Monstro

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Resumo

Após anos de tortura, Kat perdeu sua humanidade. Ela sabe que viverá uma vida sem amigos ou entes queridos devido ao que se tornou. Uma aberração que gosta de matar. Ela não se importa com nada nem com ninguém. O que acontece quando ela encontra seu mate? Será que ela conseguirá se abrir para ele ou irá fugir sem olhar para trás?

Status
Completo
Capítulos
42
Classificação
4.9 56 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - No princípio

Nota da autora

Olá, pessoal :)

Esta é uma história sombria com abuso sexual no primeiro capítulo, violência e sangue em muitos dos outros. Se não é o tipo de coisa que você gosta, provavelmente não deveria ler.

Saiba que o inglês não é minha primeira língua, então haverá erros de ortografia, gramática e de linguagem, mas espero que isso não desanime você.

Se decidir ler minha história, espero que aproveite.

Boa leitura :)

Muito amor a todos vocês.

Tina.

Aviso de gatilho. Há uma cena de abuso sexual neste capítulo.

Capítulo 1 - No princípio....

“Por favor, não...”

Olho para o desgraçado ajoelhado na minha frente. Ele está chorando como uma criança, mas eu o encaro com olhos mortos e sem emoção, apontando a faca em minha mão para ele e dizendo: “me dê um motivo, porra, para eu deixar você viver”. Ele olha para mim suplicando, mas tudo o que sinto é raiva e nojo... E uma sensação de satisfação arrogante.

“E-eu posso ser melhor. Vou embora e mudar de cidade. E-eu nunca mais...”

Que bosta de conversa!

Em um movimento rápido, corto sua garganta, exatamente como aprendi e fiz muitas, muitas vezes antes.

“Duvido!”

Ele tenta desesperadamente estancar o ferimento sangrento, mas já perdeu muito sangue. Dói-me não poder torturá-lo, assim como ele fez comigo, mas isso terá que bastar.

Ele criou um monstro e agora está pagando por isso.

~~~~

Seis anos antes.

Dezessete anos de idade.

Ponto de vista de Hannah.

“Hannah, levante-se. Todos estão esperando.”

A voz de Alice me acorda e minha mente grogue leva um segundo para entender o que ela disse. Então olho para o relógio e o pânico se instala.

Não, não, não, não. Eu perdi a hora. Isso só significa uma coisa. Eu serei punida. Rezo para que eles peguem leve comigo desta vez.

Em pânico, visto-me rapidamente e corro para a cozinha. Assim que passo pela soleira, um punho acerta meu rosto, fazendo-me cair no chão.

Willis, meu Alfa, está pairando sobre mim, parecendo furioso, o que me faz tremer de medo do que ele vai fazer comigo. Olho para meus outros colegas de alcateia, suplicando por ajuda, mas ninguém está olhando para mim. Eles estão ocupados olhando para qualquer coisa, menos para a situação à frente deles.

“Já que você não sabe as horas, acho que vou ter que te ensinar!” diz Willis. Alguns poderiam achá-lo bonito com seu cabelo castanho na altura dos ombros, queixo forte e olhos castanhos profundos, mas tudo o que vejo é maldade. Ele sente prazer com a dor e o medo dos outros.

Agarrando-me pelo cabelo, ele me arrasta para fora da cozinha, e vejo o Beta, Dan, levantar-se e nos seguir. Willis me arrasta para o porão, minhas costas batendo em cada degrau no caminho. Tento não gritar de dor, porque isso só piorará as coisas para mim.

Eles amarram meus pulsos em volta de um poste de madeira no meio do porão úmido. Não luto. Meu corpo franzino de 1,60m não é páreo para a força deles, então qual seria o sentido?

“Então, o que devemos usar hoje?” pergunta Willis. Ouço o som familiar da coisa que mais temo. Um chicote com cacos de vidro incrustados nele.

Eles arrancam minha camisa e meu sutiã, fazendo-me tremer contra o poste de madeira frio e áspero. As lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto soluço o mais baixo que posso, antecipando a dor que estou prestes a suportar.

O estalo do chicote preenche o ar, e sinto o vidro cortar a pele das minhas costas. Por mais que eu tente, não consigo conter o grito que escapa da minha garganta, o que faz os dois darem risada. “É, grite para a gente.”

Eles me chicoteiam mais cinco vezes antes de pararem. Sinto o sangue escorrer pelas minhas costas dos ferimentos que parecem estar em chamas, enquanto minha garganta dói de tanto gritar. Sinto uma mão na parte de trás da minha cabeça antes de sentir o hálito fétido de Dan. “Você é patética.” Ele bate com minha cabeça no poste, deixando minha visão turva.

“Acho que ela precisa de uma última lição, Dan. Divirta-se”, diz Willis antes de ouvi-lo subir as escadas, batendo a porta atrás de si. Dan puxa meus quadris contra sua virilha. Sei o que vem a seguir, mas estou exausta demais pela dor para fazer qualquer coisa.

Ele abaixa meu moletom e arranca minha calcinha antes de desafivelar o cinto. “Eu vou te usar, e você vai aguentar tudo como uma cadela obediente.”

Ele abaixa as calças, pega seu pau nojento na mão e começa a masturbá-lo. Então, ele cospe nele e entra com brutalidade no meu interior seco, fazendo-me gemer de dor. Ele penetra em mim rápida e fortemente, fazendo-me agarrar o poste com força. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, faço o que aprendi a fazer. Eu me desligo. Minha mente fica entorpecida enquanto desejo estar em um lugar feliz. Encontrando meu lobo. Sendo livre. Encontrando meu parceiro e formando uma família. Mas isso nunca vai acontecer.

Quando Dan finalmente termina, ele sai e goza nas minhas costas. Eu me encolho de dor quando o sêmen dele se mistura com os cortes sangrentos nas minhas costas. Ele sobe as calças, chuta minhas costelas e puxa minha cabeça para trás, pelo cabelo.

“Talvez você saiba as horas agora, mas espero que não, porque eu gosto dessa sua boceta.”

Ele arrasta a língua pela minha bochecha com uma longa lambida, solta meu cabelo e deixa o porão. Caio no chão de concreto frio com o moletom nos tornozelos. Geme de dor por causa do meu interior machucado, enquanto o sêmen e o sangue escorrem pelas minhas costas.

Eles me tratam como escrava desde que meus pais morreram em um ataque de rebeldes, há um ano.

Quando eles eram vivos, me deixavam em paz. É verdade que não estavam muito animados conosco, mas vivíamos em paz. Não acho que o resto da alcateia saiba que Dan me estupra. Apenas Willis sabe. Muitas vezes me pergunto por que ele simplesmente não me mata.

Então percebo, eles apenas encontrariam outra vítima... Mas eu simplesmente não aguento mais isso. Ficar aqui vai me destruir completamente e não tenho certeza se conseguirei me recuperar disso.

Não sei quanto tempo fiquei no porão quando a porta se abre e Willis desce as escadas. Ele se ajoelha na minha frente com um sorriso nojento e agarra meu queixo com tanta força que dói, forçando-me a olhar para ele.

“Você aprendeu a lição ou devo mandar o Dan descer aqui de novo?”

Balanço a cabeça rapidamente, e ele me olha por um momento antes de desamarrar meus pulsos. “Essa é uma boa cadela. Agora saia da minha frente!”

Levanto-me, puxo meu moletom, cubro meus seios com os braços e subo as escadas cambaleando. Ordeno que minhas pernas trêmulas me levem ao meu quarto, rezando para que ninguém me veja. Quando chego lá, desabo de barriga no colchão sujo no chão.

Não muito tempo depois, a porta se abre e a parceira de Dan, Alice, entra. “Quando você vai aprender, Hannah?”

Fico em silêncio. O que devo dizer? Ser chicoteada é maravilhoso. É por isso que continuo fazendo merda. É meu novo emprego dos sonhos.

Ela suspira de raiva e frustração antes de começar a limpar os ferimentos nas minhas costas. Ainda não encontrei meu lobo, então não me curo tão rápido quanto os outros, e os ferimentos podem infeccionar, o que tornaria impossível para mim fazer todas as minhas tarefas. Não podemos deixar isso acontecer, não é mesmo?

Eu me encolho quando Alice passa o desinfetante nos cortes. “A culpa é sua! Apenas faça suas tarefas, porra, que isso não aconteceria.”

Não tenho tanta certeza disso.

“E, francamente, estou ficando de saco cheio de ter que limpar você o tempo todo!”

Quando ela termina de limpar minhas costas, ela se levanta e sai. A dor me impede de dormir, então fico deitada o resto do dia, pensando na minha vida. Pensando no inferno que é e em como posso escapar. Não aguento mais. Se isso continuar acontecendo, eu vou quebrar, e não quero viver o resto da minha vida como uma casca vazia.

De repente, algo mexe dentro de mim, deixando minha mente e meu corpo alertas. É como se algo se encaixasse, fazendo-me sentir determinada e... Forte?

Tenho que sair daqui. Tenho que fugir deste inferno. Eu não sou uma escrava. Eu sou filha da minha mãe! Ela era tão forte.

Saio lentamente do colchão e vou para o banheiro pequeno, onde abro a caixa acoplada do vaso sanitário e tiro um saco ziplock cheio de dinheiro que minha mãe me deixou. Mantive-os escondidos de todos para que não os tirassem de mim.

Volto para o quarto, pego uma bolsa de viagem do pequeno armário e coloco tudo o que tenho nela, que são duas camisetas. Visto uma lentamente, certificando-me de que não toque nas minhas costas enquanto faço isso. Não tenho mais roupas íntimas. Meu último conjunto foi arruinado no porão, então terei que me virar com o moletom e a camiseta.

A dor torna difícil o movimento, mas ainda consigo porque preciso sair daqui. Estou morrendo de medo, pensando que seria mais fácil simplesmente me matar. Só de pensar nisso já é melhor do que o que eles fariam se me pegassem.

Hesito, mas aquela agitação volta, fazendo-me sentir forte e determinada. É estranho porque faz tanto tempo que não me sinto assim.

De onde isso vem?

Balanço a cabeça. Sem tempo para pensar nisso. É agora ou nunca!

Abro a porta lentamente e olho para o corredor. Está vazio. A casa está silenciosa, e rezo à Deusa para que todos estejam dormindo.

Respirando fundo, saio do meu quarto na ponta dos pés pelo corredor até a sala de estar. Paro para ouvir se consigo escutar algo além do meu coração trovejando, que ameaça sair pela boca. Depois de alguns segundos, vou silenciosamente até a porta da frente.

Abrindo-a lentamente, esgueiro-me para fora. A porta faz um rangido alto, fazendo-me congelar, mas uma voz alta na minha cabeça grita: “CORRA!”

Ouvindo uma porta abrir no corredor, saio correndo da pequena casa da alcateia e atravesso o gramado em frente à casa. Meu condicionamento físico é péssimo porque não treino há mais de um ano, então meus pulmões ardem, mas não paro. Não, eu forço meu corpo a correr mais rápido. Tenho que chegar o mais longe possível, o mais rápido que puder.

Quando chego à floresta, sinto um puxão doloroso repentino no peito que quase me faz tropeçar.

A fronteira! Estou na fronteira do território da alcateia. O puxão para e percebo o que aconteceu. Meu vínculo com a alcateia foi rompido. A alegria que sinto é rapidamente substituída pelo medo, porém. Merda. Agora sou uma renegada. Qualquer lobo de alcateia no planeta está livre para me matar agora.

Uma voz desconhecida, na minha cabeça, sussurra: “mas você não é uma loba, ou é?” Quase solto um ganido de choque. Que porra é essa?

Foi quando eu ouvi. Um rugido alto vindo da casa da alcateia. Uma força mais forte do que qualquer coisa que já senti me faz disparar correndo mais para dentro da floresta.

Depois de um tempo, estou prestes a desmaiar, quando sinto um osso estalar e uma dor lancinante atravessa todo o meu corpo. Caio no chão e não consigo conter o grito que escapa da minha garganta.

Outro estalo.

Estou me contorcendo de dor enquanto meus ossos continuam quebrando. Estou me transformando? É minha primeira transformação? Ouvi dizer que dói na primeira vez, mas isso é tortura. Quase sinto falta do chicote. Quase.

Dentes grandes pressionam minhas gengivas, as mãos se transformam em patas e me sinto grande. Inacreditavelmente grande. Lentamente, a dor diminui, deixando-me ofegante. Sinto-me forte. Incrivelmente forte. E minhas costas pararam de doer.

Olho para minhas patas e... Elas parecem diferentes das patas de lobo.

“Isso é porque são.”

Dou um pulo com o som na minha cabeça.

Que diabos...

Ouço uma risadinha.

“Eu sou Sikari, o seu... Animal.”

Você é minha loba?

A empolgação cresce em mim. Finalmente conheci minha loba.

“Bem... Não exatamente,” ela ri de novo.

Estou totalmente confusa. Sou uma lobisomem. Onde está minha loba?”

Olho ao redor e avisto um pequeno riacho a uns 50 centímetros de mim. Quero ir até lá para ver meu reflexo, mas não consigo me mover.

“Não há tempo para isso. Explicarei tudo mais tarde. Agora, precisamos sair daqui! Ninguém pode me ver. É muito perigoso.”

Merda. Esqueci que estou fugindo. Levanto minha bolsa com meus dentes grandes e começo a correr incrivelmente rápido. Sinto-me tão forte. Empoderada. Estou tão confusa, mas minhas perguntas terão que esperar.

Passam-se algumas horas, eu acho, antes que eu pare na beira da floresta, fora de uma pequena cidade que não reconheço.

“Agora você tem que voltar para sua forma humana.”

“Uhm, como eu faço isso?”

“Imagine-se na sua forma humana. Seu corpo cuidará do resto.”

Tento me imaginar, mas estou com dificuldade para fazer isso. Desde que as surras começaram, não me olho no espelho.

Concentro-me o máximo que posso, e meus ossos começam a estalar. Suprimo meus gritos da melhor forma possível, para não atrair a atenção da minha antiga alcateia ou da cidade à minha frente. Depois de um momento, volto à minha forma humana. Não doeu tanto quanto da primeira vez, mas com certeza doeu!

De volta ao normal, meu instinto de sobrevivência desperta. Meu corpo inteiro dói e eu poderia deitar e dormir bem aqui. Deve haver um motel por aqui. Olho para minhas roupas, ou a falta delas. Estou pelada, porra. Encontro rapidamente minha bolsa e puxo a camiseta.

“Não posso ir assim. Não tenho calças.”

“Você vê alguma outra opção?”

A pergunta de Sikari me irrita pra caramba. É claro que não vejo.

Tenho que ir até a cidade usando apenas uma camiseta, o que traz à tona meu lado inseguro. As pessoas vão me ver. Não consigo fazer isso. Não sou forte o suficiente. Além disso, fui espancada. Devo estar parecendo um lixo. E se alguém me reconhecer?

“PARE COM ESSA MERDA AGORA MESMO!” A voz de Sikari ecoa na minha cabeça. “Não se coloque para baixo. Você é muito mais do que isso! Se não fosse forte, eu não estaria com você! Existe um motivo para estarmos juntas. Agora, recomponha-se e ande!”

“Tá bom, tá bom, só... me dá um segundo.”

Respirando fundo algumas vezes, tento encontrar minha coragem, mas não a sinto. Ela tem razão, no entanto. Temos que ir, então respiro fundo uma última vez antes de balançar a cabeça.

“Ok, vamos nessa.”