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Bête Noire: O Segredo de Gealach Dorch

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Resumo

Avery Quinn não teve o melhor começo de vida. Órfã desde os três anos de idade, ela foi criada por freiras no orfanato da cidade. Assim que completou dezoito anos, foi expulsa apenas com a roupa do corpo e os poucos pertences que um dia pertenceram à sua mãe. O colar com uma cabeça de lobo que ela nunca tira e uma antiga fotografia em preto e branco de sua mãe ao lado de um homem que Avery não conhece. Escrito no verso, o nome de uma pequena cidade: 'Gealach Dorch.' Após um ano vivendo nas ruas, Avery decide visitar a cidade para ver se consegue descobrir algo sobre sua mãe e, talvez, uma pista sobre quem seria seu pai. A velha fotografia é tudo o que ela tem. Ao chegar, as coisas não são como ela esperava, e Avery está prestes a descobrir segredos que talvez fosse melhor deixar enterrados.

Status
Completo
Capítulos
42
Classificação
4.8 33 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Avery

Com um chiado nos freios a ar, o caminhão em que estou para no acostamento.

“Tem certeza que quer fazer isso, garota? Dizem que eles não são muito amigáveis, pelo que ouvi falar.”

O motorista força um sorriso. Ele sabe que eu não teria viajado esse caminho todo para mudar de ideia na última hora.

Quando olho pela janela, não há muito o que ver. Só existem árvores até onde a vista alcança, e a única luz é o brilho alaranjado do sol quase se pondo. Isso dá ao lugar todo um aspecto de outro mundo e, não pela primeira vez, me pergunto se essa é uma escolha sensata.

Olho para a estrada mal cuidada. Uma placa bamba diz 'Gealach Dorch'.

Reviro os olhos. Com um nome de cidade desses, não me admira que sejam um bando de mal-humorados. Duvido que metade da população consiga pronunciar; eu sei que não consigo.

Suspiro. Sinto que estou entre a cruz e a espada. Ninguém em sã consciência viria para um lugar assim, mas eu não tenho muita escolha. Se tenho família aqui, preciso descobrir. Não que provavelmente queiram saber de mim. Ninguém apareceu para me oferecer um lar quando minha mãe morreu. Foi assim que acabei no orfanato. Pelo menos foi o que me disseram, e freiras não mentem, mentem? Mal me lembro da minha mãe, mas pelo menos tenho uma fotografia antiga. Ela era bem mais nova quando foi tirada, mas ainda reconheço a semelhança. Minha mão vai para o colar no meu pescoço, que nunca tiro. A fotografia e o colar são tudo o que tenho. O nome no verso da foto me trouxe até aqui. Por que aqui? É no meio do nada. Não consigo acreditar que ela esteve aqui, só de passagem. Será que ela teve um caso com o homem da foto? Ele era meu pai? Será que ele ainda mora aqui? Isso se ele ainda estiver vivo. Preciso descobrir. É a única pista que tenho sobre quem eu realmente sou.

Sorrio para o motorista. Pelo menos ele foi gentil. Ele não tentou se aproveitar de mim, como alguns homens fariam.

Se eu tivesse um pai, gosto de pensar que ele poderia ser alguém como ele. Ele é um completo estranho, mas, se eu encontrar meu pai, ele também será.

“Obrigada pela carona, tenho certeza que ficarei bem”, digo, mas não soa convincente. Nem para mim, nem para o homem que me trouxe.

Pulo da cabine e bato a porta com força.

O motorista não hesita antes de arrancar. Ele não olha para trás, nem me dá chance de mudar de ideia, deixando-me no meio do nada, cercada por árvores.

Olho em volta. Tenho uma sensação estranha de que estou sendo observada, mas, claro que não estou. Estou no meio do nada, à noite. Quem seria idiota o suficiente para estar aqui, além de mim?

Olho para a estrada, que na verdade é mais uma trilha de terra. Parece ser quase inútil.

Bom, lá vamos nós.

A trilha segue por quilômetros, ou é o que parece, e depois de um tempo, não estou convencida de que haverá alguma coisa no final dela, muito menos uma cidade pequena.

Estou prestes a considerar voltar, quando vejo as silhuetas de prédios à distância.

Conforme me aproximo, percebo algumas luzes acesas em alguns edifícios, e a trilha de terra vira uma estrada de paralelepípedos.

É um pouco como voltar no tempo. Não há postes de luz, nem carros que eu possa ver, nem pessoas, aliás. Devem estar escondidos em suas casinhas.

À medida que me adentro, chego a uma encruzilhada. Olhando para a direita, parece que este caminho é mais uma área comercial. Vejo o que parece ser um bar e algumas lojas.

A maioria está fechada, mas há uma aberta. Parece um mercadinho, vendendo todos os tipos de coisas que você pode precisar de última hora se acabarem em casa.

Fico pensando se a pessoa lá dentro poderá me ajudar se eu mostrar a foto. Sei que é difícil, mas tenho que começar por algum lugar.

Também estou morrendo de fome. Procuro nos bolsos e encontro algumas moedas. Não é o bastante para nada substancial, mas pelo menos deve dar para comprar uma barra de chocolate. Não é a opção mais saudável, mas quem tem fome não escolhe prato.

Empurro a porta e a pessoa atrás do balcão olha para cima. Ele me encara com uma expressão fechada. Talvez o caminhoneiro estivesse certo. Talvez eu tenha cometido um grande erro.

De qualquer forma, estou aqui agora, então tenho que tirar o melhor proveito disso.

Pego uma barra de chocolate no expositor e vou em direção ao senhor Mal-Humorado.

Talvez ele não seja a melhor pessoa para perguntar sobre a fotografia. Ele parece preferir estar em qualquer lugar, menos aqui, então duvido que seja muito prestativo. Vou apenas comprar o chocolate e torcer para encontrar um lugar onde dormir. Não será a primeira vez que tenho que dormir ao relento. Talvez haja uma marquise atrás de alguma das lojas, ou uma ponte. Mesmo que houvesse um motel, eu não teria condições de pagar. Eu realmente deveria ter pensado melhor antes de jogar toda a cautela ao vento e ir para uma cidade estranha com quase nenhum dinheiro no bolso.

Enquanto me aproximo do balcão, ele mal desvia o olhar da revista que está lendo.

Ele torce o nariz.

“Estamos fechados”, ele resmunga.

Eu franzo a testa.

“Bem, a porta está aberta e claramente diz lá fora que vocês estão abertos.”

Ele levanta a cabeça e juro que o vejo farejar o ar antes de me lançar um olhar furioso.

Devo estar imaginando coisas; afinal, foi uma viagem longa e provavelmente estou exausta.

“Bem, estamos fechados para gente como você”, ele dispara.

Reviro os olhos.

“Sério? Você não pode simplesmente escolher quem atender, e não parece que você tem uma multidão de clientes de qualquer maneira.”

Jogo as moedas sobre o balcão e me viro.

Mal dei alguns passos quando o homem literalmente rosna para mim.

“Ei, sua ladrazinha. Traga isso de volta.”

Eu o ignoro. Ele ficou com meu dinheiro, então continuo andando até ouvir um baque alto.

Olho por cima do ombro e vejo o homem saltar o balcão e se mover a uma velocidade que desmente seu tamanho. Não estou a fim de entrar em uma briga com um homem duas vezes maior que eu, então faço a única coisa que posso: corro.

Felizmente, a porta abre para fora, então não me atrasa muito. Não que faça diferença, porque mal saí da porta quando algo, ou melhor, alguém, me atinge com força total.

Voo pelo pátio de cascalho e caio de cara. Felizmente, as palmas das mãos absorvem a maior parte do dano enquanto o cascalho raspa minha pele.

A princípio, penso que pode ser o lojista rabugento, mas ao olhar para cima, vejo-o encostado no batente da porta, com um sorriso malicioso no rosto.

Antes que eu tenha chance de escapar, sou jogada de costas e encaro o rosto de um homem que parece uma fera.

Ele me imobiliza com as pernas e sua mão envolve minha garganta enquanto me encara com uma expressão de nojo, como se tivesse acabado de pisar em algo imundo.

Seus olhos são escuros, quase pretos. Antes que eu consiga assimilar mais, ele me dá um tapa no rosto com as costas da mão.

Imediatamente sinto gosto de sangue conforme ele escorre do meu lábio cortado.

“Ladra do caralho”, ele sibila.

“Eu não sou. Eu paguei...”

O homem torce os lábios com desdém.

“Não estou nem aí para essa barra de chocolate, sua vira-lata de merda, mas isso aqui...”

Ele solta minha garganta enquanto arranca o colar do meu pescoço, quebrando a corrente no processo.

“Ei!”, eu grito, “devolve isso.”

Aquele colar e a pequena fotografia da minha mãe são as únicas coisas que restaram dela. Mal me lembro do rosto dela, então me agarro a isso como se fosse uma tábua de salvação. Tenho certeza de que o colar vale alguma coisa. Parece ser feito de ouro, e a cabeça de lobo tem dois cristais âmbar nos olhos. Mesmo na minha situação de sem-teto, não suporto a ideia de me separar dele. Geralmente não sou sentimental, mas algo dentro de mim diz que é importante de alguma forma. Agora, esse brutamontes à minha frente está prestes a roubá-lo.

Ele me ignora e, em vez disso, me dá outro tapa no rosto.

“Onde você conseguiu isso?”, ele rosna enquanto segura o colar.

A cabeça do lobo gira suavemente na corrente, os cristais brilhando no crepúsculo.

“É meu...”

Ele estreita os olhos.

“Mentirosa. Uma vira-lata insignificante como você nunca teria algo assim, a menos que tivesse roubado.”

Ele encara o colar e, enquanto ele está distraído, tento escapar.

Dou uma joelhada forte entre as pernas dele. Por todos os direitos, ele deveria desabar de dor, mas não o faz.

Sua atenção volta para mim imediatamente, e ele mal vacila.

“Sua cadela desgraçada”, ele rosna, “você vai pagar por isso.”

Ele agarra meu cabelo e sinto como se mil agulhas estivessem sendo cravadas no meu couro cabeludo. Eu grito, mas ele não parece se importar. Na verdade, isso só o incita mais. Ele levanta minha cabeça e a esmaga de volta contra o cascalho.

Literalmente vejo estrelas e, no instante seguinte, fui virada de bruços. Ele agarra meus pulsos e ouço um clique, sentindo o metal frio prender meus braços: algemas.

Não sou estranha à polícia, mas eles geralmente me levam por vadiagem ou invasão de propriedade quando estão limpando algum lugar ocupado. Às vezes acho que só me prendem para poderem me dar uma cama para passar a noite e algo para comer. Eles sempre me liberam com um aviso na manhã seguinte.

Normalmente, eles apenas algemam minhas mãos na frente, mas esse cara não é um policial comum. Ele não parece se importar que a brutalidade policial hoje em dia seja um grande tabu. Apesar da minha cabeça girando, estou lúcida o suficiente para saber que ele nem sequer leu meus direitos. Ele não para por aí, porém. Ele agarra meu cabelo novamente enquanto rosna para mim com os dentes cerrados.

“Agora, onde caralhos você conseguiu isso?”

“É meu”, eu gemo.

Não é a resposta que ele queria, e desta vez é meu rosto que encontra o cascalho.

O sangue escorre pelo meu nariz e sinto o gosto metálico no fundo da garganta.

“Você vai me dizer de quem roubou isso, se for a última coisa que fizer, sua putinha. Agora, de quem você roubou?”

Quando não respondo, meu rosto entra em contato com o cascalho novamente.

A escuridão começa a nublar minha visão, mas sinto um certo alívio quando ele solta meu cabelo.

Esse alívio dura pouco, pois, alguns segundos depois, sua bota atinge meu peito.

Ouve-se um estalo alto, e a dor irradia por toda a minha caixa torácica.

A última coisa que ouço antes de mergulhar na inconsciência é o som de sua voz me xingando.

“Sua merda do caralho.”

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Enredo Envolvente

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

Ver 10 comentários anteriores...
author

It’s been hours since I read this and I still can’t stop thinking about that one scene You’re dangerous

um ano
1
author

Geez... what a beginning to a story!

8 meses
1
author

Gaelic speaker here, I can pronounce Gealach Dorch (GAH-lach durch, with gutteral ch’s as in loch). It means Dark Moon.

5 dias
1

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