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Melodia Interrompida

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Resumo

[22] não [15] (aparentemente 22 é demais?)

Status
Completo
Capítulos
21
Classificação
5.0 8 avaliações
Classificação Etária
18+

Prologue

Prólogo

Era uma noite fria no pequeno vilarejo de Ackerby. O ar de outono trazia consigo o toque gelado do inverno, enquanto as folhas giravam ao cair de seus galhos finos e esqueléticos. O som de cavalos relinchando em seus estábulos e cascos batendo nas ruas de paralelepípedos e caminhos de cascalho preenchia o ambiente. Risadas e o tilintar de canecas de madeira, com cerveja transbordando pelo chão, sinalizavam a alegria de uma batalha bem vencida em nome do Rei da Inglaterra.

O bordel era a principal atração daquela cidadezinha, visitado por pessoas de todos os cantos, de todo o país e de outros reinos. O exterior não tinha nada de especial, feito de tábuas de carvalho e isolado com lama e pedra, com lanternas penduradas do lado de fora da grande entrada principal. Por dentro, tapeçarias coloridas que retratavam a devassidão humana cobriam as paredes para aquecer ainda mais aquele lugar onde o vento soprava.

Sobre um palco, sentava-se um grupo alegre de homens, dedilhando harpas, tocando alaúdes, batendo em tambores, flautas e sanfonas. A música era animada, cheia de brincadeiras e alegria, celebrando os guerreiros que dançavam com as mulheres do bordel. Saias giravam, corpetes apertavam os seios que saltavam para fora, e lábios vermelhos se abriam em gargalhadas. Homens as giravam sem parar, as puxavam para seus colos, deslizavam moedas de prata brilhantes em seus decotes, rindo embriagados e lambendo qualquer cerveja que caísse sobre seus prêmios.

Atrás do palco, escondida atrás de uma espessa tapeçaria vermelha com imagens de leões lutando, estava uma criança pequena e franzina. O cabelo tinha a cor do céu noturno, caindo em ondas grossas e sedutoras sobre ombros esguios e pálidos. Olhos como o solo fresco e fértil da terra. Lábios pintados de um rosa suave e inocente. Bochechas salpicadas com um pó rosado. O corpo esbelto vestia um vestido verde com babados, bordado com fios de ouro ricos que certamente nenhuma simples criança de taverna usaria. Fitas de ouro enfeitavam os pulsos finos, amarradas ao redor do pescoço magro em um laço pequeno e elegante que repousava sobre um ombro exposto.

“Que público esta noite”, veio o sussurro de uma mulher na escuridão. Os olhos escuros se voltaram e encontraram a mulher mais velha, a madame do estabelecimento. Velha demais para atender ela mesma, mas jovem o suficiente para parecer bonita, seus cachos loiros volumosos caíam sobre seus ombros nus, e seu top com babados pendia baixo, revelando mais do que apenas um vislumbre de um par de seios voluptuosos.

“Você fará uma boa apresentação esta noite, não vai, minha doce pequena Mary?”, perguntou a madame com um sorriso, pairando sobre a criança, que a olhava para cima. A madame se lembrava de uma época em que aqueles olhos se voltavam para ela com medo instável e desesperança. Mas, no último ano, aqueles olhos estavam... mortos. Estavam vazios de alegria, de admiração, mas também de medo e de miséria. Eram simplesmente os olhos de uma boneca bem cuidada.

“Mary?”, ela perguntou de forma ríspida. A criança fez uma reverência profunda até o chão e depois se levantou, deixando o vestido pesado cair rente ao corpo.

“Sim, madame”, veio a resposta suave. Indistinguível se era menino ou menina, exatamente como a madame havia treinado a criança para ser. Ela sentiu uma pontada de empolgação ao ver todo o seu trabalho duro valer a pena com esta criança em particular. Na noite em que aquele pedaço de lixo apareceu em sua porta e ofereceu uma criança como pagamento, ela quase chamou o padre para vir e exorcizar o adorador do diabo. Apenas para descobrir que aquela criança, aquele presente que ela havia recebido, era seu produto de maior lucro.

De mais de uma maneira.

O som dos homens gritando e uivando por mais, batendo suas canecas cheias de cerveja nas mesas de madeira, botas batendo no chão. A madame respirou fundo, depois se virou para seu maior presente até agora, colocando um dedo sob aquele queixo, elevando aquele doce rosto angelical em direção ao seu.

“Se você ganhar um bis, garantirei que durma bem esta noite, minha pequena Mary, certo?”, ela perguntou. A criança não disse nada, apenas encarou. A madame sorriu e se levantou em toda a sua altura, que superava a frágil criatura a seus pés. Ela deu um empurrão nas costas da criança, e a criança se virou para as cortinas, que foram puxadas pelos brutamontes do bordel.

Suspiros agudos vieram não apenas dos homens do bordel, mas de suas parceiras, até mesmo das putas que trabalhavam lá. Todos os olhos se voltaram para o palco quando a criança surgiu e ocupou o centro das atenções. A banda se afastou, escondendo-se nas sombras, antes que uma harpa começasse a dedilhar ritmadamente, seguida pelo zumbido suave de uma flauta. A criança estudou o espaço além do palco, estudou os rostos de homens bem conhecidos, putas bem conhecidas, homens novos, velhos, jovens, lutadores e açougueiros, ferreiros e homens da lei.

Sob aquele teto, todos eram iguais. Os xelins em seus bolsos não significavam nada. O número de canecas de cerveja em suas mesas não significava nada. Suas ocupações não significavam nada, suas esposas não significavam nada, seus filhos menos ainda, nem mesmo as fazendas. Pois, assim que passavam pela entrada, todos eram vilões.

Vilões que se reuniam todas as manhãs na igreja, juntavam as mãos em oração e imploravam a um Deus colérico que lhes desse entrada em um lugar sagrado destinado aos verdadeiros crentes, aos verdadeiros santos. Vilões que sorriam ao passar uns pelos outros na rua, que distribuíam doces e brinquedos para as crianças.

Lábios rosados se abriram e o som do paraíso inundou o recinto. Canecas de cerveja atingiram as mesas, mãos caíram de seios e nádegas, bocas se abriram em espanto, nem um único olho estava seco. A canção do pássaro soou suave e verdadeira, silenciando até os cavalos nos estábulos e os clientes nas ruas além. O trinado de uma balada tão suave e doce, o gemido baixo de um hino, o uivo poderoso de uma canção de guerra.

Quando a melodia do pássaro chegou ao fim, o silêncio no bordel permitiu que o som do vento lá fora, empurrando suavemente as tábuas de madeira, fosse o único som ouvido. Mal um momento se passou e os homens rugiram com tamanha felicidade que se levantaram e jogaram suas bebidas para o alto.

“Mais! Mais! Mais!”, o canto subiu alto e forte, vibrando as vigas do bordel. As putas franziram a testa umas para as outras, braços cruzados sobre o peito, olhos fixos com irritação na pequena figura no palco, que fez uma reverência profunda antes de se levantar mais uma vez. Enquanto a criança se levantava, os homens voltaram aos seus assentos, tendo se inclinado para frente com expectativa enquanto a banda começava a tocar novamente... e a criança abriu os lábios rosados para cantar.

Cansadas da falta de atenção, as putas recuaram para o espaço atrás do palco, onde a madame observava através das tapeçarias com pura adoração e orgulho, seus punhos torcendo as cortinas.

“Madame”, uma prostituta falou, embora sua dona nem sequer se virasse do palco para atendê-la, “Certamente é injusto com nossa clientela que o menino cante até altas horas...” Sua reclamação foi interrompida quando a madame se virou com uma velocidade não apropriada para sua idade e agarrou a garganta da prostituta com força semelhante. A prostituta engasgou e levou a mão à garganta, e suas colegas recuaram de medo.

Ela”, a madame zombou na cara da prostituta, seus olhos mudando de azul para um verde insidioso, e depois voltando ao normal, “Ela foi solicitada esta noite após um bis. Se você ousar se referir a ela incorretamente novamente, e tão publicamente, eu farei com que seja açoitada, está me ouvindo, sua prostituta inútil?”. A funcionária acenou timidamente e ofegou quando foi solta, tropeçando para trás contra as outras, que a reuniram e tremeram diante da ira de sua madame, que se endireitou e ajustou seu vestido.

“Agora vão para seus quartos. Enviarei um homem para cada um de seus quartos, quem quer que eu deseje”, ela acrescentou, como se fosse um castigo. As mulheres fizeram uma reverência rápida antes de sair correndo. A madame as observou partir e se virou enquanto a apresentação final terminava.

A criança no palco fez uma reverência antes de recuar para trás da cortina, deixando para trás homens alegres e em festa. A madame sorriu, tomando a criança em seus braços para abraçá-la, dando ao anjo um beijo terno na cabeça.

“Você foi muito bem”, ela cantarolou, “Agora, vá para seus aposentos. Seu primeiro cliente da noite está esperando.” A criança fez uma reverência mais uma vez antes de seguir para as escadas. Ao chegar ao corredor que levava aos outros quartos, a criança parou enquanto cada entrada estava cheia de uma mulher muito irritada e muito ciumenta. Os olhos escuros e vazios da criança deslizaram de um lado para o outro, examinando cada olhar, cada cara feia, cada lábio torcido. Pequenos pés calçados com chinelos começaram a descer o corredor.

“Puta”, uma das prostitutas zombou.

“Monstro”, outra sibilou, batendo a porta atrás de si.

“Cunt!”

“Strumpet!”

“Lady boy!”

Um cuspe caiu no chão aos pés da criança, e aqueles olhos escuros pararam por um momento naquele monte de saliva, depois deslizaram até a mulher ruiva que o havia cuspido. Lábio torcido, olhos azuis semicerrados e uma mão que se levantou em ameaça. A criança não se encolheu, apenas encarou. A ruiva olhou furiosa.

“Criança do diabo!”, ela cuspiu, depois se virou e desapareceu em seu quarto. As últimas putas recuaram para dentro de suas câmaras. A criança ficou ali sozinha no corredor, olhando para a sujeira espumosa no chão antes de passar por cima e continuar até o último quarto no corredor à direita. A criança abriu a porta, a pesada barreira de madeira se abrindo para revelar um homem grande e pesado sentado na cama, que pulou assim que viu a criança.

Seus olhos ficaram famintos, seus lábios se abriram e suas bochechas ficaram coradas enquanto ele gesticulava com mãos gananciosas para a criança se aproximar. A criança o encarou sem expressão, depois entrou e fechou a porta atrás de si.


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Enredo Envolvente

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author

tris story is so sad

2 anos

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