A COMPANHEIRA DO ALFA

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Resumo

Sybil Blackwood é uma lobisomem de 25 anos destinada a ser a futura alfa da Alcateia Mística. Por anos, ela tentou encontrar sua alma gêmea (mate), e por anos, fracassou. Como não tem um mate, ela não pode assumir seu lugar de direito como alfa devido às objeções do conselho. O conselho, liderado por Lucian Nightshade, está determinado a garantir que Sybil nunca chegue ao poder. Mas nem tudo é o que parece. Lucian tem segredos. O tipo de segredo que poderia levá-lo à morte. No entanto, após uma dança compartilhada em um baile e uma noite de paixão, as coisas começam a mudar entre Sybil e Lucian. Faíscas voam. O ódio que sentiam um pelo outro é esquecido, mesmo que por um tempo. Quando os segredos de Lucian vêm à tona, ele é forçado a escolher entre o amor e a vingança. O que ele escolherá?

Status
Completo
Capítulos
36
Classificação
5.0 9 avaliações
Classificação Etária
18+

CAPÍTULO 1

O som de uma mão atingindo a madeira seca preencheu toda a sala. O barulho ecoou pelas paredes, silenciando as pessoas sentadas ao redor da mesa de carvalho envelhecido. Sybil Blackwood, a futura alfa da Mystic Pack, fechou as mãos em punhos apertados sob a mesa. Se não fosse pelo conselho, ela não toleraria o desrespeito explícito que eles demonstravam pelo seu pai. Por falar nele, Olcan Blackwood colocou a palma da mão sobre os punhos dela, usando o polegar para aliviar a tensão nos músculos da filha. Ela relaxou um pouco, deixando a raiva que sentia lá dentro diminuir. Seus olhos caíram sobre o homem sentado exatamente à sua frente. A mão que ele havia batido na mesa ainda estava lá; seus nós dos dedos estavam dobrados a ponto de parecerem prestes a estourar.

Ela apertou as mãos em punhos novamente, travando o maxilar. Como se Lucian Nightshade soubesse o que passava pela sua cabeça, o canto de seus lábios se curvou. Aquele sorriso zombeteiro quase a fez levantar, mas ela permaneceu sentada.

“Sua filha é inapta para governar esta alcateia. Sugiro que encontremos alguém capaz, alguém que possa estar à altura do cargo”, declarou Pierce. Sybil desviou o olhar de Lucian para ele. Ela o observou. Ele era um homem baixo, com cabelos pretos penteados para trás, salpicados aqui e ali por fios grisalhos. Sua pele era pálida e seus olhos eram de um castanho opaco. Assim como Lucian, ele sorriu para ela com escárnio. Por anos, Pierce foi contra a ideia de deixar Sybil assumir o lugar do pai. E, ao longo desses anos, ele inventou vários motivos para considerá-la incompetente. Isso já partiu o coração dela um dia. Agora, os preconceitos dele não significavam nada.

“Eu concordo”, emendou Aaron. Sybil nem se deu ao trabalho de olhar para a cara convencida de Aaron. Em vez disso, começou a planejar sua próxima alternativa. Ela sabia que o conselho nunca a deixaria ser a alfa que ela nasceu para ser. Eles sempre seriam contra ela, e era apenas uma questão de tempo até levarem as coisas a outro nível. Ela não tinha um companheiro, e esse era um dos motivos.

Ela se virou para o pai, mas ele estava estranhamente silencioso. Ele mantinha as mãos cruzadas com força sobre a mesa e o maxilar travado, enquanto seus olhos castanhos pareciam prestes a brilhar, sinalizando que seu lobo estava perto da superfície. Ela estendeu a mão, colocando-a sobre a dele, exatamente como ele fizera mil vezes com ela. Ele suspirou quando o toque dela o alcançou. Com isso, afastou as mechas de seu longo cabelo castanho para o lado, respirou fundo e encarou cada homem na sala com um olhar gélido. Ninguém se moveu, e Sybil se surpreendeu por eles não terem virado pedra ali mesmo.

“Gostem ou não, ela governará esta alcateia. É seu direito de nascença. Ninguém que vocês encontrarem jamais terá o potencial dela.”

“Mas essa decisão cabe a nós. Se dissermos não, ela nunca será alfa.” Os olhos de Sybil se fecharam sozinhos. Se esses homens soubessem o poder que ela detinha, a respeitariam. Se quisesse, ela poderia colocá-los de joelhos. Ela era a futura alfa por um motivo, o que significava que todos eles estavam abaixo dela.

“Tudo só porque ela é mulher?”, o alfa questionou. Pierce e Aaron assentiram com avidez. Embora tentassem negar por tanto tempo, todos sabiam a origem daquele ódio. Aos olhos deles, uma mulher era inapta para governar.

Lucian não assentiu; ele permaneceu quieto, como se discordasse de seus subordinados. Mas como ele poderia, se estava no meio de tudo aquilo? Sybil o observava, notava a indecisão que percorria seus olhos cor de mel. Será que ele não acreditava naquilo tudo e estava apenas seguindo os outros? Ela se recusava a acreditar, mas seria errado ter esperança?

Além disso, se esse fosse o caso, ela poderia usar a indecisão dele para lidar com o conselho.

Ela continuou a observá-lo. Pierce disse algo que ela não ouviu. Embora devesse prestar atenção, algo nublou sua mente. Ao encarar Lucian, algo a atraiu para mais perto dele. Algo poderoso. Uma força contra a qual ela não podia lutar. Aquilo a chamava, implorando para que ela deixasse sua cadeira e caísse no colo dele. A sensação quente e potente percorreu suas veias, aquecendo-a da cabeça aos pés.

“Sybil”, seu pai a chamou. Sacudindo a cabeça, ela voltou ao presente.

“Está tudo bem?” Ela assentiu, e quando seus olhos se cruzaram com os de Lucian, ele a olhava de um jeito estranho, como se soubesse o que tinha prendido sua atenção todo aquele tempo.

“Vamos continuar”, disse Pierce. Enquanto ela o ouvia discutir com seu pai, a sensação pulsava sob sua pele, tornando-se uma necessidade incessante que ela não conseguia saciar. Quando a reunião inútil terminou, ela saiu apressada da sala, engolindo o ar frio da manhã. Esperava que isso limpasse sua mente e seu corpo daquela sensação estranha, mas não funcionou.

Lucian, junto com Pierce e Aaron, desceu o caminho de paralelepípedos em direção à área de assentamento da alcateia. As pessoas perambulavam pelo local. Por onde ele olhava, sorrisos e gritos de alegria o saudavam. O sol da manhã brilhava no céu, embora o frio permanecesse no ar. Montanhas e árvores surgiam ao longe, transformando o cenário em uma paisagem onírica.

Embora todos ao seu redor estivessem felizes, ele não conseguia compartilhar daquela alegria. Ele nem se lembrava mais de quando tinha se sentido feliz pela última vez.

“Não entendo a cabeça daquela vadia”, começou Pierce. Suas palavras fizeram Lucian parar. Nos três anos em que conhecia o homem, ele nunca o tinha ouvido chamar Sybil daquela forma. Sim, eles eram contra ela se tornar a próxima alfa. Aos olhos de todos, eles tinham o mesmo motivo. Na realidade, porém, suas motivações eram diferentes. As de Pierce baseavam-se apenas no seu profundo ódio por mulheres. Lucian sabia que Pierce as desprezava; ele nunca perguntou o porquê, mas isso não significava que permitiria tal desrespeito diante dele.

“Vadia? De quem exatamente você está falando?”, ele perguntou. Ele sabia, mas queria apenas ver até onde seu suposto amigo levaria aquilo.

“Você sabe de quem estamos falando. Quem ela pensa que é?”

“Deixe-me dizer uma coisa…” Ele deixou a frase pairar no ar. Pierce recuou, intimidado. Talvez fosse a ameaça em seu tom, ou algo em seus olhos. Ele nunca saberia, pois não pretendia perguntar. “Se você chamá-la assim de novo, eu te mato onde você está. Estamos aqui por apenas uma razão. Não se desvie dela.”

Ele sustentou o olhar do homem franzino por um segundo a mais para deixar a mensagem clara e, então, foi embora.

A raiva fervilhava sob sua pele. Ele fez bem em se afastar antes de cometer algum estrago. Defendê-la daquela forma levantaria suspeitas, mas ele não conseguia ficar de braços cruzados quando alguém desrespeitava sua companheira daquela maneira.

Minha companheira, pensou Lucian. O próprio pensamento deixou um gosto amargo em sua boca. Ele odiava aquilo. Odiava os jogos que o destino vinha pregando em sua vida desde jovem. Jogos tão cruéis que ele se perguntava quando terminariam.

Sacudindo a cabeça, ele desceu o caminho de paralelepípedos que levava à sua casa de madeira. A casa ficava espremida entre outras do mesmo modelo. Ele a encarou. Às vezes, parecia que ela desabaria sobre ele.

Ainda bem que isso não me mataria, pensou enquanto caminhava em sua direção. Ele pescou as chaves no bolso, enfiando-as na fechadura e girando. A porta gemeu quando ele a empurrou. Lançando um último olhar para a rua, ele entrou. Tudo estava escuro, como se fosse o meio da noite. As cortinas estavam fechadas, impedindo a entrada de luz.

Ele fez um movimento com a mão no ar e algumas velas se acenderam, banhando a pequena sala em um brilho laranja e quente. Lucian levou as mãos diante dos olhos. Ele as encarou, pensando nos horrores que poderia liberar se usasse cada gota de seu poder.

A destruição não era a única coisa de que eram capazes; elas podiam consertar as coisas também, mas ele nunca quis fazer isso. Quando a vida te dá uma carta cruel, tudo o que você quer é destruí-la.

A única coisa que o mantinha sob controle era ela — sua companheira. A única mulher destinada a ele, mas a quem ele jamais poderia ter.

Aquilo o deixava puto.

Colocando as mãos nos bolsos, ele caminhou até a única cadeira pequena da sala. Uma estante de livros ficava perto da janela, e era só o que ele tinha ali. Ele se jogou na cadeira, fechando os olhos por conta própria.

Era em momentos como aquele, quando estava sozinho, que as vozes em sua cabeça ficavam altas demais. Ele podia ouvir tudo o que aconteceu há 25 anos, como se estivesse vivendo o momento novamente.

Ele podia sentir o medo do seu povo em sua língua. O grito de guerra do seu pai enquanto avançava para a batalha — a própria batalha que deu um fim à sua vida. Ele podia ouvir o último suspiro doloroso de sua irmãzinha enquanto a vida esvaía dela. O pior de tudo, ele podia ouvir o último grito agonizante que sua mãe deu enquanto usava o resto de seu poder para salvar sua vida.

Lucian tinha apenas 8 anos quando testemunhou o massacre de sua família. O homem que Sybil chamava de pai tinha dado o golpe final.

Ele o odiava. Não, ele detestava Olcan Blackwood.

Quando veio para cá, tudo o que queria era vingança. Lorraine, sua tia, o avisou sobre o que aconteceria. Ele tomou precauções, mas tudo desmoronou no momento em que a viu.

Sua busca por vingança foi interrompida. Então, ele se infiltrou lentamente na alcateia; agora, ele estava onde precisava estar. Por toda a dor que Olcan Blackwood o fez sentir, ele o faria sentir dez vezes mais.