Red Tape
Raelinn Oakenshade
Sudarolis, 2001
Se você nunca viu um elfo transar, não está perdendo muita coisa. O atendente da Red Tape grunhia como um esquilo estrangulado, a cabeça jogada para trás, a trança prateada batendo na clavícula de Veda a cada estocada frenética. Veda parecia entediada, com uma mão apoiada no balcão enquanto a bunda magricela dele bombeava ritmicamente entre suas coxas abertas.
Sua risadinha maníaca ecoou pelas paredes vazias da locadora Red Tape, agora quase desativada. Ela encontrou meu olhar e fez um pequeno gesto com a mão, que dizia: “agora, seu idiota”. Dei um toque em Zyra, que já estava esgueirando-se pelo corredor sombrio, com seu jeans de cintura baixa mal se segurando nos quadris.
Estávamos vigiando a Red Tape há semanas, observando o estoque diminuir à medida que os censores Fae a fechavam. “Ideias perigosas demais”, eles diziam, como se ver um minotauro e uma dríade se apaixonando em um jardim compartilhado fosse causar o colapso da civilização. Mas Veda tinha visto o atendente elfo bonitinho ainda empacotando caixas pela janela e, em trinta segundos, ela já estava sem blusa e oferecendo a ele uma “despedida apropriada”. O pobre bastardo não teve a menor chance.
Nós nos infiltramos entre as prateleiras de fitas que forravam o carpete desbotado como um labirinto, cada caixa uma cápsula do tempo de mídia proibida. Passávamos nossos dias na Nymph U aprendendo como lidar com três espécies diferentes ao mesmo tempo, e eles estavam preocupados com o que assistíamos na televisão?
A primeira caixa que alcancei estava lacrada com fita adesiva, e eu estremeci ao enfiar as unhas sob a borda. O som do rasgo pareceu impossivelmente alto, mas quando olhei de volta para o salão principal, o elfo estava ocupado demais se enterrando na boceta de Veda para notar qualquer outra coisa.
A primeira caixa era só lixo — séries educacionais de natureza, bem entediantes. O que era uma piada, porque ninguém em Luxuria tinha tempo para nada que não envolvesse pelo menos uma porra na tela.
Zyra sibilou de decepção, depois abriu a caixa seguinte, vasculhando as capas com uma velocidade implacável.
“Onde está a coisa boa?”, ela murmurou.
Os dedos de Zyra fecharam em torno de um punhado de DVDs e ela examinou as capas, o rosto se contorcendo de desgosto. “Aff, comédias românticas”, ela sussurrou, jogando uma caixa rosa-pastel por cima do ombro.
A caixa bateu no meu joelho e caiu virada para cima: Sirendepity, com um orc sorridente de terno e uma sereia em um vestido azul pendurada em seu braço. Meu pulso falhou, e eu rapidamente escondi o filme sob minha blusa antes que Zyra pudesse notar.
“Continue procurando”, sibilou Zyra, já com os braços enterrados na caixa seguinte. “Tem que ter pornô aqui em algum lugar. Não essas falsificações...” Ela levantou um pacote duplo de “Feelings First”, fingiu ânsia de vômito e o enterrou na pilha.
Vasculhei a pilha, com as mãos tremendo de uma excitação estranha e elétrica. Eu nunca tinha roubado nada antes. Mas aquilo era diferente. Aquilo era contrabando de verdade. As capas pareciam todas tão... comportadas. Um tiefling e um sátiro dividindo um milkshake. Duas goblins de suéteres iguais, de mãos dadas. Um unicórnio com a camisa aberta, olhando com desejo para uma fada.
A cabeça de Zyra deu um solavanco quando o elfo atrás do balcão soltou um gemido alto e desesperado. “Hora do show”, ela sussurrou. “Ele está prestes a gozar.”
Nós nos levantamos rapidamente, com os braços carregados de mídia proibida. Zyra me lançou um olhar — correr agora ou nunca — e nós disparamos para a saída, escondendo-nos atrás de uma pilha de caixas velhas enquanto o grito orgásmico do atendente ricocheteava pela loja vazia.
A campainha sobre a porta tocou quando escapamos, e eu vi o rosto do elfo quando ele percebeu o que tinha acontecido. Seus olhos se arregalaram, a boca ainda entreaberta pelo pós-gozo, e ele se atrapalhou para subir as calças enquanto gritava: “Ei! Parem! Porra!”
Veda já tinha ido embora; seu cabelo laranja parecia o rastro de um cometa enquanto ela zarpava pelos fundos.
Corremos por um beco lateral, as pedras do calçamento irregulares sob nossas sandálias, o sol quente em nossos pescoços. O atendente nos perseguiu por uns dois segundos antes de perceber que estava se exibindo para um grupo de turistas no café do outro lado da praça.
“Merda! Porra!” O elfo de novo, provavelmente percebendo que não podia nos perseguir com as calças nos tornozelos. Sua frustração diminuiu quando fiz a curva e me escondi atrás de uma fonte.
Colidi com alguém em alta velocidade.
Caímos em um emaranhado de membros e DVDs espalhados, e me vi encarando Veda. Sua pele cinzenta ainda estava corada, seu cabelo uma bagunça selvagem.
“Olha por onde anda, orc-fucker”, ela riu, já se apressando para juntar as capas caídas.
“Você fala como se soubesse.” Agarrei o Sirendepity antes que ela pudesse vê-lo. “Pelo menos você se divertiu?”
“Três de dez. Elfos são gentis demais.” Ela torceu o nariz.
“Trágico.”
Tínhamos reunido a maior parte dos DVDs quando Zyra voltou, ofegante e triunfante.
“Eros Nook”, sussurrou Veda, ainda sorrindo. “Giorgio vai nos deixar usar o DVD player se pedirmos com jeitinho.”
“Desde quando você pede qualquer coisa com jeitinho?” Mas eu já estava seguindo as duas.
A vila estava agitada esta noite, como sempre. Ninfas caminhavam entre as poucas lojas, enquanto turistas de todas as espécies rondavam as trilhas de paralelepípedos procurando entretenimento ou já ocupados com parceiros.
Tudo perfeitamente normal em Luxuria — meu lar nos últimos dois anos, enquanto estudava na Nymph U.
O Eros Nook ocupava um canto aconchegante no topo de Luxuria. As janelas da livraria tinham ficado encardidas pela falta de manutenção. O dono, Giorgio, estava na casa dos sessenta e poucos anos e não conseguia mais dar conta das marcas de dedos que apareciam no vidro diariamente.
Entramos pela porta em meio a risadinhas e bens roubados, e o unicórnio atrás do balcão mal desviou o olhar de sua conversa telefônica.
“— sim, Eryndor, eu entendo que você quer visitar, mas sua mãe nunca me perdoaria se...” Giorgio pausou, as sobrancelhas subindo levemente ao notar nossa aparência desleixada. Com cabelos grisalhos e olhos gentis, Giorgio provavelmente fora um homem bonito na juventude e envelhecera tornando-se alguém confortável e acolhedor.
“Olha, preciso ir. Algumas meninas da universidade estão aqui, e elas estão com aquele olhar.” Uma pausa. “Você sabe qual é o olhar. Não! Não isso, Eryndor!”
Ouvi uma risada metálica do outro lado da linha.
“Sim, sim. Te ligo amanhã. Te amo também. Tchau.” Ele desligou e nos encarou com um olhar de quem sabia de tudo. “Deixa eu adivinhar. Querem a sala dos fundos?”
“Por favor?” Juntei as mãos em uma súplica exagerada. “Vamos nos formar em uma semana. Considere um presente de despedida?”
“Sei.” Seus olhos desceram para os filmes que tentamos esconder atrás das costas sem muito sucesso. “Aqueles são da Red Tape?”
Zyra e Veda trocaram olhares culpados, mas eu mantive o contato visual. Giorgio sempre teve um fraco por mim — provavelmente porque eu realmente conversava com ele sobre seu sobrinho-neto e lembrava do seu aniversário. Ele tinha me encurralado no meu primeiro ano questionando minha linhagem.
“Os Fae estão fechando a loja”, eu disse baixinho. “Substituindo por uma daquelas lojas de turistas. Todos esses filmes iam ser destruídos.”
Algo brilhou na expressão de Giorgio. Tristeza, talvez. Ou resignação. “Eu ouvi dizer. A Loja de Brinquedos, é como estão chamando o novo lugar. Como se precisássemos de outro ponto para os visitantes comprarem coisas para usar em vocês, meninas.”
“Então o senhor vai nos deixar...?”
Ele acenou com a mão em direção aos fundos da loja. “Vão. Só limpem tudo depois e não deixem nenhuma evidência. Não preciso das autoridades farejando o meu estabelecimento.”
“O senhor é o melhor”, Veda gritou, já disparando para a porta do estoque.
“Eu sei”, Giorgio chamou atrás de nós. “E Raelinn?”
Parei, olhando para trás.
“Uma semana para a formatura, hein?” Seu sorriso era gentil, talvez um pouco triste. “Espero que você acabe em um lugar que te trate bem.”
Minha garganta apertou inesperadamente. “Obrigada, Giorgio.”
“Diga ao seu sobrinho-neto para estudar para as provas”, Zyra gritou por cima do ombro.
Giorgio apenas nos despachou com um gesto e começou a andar pela loja. Provavelmente virando a placa para “fechado” para nos dar um pouco de privacidade.
O estoque estava exatamente como eu me lembrava — prateleiras empoeiradas cheias de caixas de livros não classificados, um sofá caído que já vira dias melhores e, no canto, uma televisão de caixa com um DVD player novinho.
Jogamos nosso espólio no chão e logo tínhamos uma pilha de verdade para examinar.
“Finalmente”, respirou Zyra, segurando uma capa que mostrava uma ninfa de quatro e um sátiro atrás dela. “É disso que estou falando. ‘Breeding Ground 7: Satyr Sanctuary.’”
“Esse é aquele que tem a coisa que eles fazem com as línguas?”, Veda perguntou, já vasculhando sua própria pilha.
“Esse é o Breeding Ground 5. Esse aqui foca na dinâmica de grupo.” Zyra estudou a contracapa com intensidade acadêmica. “Aparentemente, tem uma cena com doze sátiros e uma ninfa que estabeleceu algum tipo de recorde.”
“Parece exaustivo.”
Deixei que elas discutissem sobre a seleção de pornô, meus dedos encontrando o Sirendepity na bagunça. O orc na capa olhava para mim, sua expressão sincera de um jeito que os orcs da vida real nunca eram. Eu já tinha ficado com muitos orcs — turistas que vinham a Luxuria procurando por sexo fácil e encontravam ninfas dispostas a cada esquina. Eles eram brutos. Exigentes. Eles não se ajoelhavam.
Elas definitivamente não trouxeram flores.
“Com certeza não.”
Olhei para cima e vi Zyra encarando a capa que eu segurava, com uma expressão entre o horror e a diversão.
“Qual é”, eu disse, segurando-a com mais força. “Só desta vez.”
“É uma comédia romântica, Rae. Sobre namoro.” Ela disse a palavra como se fosse uma doença. “Isso é pura fantasia, uma bobagem.”
“Por favor?” Eu a levantei, deixando a luz brilhar na capa. “Olhe para ele. Olhe para esses braços.”
“Estou olhando para uma perda de tempo.” Mas a determinação de Zyra já estava enfraquecendo — ela nunca conseguia resistir aos meus pedidos. “Veda, diga a ela que isso é estúpido.”
Veda olhou para a capa e deu de ombros. “Uma comédia romântica não vai nos matar. E depois assistimos àquela de sátiros.”
“E a do minotauro que eu encontrei”, acrescentou Zyra rapidamente.
“Feito.”
O DVD player começou a rodar e eu deslizei o disco para dentro com algo que parecia vergonhosamente próximo de reverência. Nos acomodamos no sofá frouxo — Veda no meio, Zyra e eu pressionadas contra seus lados — e o filme começou.
A primeira coisa que notei foi a cidade. N’Yorc, segundo os créditos iniciais, sobre a qual lembro vagamente de ter ouvido falar em algumas de nossas aulas de estudos de espécies. A capital dos orcs. Eu sempre imaginei como algo brutal e industrial, cheio de fumaça, metal e violência, mas o filme pintou um quadro diferente. Luzes brilhavam contra prédios escuros. A neve caía suavemente sobre ruas movimentadas. E, por toda parte, as pessoas andavam, conversavam e... simplesmente existiam. Juntas.
“Cadê a putaria?”, perguntou Zyra, confusa. “Olhe para todas essas fêmeas andando por aí. Alguém não deveria estar montando nelas?”
“Talvez seja antes das partes boas”, sugeriu Veda, embora sua voz soasse incerta.
Mas as “partes boas” nunca vieram. Pelo menos não da maneira que esperávamos. O protagonista orc — Grumsh, era o nome dele — conheceu a sereia em algum tipo de loja. Eles se tocaram sobre um par de luvas. Eles conversaram. E então...
“O que é um namorado?”, perguntei, franzindo a testa para a tela.
“Palavra inventada”, disse Zyra com desdém. “Tipo ‘casamento’. É coisa de filme.”
“E ‘namorar’? Eles continuam dizendo que querem ‘namorar’ um ao outro.”
“Parece um eufemismo para foder.”
Mas não era. O filme deixou isso claro à medida que continuava. Namorar, aparentemente, envolvia ir a lugares juntos. Fazer refeições. Conversar mais. Havia algo chamado “noivado”, que parecia envolver joias e promessas. E, durante tudo isso, o orc — este orc enorme e poderoso que poderia simplesmente ter tomado o que queria — continuava pedindo. Continuava tentando impressionar.
Veda e Zyra caíram na risada durante as cenas de cortejo. “Ele trouxe flores para ela”, Zyra arquejou, limpando as lágrimas dos olhos. “Como se ela fosse foder com ele com mais vontade por causa de umas plantas mortas.”
“E o joelho no chão! Você viu ele se ajoelhar?”, Veda segurou a barriga. “Consegue imaginar? Um orc, ajoelhado para uma fêmea?”
Elas riram muito, achando tudo hilário por ser impossível. Porque era impossível, não era? Machos não cortejavam. Machos não perseguiam. Machos pegavam o que queriam, e as fêmeas — especialmente as ninfas — existiam para serem pegas. Isso era biologia. Isso era a ordem natural.
Mas eu não conseguia parar de assistir.
O orc na tela estava procurando pela sereia, anos após o primeiro encontro. Ele estava noivo de outra pessoa — alguém rica, alguém apropriado —, mas não conseguia esquecê-la. Ambos estavam jogando fora acordos perfeitamente bons por causa de um sentimento que não conseguiam explicar.
Era absurdo. Completamente absurdo.
Então por que isso fez borboletas voarem no meu estômago?
“Rae está fazendo sua cara de orc de novo”, Veda provocou, cutucando-me com o cotovelo.
“Não estou não.”
“Você está, sim. Está se imaginando naquela pista de gelo com algum macho verde grandalhão, não está?”
Eu não podia negar. A cena final estava passando — Grumsh e a sereia, reunidos em um lago congelado em algum parque, cercados por neve rodopiante. Ele a segurava como se ela fosse preciosa. Como se ela fosse mais do que apenas um corpo para procriar.
“Não acredito que estamos a poucos dias da Cerimônia de Atribuição”, suspirou Zyra enquanto os créditos subiam. Ela se espreguiçou no sofá velho, esticando seus membros cinzentos. “Ainda decidida pela reprodução élfica, Veda?”
Veda se ajeitou com evidente orgulho. “Claro. Instalações limpas, tratamento gentil e eles deixam você manter seu nome.”
“Chique.”
“O que posso dizer? Eu tenho padrões.” Veda virou-se para mim, com uma preocupação surgindo em sua expressão. “Ainda não entendo por que você está tão decidida pelas instalações orcs, Rae. Elas têm uma das piores reputações.”
Eu dei de ombros, embora meu pulso tenha acelerado com o pensamento. “Elas melhoraram muito recentemente. Tempos de caminhada melhores, qualidade das refeições um pouco superior e os arranjos de cama estão muito melhores agora.”
“Só porque os Fae os forçaram”, Zyra zombou.
Veda concordou com a cabeça. “Se dependesse deles, ainda manteriam as ninfas em tocas de reprodução como nos velhos tempos. Presas às paredes e tudo mais.”
Eu não podia discutir com isso. A história da reprodução orc era brutal. As instalações de reprodução orcs eram conhecidas pelo tratamento dado às ninfas antes das reformas dos Fae. Correntes curtas, celas apertadas, ninfas mantidas em estados de gravidez quase constantes, sem descanso. As reformas mudaram as coisas, teoricamente, mas as reputações perduravam.
“Os orcs são mais civilizados agora”, insisti, e enquanto dizia isso, dei por mim a relembrar.
O turista orc que conheci na minha primeira semana na Nymph U, no beco atrás do The Nymph’s Embrace. Ele era enorme, facilmente o dobro do meu tamanho, e não se preocupou com gentilezas. Num momento eu estava caminhando, e no outro estava pressionada contra a parede, suas mãos gigantes prendendo meus pulsos acima da cabeça enquanto ele me possuía com uma estocada brutal. Ele me fodeu como se eu não fosse nada — como se eu fosse apenas um buraco para ser usado, uma coisa para ser reivindicada — e eu cheguei ao orgasmo tão forte que vi estrelas. E esse foi o momento crucial que me colocou no caminho da reprodução com orcs.
Uma emoção deliciosa percorreu-me ao lembrar. Minhas amigas sempre foram mais exigentes em suas preferências. Zyra com seus minotauros, Veda com seus elfos. Mas eu sempre fui atraída por algo mais sombrio. A aspereza. A dominância. O controle completo e total que os orcs exerciam sobre suas parceiras.
Eu adorava ser submissa. Adorava ser possuída, mesmo que temporariamente. E uma instalação de reprodução? Isso seria posse para sempre.
“Bom”, disse Zyra, levantando-se e limpando a poeira da saia, “preciso ser comida como se deve depois de aguentar essa bobagem piegas. Vamos, Veda?”
“Obviamente.” Veda se levantou do sofá. “O The Nymph’s Embrace deve ter turistas novos agora. Rae?”
“Eu alcanço vocês”, disse eu, alcançando o DVD player. “Alguém precisa guardar isto.”
Elas trocaram olhares de entendimento, mas não insistiram. Um momento depois, a cortina fechou-se atrás delas e fiquei sozinha com o menu do filme rodando em loop.
Peguei a capa novamente, passando o dedo sobre a imagem de Grumsh. A sereia que ele perseguiu pela cidade. O amor pelo qual ele estava disposto a lutar.
Um macho tentando conquistar o afeto de uma fêmea, em vez de simplesmente reivindicá-la.
Era fantasia. Obviamente, era fantasia. Todo o conceito de cortejo, de perseguição, de romance — essas coisas foram inventadas para entretenimento, não como reflexos da realidade. Nenhum macho se comportava assim. Especialmente os orcs.
E, no entanto...
Eu estava tão absorta na imagem que não ouvi a cortina se mover atrás de mim.
“Pensei que você pudesse se interessar por isso.”
Virei-me, com o coração acelerado, e encontrei Giorgio parado na porta do estoque. Em suas mãos calejadas, ele segurava um livro — um exemplar de bolso, cuja capa mostrava outra cena impossivelmente romântica de um orc e uma fêmea se abraçando.
“O que...”
“É um romance”, ele explicou gentilmente, estendendo-o em minha direção. “Como o filme que você acabou de assistir. O mesmo tipo de história — orcs, namoro, toda essa bobagem.”
Hesitei por um momento antes de pegá-lo. O livro era mais pesado do que eu esperava, gasto nas bordas pelos leitores anteriores. “Onde você conseguiu isso?”
“Não importa.” Seus olhos gentis prenderam os meus com uma intensidade inesperada. “O que importa é que, se alguém perguntar, você não conseguiu comigo. Entendido?”
Assenti lentamente, aproximando o livro de mim.
“Os Fae têm seus motivos para proibir essas histórias”, continuou Giorgio, agora em voz mais baixa. “Mas os motivos nem sempre estão certos. Às vezes, uma ninfa merece saber que existem outras formas de ser.” Ele se virou para sair, depois parou na cortina. “Você me lembra alguém que conheci uma vez. Há muito tempo.” Um sorriso triste cruzou seu rosto. “Ela também acreditava em possibilidades.”
E então ele se foi, desaparecendo de volta para a frente da loja, deixando-me sozinha com o livro, o DVD e uma cabeça cheia de pensamentos perigosos.
Talvez os fae estivessem certos.