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A Rainha Deusa Órfã

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Resumo

Celine não é uma lobisomem comum. Ela é constantemente mantida trancada, escondida e, eventualmente, vendida. Quando a alcateia que a compra sequestra o príncipe dos Dragões, Celine finalmente encontra sua chance de escapar. Ela descobre que possui um lobo, mas ele estava oculto por magia; e não apenas isso, ela é uma híbrida. Os Dragões sentem que há algo mais nela. Há uma sensação constante de magia e encantamento ao seu redor. O Rei Sebastian fica chocado ao descobrir que ela é sua mate, e jura protegê-la, mas isso se torna difícil quando descobrem que Celine é, na verdade, a Rainha Deusa desaparecida. Ela não é apenas uma lobisomem, mas uma fae, uma sereia e tudo o que existe combinado em uma só. Contudo, esse não é o único problema de Sebastian, pois, como Rainha Deusa, Celine está destinada a ter mais de um mate. Ele é um lobisomem e seu mate, mas ela também está ligada a Dolton, um lycan, e a Faeberon, um fae.

Status
Completo
Capítulos
184
Classificação
4.9 (33 avaliações)
Classificação Etária
18+

Mates

POV de Celine

16º Aniversário

O aperto no meu pulso aumenta enquanto minha mãe me arrasta, seu ritmo implacável. Luto para acompanhá-la, minhas pernas tropeçando uma na outra enquanto tento seguir seus passos determinados.

— Mãe! — eu grito, puxando meu braço, com desespero na voz.

— Continue andando, Celine! — ela dispara, a voz baixa e animalesca. Tenho um vislumbre de sua mão se transformando; os dedos se alongam em garras e pelos brotam ao longo das juntas. Seu lobo está aflorando, e sua força é avassaladora.

— Eu não tenho um lobo! — imploro, com a voz trêmula. Meu peito queima enquanto me esforço para continuar, mas meu corpo me trai e eu desabo no chão. Ela rosna de frustração, sem nunca afrouxar o aperto enquanto me puxa para cima com facilidade. Seu desdém corta mais fundo do que suas garras jamais poderiam. Ela sabe que não consigo me mover tão rápido quanto ela; sabe que não sou como ela. Ainda assim, aqui estamos.

Paramos bruscamente em frente a um prédio alto e ameaçador, cuja silhueta se destaca contra o céu da tarde. A estrutura se ergue imponente, com paredes de pedra escura e gasta, e hera subindo como veias. Lanternas de ferro alinham as laterais, e suas luzes tremeluzentes projetam sombras sinistras na entrada: uma porta enorme e arqueada, reforçada com grossas faixas de metal.

A porta range ao abrir, revelando um homem no limiar. Seus olhos se prendem aos meus por um breve momento antes de se suavizarem ao pousarem na minha mãe. Ele a puxa para um abraço apertado, os lábios roçando a orelha dela.

— Senti sua falta — ele murmura, com a voz carregada de afeto. Seus lábios encontram os dela, e eles compartilham um beijo íntimo demais para o meu gosto. Movo-me desconfortável, minha presença claramente esquecida.

— Entre. Vamos apresentá-la aos meninos — diz ele, suavemente, abrindo espaço. A mão da minha mãe agarra a minha, arrastando-me para o saguão mal iluminado.

O ar lá dentro é pesado, uma mistura de madeira velha, couro e algo distintamente masculino. A entrada dá para um grande salão com tetos altos e abobadados, sustentados por vigas de madeira escura. Um lustre paira acima; a luz bruxuleante das velas projeta sombras que dançam sobre o piso de mármore polido. As paredes são forradas com retratos de homens de olhos penetrantes e traços marcantes, com expressões frias e autoritárias. Uma escada em espiral sobe, com o corrimão esculpido com lobos intrincados correndo em bando. O espaço é ao mesmo tempo belo e sufocante.

O homem se vira para mim, estendendo a mão com um sorriso contido. — Celine, eu sou Richard. — Assim que seguro sua mão, uma enxurrada súbita de imagens invade minha mente: ele e minha mãe envolvidos em paixão, seus corpos se movendo de formas que não quero imaginar. Puxo minha mão de volta, meu estômago revirando de nojo.

— Oi — murmuro, com a voz mal saindo de um sussurro.

Sem se incomodar, Richard gesticula para as três figuras que surgem de um cômodo adjacente. — Estes são meus filhos: Wes, Dolton e Alex. — Ele se afasta e desaparece pelo corredor com minha mãe, deixando-me sozinha com eles.

Os irmãos me encaram, seus olhares intensos e predatórios. Seus olhos brilham de forma não natural, alternando entre tons de ouro e prata conforme seus lobos afloram. Dou um passo atrás, meus instintos gritando para correr, mas eles avançam.

— Eu sou Wes — diz o primeiro, com a voz baixa e suave. Ele estende a mão e me puxa para um abraço sem aviso. Seus braços são firmes ao meu redor, e sinto seu peito expandir enquanto ele inspira profundamente. Seu lobo rosna baixo, e imagens passam pela minha mente: seus dentes afundando no meu pescoço, marcando-me como dele. Meu estômago embrulha e eu o empurro, mas minha força não é páreo para a dele. Depois de um momento, ele me solta, os olhos escuros com algo que não quero nomear.

Antes que eu consiga recuperar o fôlego, Dolton se aproxima. Seus braços me envolvem e eu congelo quando outra onda de imagens me domina: suas mãos percorrendo meu corpo, tirando minhas roupas peça por peça. Minhas bochechas queimam enquanto eu o afasto, o pânico subindo em meu peito. Esses pensamentos não são meus... são dele. Suas fantasias.

— Parem — sussurro, mas Alex já está se aproximando. Suas mãos pousam em meus ombros enquanto ele me puxa para colar em seu corpo. — Bem-vinda, irmãzinha — ele murmura, sua respiração quente contra o meu pescoço. O toque dele me faz arrepiar, e minha mente é invadida por imagens dele sobre mim, meu corpo contido, a mão dele apertando minha garganta.

Eu me solto, tremendo enquanto recuo. — Não me toque — consigo dizer, com a voz trêmula.

— Você sente, não sente? — A voz de Wes corta a névoa. Ele olha para os irmãos, e eles assentem em um acordo silencioso.

— Eu sinto o vínculo — diz Dolton, circulando-me como um predador perseguindo a presa.

— Ela é nossa — declara Alex, com os olhos escuros e famintos.

— Não! — grito, com o pânico impregnado na voz. — Vocês estão errados. Eu não sou...

— Você é nossa mate — interrompe Wes, em um tom prático, como se minha opinião não importasse. O ar me falta na garganta. Mate? Não, isso é impossível.

— O pai não vai gostar disso — diz Dolton com um sorriso de lado, embora seu tom sugira que ele não se importa.

— Então não contaremos a ele — responde Alex. Ele se aproxima, sua mão envolvendo meu pescoço, o polegar roçando meu pulso. — Ela está aqui para nós. Para nos servir. Para ser mantida contida e escondida — diz ele, com a voz baixa e autoritária.

— Para servir vocês? — Minha voz falha enquanto cambaleio para trás, minhas costas batendo na parede fria de pedra. Eles riem baixo, suas formas imponentes cercando-me. As paredes parecem se fechar, o ar espesso com a presença avassaladora deles. Balanço a cabeça, o pânico arranhando meu peito.

Eu não sou deles. Não estou aqui para servir ninguém. Mas, enquanto seus olhos brilham e seus lobos se agitam, percebo que eles não se importam com o que penso. Para eles, eu já fui reivindicada.

As palavras de Alex pairam no ar como uma verdade assustadora, pesada e inegável. — Olhe para trás, baby. Você não ia à escola, não tinha amigos, era mantida lá dentro — diz ele, a voz misturando arrogância e sinceridade. Seu olhar me atravessa, forçando-me a confrontar uma realidade que ignorei por anos.

Congelo, minha mente vasculhando memórias. Ele está certo. Fui escondida a vida toda, uma sombra atrás de portas fechadas. Por quê? Meu coração dispara, uma dor surda se formando no peito conforme a pergunta sem resposta pressiona com mais força.

— Mas garantiremos que você se divirta — murmura Wes ao se aproximar. Sua estrutura larga me prende contra a parede fria. O cheiro dele — amadeirado, escuro e inebriante — nubla meus pensamentos. Seu nariz roça a curva do meu pescoço e um arrepio percorre minha espinha.

— O cheiro dela... Consegue imaginar o poder que ela teria se fosse libertada das correntes que a prendem? — A voz de Wes é baixa, quase reverente, como se eu fosse um tesouro raro e cobiçado. Arfo quando flashes dos lábios dele nos meus explodem em minha mente, vívidos e invasivos.

Antes que eu possa empurrá-lo, ele reclama minha boca. Seus lábios são quentes, insistentes, sua língua forçando a entrada com uma dominância que faz meu corpo cambalear. Meus joelhos fraquejam, uma fraqueza traiçoeira invadindo meus membros. Quando ele se afasta, fico ofegante, minha mente lutando para acompanhar.

— Ela tem um gosto ainda melhor do que seu cheiro — diz Wes, os olhos brilhando em um roxo animalesco. — Eu só quero devorá-la — ele rosna, sua fome inegável.

Antes que eu consiga recuperar o fôlego, os braços fortes de Alex me envolvem, puxando-me contra seu peito. Seus lábios esmagam os meus, sua mão se emaranha no meu cabelo, mantendo-me prisioneira. Seu beijo é mais profundo, mais consumidor, como se ele tentasse reivindicar muito mais do que meus lábios. Apesar das minhas tentativas de resistir, meu corpo me trai novamente, cedendo de formas que fazem meu estômago revirar de vergonha. Ele se afasta, seus olhos brilhando em uma cor prateada.

E então, Dolton está lá. Suas mãos são ásperas e desinibidas enquanto ele me prensa contra a parede, sua boca capturando a minha com uma intensidade que rouba meu ar. Suas mãos percorrem meu corpo, deslizando pelas minhas coxas e, antes que eu possa protestar, ele me levanta, envolvendo minhas pernas em sua cintura.

Solto um ganido, odiando o som, mas incapaz de contê-lo enquanto seu corpo pressiona firmemente o meu. O atrito entre nós acende um calor insuportável, e seu gemido vibra contra meus lábios. Seus quadris balançam contra mim, o movimento deliberado fazendo meu estômago dar um nó de medo e algo mais que me recuso a reconhecer.

— Rapazes.

A voz de Richard corta a tensão, afiada e autoritária. O alívio me inunda enquanto me contorço no aperto de Dolton, esperando por salvação. Os olhos frios de Richard se movem entre nós, avaliando a cena. Com certeza, ele vai parar isso.

Mas então ele fala, e meu sangue gela. — Façam o que quiserem com ela. Apenas lembrem-se das regras. Lembrem-se do porquê esta é diferente, e sejam cuidadosos. A máscara não pode cair. — Suas palavras são calculadas, desprovidas de preocupação, e ele nem sequer me lança outro olhar antes de ir embora.

O pânico surge em mim e eu me debato contra o aperto de Dolton. Seu sorriso se alarga, seus olhos brilhando em dourado com diversão. — Ela soou incrível, gemendo na minha boca — ele provoca. Inclinando-se mais, ele não vê minha cabeça vindo. Eu a golpeio para frente, o estalo da cartilagem seguido pelo seu grunhido de dor.

Livre de seu aperto, saio correndo, meu peito arfando enquanto coloco distância entre nós.

— Ok, vamos não assustá-la no primeiro dia — Wes ri, seu tom irritantemente casual. Ele gesticula para o corredor. — Por aqui, vou te mostrar seu quarto.

A tensão no ar se agarra a mim como uma segunda pele enquanto o sigo, minhas pernas instáveis. Estou consciente de Alex e Dolton vindo atrás, sua presença uma ameaça constante.

Wes abre uma porta e entra, gesticulando para que eu o siga. Meus pés hesitam no limiar enquanto meus olhos varrem o quarto. É grande, quase luxuoso, com uma cama que domina o espaço; uma cama que reconheço instantaneamente das visões. Meu estômago embrulha. Não quero ficar aqui.

Abro a boca para protestar, mas Wes fala primeiro. — Alguém virá te trazer um horário e as regras. Para sua própria segurança, você não pode sair da propriedade. Não é seguro para você.

Dolton se aproxima, seu sorriso causando um arrepio na minha espinha. — Vamos deixar você se instalar e voltaremos em alguns dias para te ver.

Os três saem, a porta batendo atrás deles. O silêncio que se segue é ensurdecedor. Minhas pernas cedem e eu desabo no chão, minha mente girando.

Eles disseram que sou a mate deles. Eles disseram que sou diferente. O que isso significa? Como eles sabem algo sobre mim que nem eu mesma entendo?

Abraço meus joelhos, tremendo. Eles falaram de regras e vínculos, de contenção e posse. Mas tudo o que sinto é medo. Medo do que eles querem, do que eu sou e do que pode acontecer se eu não encontrar uma saída.

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