Levando o irmão mais velho do seu melhor amigo para uma... Festa de solteiros??
Avisos de Conteúdo
Theory of Attachment explora temas como relacionamentos arromânticos, cultura de pegação, amizade, poliamor e relacionamentos abertos.
Relacionamentos além de Micah e Alistair podem conter diferença de idade, sugaring acidental, threesomes, dp, bdsm, cucking, mxmxf e roleplay.
Micah é exclusivamente ativo e, no geral, uma bagunça, rs.
Alistair é versátil, exclusivamente passivo para o Micah, e tem TOC de contaminação não diagnosticado, rs.
A classificação é 18+. Conteúdo sexual explícito e detalhado para Micah x Alistair. O sexo com outros parceiros é resumido, sem detalhes, deixando espaço para a imaginação, rs.
Todo sexo em ToA é consensual.
O disco mais recente (e favorito) de Micah estava sendo jogado na cara dele por alguém que ele (otimisticamente) achava que teria uma conversa calma, sensata e ponderada.
Ele se abaixou para evitar a colisão, e só pensou em agarrar o vinil por puro reflexo. O disco caiu, quebrou e voou como fogos de artifício contra a parede de tijolos atrás de sua cabeça.
O coração de Micah saltou pela garganta antes que as palavras saíssem. "Porra! Você tem noção de quão caro isso era?!”
"Caro?!" gritou a pessoa que dizia ser seu namorado há duas semanas. Vale lembrar que esse título foi concedido sem o consentimento ou a consciência de Micah. “Aposto que é por isso que você nunca me levou para jantar! E eu aqui achando que era porque a única coisa que você queria era me ferrar."
É, mais ou menos, ele pensou, mas mesmo se tivesse dinheiro, não queria jantar com ninguém além de Kennedy e Benny, que, naquele exato momento, estava vindo para o resgate de Micah.
“Cheguei!” Benny anunciou pelo apartamento. Sua voz ecoou em uma sala apenas preenchida por almofadas de sofá.
O homem soltou um grito feral e agudo e fugiu do quarto de Micah. Ele fez questão de bater a porta ao sair duas vezes — primeiro a porta de Micah, e depois a porta da frente, antes que Benny conseguisse dizer um simples: “Como está—” BAM! “—indo?”
Um segundo depois, Benny estava na porta, com a mochila pendurada ao lado. “Cara, que porra aconteceu? Achei que vocês dois estivessem se pegando, por assim dizer.”
A frustração queimava como ácido na língua de Micah enquanto ele catava os cacos do seu vinil. Ele deixou um punhado deles esfarelar entre os dedos para cobrir o rosto e gemer. “Passei semanas guardando gorjetas para comprar isso.”
“Caralho, isso é...?”
"É. Deus, eu sou muito idiota. Quem deixa sua posse mais preciosa à mostra para ser arremessada contra paredes assim?”
“Para ser justo, acho que as estatísticas de arremesso contra paredes são bem baixas. A culpa não é sua,” disse Benny. Ele se agachou no chão ao lado de Micah e ajudou a juntar os cacos. Eles varreram tudo para uma pilha, que Micah jogou em cima de uma revista velha para descartar. “Talvez você consiga remontar. Colar num papel cartão. Chamar de arte?”
Micah lançou um olhar mortal para ele, levantou-se e atravessou o quarto com os restos. Ao entrar no corredor, Erika saiu do quarto dela.
Ela parecia tão exausta quanto sua voz indicava. “Seu namoradinho foi embora?”
Benny olhou para fora do quarto de Micah, assustado ao ver Erika. “Você estava aqui e não interveio?! Até eu ouvi a gritaria lá no corredor!”
Erika esfregou os olhos por baixo dos óculos. “E por que eu faria isso, se a culpa é do Micah?”
“A culpa não é minha,” disse Micah, amargurado, embora fosse um padrão recorrente. Ele sempre caía nas mesmas discussões, nas mesmas conversas, por mais que tentasse evitá-las. Ele achava que seu jeito distante seria o bastante para desencorajar qualquer um de presumir ser seu namorado.
Diante do silêncio de Benny e da sobrancelha erguida de Erika, Micah murchou. “Não é. Eu disse a ele várias vezes que não sou tipo para namoro. Ele sabia disso.”
“Ele provavelmente achou que você estava se fazendo de difícil, como sempre,” disse Benny.
“Não, ele disse que achou que fosse uma tara,” disse Erika.
“Sério mesmo?”
“Sim, eu estava lá durante a discussão. Diferente de você. Você não deveria estar no trabalho?”
“Ah, é, saí mais cedo. E ainda bem!” Benny passou um braço pelos ombros de Micah e disse: “Já que você está solteiro de novo, deveria sair com a Kennedy e comigo!”
Ao ouvir a combinação de palavras favorita de Micah (“sair” e “Kennedy”), ele conseguiu esquecer, por um momento, que segurava os restos trágicos do seu vinil favorito. “Sair para onde? E eu sempre estive solteiro e pretendo continuar assim.”
Erika cruzou os braços com um sorriso presunçoso. “Então talvez você devesse parar de iludir os garotos.” Foi quando Micah notou as marcas do travesseiro no rosto de Erika.
“Você estava dormindo? São, tipo, sete da noite.”
“Eu e as meninas vamos sair mais tarde,” disse Erika.
“Você saiu ontem à noite.”
Ela bocejou, passou direto por ele e disse com desdém: “E daí?”
“Enfim,” disse Benny, trazendo Micah de volta ao futuro. “É uma festa temática e... isso é tudo o que eu sei. Ela disse para se vestir para impressionar, mas não para fazer discurso. Ah! E para vir preparado.”
Isso era código para a intenção de sair com alguém diferente de quem trouxe. Micah conhecia bem esse código e já estava desesperado para esquecer o cara com quem estava saindo sem compromisso no último mês através de uma pegação sem nome e sem rosto.
“Beleza. Tô dentro.”
Benny ergueu os punhos em sinal de vitória.
Enquanto Benny corria para se arrumar, Micah parou na cozinha, encarando o lixo. Ele olhou para o seu vinil — seu vinil lindo e perfeito (até cinco minutos atrás) — e soube na hora que se arrependeria de jogá-lo fora. Pegou um pote de comida, varreu os cacos para dentro, fechou e, sem lugar melhor para guardar, colocou na geladeira para lidar com aquilo depois.
Foi então que bateram à porta.
Micah olhou, pensando no oposto da verdade. Provavelmente era seu ex-quase-namorado voltando para lhe dar uma última palavra, pensou Micah. A verdade, porém, era muito mais sinistra.
Esperando do outro lado da porta estava algo que mudaria o resto da vida adulta jovem de Micah. Demoraria algum tempo para ele saber com certeza se aquilo era para melhor ou para pior, mas, de qualquer forma, ele deu uma olhada pelo olho mágico e ficou completamente confuso.
“Hum,” ele começou, olhando para o quarto de Benny. Benny já tinha ligado o chuveiro e, portanto, não podia ouvi-lo.
Ele já tinha visto o irmão mais velho de Benny em fotos pela casa e, mais especificamente, em chamadas de FaceTime que Benny fazia pelo apartamento ou no meio da rua enquanto estavam fora. Nunca, nos três anos em que morava com Benny, Micah teve motivo para ver o irmão mais velho dele pessoalmente.
Ou do outro lado da porta da frente.
Ele abriu.
Alistair West, meio-irmão mais velho de Benedict (Benny) West, estava lá em alta definição, com a camisa entreaberta. Os olhos de Micah fixaram-se na tatuagem do peito e em nada mais enquanto ele dizia: “O Benny está no banho.”
“Olá para você também,” disse Alistair, gesticulando com a mala.
Micah deu um passo para o lado, confuso, e disse: “Você não deveria estar no Arizona?”
“Estou visitando a trabalho. O Benny não contou?” disse Alistair.
Não, definitivamente não, pensou Micah, e se perguntou se deveria falar com Erika. Talvez Benny tivesse mandado mensagem para ela em vez do grupo, mas isso não explicava a insistência de Benny em sair.
Ele esqueceu completamente, Micah percebeu, e presumiu que Erika também não sabia.
Alistair era um bem precioso de Benny, o que tornava o conforto dele importante para Micah. Ele fechou a porta atrás deles e disse: “Você pode deixar seus sapatos aqui. Acho que vai dormir no sofá, se estiver tudo bem para você.”
“Sim, sem problemas. E a gente ainda não se apresentou formalmente—Alistair.”
Eles apertaram as mãos. “Micah. Vou avisar o Benny que você chegou.”
Ele foi primeiro ao banheiro de Erika, onde ela estava passando delineador como uma cirurgiã. Ela olhou para ele de soslaio e disse: “Seu namoradinho voltou?”
Micah a encarou. “Não.” E depois, em um sussurro: “O Benny comentou que o irmão ia visitar?”
“O gato?” ela perguntou, um pouco surpresa. Ela levantou a caneta para poder encará-lo direito quando ele assentiu. “Não... Por quê, é ele?”
“É, com uma mala," disse Micah.
“Porra. Eu ia trazer a menina de ciência política mais tarde,” ela sibilou, fechando a máscara de cílios.
“Acho que o Benny esqueceu—”
“É, nem me fale! Deixa pra lá, ele pode ficar. Colírio para os olhos e tudo mais,” ela suspirou.
Micah juntou as mãos como se fosse rezar. “Obrigado,” ele sussurrou, e voltou para entrar no banheiro que dividia com Benny.
Ele abriu a porta para uma parede de vapor e o chuveiro ligado. Eles nunca tinham se dado ao trabalho de colocar cortina, mas o vidro estava embaçado o suficiente para proteger a modéstia de Benny enquanto Micah entrava, fechava a porta e dizia:
“Cara, seu irmão está aqui.”
Benny baixou as mãos. O contorno do seu rosto encarava Micah através do vapor. Então, soltando um palavrão, ele disse: “Porra! Coloquei as datas erradas na agenda.”
“Tudo bem. Falei com a Erika e disse a ele que ele vai dormir no sofá.”
Benny tentava limpar o rosto da água e do sabão antes de se inclinar para fora da parede de vidro para olhar para ele direito. “Ai, meu Deus, você é um sonho. Desculpa mesmo—”
“Tá tudo bem. Devo convidá-lo para a festa com a Kennedy? Podemos fingir que você já tinha planejado tudo.”
"Sim. Sim, por favor—”
“Beleza.” Sem saber o que fazer, Micah foi dar um soquinho e Benny tentou um "high-five". Eles travaram. Benny agarrou o punho de Micah e sacudiu como um joystick. “Meu Deus, para, solta.”
Benny piscou, fez um sinal de arma com os dedos e disse: “Já saio!”
Micah revirou os olhos e sacudiu a água da mão ao sair.
Na área comum, Alistair tinha deixado a mala ao lado do sofá e estava sentado na bancada da cozinha, rolando a tela do celular. As grandes janelas em arco dividiam a luz sobre Alistair, e o brilho dourado fazia maravilhas para sua pele. Seu cabelo estava bagunçado e, pelo modo como Alistair brincava com ele — passando os dedos entre as mechas —, parecia macio.
Ao se aproximar, Micah descobriu que o toque amadeirado do perfume de Alistair era tabaco. Fresco.
“Ei, ele já vai sair,” disse Micah.
Alistair levantou os olhos do celular. Seus olhos eram mais angulares que os de Benny e endurecidos por uma sobrancelha marcada. Tudo nele parecia esculpido para Micah, ele presumiu.
“Ok.”
“Ele pediu para avisar que tem um rolê planejado. Alguma festa, acho. Eu vou junto, se não tiver problema.”
“Ah.” Alistair se ajeitou. Ele deixou o celular de lado e olhou para a mala. “Qual o dress code?”
Qualquer coisa cairia bem nele para o padrão da Kennedy, pensou Micah. “Algo bonito, mas não formal.”
Alistair levantou-se e atravessou a sala, mandando um sinal de positivo para Micah. Micah propositalmente não o olhou indo embora. Com certeza não.
Os quinze minutos seguintes passaram rápido. Vestido para impressionar, mas não para discursar, Micah foi à cozinha mais uma vez para ajeitar o fecho de seus brincos. Como esperado, o irmão de Benny se arrumou bem para alguém que tinha acabado de sair de um longo voo e uma viagem de metrô. E Benny, como sempre, estava um arraso.
Benny o cumprimentou com um suspiro e um assobio. Alistair deu um sorriso divertido para Benny enquanto Micah dizia: “Relaxa. Eu estou aqui toda noite.”
“Exceto nas noites em que você não está,” Benny o lembrou.
Erika saiu do banheiro de botas go-go e minissaia. Ela colocou as mãos na cintura e disse: “Parece que vocês três estão prontos para ir.”
“Belo sapato,” disse Micah.
Ela chutou o ar com um salto e disse: “Valeu. Vejo vocês amanhã, provavelmente. Talvez. De qualquer jeito, temos que tomar brunch.”
“Ou almoço, dependendo da hora que acordarmos,” disse Benny.
Erika fez uma continência e saiu. Quando a porta fechou, Alistair saiu do banco e os seguiu até a saída, perguntando: “Ela não vem com a gente?”
"Ela vai para uma rave. Nós não vamos para uma rave,” disse Benny.
“Graças a Deus,” disse Alistair. Ele segurou a porta para Micah, fechou-a e deu um passo para trás para que Benny pudesse trancá-la.
No caminho, Micah aprendeu muita coisa. Alistair estava na cidade para negociar uma transferência de trabalho — uma reunião da qual ele tinha acabado de voltar quando Micah abriu a porta. Pelo resto do fim de semana, ele estaria procurando apartamento.
“Então você realmente vai se mudar para cá em tempo integral?” disse Benny.
“Ao que parece,” disse Alistair, rindo quando Benny dançou de alegria. “Tenho visitas agendadas uma atrás da outra amanhã, então talvez tenha que perder o brunch. Ou o almoço.”
“Tudo bem. Isso é totalmente tranquilo."
“Nossa, não parece tão animado para não passar tempo comigo.”
“Não é isso—!”
“Eu tô brincando, seu idiota.”
No caminho, Micah avisou Kennedy sobre a situação. Ela garantiu que confirmaria com o anfitrião se havia espaço para Micah e Alistair na festa. Evidentemente, era bem exclusiva.
Não foi surpresa para Micah que Kennedy não o tivesse convidado de primeira. Suas agendas eram cheias e, na maior parte do tempo, ela ajustava a lista de convidados aos gostos e desgostos dos amigos. O lugar para onde iam provavelmente atendia aos desejos de Benny. E, se ele considerasse o dress code, as opções eram mínimas.
Não é casamento, ele se convenceu. Ele e Alistair certamente não teriam permissão de entrada. Benny adorava ser convidado para casamentos, a menos que fosse com a família de Kennedy; nesses casos, a família dela preferia a companhia quieta e calma de Micah.
Festa de noivado? Definitivamente plausível, e provavelmente para amigos que Micah não conhecia. Kennedy acrescentaria os nomes de Micah e Alistair ao presente de noivado que ela comprou, se fosse realmente uma festa de noivado.
Jantar de aniversário de namoro? Talvez Kennedy estivesse tentando arranjar o Benny com um dos amigos ricos e solteiros de um casal celebrando aniversário de namoro. Definitivamente possível, mas um jantar era menos provável. Uma reserva exigia um número de pessoas que Micah e Alistair não incluíam.
E assim, exatamente quando chegavam ao destino em Chelsea — um condomínio perto do calçadão do rio — Micah chegou à sua conclusão final e começou a entrar em pânico.
Uma festa de solteiros... E então, com horror ainda maior, ele olhou para Benny e pensou: Você está trazendo seu irmão para uma festa de solteiros?!