Capítulo Um: O quarto
A sala de jantar brilhava sob o lustre de cristal, um espaço reservado apenas para as ocasiões que importavam. O jantar de domingo era sagrado. A mesa de mogno, polida até brilhar como um espelho, estava posta com pratos de porcelana branca com bordas em um azul delicado — um padrão passado de geração em geração pela sua avó em Xangai. Hashis de jade repousavam ao lado de cada prato. No aparador, um pergaminho pendurado trazia caracteres que sua mãe explicara anos atrás: disciplina, harmonia, excelência. O frango assado ocupava o centro da mesa em uma travessa azul e branca, ladeado por arroz de jasmim em uma tigela combinando e pelo refogado de melão-amargo com gengibre, especialidade de sua mãe — do tipo que levava três horas para ficar perfeito, mas era apresentado como se não exigisse esforço algum. Tudo em seu lugar. Tudo sob controle.
“Então, como foram suas provas finais?” Seu pai dobrou o guardanapo com precisão; a pergunta caiu como sempre acontecia — casual na superfície, mas carregada de peso por baixo. O paletó do terno estava pendurado na cadeira atrás dele, a gravata afrouxada, mas ainda impecável. Mesmo em casa, ele mantinha uma certa formalidade.
“Tirei nota máxima em tudo”, disse Marcus. Ele havia ensaiado aquele momento na noite anterior, tentando adivinhar qual assunto surgiria primeiro. Seus dedos encontraram os hashis sem pensar — a facilidade de anos, nada deixado ao acaso.
Seu irmão mais velho lhe deu aquele sorriso particular, aquele que significava muito bem, mas era o esperado, antes de voltar a comer. Então, debaixo da mesa, um pé atingiu a canela de Marcus — não com força, apenas o suficiente para fazê-lo fuzilar o irmão com o olhar. O irmão nem sequer levantou os olhos, tentando esconder um sorriso enquanto comia o arroz. Não deixe isso subir à cabeça, gênio. Marcus revidou o chute e errou, atingindo a perna da mesa, e teve que transformar uma careta de dor em uma tosse. Sua mãe não olhou para cima. Ela já tinha desistido, há muito tempo, de fingir que não percebia essas coisas.
Para eles, a excelência não era uma conquista. Era o mínimo esperado.
“Cambridge está impressionada”, continuou o pai. “Eles estão analisando as candidaturas agora. Você deve se preparar para a entrevista.”
Marcus assentiu, cortando o frango em pedaços pequenos e uniformes. Do outro lado da mesa, sua mãe o observava da mesma maneira de sempre — não de forma maldosa, mas atenta. Ela dera aula para adolescentes por tempo suficiente para saber quando alguém estava atuando para os outros em vez de estar presente de verdade.
“Jamie ligou mais cedo”, disse ela, mudando o rumo da conversa. “Ele vai passar aqui amanhã?”
“É. O primo do Jamie vai dar uma festa nos dormitórios — algo de boas-vindas para o pessoal mais velho. A Sophie vai encontrar a gente lá.”
Seu pai fez um som curto e evasivo — aquele que significava que festas eram algo fútil, mas tolerável, desde que servissem para algum propósito. Marcus aprendera a traduzir os silêncios do pai anos atrás.
Depois do jantar, ele pediu licença e se retirou para o seu quarto. Seu celular vibrou com uma mensagem da Sophie:
nem ouse furar com a gente amanhã. você precisa ter uma vida social de verdade em vez de ser um robô.
Ele sorriu, apesar de si mesmo. Sophie tinha um jeito de dizer as coisas que o fazia se sentir chamado à atenção e compreendido ao mesmo tempo. A mensagem do Jamie chegou um momento depois, sendo mais direto:
festa amanhã, cara. você vai. sem desculpas.
Naquela noite, Marcus ficou na cama rolando as mensagens no celular, já ensaiando os cenários para o dia seguinte. Ele iria à festa, ficaria por um período aceitável, teria conversas superficiais e, depois, iria embora.
Simples. Controlado.




I cant wait to read more!
Oh I really like this! Love the “perfect family dinner where everyone is emotionally suffocating” vibe. And Sophie/Jamie texting him feels like this little breath of fresh air after all that pressure. Really nice contrast! (Also NGL, Jamie is like my favorite name in the entire world)
This chapter opens with such a strong sense of atmosphere and tension, the dining room feels almost sterile in its perfection, and you can immediately sense the weight of expectation pressing on Marcus.
I really liked how the family dynamics are shown through small details: the jade chopsticks, the scroll with its values, the father’s “casual but weighted” question, and the way excellence is treated as the baseline rather than something to celebrate. Marcus’s controlled behavior and the way he plans his party exit strategy make him feel very real and relatable.
One small note: the chapter is quite short and ends on a quiet note, so you might consider letting one or two of the emotional beats (the father’s silence, the mother’s observation) land a bit longer for maximum impact.
Would you be open to more detailed feedback on atmosphere, family dynamics, and Marcus’s internal voice?