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Emprego dos Sonhos | 18+ (sem edição)

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Resumo

Nicole consegue o emprego dos sonhos na Bloomwell, uma empresa de bem-estar sofisticada, comandada por mulheres, que vende suplementos, pílulas de emagrecimento e a promessa de uma vida melhor. O escritório parece mais um retiro de luxo do que um local de trabalho, com regalias infinitas projetadas para manter os funcionários felizes, leais e confinados. No entanto, quando Nicole começa a notar pequenos detalhes que não fazem sentido, seus colegas de trabalho reagem com uma positividade perturbadora, quase como se estivessem com medo de algo. À medida que Nicole investiga mais a fundo, as pessoas que fazem perguntas começam a desaparecer. Um colega rico e sedutor a atrai para um relacionamento perigoso e viciante, justamente quando ela percebe que a Bloomwell a observa muito mais de perto do que deveria. Para sobreviver, Nicole terá que ser mais esperta do que uma força que ela mal compreende e decidir até onde está disposta a ir para colocar seu emprego dos sonhos abaixo.

Gênero
Horror/Erotica
Autor
Rita
Status
Completo
Capítulos
32
Classificação
5.0 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Bloomwell

A televisão tremeluzia na penumbra da cozinha, refletindo no rosto de Nicole num banho de luz azul e branca suave.

O volume não estava muito mais alto do que o zumbido da geladeira, mas ela permaneceu ali mesmo assim, congelada em sua camisola, com uma meia calçada e um pé descalço contra o linóleo frio.

A mulher na tela sorria do mesmo jeito que sempre sorria, com os lábios finos, rosados e pressionados um contra o outro.

“As pessoas acham que bem-estar tem a ver com perfeição”, disse a mulher. “Mas, na verdade, é sobre alinhamento, é escolher a si mesma sem sentir vergonha.”

Nicole apoiou o quadril na bancada e observou a forma como a luz batia no cabelo da mulher. Ondas loiras e soltas cortadas em um chanel bem preciso. Ela vestia uma blusa creme clara, colocada por dentro de uma calça de alfaiataria. Nada repuxava ou amassava quando ela se movia.

A mulher sentava-se em uma poltrona baixa, levemente inclinada para o entrevistador, com as mãos suavemente cruzadas no colo. Uma perna estava sobre a outra, com seu salto de sola vermelha pairando logo acima do chão. O cenário ao redor dela parecia mais uma sala de estar do que um estúdio: uma mesa de centro de vidro, livros e uma planta alta perto da janela. A luz do dia entrava pelas janelas altas atrás dela.

Fundadora. CEO. Katrina Whittle.

“Nossos melhores resultados vêm de pessoas que realmente se dedicam”, continuou a Katrina da TV. “Que nos deixam ver o quadro completo, não apenas as partes de que se orgulham.”

O logotipo da Bloomwell brilhava fracamente no canto da tela, uma flor de hibisco rosa abrindo e fechando como se fosse uma boca.

Nicole se pegou balançando a cabeça em concordância.

Ela acompanhava Katrina Whittle há anos: programas matinais, painéis e clipes de entrevistas que sempre passavam durante o noticiário da noite. A Bloomwell sempre parecia pertencer a outro planeta, mas ficava na mesma cidade que todos eles: Robinswood. O campus ficava longe o suficiente do centro para parecer separado. O prédio erguia-se, prateado e imponente, no lado rural da cidade, como uma moeda brilhante jogada num campo de grama.

“Você está assistindo àquela mulher de novo?”

Nicole deu um pequeno sobressalto e se virou. Sua mãe estava parada na porta, já pronta para o trabalho, com as chaves na mão. Ela usava um jaleco antigo de enfermeira com estampa do Piu-Piu, a gola desbotada de anos de lavagem, combinado com tênis brancos que rangiam quando ela caminhava. Seu cabelo estava preso no coque trançado, justo e prático, que ela geralmente usava sob perucas. Com uma das mãos, ela puxou uma touca para cobri-lo.

“Ela estava passando”, disse Nicole, como se aquilo explicasse tudo.

Sua mãe entrou na cozinha e serviu café em um copo térmico. A bancada da cozinha estava cheia de cartas não abertas e cupons. Uma tigela de cerâmica lascada continha moedas soltas acumuladas ao longo dos anos.

Sua mãe olhou para a tela e depois de volta para Nicole. Ela arqueou uma sobrancelha. “Ela sempre fala desse jeito?”

Nicole concordou com a cabeça. “Praticamente.”

Sua mãe soltou um riso anasalado. “Deve ser muito bom ser tão rica.”

Na TV, Katrina Whittle riu de algo que o entrevistador disse. Nicole observou a forma como os olhos de Katrina se enrugaram. Nicole tinha lido sobre esse detalhe uma vez em um artigo na internet: “Como sorrir sem tensão”. Sorrisos reais aparecem ao redor dos olhos, não apenas nos lábios.

Nicole tinha ficado na frente do espelho do banheiro, tentando fazer o mesmo. Ela erguia os cantos da boca e tentava relaxar o resto do rosto. Era muito mais difícil do que parecia. Ela começou as entrevistas com a Bloomwell há um mês.

“Se você conseguir entrar lá, não vai precisar se matar de trabalhar desse jeito”, disse sua mãe, apontando para seu uniforme de enfermeira.

“Eu sei”, respondeu Nicole.

Não era fácil conseguir esse tipo de emprego com um diploma de dois anos. Nicole sabia disso, mas também sabia o que tinha aprendido observando Katrina ao longo dos anos: como ficar parada sob luzes fortes, como soar segura sem realmente estar, como fazer algo parecer possível apenas por falar sobre isso tempo suficiente.

A TV mudou para um comercial da Bloomwell: Katrina caminhava por um espaço envidraçado que parecia parte laboratório, parte showroom. Prateleiras brancas empilhadas com frascos de suplementos em tons pastéis ficavam expostas como obras de arte em um museu atrás dela.

A música subiu de tom e a cena mudou. New Wave. Desta vez, Katrina passeava por um escritório, cumprimentando os funcionários.

Ela parou na mesa de um homem que segurava uma prancheta. Cachos escuros emolduravam seu rosto. As mangas da camisa estavam dobradas e os antebraços expostos.

Na bancada da cozinha, o celular de Nicole vibrou. Uma notificação.

Ela não foi buscar o aparelho. Ela se inclinou para frente, do jeito que sempre fazia quando essa parte do comercial passava. Quando *ele* aparecia.

A Katrina da TV disse algo ao homem e descansou a mão brevemente em seu ombro antes de seguir em frente. Ele sorriu atrás dela e depois voltou a olhar para o seu trabalho.

O homem desapareceu no segundo plano enquanto o logotipo aparecia novamente. A música de fundo abafou uma narração que anunciava os planos da Bloomwell de construir um segundo campus.

*Viva bem. Bloomwell.*

O comercial terminou.

Nicole sentiu algo se acomodar no fundo do peito. Ela desligou a TV.

Ela já tinha perdido a conta de quantas vezes sentou naquela pequena mesa em seu quarto, reescrevendo a mesma redação para a Bloomwell, tentando soar como ela mesma, *mas melhor*.

*Diga-nos por que a Bloomwell é importante para você.*

Essa tinha sido a única pergunta da candidatura. Eles nem sequer perguntaram sobre empregos anteriores, o que era bom, porque ela não tinha nenhum.

Ela se candidatou à vaga de Coordenadora Administrativa, um cargo de nível inicial onde a experiência não deveria importar, na teoria (na prática, a história era outra).

Seu celular vibrou de novo. Nicole pegou o aparelho.

“Quem é?”, perguntou a mãe.

“Não sei”, disse Nicole rapidamente. Ela deslizou o dedo para desbloquear o celular.

Um e-mail da Bloomwell estava lá, não lido.

*ASSUNTO: Obrigado pela sua candidatura à vaga…*

Provavelmente mais uma rejeição.

Sua mãe observou a expressão dela mudar. “O que é?”

Nicole não respondeu. Seu coração disparava. Engolindo em seco, ela abriu o e-mail.

*Após nossas conversas recentes, temos o prazer de lhe estender uma oferta para o cargo de Coordenadora Administrativa na Bloomwell.*

“Ai, meu Deus”, disse Nicole. “Ai, meu Deus.”

“O que é?”, perguntou a mãe novamente.

“Mãe, olha!”

Sua mãe se aproximou, inclinando-se para ver a tela na mão de Nicole. Ela soltou um som, metade riso, metade suspiro. “Nicole.”

Nicole riu também, sem fôlego. Incrédula. “Eles me escolheram.”

Sua mãe apertou o braço dela. “Você conseguiu”, disse ela. “Eu te disse que você conseguiria.”

Nicole pensou nas perguntas que eles fizeram da última vez. Ela não estava preparada para nenhuma delas. Eles não perguntaram nada sobre planilhas, softwares ou certificações. Perguntaram onde ela se via daqui a cinco anos. O que ela buscava em uma função de longo prazo. Como ela lidava ao receber feedback.

Ela tinha respondido com sinceridade… e também com o que eles queriam ouvir.

A tela brilhava na palma de sua mão, quente contra seus dedos morenos. A cozinha parecia se fechar ao redor delas, a geladeira zumbia e a mão de sua mãe ainda estava em seu braço.

A Bloomwell a tinha escolhido.

Nicole fechou os olhos por um segundo, sorrindo. O brilho da TV já tinha sumido, mas ela ainda conseguia sentir a presença da Bloomwell, como uma imagem residual.

Quando Nicole abriu os olhos, seu polegar já pairava sobre o botão *Responder*.

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

Ver 3 comentários anteriores...
author

Do you have a beta reader for it?

5 meses
author

I love the way you opened this story. I need to know how this plays out now.

5 meses
author

The Bloomwell logo opening and closing like a mouth is such a haunting image. I have a feeling this 'dream job' is going to be more than Nicole bargained for. Can’t wait to see what happens on her first day!

5 meses

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