Capítulo Um – Xavier
Ele acordou de um salto exatamente às 3:04 da manhã, com os pulmões buscando o ar frio como se tivesse acabado de emergir de um afogamento. O suor colava em sua pele nua, escorrendo pelos sulcos profundos de músculos esculpidos por anos de treinamento e noites inquietas. Ele pressionou a palma da mão contra o peito, mantendo o controle, embora a fera dentro dele rosnasse contra a restrição.
Sua visão se ajustou às sombras; o quarto tremeluzia em prata sob o pulso do luar que entrava pela janela entreaberta. Seus olhos, normalmente cinza-aço, quase queimavam em prata agora, seu Lycan rondando as bordas de sua mente, inquieto e aguçado pela memória.
Xavier balançou as pernas para fora da cama, com os pés firmes na madeira fria. A dor sob as costelas exigia mais do que ar e luar esta noite. Ele precisava de calor para se sentir vivo, ainda que por alguns breves minutos.
O vapor no chuveiro da suíte se enrolava ao redor dele como algo vivo, agarrando-se aos planos rígidos dos músculos esculpidos por anos de treinamento implacável — e por perdas ainda mais implacáveis. Ele apoiou uma mão contra o azulejo frio, com a cabeça baixa, a água batendo forte em seus ombros largos, com riachos traçando os sulcos profundos em suas costas.
Sua outra mão envolveu sua ereção pesada, grossa e rígida na palma, apesar da dor surda sob as costelas lhe dizer que aquilo era inútil. Ele sibilou entre os dentes, um som baixo e quebrado. Seu Lycan rosnou com a intrusão — enojado, inquieto, arranhando as bordas de seu controle.
Esqueça isso, a fera rosnou no fundo de sua mente. Ela se foi. Isso não é nada.
Mas Xavier não conseguia esquecer. Ele precisava sentir algo. Precisava abafar o fantasma da risada de sua companheira ecoando nas fendas de sua mente.
Ele cuspiu na palma da mão, a saliva quente se misturando com a água antes de apertá-la com força ao redor de seu membro. Ele bombeou lentamente no início, forçando seu corpo a obedecer, a lhe dar pelo menos um pouco de alívio.
Nada.
O Lycan dentro dele soltou uma risada cruel e amarga, alimentando-o com estilhaços de dor em vez de prazer.
Pense nela, ele ordenou a si mesmo entre dentes cerrados. Anna.
Seus quadris se moveram uma vez, inutilmente, enquanto imagens piscavam — Anna sob ele, sons suaves saindo de seus lábios, o cabelo dela emaranhado em seus dedos, o gosto dela em sua língua. Ele apertou com mais força, arrastando a mão com mais aspereza sobre a glande espessa, estremecendo quando a primeira pulsação de calor se enrolou na base de sua coluna.
Sim.
Um rosnado rasgou sua garganta — metade agonia, metade alívio — enquanto suas presas raspavam o próprio lábio inferior, cortando a pele. Ele se impulsionou contra o próprio punho, mais rápido agora, perseguindo aquele limite familiar que ele não se permitia ultrapassar há muito tempo.
A voz de Anna em seu ouvido. O perfume dela em seus pulmões. O jeito como ela arquejava o nome dele quando ele cravava as presas no pescoço dela — reivindicando-a, marcando-a, amando-a da única maneira que uma fera como ele sabia.
Isso o fez quebrar.
Com um rosnado rouco, Xavier se moveu uma, duas vezes — então o calor explodiu através dele, jatos de alívio riscando a parede do chuveiro e escorrendo pelo ralo. Ele gemeu, com a testa batendo com força contra o azulejo liso, o peito arfando enquanto os últimos tremores percorriam seu corpo maciço.
Silêncio.
Vazio.
Nenhum conforto nos ecos do nome dela em sua língua. Nenhuma paz na queimação sob as costelas que nenhum orgasmo jamais poderia tocar.
Seu Lycan rosnou mais uma vez, selvagem e insatisfeito.
Ela se foi.
Xavier permaneceu ali, com a água caindo sobre ele como uma punição, olhos fechados, coração ainda partido — sozinho no vapor, sem nada a oferecer além da dor que nunca morria.
Enquanto os jatos continuavam a atingi-lo, Xavier plantou as duas mãos contra a parede de mármore e deixou a cabeça cair para frente. A água corria sobre os grossos músculos de seus ombros, descendo pelo corte rígido de suas costas, traçando o sulco profundo de sua coluna até escorrer pela curva de sua bunda e coxas poderosas.
Ele se moveu, o jato batendo em seu abdômen rígido, cicatrizado, marcado por anos carregando um peso maior do que qualquer coroa. Seu membro pendia entre as coxas, grosso e impressionante, mas agora flácido e indiferente.
Ele não se agitava desde que o batimento cardíaco de Anna falhou sob suas mãos. Desde que os gritos da parteira se transformaram em um hino fúnebre em sua cabeça. O que antes despertava com um simples olhar de sua querida Luna agora parecia apenas mais uma parte dele deixada oca pela perda.
Cada tentativa terminava da mesma forma, com a culpa sufocando qualquer lampejo de necessidade, seu lobo rosnando em protesto como se tocar a si mesmo fosse uma traição ao vínculo enterrado na cova com Anna e a filha deles.
Ele deixou a água limpá-lo. Seus músculos contraíam sob o pulso constante de calor. Ele esfregou a pele até ficar vermelha, ignorando a pressão fantasma de memórias que ele não conseguia lavar. Quando o vapor finalmente amorteceu a borda da fera que o arranhava, Xavier desligou o chuveiro e ficou ali, pingando, sólido e sozinho.
Ele se secou rapidamente, sem hesitar no ritual prático de se vestir: calça jeans preta que colava no volume poderoso de suas coxas e bunda firme; uma blusa térmica preta de manga longa que esticava sobre seus bíceps e peito; botas cowboy pretas que sussurravam tanto rei quanto peão em um único passo.
Duas fotografias o prenderam antes da porta:
Anna descalça e radiante, redonda com a vida que ela nunca embalou em seus braços. O ultrassom de Cheyenne, apenas uma promessa granulada que a Deusa da Lua nunca o deixou manter.
Ele não falou com elas. Ele não se atreveu.
Lá fora, os corredores da alcatéia prendiam a respiração enquanto Xavier passava. Ele não parou até que o ar frio o atingiu, cortando o vapor e a tristeza, levando-o em direção à sua caminhonete, uma Toyota Tundra preta fosca 2025 que o levaria ao celeiro e ao único batimento cardíaco que o mantinha preso à terra — Ladygirl.
Ele não se lembrava de ter engatado a marcha, apenas que o peso em seu peito parecia diminuir assim que a alcatéia desaparecia no espelho retrovisor. Midnight Mountain ainda dormia atrás de sua fortaleza de pinheiros e portões antigos, mas o rei dentro de seus portões não descansava há quase uma década.
A estrada para a fazenda serpenteava baixa e estreita através da névoa e da neblina do amanhecer. Ele manteve uma mão no volante, a outra batendo devagar no console de couro enquanto o rádio oscilava entre chiados e uma estação antiga de soul de Asheville.
Um dedilhado de guitarra familiar escapou pelo chiado — doce e doloroso como a própria memória.
Al Green. How Can You Mend a Broken Heart.
Claro. O universo tinha um senso de humor doentio.
Seus olhos voltaram-se para a linha de árvores escuras à frente, mas sua mente vagou para uma estrada diferente: um trecho sinuoso logo após os portões da vila, a risada de Anna brilhando no banco do passageiro de sua primeira picape preta.
Ela insistira que ele a levasse à vila humana naquele dia; sem refeitório da alcatéia, sem restaurante chique onde sussurros seguiam cada movimento deles. Ela queria o parque. Apenas o parque.
“Se vou me apaixonar pelo rei, Xavier St. Clair, preciso conhecer o homem primeiro. E não posso te fazer todas as perguntas bobas que tenho em algum jantar superfaturado. Ou em um cinema. Odeio silêncios constrangedores.”
Então, ele cedeu, relutante no início. Naquela época, ele achava que flores, velas e o vinho certo a impressionariam. Mas Anna só queria sol no rosto e um banco sob o carvalho velho perto do lago. Ele comprou dois cones de sorvete de chocolate de um carrinho operado por uma velha senhora que piscara para Anna como se fossem cúmplices.
Ela o bombardeou com perguntas sobre tudo. Sua primeira briga. Sua primeira transformação. O que mais o aterrorizava quando menino. Como ele gostava de ovos de manhã. Sem medo naqueles olhos, apenas curiosidade, ousada e suave ao mesmo tempo.
Xavier se apaixonou naquela tarde. Antes que a alcatéia a nomeasse Luna. Antes que seus pais a aprovassem como sua companheira escolhida. Ele a amava então, toda suja de chocolate derretido e rindo de um pássaro que roubou metade de seu cone.
A música o envolvia agora como um abraço fantasma, lenta e terna, ecoando pelos alto-falantes enquanto ele entrava na estrada de cascalho final até a fazenda.
“How can you mend… this broken heart…”
Uma pergunta cruel. Uma que nem mesmo a Deusa da Lua respondeu.
Xavier desligou o motor e deixou as últimas notas de Al Green desaparecerem no silêncio do amanhecer. Seu pulso se estabilizou. Seu lobo jazia quieto sob suas costelas — por enquanto.
Ele tinha um celeiro para verificar, uma égua para acalmar e memórias para manter à distância.
O perfume familiar — feno, couro, o almíscar suave de sua égua premiada — o atingiu primeiro. Ladygirl levantou sua cabeça escura do estábulo, as orelhas movendo-se em reconhecimento. Xavier exalou, uma fração de sua tensão desaparecendo enquanto ele se aproximava. Ele pressionou sua testa contra a dela, a palma da mão grande acariciando a curva de seu pescoço.
“Está tudo bem, querida”, ele murmurou, com a voz profunda o suficiente para acalmar lobos ariscos. “Vou sair por um tempo, mas você não está sozinha.”
Uma tosse atrás dele o fez endireitar-se. Dr. Greene, o veterinário de confiança da alcatéia, estava parado perto do portão, com as mãos nos bolsos de um casaco marrom gasto.
“Ela está bem, Alpha”, disse Greene gentilmente, acenando para a barriga da égua. “Ainda faltam algumas semanas. Mas estarei aqui na fazenda até você voltar, só por segurança.”
Xavier inclinou o queixo em gratidão, embora seus olhos nunca deixassem Ladygirl.
“Bom. Mantenha-a em segurança.”
Xavier permaneceu no celeiro até que a respiração rítmica de Ladygirl acalmasse o último rosnado inquieto sob sua pele. Quando ele pisou de volta no amanhecer fresco, o céu oriental estava ficando arroxeado e prateado, nuvens se movendo como fantasmas inquietos sobre Midnight Mountain.
Ele caminhou em direção ao SUV escurecido parado perto do portão principal. Rock estava encostado no lado do motorista, com uma bota apoiada no para-choque, folheando algo em seu tablet, sempre três passos à frente, a fortaleza viva da alcatéia em uma jaqueta de couro.
Quest, por outro lado, estava empoleirado no lado do passageiro com o telefone praticamente soldado ao ouvido. Sua estrutura de um metro e noventa parecia meio civilizada em jeans escuros e uma Henley cinza, mas o sorriso bobo contava uma história diferente. Homens recém-acasalados sempre carregavam aquela suavidade estúpida. Kristen derretera metade de suas arestas brutas em um único ciclo lunar.
Xavier se aproximou, as botas triturando o cascalho. Rock se endireitou imediatamente, os olhos piscando para as íris ainda brilhantes de seu Alpha antes de desviar o olhar respeitosamente.
“Tudo pronto?”, Xavier perguntou, com a voz baixa, mas firme.
Rock assentiu. “O jato está abastecido. Plano de voo liberado. Quando aterrissarmos, coordenarei o transporte de retorno. Nada toca a pista sem minha autorização, Alpha.”
“Bom”, Xavier resmungou, fechando a porta traseira com força depois de jogar sua mala.
Quest nem percebeu — ele estava ocupado sussurrando algo no telefone que fez Rock revirar os olhos.
“Sim, querida, eu prometo. Assim que eu pousar, te mando um mindlink. Aham. Te amo mais—” Ele percebeu o olhar de Xavier e se encolheu, cobrindo o microfone com a palma da mão. “Ei, chefe.”
Xavier ergueu uma sobrancelha, diversão escondida sob a aspereza. “Diga a Kristen que você sobreviverá alguns dias sem ela.”
Quest murmurou: “Não a tente a aparecer na pista”. Então, de volta ao telefone: “Ok, raio de sol, tenho que ir. Te amo. Tchau—tchau—Kristen—Kristen—ok. Tchau.”
Ele encerrou a chamada com um suspiro exagerado e Rock soltou uma risada contida.
“Desculpe, Alpha. Recém-casados, sabe como é”, Quest sorriu, dando de ombros com ombros gigantes que poderiam quebrar a coluna de um urso.
Xavier deu a ele um sorriso raro e fugaz — um que não tocava exatamente a dor enterrada em seus olhos. “Alguém de nós deveria ser feliz.”
Ele contornou o SUV e entrou no banco de trás, deixando Rock dirigir. Quest subiu na frente, digitando imediatamente uma mensagem para o piloto particular esperando por Rock em Tallahassee Regional.
“Você tem certeza de que confia no fretamento para meus pais?”, Xavier perguntou, com os olhos no borrão de pinheiros correndo pela janela.
Rock virou-se meio caminho, sincero como sempre. “Pessoalmente, verifiquei o piloto e a tripulação. Vou voar para baixo, buscar seus pais pessoalmente e trazê-los a tempo para o Festival da Lua Cheia. Dr. Greene me manterá atualizado sobre Ladygirl. Prometo, X — nada vai escapar pelas frestas.”
Quest murmurou sua concordância, os olhos piscando para o retrovisor. “A alcatéia inteira está de olho. Nada acontece com eles. Ou com você.”
O SUV passou pelos portões de Midnight Mountain, o reino escondido dando lugar ao mundo humano logo além da linha das árvores.
Por um batimento cardíaco, Xavier permitiu-se exalar. Por enquanto, seu povo estava seguro. Sua égua estava segura. Seu passado permaneceu enterrado atrás dele, trancado em um celeiro com fantasmas antigos e sonhos mal formados de uma família que ele nunca mais seguraria.
À frente, a pista de pouso privada brilhava no amanhecer como uma lâmina desembainhada — esperando por um rei que não sabia mais como dormir sem pesadelos.