No julgamento de Drake, o barman, a garçonete que Drew tentou ajudar e um dos seguranças do bar testemunharam que o bêbado foi quem começou a confusão. A garçonete contou ao juiz como tinha ficado assustada e até agradeceu a Drew e Drake por ajudá-la.

Também disseram que, quando Drake viu Drew apanhar e o sangue escorrendo da cabeça dele, perdeu a cabeça e quase matou o cara. Foram precisos o barman e o segurança para tirá-lo de cima do bêbado, cuja cara ficou toda detonada depois que Drake não parou de socá-lo enquanto gritava: “Você matou meu irmãozinho! A única família que me restava!” a cada soco.

O juiz foi duro com o bêbado, porque não era a primeira vez que ele se metia em brigas de bêbado, e deixou claro que não ia fazer Drew ou Drake pagarem as contas médicas dele. Ainda avisou que, se acontecesse de novo, ia jogar pesado.

O juiz foi compreensivo com Drake e, como era a primeira vez dele, deu duas opções: três anos de prisão por agressão, só por causa da gravidade da surra que deu no bêbado, ou três anos no Exército. Drake escolheu a Marinha. Lá, como sempre, ele se dedicou de corpo e alma e agora estava pensando em entrar para os SEALs. Os dois se escreviam com frequência, e Drake sempre ligava no Natal e no aniversário de Drew.

Os irmãos já tinham vendido a casa da família para pagar as contas do hospital e o enterro dos pais e estavam morando num apartamento alugado. Depois que Drake entrou para a Marinha, Drew ficou perdido sem o irmão por um tempo e acabou indo parar em Winchester uma noite. Estava pensando em ir para Nashville, mas resolveu parar para descansar e acabou entrando num bar local, onde Digger e alguns dos caras do clube estavam jogando sinuca e batendo papo.

Estava sentado no balcão quando Digger chegou para pedir mais bebidas, e começaram a conversar. Foi ele quem contou a Drew sobre o que o MC fazia e o apresentou ao Prez, que concordou em deixá-lo como prospect do clube.

Quando Drew contou a Drake que tinha entrado para o MC, ele não gostou nem um pouco, mas entendeu que Drew já não era mais criança e podia fazer o que quisesse da vida. Drew garantiu que não era um clube 1%, mas um que trabalhava com o Conselho Tutelar e a polícia para ajudar crianças e jovens a saírem de situações ruins.

Pelo menos a viagem pela memória fez o tempo passar mais rápido, e pouco antes do almoço, ele parou num mercadinho/posto de gasolina que já estava ali desde que ele e a família começaram a frequentar o lugar.

Por fora, se não fossem as bombas de gasolina na frente e os cartazes colados nas janelas, parecia uma cabana de madeira, com uma varanda larga, cadeiras de balanço e dois velhinhos jogando damas em cima de um barril virado. Wolf comprou alguns mantimentos básicos, paquerou a caixinha bonitinha por uns minutos e foi embora.

Não dava para carregar muita coisa na moto, então provavelmente teria que voltar ao mercado se ficasse na cabana por mais de alguns dias. Esperava chegar logo e rezava para que o lugar não estivesse muito detonado. Não voltava ali desde logo depois que Drake entrou para a Marinha. Tinha ido uma vez depois disso, mas estava tudo tão vazio e cheio de lembranças que acabou saindo no dia seguinte, deprimido.

Abasteceu a moto e o galãozinho de gasolina que tinha comprado para o gerador, na esperança de que ainda funcionasse. Rezou para que o gerador estivesse em ordem, senão teria que comprar um novo ou consertar o velho, porque sem ele não teria geladeira — e o pior de tudo: não teria água quente para o banho.

Drake e Drew tinham herdado a cabana quando o pai morreu. Era a única coisa que restava deles e do avô. Já tinham pensado em levar energia elétrica para lá, mas o custo era absurdo por causa da distância até a rede mais próxima. Por enquanto, o gerador era a solução para a geladeira e o aquecedor de água, mas só quando estavam lá.

Mais de uma vez, chegaram à cabana e encontraram caçadores ou campistas usando o lugar. Uma vez, alguém tinha se mudado para lá e roubado todas as panelas, que tiveram que ser repostas. Wolf torcia para que as coisas de que precisava ainda estivessem no esconderijo que fizeram no teto. Se não, pelo menos tinha o kit de acampamento na mochila da moto e o saco de dormir.

Uma hora depois, entrou na estrada que levava à cabana. Quando finalmente parou no quintal, o coração de Drew afundou. À primeira vista, a cabana estava em péssimo estado, pelo menos a varanda.

Os pilares que sustentavam a varanda estavam apodrecendo, e o telhado estava todo caído. Os degraus estavam quase completamente podres. Tomara que o telhado da cabana ainda estivesse bom, senão ia ter que repensar tudo. Não tinha barraca, então a cabana era a única opção até conseguir fazer os consertos. Tomara que não chova até lá.

Não se importava de dormir ao relento, mas isso significava ter que manter uma fogueira acesa a noite toda, ou então virar comida de urso ou dos felinos que andavam por ali.

Os felinos não eram tanto problema, mas os ursos, sim. Conseguia dar conta de predadores menores com a 9 mm, mas atirar num urso com ela só ia deixá-lo mais puto. E ainda tinha as cobras! Uma picada de cascavel podia ser fatal.

Deixou tudo na moto e resolveu dar uma olhada no lugar antes de começar a descarregar. Deu a volta na cabana e teve a sensação estranha de que alguém o observava. Parou algumas vezes para olhar para a mata ao redor, mas não viu nada.

Tentou ignorar a sensação e continuou avaliando o que precisava ser feito. Ficou aliviado ao ver que, pelo menos, as paredes e o telhado pareciam intactos, então só a varanda precisaria de conserto.

Pisou com cuidado na varanda e, graças a Deus, a maioria das tábuas parecia firme o suficiente para aguentar seu peso. Destrancou a porta, empurrou-a e entrou. Tudo estava coberto por uma camada grossa de poeira, mas já esperava por isso. Parecia que ninguém entrava ali havia muito tempo.

A cabana tinha uma sala grande, que servia de sala de estar, jantar e cozinha, tudo num espaço só. Na parede dos fundos, havia três portas. Uma para o banheiro no meio, com quartos do mesmo tamanho dos dois lados. Um quarto tinha uma cama king size, e o outro, duas camas de solteiro. Era perfeito para a família.

Drew ficou parado na porta do quarto com as camas de solteiro e lembrou dos muitos verões que a família passou ali antes de o pai morrer. Tinham sido tão felizes e vivido momentos incríveis na cabana.

Depois, o pai morreu num acidente de carro, e ficaram só ele, o irmão e a mãe. Ela os levou até a cabana mais uma vez, mas a perda do pai pesou para todos, e não ficaram tanto tempo quanto costumavam ficar.

Um ano depois da morte do pai, a mãe descobriu que tinha câncer de estômago em estágio 3 e lutou contra a doença por mais de um ano. Foi difícil vê-la definhar até quase nada. Não conseguia comer, mal conseguia fazer qualquer coisa além de dormir ou chorar de dor e solidão, porque sentia falta do marido.

A morte dela abalou Drew e Drake. Depois disso, Drake virou mais do que um irmão mais velho. Drew não conseguia deixar de desejar que ele estivesse ali agora. Com certeza precisava dos conselhos dele.