Ice Skates
Stone recostou-se na cadeira e soltou um suspiro lento. Existia alguma parte do seu trabalho que ele odiava e amava na mesma medida? Sim. E era exatamente aquela. Ele sacou sua Glock e, com uma lentidão deliberada, começou a rosquear o silenciador — menos por necessidade e mais porque gostava da mensagem que isso passava. A antecipação sempre causava mais danos do que uma bala jamais poderia.
“E-eu juro para você, Tuff, eu só me encontrei com a polícia uma vez!”, o homem gaguejou. “Foi só para dizer a eles que eu não sabia de nada!”
O pobre coitado se agarrou à sua mentira até o fim. Stone olhou de relance para seu braço direito, que montava guarda junto à porta de aço. Logan era bonito da mesma maneira cortante e implacável que Stone — cabelos loiros-areia, porte alto e poderoso, e um rosto esculpido como se tivesse sido cinzelado em pedra. Como mais seu irmão poderia ser? Eles compartilhavam o mesmo pai, afinal. Os deuses simplesmente os moldaram a partir do mesmo barro violento. “O que você acha, Logan?”, perguntou Stone calmamente. “Ele está dizendo a verdade?”
Ele não precisava da opinião do irmão. Nunca precisou. Mas momentos como aquele davam à vítima algo a que se agarrar — uma esperança tola e desesperada de que pudesse haver uma saída. A boca de Logan se curvou em um sorriso frio e divertido enquanto ele cruzava os braços e encarava o mentiroso trêmulo. “Nem um pouco.”
Logan ajustou a arma na mão, de forma solta e casual, como se estivesse apenas apontando para uma marca na parede, então mirou no joelho do rapaz e disparou. O grito veio um batimento cardíaco depois — mais alto do que o tiro, porque silenciadores não apagam o som. Eles apenas o suavizam.
Stone exalou pelo nariz, como se estivesse incomodado. “Muito bem”, disse ele. “Vamos rever isso.” Ele se inclinou ligeiramente para a frente, com a voz plana e paciente. “Você foi visto entrando na delegacia pouco depois das sete da manhã. Não saiu até quase meio-dia.” Stone inclinou a cabeça. “Então me diga — o que você estava fazendo lá dentro? Servindo comida em uma festa?”
Jack — jovem, suado, amarrado a uma cadeira com cordas ásperas que cravavam em seus pulsos — tremia de dor. Ele entendeu uma coisa com perfeita clareza: não queria ser baleado de novo. Não era assim que ele tinha imaginado que sua vida seria quando foi recrutado para trabalhar para a família Tuff.
Antes deles, ele era um bandido de esquina que andava com amigos e vendia qualquer coisa que pudesse. Vender drogas era dinheiro rápido, e dinheiro rápido comprava o tipo de vida que Jack achava que merecia. Quando os homens da família Tuff o notaram pela primeira vez, chamaram de potencial. O que eles tinham encontrado, na verdade, era um homem sem lealdade alguma. Jack teria entregado a própria mãe se o preço fosse alto o suficiente. Dinheiro e realocação — era isso que o detetive tinha oferecido. Quem não aceitaria? Agora, com o joelho queimando e o estômago revirando, ele percebeu exatamente quem não aceitaria.
“Eu me encontrei com um detetive”, soluçou Jack, como se a honestidade pudesse de repente virar uma armadura.
“Entendo.” Stone acenou uma vez. “E o que ele queria?”
“Ele é novo”, Jack disparou. “Disse que estava investigando as famílias criminosas aqui em Oregon. Pediu para eu ser um informante.” Sua voz falhou. “Depois, ele jogou uma pasta na mesa na minha frente. Dentro, havia fotos minhas fazendo as tarefas do negócio. Ele me disse que tinha o suficiente para me mandar para a cadeia por anos se eu não cooperasse.”
O olhar de Stone passou por Logan — breve, afiado e carregado — antes de ele se inclinar para mais perto de Jack. “Pense com cuidado”, disse ele, com o tom de repente mais suave e mais perigoso. “Qual era o nome do detetive?”
Um fino fio de saliva escorria pelo canto da boca de Jack enquanto ele lutava para respirar através da agonia. Suas palavras saíram úmidas e arrastadas. “Detetive Robinson”, ele conseguiu dizer. “Ele já sabia muito sobre você. Ele me disse que sua família existe há décadas.” Jack engoliu em seco, com os olhos vidrados de medo. “Ele disse que você é o homem mais mortal de Oregon — talvez de toda a Costa Oeste.”
Stone riu e olhou para o irmão. Logan estava com uma sobrancelha erguida, rindo baixo também. “Bom”, disse Stone levemente, “parece que o detetive Robinson acertou pelo menos uma coisa.” Ele se levantou da cadeira e pressionou o cano da arma contra a testa de Jack. O riso sumiu de seu rosto enquanto sua voz caía, baixa e fria. “Eu sou o homem mais mortal de Oregon.” Então, ele puxou o gatilho.
O som foi surdo e contido, engolido pelo supressor, e o corpo de Jack relaxou na cadeira. Stone nem olhou para ele de novo ao deslizar a Glock de volta para o coldre de ombro sob seu paletó com facilidade de quem tem prática. “Faça o Tiger trazer a equipe de limpeza para cá”, disse calmamente. “Quero as partes do corpo espalhadas pelo terreno entre aqui e Bend. Mande para a mãe dele uma dúzia de rosas negras com um cartão de condolências.” Ele pausou, olhando de relance para o cadáver como se reconsiderasse algo. “Tire o relógio do Jack e coloque no buquê.”
“Pode deixar”, respondeu Logan, já tirando o celular e enviando uma mensagem rápida.
Stone conferiu o horário e praguejou baixo. “Temos vinte minutos para chegar à casa da Gemma. Ela vai matar a gente se atrasarmos.”
Logan bufou. “Você diz isso como se fosse uma piada.”
Claro, ele não queria dizer isso literalmente. Provavelmente. Por outro lado, era a irmã deles de quem estavam falando, e a morte não estava totalmente fora de cogitação. “A Nugget nunca deixaria isso acontecer”, disse Stone com orgulho.
Ao nascer, a sobrinha deles recebeu o nome de Jewel, mas ambos os tios o encurtaram para Nugget. Uma pepita (nugget) é apenas um pequeno pedaço de algo precioso, e, naquele momento, ela era o menor e mais valioso pedaço da família Tuff.
Anos atrás, Gemma namorou um bandido de baixo escalão que trabalhava para seus irmãos. Quando Stone e Logan descobriram que o homem tinha batido nela em um ataque de fúria, o convidaram para jantar no iate da família. Infelizmente para ele, ele nunca voltou para a costa. Pouco tempo depois, Gemma revelou que estava grávida. Logan jurou caçar o homem que a tinha abandonado por outra mulher. Cinco anos depois, ele ainda não tinha sido encontrado.
Speed, o motorista, parou o SUV na frente da mini-mansão de cinco quartos que tinham comprado para Gemma e Jewel. O motor mal tinha desligado e a porta da frente se abriu, revelando um pequeno borrão loiro de energia. “Tio Stoney! Tio Logan!”, Jewel gritou enquanto corria em direção ao carro.
Gemma correu atrás dela, carregando uma bolsa rosa com um pequeno par de patins de gelo amarrados e pendurados no ombro. “Bem, já não era sem tempo!”, ela chamou.
“Ainda temos três minutos antes de atrasar!”, protestou Logan, sorrindo enquanto abria os braços, pronto para pegar Jewel no colo e jogá-la para o alto.
“Bom, se vocês não levarem ela para a pista a tempo, Charlie vai cancelar a aula e ela vai perder o horário!”
Stone saiu primeiro e pegou Jewel antes de Logan. “Olá, Nugget”, disse ele, sorrindo para ela. “Pronta para seus tios te levarem para o treino hoje?”
“Sim!”, ela cantarolou, sua vozinha brilhante o suficiente para afastar qualquer pensamento sombrio da cabeça dele. “Vocês vão me ver girar!”
“Girar?”, Stone suspirou dramaticamente. “Assim?” Ele girou em círculos lentos no gramado, com os braços abertos.
“Stone Xavier Tuff!”, Gemma gritou. “Você vai fazer os dois vomitarem se não parar!”
“Parece que tem alguém com ciúmes”, provocou Logan. Ele se adiantou, pegou Gemma pela cintura e a girou até ela soltar um gritinho de protesto. Do banco do motorista, Speed observava o caos, rindo das palhaçadas da família. Por um momento, era quase impossível acreditar que os mesmos homens que tinham acabado de executar alguém sem piscar estavam brincando na grama como crianças.
Percebendo o tempo, Speed deu uma buzinada curta para trazer a atenção de todos de volta à realidade. “Temos que ir”, disse Logan, estabilizando a irmã, que estava bem tonta, antes de colocá-la de pé. Ele se inclinou e deu um beijo na testa dela.
Stone veio em seguida, dando um beijo rápido na bochecha de Gemma antes de pegar Jewel nos braços. “Divirta-se, irmã. Você merece um tempo com as amigas.”
Assim que o carro se afastou do meio-fio, eles abriram a janela e deixaram Nugget acenar freneticamente para a mãe, que ainda tentava recuperar o equilíbrio no gramado.
“Estou tão animada!”, Jewel gritou, subindo no colo de Stone assim que a porta fechou. “Charlie vai me ensinar a patinar de costas hoje!”
“De costas?”, Logan repetiu, alcançando-a para fazer cócegas nas costelas dela. “Eu posso te mostrar como ir de costas. O tio Logan vai te empurrar e você com certeza vai para trás.”
“Não, bobo!”, Jewel riu, virando-se no colo de Stone. Ela esticou os pezinhos e começou a arrastá-los em demonstração. “Tem que mover assim.”
Stone riu, apertando o braço ao redor da cinturinha dela para que não caísse. O som da risada dela preencheu o carro, brilhante e despreocupado — tão diferente dos gritos que tinham ecoado no armazém há menos de uma hora.
Quinze minutos depois, Speed parou o carro atrás do rinque de gelo, encostando perto da entrada de serviço que Gemma tinha indicado. Aparentemente, Charlie mantinha as portas da frente trancadas durante o horário de treino, então todos os alunos tinham que entrar pelos fundos. O ar frio mordeu seus rostos quando saíram.
Logan fechou sua porta e examinou o estacionamento silencioso antes de acenar para o prédio. “Você viu aquilo?”, ele perguntou ao irmão em voz baixa.
O olhar de Stone seguiu a linha de visão de Logan e pousou em um Audi R8 cinza estacionado sozinho ao lado da lixeira no estacionamento dos fundos. Ele deu ao irmão um aceno pequeno e cúmplice, mas não disse nada. Em vez disso, pegou a mãozinha da sobrinha e deixou que ela os puxasse para a entrada como uma guia turística animada demais.
A pesada porta de metal de serviço estava entreaberta o suficiente para passar. Stone a empurrou mais com uma mão, as dobradiças gemendo suavemente enquanto entravam. O corredor à frente era escuro e estreito, iluminado apenas por luzes fluorescentes oscilantes. Seus passos ecoavam fracamente contra as paredes de concreto até ouvirem Yellow do Coldplay vindo pelo corredor, a melodia baixa e assombrosa puxando-os para frente como um fio. Eles seguiram o som até o corredor se abrir para o rinque.
Saindo ao lado da pequena arquibancada, Stone mal teve tempo de se ajustar à claridade antes que um borrão de movimento passasse por ele: uma mulher, graciosa, rápida e sem esforço, deslizando pelo gelo como se pertencesse a ele. Stone se moveu para a mureta branca que separava a passagem do rinque, com Logan e Jewel ao lado. Todos os três observaram em silêncio.
A mulher patinava com os olhos quase fechados, entregando-se completamente à música. “Nugget”, murmurou Logan, incapaz de desviar o olhar, “quem é aquela?”
“Aquela é a Charlie!”, Jewel cantarolou animada. “Minha professora!”
A parte lenta e sofrida da música começou a crescer, os instrumentos se sobrepondo e crescendo, e Charlie se movia com ela. Ela não apenas patinava; ela flutuava. Seus braços subiam e desciam como ondas suaves, cada movimento fluindo perfeitamente para o próximo. Ela girou pelo gelo, depois saltou, aterrissando tão suavemente que mal fez barulho. Cada curva parecia instintiva, praticada mil vezes até virar memória muscular.
Logan se viu dividido entre observar a beldade morena fazendo sua performance privada e ficar de olho no irmão, porque Stone não estava piscando. O olhar dele estava fixo nela como se ela fosse a única coisa no mundo que valesse a pena ver.
Ela se movia sem esforço, como se a música vivesse dentro de seus ossos. Cada deslize, cada giro, cada salto parecia menos uma coreografia e mais uma emoção física. Seu cabelo se espalhava atrás dela enquanto girava, capturando as luzes acima como um halo. Stone imaginou que ela devia ter patinado com aquela música inúmeras vezes. Seus olhos permaneciam semicerrados, como se ela não precisasse ver o gelo de forma alguma. Ela confiava nele. Confiava em si mesma. Ela parecia completamente perdida no romance da música.
À medida que as notas finais desapareciam e a letra se perdia pelo rinque, Charlie deslizou para o centro do gelo em uma única lâmina. Sua perna livre estendeu-se atrás dela em uma linha perfeita, dedos dos pés apontados, braços levantados graciosamente em direção ao teto, como se ela estivesse alcançando o próprio céu. Ela parou de forma lenta e controlada. A pose em que ela terminou mexeu inesperadamente com algo profundo dentro de Stone. Ela era, sem dúvida, a mulher mais pitoresca que ele já tinha visto.
Ao lado dele, Jewel começou a bater palmas com entusiasmo dos braços de Logan, suas mãozinhas se chocando em aplausos altos e descompassados. Charlie se virou ao som, um rubor suave florescendo em suas bochechas enquanto ela se impulsionava e patinava em direção a eles.
“Há quanto tempo vocês estão parados aí me olhando?”, ela perguntou de forma brincalhona. Ela colocou as mãos nos quadris e fez uma cara exagerada e desconfiada para Jewel, cruzando os olhos o suficiente para fazer a menininha cair na risada.
Logan esperou que Stone falasse — que ele se apresentasse como um ser humano normal — mas seu irmão apenas encarou. Para um homem que podia ordenar execuções sem piscar, Stone de repente parecia sem fala. Com um sorriso fácil, Logan interveio e estendeu a mão. “Oi! Eu sou o tio Logan dessa pequena Nugget, e este aqui é meu irmão, Stone.”
Charlie apertou a mão de Logan calorosamente antes de olhar para Stone, diversão brilhando em seus olhos quando ele não ofereceu a dele. “Stone?”, ela perguntou, inclinando a cabeça. “É um apelido?”
A voz dela chamou a atenção dele imediatamente. Havia apenas o vestígio mais sutil de um sotaque — tão leve e americanizado que ele não conseguia identificar — mas estava lá, suavizando suas palavras de um jeito que as fazia persistir. Levou um segundo a mais do que o necessário para Stone sair do transe em que tinha caído. Finalmente, ele limpou a garganta e estendeu a mão para ela pegar.
“De forma alguma”, disse ele baixinho, com o canto da boca tremendo. “Não como Charlie…” Ele deixou a implicação pairar deliberadamente entre eles, recusando-se a terminar a frase porque queria que ela o fizesse. Ele queria ouvi-la dizer. Queria o nome completo dela.
“Touché”, ela riu, entendendo imediatamente. O som era leve, quente e fácil. Ela se inclinou e estendeu a mão para Jewel. “Pronta, minha pequena Nugget?”
Jewel agarrou os dedos dela sem hesitar e permitiu ser guiada para o gelo, seus patins minúsculos cambaleando enquanto Charlie a estabilizava e começava a lição.
“Uau”, murmurou Logan ao lado dele. “Você está caidinho.”
Stone não respondeu de imediato. Seus olhos nunca deixaram a instrutora enquanto ela se movia lentamente para trás, encorajando Jewel a seguir com paciência. “Você a ouviu?”, perguntou ele baixinho.
“Sim”, disse Logan secamente. “Ela a chamou de Nugget. Deve ter me ouvido dizer e gostou.”
“Não”, corrigiu Stone, com a voz baixa. “Não é isso. O sotaque dela. É quase imperceptível, mas está lá.”
Logan balançou a cabeça. “Não ouvi nada. Tem certeza?”
Stone finalmente desviou o olhar do gelo e se virou, subindo alguns degraus até a área das poltronas. Ele escolheu um lugar com uma visão clara da pista e se sentou, apoiando os cotovelos nos joelhos. Logan o seguiu, observando o irmão mais do que a aula. Não era comum ver Stone distraído.
“Por que você não a convida para sair logo?”, disse Logan.
O maxilar de Stone travou. “Eu não faço esse tipo de coisa”, respondeu secamente. “Você sabe o porquê.”
Logan estalou a língua, descartando a desculpa na hora. “Ah, é mesmo”, disse com ironia. “Porque qualquer mulher que entra em um relacionamento com você está praticamente condenada a uma morte prematura — seja pelas suas mãos ou pelas de um dos nossos inimigos.” Ele revirou os olhos, com sarcasmo escorrendo de cada palavra.
Stone o ignorou. Era uma tática que ele tinha aperfeiçoado ao longo dos anos. O silêncio economizava tempo e evitava discussões. E, quando se tratava de Logan — que o perturbava desde a infância —, costumava ser a única defesa que funcionava. Se houvesse um prêmio para o irmão mais irritante do planeta, Logan teria levado o troféu para casa há décadas.
Um grito agudo ecoou pela pista. Jewel atingiu o gelo com força, e seus patins pequenos escorregaram. Stone ficou tenso por instinto, levantando-se pela metade. Mas Charlie não correu para levantá-la. Em vez disso, ela patinou em círculos lentos ao redor de Jewel, sorrindo e batendo palmas uma única vez.
“Vamos lá”, ela chamou com delicadeza. “Você consegue. Levante-se. Tente de novo.” Sem mimos. Sem pânico. Apenas incentivo.
Stone voltou a se sentar, observando atentamente. Ele gostou de ver que havia orientação suficiente para ajudar, mas não o bastante para que Jewel se tornasse dependente. Charlie não estava ensinando a menina a ser resgatada. Ela estava ensinando a ser autossuficiente. Aquilo era importante. No mundo deles, ninguém vinha te salvar. Ou você se levantava, ou não se levantava.
Quando Jewel se pôs de pé, cambaleando, mas determinada, um orgulho imenso encheu o peito dele. Ele queria aplaudir, elogiá-la, dizer que ela estava indo bem, mas permaneceu calado. Em vez disso, observou Charlie patinando de costas, sorrindo enquanto incentivava Jewel a segui-la e alcançá-la. O rabo de cavalo castanho e longo de Charlie balançava a cada deslize, capturando o ar atrás dela como uma fita. As luzes do teto brilhavam nas mechas enquanto elas se moviam.
Stone percebeu que estava olhando mais tempo do que pretendia. Imaginou soltar o elástico e deixar aquele cabelo cair sobre suas mãos; imaginou puxá-la para mais perto, com a palma da mão envolvendo a nuca dela enquanto ele tomava seus lábios macios. O pensamento persistiu — quente, perturbador e completamente inconveniente —, deixando suas calças um pouco desconfortáveis. Ele se ajeitou levemente no assento e soltou o ar pelo nariz, forçando sua atenção a voltar para o gelo.
“Tio Stone?”, Jewel chamou, mas ele não se moveu.
“Stone”, disse Logan. Como o irmão ainda não respondia, ele balançou a mão bem na frente do rosto dele. “Alô? Terra chamando Stone. Você ouviu o que elas pediram?”
Stone piscou várias vezes, trazendo-se de volta ao presente como se emergisse de águas profundas. “Não. Desculpe.”
Charlie deu uma risadinha. O som era leve e brilhante — como pequenos sinos de vidro ao vento — e atingiu-o em cheio no peito.
“Nós perguntamos”, ela disse, sorrindo, “se tudo bem dar um picolé para a sua Nugget no caminho de casa.”
Stone olhou para baixo. Jewel saltitava de um pé para o outro, praticamente vibrando de empolgação, com um sorriso de orelha a orelha. Ela olhava de um tio para o outro, como se aquela fosse a decisão mais importante da sua curta vida. Ele não conseguiu evitar. Ele assentiu. “Sim, Nugget. Tudo bem.”
Ela bateu palmas. “Eba! Eu vou com a Charlie!”
Stone se endireitou levemente, franzindo as sobrancelhas. “Onde exatamente fica esse picolé?” Ele não queria que a pergunta soasse tão ríspida, mas foi o que aconteceu.
Charlie não pareceu incomodada. “No meu apartamento”, ela disse com naturalidade, como se fosse óbvio. “Eu moro lá em cima.”
Stone a encarou. “Você mora… aqui? Na pista de patinação?”
A ideia não lhe caiu bem. Morar onde se trabalha. Dormir no mesmo prédio por onde estranhos passam o dia todo. Parecia exposto e inseguro demais.
“Claro”, disse Charlie com um leve dar de ombros. Ao notar a tensão sutil na postura dele — o olhar cauteloso em seus olhos —, a expressão dela suavizou. Ela se agachou na frente de Jewel. “Que tal o seguinte”, ela disse gentilmente. “Você deixa seus tios ajudarem a tirar seus patins enquanto eu pego seu doce. Assim você não precisa subir todas as escadas com eles.”
Jewel pensou muito seriamente sobre isso, e Charlie acrescentou com um sussurro brincalhão: “Tenho de morango e de limão. Qual você quer?”
“Limão!”, Jewel corrigiu-se de repente, como se a decisão tivesse um peso enorme.
Charlie riu baixinho e desapareceu pelo corredor dos fundos para buscar o doce.
No caminho de volta para a casa de Gemma, Stone sentou-se rígido no banco, olhando pela janela com uma carranca permanente estampada no rosto.
“Tio Logan”, Jewel sussurrou alto, inclinando-se para frente entre os bancos, “o tio Stoney não gosta da Charlie.”
Logan soltou um risinho. “Ah, eu acho que é justamente o oposto.”
Jewel franziu a testa. “O que significa op-op-osto?”
“Oposto”, corrigiu Logan com gentileza. “Significa que, em vez de não gostar da Charlie, seu tio Stoney, na verdade, gosta dela.”
Os olhos de Stone se voltaram para a janela, pegando o reflexo do sorriso de Logan no vidro. Ele rosnou baixo na garganta. Se Jewel não estivesse no carro, ele teria dado uma bela bronca no irmão. Antes que pudesse responder, seu celular tocou bruscamente no bolso do casaco. Stone o tirou, olhou para a tela e sua expressão escureceu ainda mais. Sem dizer nada, entregou o telefone para Logan.
“Bem”, disse Stone secamente, “parece que a Babka vai ter que cuidar de você sozinha hoje à noite, Nugget. Seus tios têm uma reunião para comparecer.”
“Nãooo!”, Jewel lamentou dramaticamente. “Eu quero mostrar minha boneca nova!”
O maxilar de Stone travou. Ele odiava decepcioná-la.
“Acho que temos tempo para isso”, disse Logan com tranquilidade, ignorando o mau humor do irmão. “Cinco minutos não vão matar ninguém.”
Stone lançou-lhe um olhar fulminante, mas Logan apenas sorriu. Para um homem que lidava com violência e sangue sem hesitação, Stone Tuff tinha uma fraqueza muito específica, e ela estava ali, fazendo bico no banco de trás por causa de uma boneca.
Depois de serem forçados a ficar para o jantar pela mãe, Logan e Stone — acompanhados de sua comitiva — finalmente chegaram ao seu clube privado no centro. Toda noite de sábado, eles abriam as portas para o público geral. A fila inevitavelmente dava a volta no quarteirão. Por uma noite na semana, aqueles que normalmente não podiam pagar a entrada apareciam para tentar a sorte. Era generoso na teoria, mas, na prática, era lucrativo.
Esta noite, porém, não era sobre hospitalidade. Era sobre negócios. Um dos carregamentos de Stone — cortesia de um associado confiável em um cartel mexicano — tinha sido roubado. Corria o boato de que alguns de seus homens tinham rastreado um executor de baixo nível que trabalhava para um dos maiores rivais da família. O homem estava amarrado no porão do clube. Em uma noite como aquela, ninguém ouviria seus gritos, nem o tiro que acabaria com sua vida.
Speed encostou o carro na entrada principal. Antes que o motor parasse completamente, Tony, o segurança, já vinha em direção a eles, abrindo a porta. Stone saiu primeiro, sua presença sendo suficiente para fazer a multidão próxima baixar os olhos. Sem perder tempo, ele e sua equipe entraram rapidamente e contornaram o salão principal, indo direto para a escadaria privada que levava à área VIP. O grave da música vibrava nas paredes enquanto subiam.
Lá em cima, alguns shots foram servidos e virados rapidamente, apenas o suficiente para relaxar. Stone caminhou até a varanda e descansou as mãos no corrimão de vidro. Do alto, ele observava o mar de corpos movendo-se no ritmo lá embaixo.
Uma mulher em um vestido branco justo se destacava na multidão. Uma tiara delicada com um pequeno véu repousava em seu cabelo, e uma faixa de cetim escrita "Bride-to-Be" atravessava seu torso. Ela estava no bar, virando um drinque, quando tropeçou. A mulher ao lado dela, claramente parte do grupo de madrinhas, estendeu a mão e segurou o braço da noiva. A respiração de Stone falhou ao perceber quem estava ali ao lado dela.
Charlie ria e conversava com várias mulheres. Seu cabelo castanho, espesso e longo, parecia ainda mais macio do que ele imaginara. Ela estava vestida de forma semelhante à amiga, com um vestido curto e justo que revelava um belo decote, usando saltos altos. Ela parecia uma modelo.
“Para que você está olhando?”, Logan deu um empurrãozinho, inclinando-se sobre a borda para ter uma visão melhor. “Puta que pariu. Aquela é a Charlie?”
“Quem é Charlie?”, perguntou Nick.
Para Stone, Nick estava quase no topo da hierarquia dos negócios da família, ali ao lado de Logan. Os três rapazes cresceram juntos. Mesmo sendo italiano, Nick se encaixava perfeitamente na família Tuff. Uma máfia polonesa na América sendo administrada com a ajuda de italianos — quem diria?
Enquanto Logan explicava quem era Charlie, Stone continuava a observá-la e às suas amigas no bar, com o olhar fixo e possessivo. Ele fez um sinal com o dedo para Pete, um de seus barman, e esperou até que o homem estivesse à sua frente antes de falar.
“Pare de cobrar aquele grupo”, disse Stone calmamente. “É por conta da casa para a noiva.” Seus olhos não saíam de Charlie. “E mande comida para elas. Já beberam o suficiente sem ter nada no estômago. Garanta que seja feito.”
“Sim, senhor”, disse Pete com um aceno rápido, já pegando o celular para transmitir a ordem ao bar.
“Ei, Pete”, Logan chamou depois dele. “Reserve um camarote privativo para elas também. Expulse alguém se precisar.”
“Com certeza.” Pete assentiu novamente antes de sair apressado para resolver.
Da varanda, os homens observaram as garotas sendo escoltadas pelo salão até se acomodarem em um dos camarotes privados. Pratos de petiscos já as esperavam quando chegaram. Eles não conseguiam ouvir o que a noiva dizia por causa da música, mas as mulheres ao redor dela não paravam de sorrir e balançar a cabeça enquanto ela apontava, empolgada, para o nível VIP.
A banda daquela noite combinava perfeitamente com a energia do público, tocando uma mistura sólida de rock e country rock. Sucesso atrás de sucesso explodia nos alto-falantes, alto o suficiente para fazer os vidros tremerem e tornar quase impossível ouvir os próprios pensamentos. Quando a música atual acabou, uma das madrinhas correu para o palco e chamou a atenção do cantor. Ele riu, assentiu e se aproximou do microfone.
“Senhoras e senhores”, ele anunciou, “parece que temos uma noiva entre nós esta noite. Senhorita Stella, por que você não se levanta e faz uma das últimas reverências que fará como uma mulher solteira?”
O público explodiu em aplausos. Stella subiu no banco do camarote e fez uma reverência teatral exagerada, aproveitando cada segundo da atenção. Depois, começou a pular no lugar, balançando os braços e gritando para alguém cantar para ela. As outras garotas imediatamente se viraram para Charlie. Rindo, elas agarraram suas mãos e braços, arrastando-a em direção ao palco enquanto ela balançava a cabeça violentamente e tentava resistir durante todo o caminho.
O vocalista ajudou Charlie a subir no palco, firmando-a pela mão. Ele afastou o microfone enquanto conversavam baixinho e, em seguida, virou-se para a plateia. “Meus amigos baladeiros”, ele chamou, sorrindo, “parece que nossa amiga Charlie aqui é um pouco tímida. Mas acho que podemos ajudá-la. Todo mundo aqui gosta de uma boa música do Evanescence?”
A multidão explodiu ao ouvir o nome com gritos, assobios e pés batendo. Um dos integrantes da banda entregou um microfone a Charlie. O cantor inclinou-se perto dela, falando novamente, com seu microfone alto o suficiente para mal captar suas palavras. “Apenas feche os olhos ou olhe para mim. Nem vamos começar a tocar até você terminar o início da música.”
Charlie assentiu e fechou os olhos.
“Bem, isso pode virar um desastre total ou—”
O comentário de Logan foi interrompido quando as luzes diminuíram a pedido da banda. O clube mergulhou na sombra, com o palco iluminado apenas o suficiente para contornar a silhueta de Charlie. Estava difícil de enxergar agora, e Logan teve a sensação de que tinham feito aquilo por ela. Eles ouviram sua inspiração. Então, ela começou.
A entrada feminina de Bring Me to Life fluiu dela como seda sobre aço. Um suspiro coletivo percorreu a multidão. Ninguém esperava que aquela voz viesse dela. Até o vocalista deu um passo para trás por instinto antes de se recuperar. Ele deu um passo à frente novamente, levantando suavemente o queixo dela para que ela o encarasse, guiando-a pela música.
No momento em que a banda entrou e o cantor sobrepôs seus vocais de apoio aos dela, o público foi ao delírio. Gritos e assobios explodiram, abafando metade da música com pura apreciação.
“Porra”, Nick arrastou a voz. “Aquela é a Charlie? Ela é sua mulher?”
“Ela não é minha mulher”, Stone rosnou.
Sua irritação tinha menos a ver com a pergunta e mais com a interrupção. Nick tinha quebrado sua concentração, e naquele momento, Charlie tinha toda ela.
“Legal”, Nick disse com naturalidade. “Então você não vai se importar se eu for lá embaixo e a convidar para sair.”
Stone não pensou. Ele reagiu. Em um movimento fluido, ele sacou a arma debaixo do braço e apontou direto para o peito de Nick. “Você não vai tocar nela, porra.”
Nick nem piscou. Em vez disso, riu e inclinou-se para frente até que o cano preto fosco pressionasse sua camisa. “Tudo bem, não vou”, disse, ainda rindo. “Mas e eles?”
Stone seguiu a direção do dedo de Nick. A música tinha acabado, as luzes do palco aumentaram e Charlie tentava descer, apenas para ser imediatamente cercada. Homens se aproximavam de todos os lados, invadindo seu espaço, falando uns por cima dos outros e tentando chamar sua atenção enquanto ela tentava voltar para o grupo de madrinhas. Stone deslizou a arma de volta para o coldre e observou da varanda, impotente, enquanto Charlie era engolida por um enxame de homens interessados.
_____________________________________________
**SE VOCÊ GOSTARIA DE UMA TRILHA SONORA PARA ACOMPANHAR ESTE LIVRO, VISITE MINHA PÁGINA! EU FIXEI OS LINKS DO YOUTUBE PARA ACOMPANHAR SUA LEITURA! APROVEITE!!**





I love this start. Great characters! It's great to see the hard and soft side of these guys in different settings. Looking forward to more.
Damn… That was a good start.
how long has Charlie been on the run again?