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A Propriedade do Cowboy

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Resumo

Uma moça que trabalhava na limpeza de um bordel até ser comprada. Protagonista empoderada e atrevida Cowboy dominante e bruto Atualizações às segundas-feiras Ambientação de época Lila tinha apenas uma chance de escapar de sua antiga vida: uma passagem de trem e um punhado de moedas escondidas. Em vez disso, viu-se diante de uma igreja empoeirada na fronteira, forçada a se casar com Jace Harlan, o fazendeiro de olhar severo que a comprou para preencher os cômodos vazios de sua extensa casa na fazenda. Desde o momento em que os votos são trocados, Jace deixa suas intenções brutalmente claras: Lila agora é sua esposa, e ele pretende mantê-la. Quando ela tenta fugir na noite de núpcias, ele a captura na mata escura, a coloca sobre o joelho e lhe ensina a primeira de muitas lições dolorosas com seu cinto. Depois, ele a toma completamente contra a parede do celeiro — de forma bruta, minuciosa e impiedosa — marcando-a tão profundamente que nenhum outro homem jamais a desejará. Mas Jace não é apenas um bruto. Ele é um homem que constrói para o futuro: uma casa grande destinada a filhos, uma propriedade próspera e uma esposa que ele planeja domar e proteger. Entre a disciplina rígida e uma ternura surpreendente, ele lentamente quebra a resistência de Lila. Ele cuida de seus vergões com mãos gentis, envolve-a em suas camisas limpas e oferece pequenas doses de liberdade no campo aberto, sempre sob seus termos. Lila luta contra ele a cada passo, mas cada castigo a deixa dolorida e ansiosa de mais de uma maneira. À medida que os dias passam na remota fazenda...

Status
Completo
Capítulos
21
Classificação
5.0 6 avaliações
Classificação Etária
18+

You can’t

Eu estava no salão particular da tia Vera, com os punhos tão cerrados que minhas unhas cravavam nas palmas das mãos. A luz da tarde entrava pelas cortinas empoeiradas, tornando o ar denso e dourado, mas isso não fez nada para aquecer o nó frio que se revirava em meu estômago.


"Você o quê?" Minha voz estalou como um chicote na sala silenciosa.


A tia Vera estava sentada atrás de sua pequena escrivaninha de mogno, os dedos entrelaçados com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. Ela ainda parecia "impone" daquela maneira endurecida das mulheres que enfrentaram noites difíceis demais.

Seu cabelo escuro estava preso no alto, alguns fios prateados captando a luz da luminária.


"Eu vendi sua mão em casamento, Lila", disse ela, com a voz firme, mas cansada. "Para um homem chamado Jace Harlan. Ele é dono de uma grande propriedade de gado ao norte daqui, tem terra e dinheiro suficientes para tirar o Rose & Thorn do buraco em que se encontra. Os papéis já estão assinados. Ele virá buscar você amanhã."


O chão pareceu inclinar-se sob minhas botas. Agarrei o encosto da cadeira de veludo para não cair. "Você me vendeu? Como uma daquelas moças lá de baixo?" Minha garganta fechou, apertada e ardente. "Eu nunca... só o pensamento de deixar qualquer um daqueles homens me tocar..." Eu não conseguia terminar. Durante todos os anos em que vivi nesta casa, eu apenas tocava piano no saloon e cantava as antigas baladas que faziam os cowboys ficarem quietos e cavarem mais fundo em seus bolsos à procura de gorjetas. Eu servia bebidas quando precisava e sorria quando era esperado, mas nunca subi as escadas. Nunca. A tia Vera tinha me prometido pelo menos isso.


Ela se levantou, suas saias de seda sussurrando contra as tábuas do chão. "Não olhe para mim desse jeito, menina. Sua mãe era minha irmã. Eu acolhi você quando ela morreu e você não tinha mais para onde ir. Este lugar está se afogando em dívidas — empréstimos ruins, uma temporada de seca e o novo xerife nos sangrando por 'proteção'. Mais um mês e o banco leva tudo. Inclusive o teto sobre sua cabeça."


"Então você me troca para salvar isso?" Minha voz subiu, tremendo de fúria. "Eu não sou uma de suas pombinhas, tia. Eu me mantive limpa no meio de toda essa imundície. Eu canto. Eu toco. É só isso. E você vende meu futuro para algum estranho que provavelmente acha que está comprando uma puta com uma voz bonita?"


A porta do salão se abriu sem aviso. Jace Harlan entrou, alto, marcado pela poeira, seus olhos azuis tempestuosos se estreitando enquanto ele observava a cena. Ele deve ter chegado cedo para inspecionar sua "compra".


A tia Vera se endireitou. "Sr. Harlan, esta é Lila. Ela está apenas um pouco sobrecarregada."


O olhar de Jace passou por mim, avaliador, mas ele ainda não disse nada.


Olhei da minha tia para esse estranho que achava que podia me possuir, e algo dentro de mim se quebrou ao meio. A traição ardia mais do que o sol do deserto lá fora. Dei um passo à frente, com a voz firme e afiada como uma faca.


"Não. Eu não vou fazer isso." Voltei-me totalmente para a tia Vera, ignorando Jace completamente. "Você me prometeu segurança. Prometeu que eu nunca teria que me vender. Durante todos esses anos, mantive minhas mãos limpas enquanto você levava este lugar à ruína com seus pagamentos de 'proteção' e negócios ruins. E agora você acha que pode simplesmente me assinar como uma das pombinhas lá de cima? Como se eu fosse gado?"


O rosto da tia Vera endureceu. "Lila, você não tem escolha. O acordo é definitivo."


Eu ri, amarga e despedaçada. "Veremos." Arrancou o envelope pesado de dinheiro da escrivaninha — aquele que Jace deve ter acabado de entregar — e o joguei direto no peito da minha tia. Ele atingiu com um baque satisfatório, as notas se espalhando pelo chão como folhas mortas. "Aí está o seu precioso negócio. Enfia onde quiser. Eu não sou sua propriedade, e com certeza absoluta não sou dele."


As sobrancelhas de Jace Harlan se elevaram, mas ele permaneceu em silêncio, de braços cruzados, observando o espetáculo.


Girei sobre meus calcanhares, as saias rodopiando dramaticamente, e fui em direção à porta. No limiar, parei tempo suficiente para desferir o golpe final, minha voz soando clara e alta o suficiente para todo o maldito saloon ouvir, se estivessem escutando.


"Pode ficar com suas dívidas, suas mentiras e seu futuro comprado, tia Vera. Chega. Este é o meu grande 'foda-se' para tudo isso. Arranje outra garota para vender."


Sem mais uma palavra, bati a porta do salão com tanta força que o vidro na moldura estalou e trincou. O som ecoou pelo corredor como um tiro.


Caminhei direto para o meu pequeno quarto, tranquei a porta e caí de joelhos. Minhas mãos tremiam apenas um pouco enquanto eu levantava a tábua solta do piso e tirava minha bolsa de pano escondida. Dólares de prata e algumas moedas de ouro caíram na palma da minha mão — cada gorjeta que ganhei com o piano e o canto, cada moeda guardada em segredo. Não era muito, mas era meu. O suficiente para uma passagem de trem para sair de Silver Creek. O suficiente para recomeçar em algum lugar honesto.


O amanhecer faltava poucas horas. Coloquei meus poucos pertences na pequena mala de carpete.


Saí pela porta dos fundos com minha mala sobre o ombro. O ar estava fresco e cortante, carregando o cheiro de artemísia e esterco de cavalo do estábulo. Silver Creek ainda estava quase toda adormecida, apenas algumas lanternas brilhando nas janelas e o clangor distante do ferreiro já trabalhando.


Caminhei rápido em direção à estação de trem, minhas botas levantando pequenos tufos de poeira no calçadão, minha respiração saindo em arfadas curtas e raivosas. Eu não conseguia parar de falar comigo mesma em voz baixa, as palavras saindo como vapor de uma chaleira, alimentando cada passo.


"Me vendeu... como se eu fosse um móvel", murmurei, apertando a bolsa com mais força. "Depois de todas aquelas promessas. 'Você nunca terá que subir as escadas, Lila. Você é diferente.' Mentiras. Tudo mentira. Bem, que se dane isso e que se dane o grande plano dela."


Meu coração batia mais forte a cada palavra. A estação não ficava longe, logo após o fim da rua principal, onde os trilhos cortavam o matagal.

"Eu me mantive limpa. Nunca deixei nenhum daqueles homens me tocar. Cantei com toda a minha alma para que pagassem pela música, não por mim. E ela joga isso fora por um monte de notas e a terra de algum barão de gado. Chega. Acabou. Não serei mais a boa sobrinha que salva os negócios da família com o próprio corpo."


Um cachorro vira-lata latiu em um beco, fazendo-me estremecer, mas continuei andando, minha voz baixando, mas não menos feroz.


"Jace Harlan que volte para seu rancho de mãos vazias. Que a tia Vera explique por que o negócio deu errado. Que ela encare o banco sozinha. Espero que o teto desabe sobre aquele salão podre. Estou indo para o leste ou para o norte, para qualquer lugar onde os trens vão. Vou tocar piano em um hotel de verdade. Cantar para pessoas que pagam porque gostam da música, não porque querem me arrastar para cima depois. Vou seguir meu próprio caminho. Sempre segui."


A plataforma da estação surgiu à vista, a grande locomotiva de ferro já sibilando vapor, pronta para a viagem da manhã. Carregadores circulavam carregando caixotes. Apressei o passo, as moedas no meu bolso tilintando suavemente como pequenos sinos de liberdade.


"Acabou para Silver Creek. Acabou ser vendida. Esta é minha vida agora, e ninguém manda nela a não ser eu."


Eu estava quase na bilheteria, com a mão já alcançando minhas moedas guardadas, quando uma mão bruta se fechou sobre meu ombro por trás e me puxou para o beco estreito entre a estação e o galpão de carga.


"Passa para cá, garota", rosnou o homem. Ele era meio metro mais alto que eu, corpulento, exalando uísque e suor. Ele tinha o rosto cheio de cicatrizes, contorcido sob um chapéu desleixado e sujo. Seus dedos cravavam dolorosamente em meu braço. "A bolsa. O dinheiro. Tudo. Agora."


Meu estômago revirou, mas a fúria venceu o medo. Balancei minha mala de carpete com força contra as pernas dele. "Me solta!"


Ele praguejou quando a mala atingiu seu joelho, então me deu um golpe de costas na boca. O impacto jogou minha cabeça para o lado, cortando meu lábio. O sangue inundou minha língua, quente e metálico. Antes que eu pudesse me recuperar, ele me empurrou com força. Tropecei para trás e caí no chão, o cascalho cravando nas palmas das minhas mãos.


"Sua vadiazinha estúpida", ele rosnou, pairando sobre mim. Ele levantou a mão novamente em punho.


O segundo golpe nunca aconteceu.

Um braço poderoso passou pelo pescoço grosso do ladrão por trás e o puxou para trás com uma força cruel. O homem engasgou, seus braços flutuando enquanto Jace Harlan o tirava do equilíbrio como se ele não pesasse nada.


Jace não perdeu tempo com palavras. Ele desferiu um soco brutal nos rins do ladrão, depois o girou e acertou outro soco direto no estômago dele. O homem grande se curvou com um grunhido sibilante. Jace seguiu com um gancho afiado no queixo que estalou alto o suficiente para ecoar. Sangue espirrou da boca do ladrão enquanto sua cabeça girava para trás.


Em segundos, acabou. Jace colocou um joelho nas costas do homem, torcendo um braço grosso atrás dele até que o ladrão uivasse de dor. O ladrão se debateu uma vez e então ficou quieto, choramingando.


Jace levantou o ladrão com uma facilidade ridícula e o empurrou, tropeçando, em direção à plataforma, onde dois carregadores de olhos arregalados haviam congelado. "Amarrem-no", ordenou Jace, jogando uma moeda para um deles. "Peguem o xerife. Digam a ele que esse bastardo tentou roubar minha mulher na estação."


Minha mulher.


As palavras me atingiram com mais força do que o tapa do ladrão.

Jace voltou-se para mim, limpando as juntas dos dedos na calça. Seus olhos cinzentos de tempestade estavam frios e determinados enquanto varriam meu lábio cortado e a sujeira em meu vestido. "Você está machucada?"


Eu me levantei com as pernas trêmulas, limpando o sangue da boca com as costas da mão. "Eu não sou sua mulher", cuspi, com a voz rouca, mas feroz. "Eu dei à tia Vera o meu grande 'foda-se' ontem e falei sério cada palavra. O negócio acabou. Eu vou pegar aquele trem."


Jace deu um passo à frente, pairando sobre mim. Ele não me tocou, mas sua presença preenchia o beco como uma parede. "Os papéis foram assinados, Lila. Dinheiro mudou de mãos. No que diz respeito à lei e a mim, você já está prometida. Eu cavalguei até aqui para buscar minha noiva, e não gosto de ser feito de tolo."


Ele olhou para a locomotiva, que estava sibilando vapor mais alto agora, com o condutor chamando o embarque final. Então seu olhar voltou para mim, duro e inflexível.


"Aquele bastardo conseguiu um golpe só porque você fugiu sozinha. Silver Creek está cheia de homens como ele. Você acha que está saindo livre? Não vai acontecer. Você vem comigo para o rancho. Vamos nos casar direito, hoje ou amanhã, e você vai aprender a viver com isso. Lutar contra mim não vai mudar o que já está feito."


Meu coração martelava. O gosto de sangue ainda era forte na minha língua, meu lábio latejava, e agora esse homem — esse estranho que acabara de quebrar outro homem em segundos — estava me dizendo que minha fuga tinha acabado. Apertei minha mala de carpete com mais força, as moedas escondidas parecendo subitamente inúteis.


"Eu não vou me casar com você", disse, levantando o queixo mesmo com a voz tremendo. "Você não pode me obrigar."


O maxilar de Jace tensionou. "Veremos." Ele apontou para a plataforma da estação. "O trem está partindo. Você não está nele. Você pode ir comigo de boa vontade, ou eu vou carregar você. A escolha é sua. Mas, de qualquer jeito, você não vai fugir sozinha de novo."


O apito soou, um lamento longo e melancólico. Carregadores estavam batendo portas. O ladrão gemia de onde estava sendo amarrado, mas Jace o ignorou completamente, seus olhos fixos em mim como se eu já fosse sua propriedade.

Fiquei lá, sangrando, furiosa e presa entre o trem que partia e o homem que ainda pretendia me reivindicar como sua esposa.


Aquele som estalou algo dentro de mim. Eu não ia ficar ali e deixá-lo decidir minha vida. Não depois de tudo.


Eu disparei.


Com as saias erguidas em uma mão e a mala de carpete na outra, corri em direção ao trem em movimento, minhas botas batendo na plataforma de madeira. "Pare! Espere!" gritei para o condutor, mas os vagões já ganhavam velocidade. Atrás de mim, ouvi Jace praguejar asperamente.


"Droga, Lila — pare!"


Passos pesados troaram atrás de mim. Não olhei para trás. Meu lábio cortado latejava, sangue ainda escorria pelo meu queixo, mas a adrenalina abafou a dor. Eu estava quase perto o suficiente para agarrar o corrimão do último vagão de passageiros quando um braço forte envolveu minha cintura por trás e me tirou do chão.


Gritei e me contorci, meu cotovelo voando para trás. Atingiu algo sólido, talvez o peito dele, mas não o atrasou. Jace me girou e me derrubou no chão em um movimento suave e poderoso, seu corpo caindo sobre o meu na terra e no cascalho ao lado dos trilhos.


O impacto tirou o ar de mim. Minha mala de carpete voou, moedas se espalhando com sons metálicos suaves. Chutei e arranhei, minhas unhas cravando em seus braços e ombros, meus calcanhares cavando o chão tentando derrubá-lo. "Sai de cima de mim! Eu não sou sua! Me solta!"


Jace prendeu meus pulsos acima da minha cabeça com uma das mãos grandes, seu peso mantendo minhas pernas presas. Ele respirava com dificuldade agora, poeira cobrindo seu chapéu e casaco, seus olhos cinzentos de tempestade brilhando com frustração e algo mais sombrio. Seu corpo pressionado contra o meu, peito com peito, seus quadris travados sobre os meus. Através das camadas da minha saia e das calças dele, senti algo rígido e insistente pressionando firmemente contra meu baixo ventre, rígido e quente mesmo através do tecido.


Congelei por um segundo, a confusão cortando o pânico. Não era a fivela do cinto ou uma arma, eu sabia como aquelas eram pelo saloon. Isso era diferente. Mais espesso, mais quente, vivo de um jeito que não fazia sentido para mim.


"O que... o que é isso?" ofeguei, minha voz pequena e perplexa, minha mente inocente lutando por uma resposta. Minhas bochechas arderam mais do que o tapa do ladrão. "Por que você está... duro aí? Tira isso de mim!"


Jace ficou parado por meio segundo, sua pegada em meus pulsos apertando apenas o suficiente para me lembrar que eu não ia me livrar. Seu rosto estava perto o suficiente para eu ver a leve cicatriz ao longo de seu maxilar e a maneira como seus olhos escureceram com minha pergunta confusa. Ele não riu. Não explicou. Apenas exalou rudemente pelo nariz, sua voz baixa e rouca quando finalmente falou.


"Isso é o que acontece quando um homem persegue uma mulher que deve ser sua esposa e ela luta contra ele como um animal selvagem." Seus quadris se moveram levemente, não roçando, mas o suficiente para que eu sentisse a extensão rígida dele novamente, agora inconfundível. "Você é inocente como ninguém, não é? Bom. Essa parte do acordo ainda está de pé."


Forcei-me novamente, a fúria renovada misturando-se ao calor estranho e assustador de seu corpo sobre o meu. "Eu não sou sua esposa! Eu disse não. Eu disse à tia Vera exatamente onde ela podia enfiar aquele negócio. Me deixa levantar!"


Ele não se moveu. O trem já tinha ido embora, seu apito desaparecendo na distância como um gemido moribundo, deixando apenas o chiado do vapor e o clangor distante da estação. A mão livre de Jace afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, quase gentil, mas sua pegada em meus pulsos permanecia como ferro.


"A luta acabou, Lila. Você fugiu, você lutou e você perdeu. Esses papéis são definitivos. Você está voltando comigo para o rancho. Vamos ficar diante do pastor hoje ou amanhã... a escolha é sua, o quanto difícil você quer tornar a viagem." Sua voz caiu ainda mais, carregada de aviso e posse. "Continue lutando e eu vou amarrar suas mãos e jogar você sobre a sela como um saco de grãos. Acalme-se e eu deixo você cavalgar direito. De qualquer forma, você é minha agora."


Meu peito arfava sob seu peso, meu lábio ainda sangrando, terra e cascalho cravando nas minhas costas. A pressão rígida dele contra mim era confusa e aterrorizante na mesma medida, algo que meu corpo não entendia, mas que instintivamente sabia que significava perigo... e algo mais para o qual eu não tinha nome. Lágrimas de raiva e desamparo brotaram nos meus olhos, mas eu as contive.


Eu não tinha acabado de lutar. Ainda não. Mas o trem se fora, minhas moedas estavam espalhadas na terra e o homem que me comprara me prendia com uma facilidade aterrorizante, seu corpo fazendo promessas que eu não queria ouvir.


Ele disse secamente, com a voz baixa e áspera, enquanto olhava para mim. "O trem já foi. Você vai vir comigo por vontade própria?"


Respondi virando o rosto bruscamente para o lado e tentando me livrar dele mais uma vez, embora soubesse que era inútil.


Jace soltou um suspiro irritado pelo nariz. "Você está se machucando ainda mais, sua tola teimosa."


Sangue fresco escorria mais rápido pelo meu queixo, vindo do lábio cortado que eu continuava abrindo a cada solavanco da cabeça. Ele não esperou que eu parasse. Com a mão livre, ele enfiou a mão no casaco, tirou uma bandana dobrada e limpou meu rosto à força. Tentei desviar, mas ele agarrou meu maxilar firmemente com dedos fortes, manteve minha cabeça parada e usou o braço para segurar meu rosto, começando a limpar o sangue e a sujeira da minha boca, bochecha e queixo com movimentos ásperos e práticos. O pano saiu manchado de vermelho escuro enquanto ele me limpava, querendo eu ou não.


"Estragando o que já me pertence", murmurou ele, com a voz carregada de irritação. "Paguei um bom dinheiro por uma noiva limpa e intacta, não por uma mulher ensanguentada e coberta de sujeira que não consegue parar de se machucar no segundo em que tenta fugir. Fique parada."


Lancei-lhe um olhar furioso, meu peito arfava, mas minhas lutas haviam diminuído para puxões fracos que não faziam nada contra sua força descomunal. Ele terminou de limpar meu rosto,

a bandana agora encharcada com meu sangue, e jogou-a de lado. Ele manteve meus pulsos imobilizados e o peso do seu corpo me prendendo.


"O trem foi embora", ele repetiu, com os olhos endurecidos pela posse. "Suas moedas estão espalhadas na terra. Não sobrou nada para você aqui a não ser problemas. Você vai voltar comigo para o rancho. Ficaremos diante do pastor hoje ou amanhã; a escolha de quão difícil você quer tornar isso é sua. Mas você é minha agora, Lila. Assinada e paga. Lutar contra mim só machuca o que já é meu."


Meu lábio latejava onde ele havia limpado, meu rosto ardia por causa da bandana áspera, meu corpo estava preso, indefeso, sob o homem que me comprara e que claramente pretendia me manter como sua esposa. Lágrimas de raiva queimaram em meus olhos, mas eu as segurei. O apito do trem era um eco fraco e moribundo à distância.


Eu não tinha terminado de odiar isso. Eu não tinha terminado de ficar furiosa. Mas a luta havia realmente acabado naquele momento, e Jace não estava me soltando.


Jace olhou para mim por um longo momento, seus olhos cinzentos como uma tempestade, vazios de irritação. "Muito bem", ele disse finalmente, com a voz baixa e decisiva. "Acho que faremos isso do jeito difícil."


Ele soltou meus pulsos apenas o tempo suficiente para tirar um pedaço de corda de couro cru da alforje, fina e forte. Antes que eu pudesse escapar, ele pegou minhas mãos novamente, cruzando meus pulsos na minha frente e amarrando-os firmemente com nós rápidos e praticados. A corda cortava minha pele, não o suficiente para interromper a circulação, mas firme o bastante para que eu não conseguisse me soltar, não importava o quanto puxasse.


"Levante-se", ordenou ele, puxando-me para cima com um movimento fácil. Tropecei, ainda tonta pelo esforço e pela limpeza grosseira. Ele se abaixou, pegou minha mala de mão e um punhado das moedas espalhadas, enfiando-as na bolsa antes de jogá-la sobre o ombro. Em seguida, ele praticamente me arrastou pela plataforma agora vazia até onde seu grande cavalo castanho esperava, amarrado a um poste.


Tentei um último movimento fraco quando ele me levantou para a sela. "Não faça isso. Por favor."


Ele montou atrás de mim sem responder, um braço travando minha cintura como uma faixa de ferro, o outro segurando as rédeas. "Você teve sua chance de vir por vontade própria", murmurou ele contra meu ouvido. "Agora você viaja amarrada."


A viagem de volta para Silver Creek foi curta, mas miserável. Sentei-me rigidamente à frente dele, com os pulsos atados no colo, o couro cru raspando a cada passo do cavalo. Jace não falou novamente até chegarmos à entrada da cidade e ele virar em direção à pequena igreja branca na rua lateral.


A porta estava trancada. Um bilhete escrito à mão dizia: O pastor Williams foi chamado para a cidade vizinha. Volta amanhã de manhã.


Jace leu uma vez, com o maxilar tenso, e então virou o cavalo em direção ao Hotel Silver Creek, o único lugar decente na cidade que não ficava anexo a um saloon. "Parece que vamos esperar até de manhã", disse ele secamente. "Ficaremos aqui esta noite. Casaremos amanhã."


Ele desmontou primeiro e então me tirou de cima, como se eu não pesasse nada, mantendo uma mão em meus pulsos atados enquanto me conduzia para dentro. O recepcionista deu uma olhada em minhas mãos amarradas, meu vestido manchado de terra e a expressão dura de Jace, e não fez perguntas. Jace pagou pelo melhor quarto, com banheiro privativo, e pediu uma refeição quente.


O quarto era simples, mas limpo: uma grande cama de ferro, uma mesa pequena com duas cadeiras e uma bacia para lavar o rosto. Jace só desamarrou meus pulsos depois que a porta foi trancada atrás de nós e a comida — bife, batatas, molho e pão fresco — foi entregue. Ele apontou para a cadeira. "Sente-se. Coma."


Sentei-me, mas não conseguia comer. Meu estômago estava um nó. Empurrei os pedaços de carne e batatas pelo prato com o garfo, fazendo pequenos desenhos no molho. Quando isso não acalmou a ansiedade, comecei a cutucar a pele ao redor das minhas unhas, cavando até sangrar um pouquinho. Minha perna balançava sob a mesa. Eu ficava olhando para a porta, para a janela, para qualquer lugar, menos para ele.


Jace me observou por alguns minutos em silêncio, seu próprio prato quase limpo. Então, sua mão disparou sobre a mesa e agarrou meus dois pulsos, puxando minhas mãos para longe da boca e prendendo-as espalmadas sobre o tampo da mesa.


"Pare", disse ele bruscamente. "Você está se deixando em carne viva e arruinando o que me pertence. Não paguei um bom dinheiro por uma noiva nervosa e meio faminta que não consegue ficar parada sem se machucar." O aperto dele era firme, mas não doloroso; era impossível me soltar. "Coma como uma esposa de verdade, ou eu mesmo vou te alimentar. E pare de arrancar suas unhas. Você está sangrando de novo."


Lancei-lhe um olhar furioso, minhas bochechas ardendo com uma mistura de vergonha e raiva, meus pulsos amarrados agora mantidos como reféns sobre a mesa. A energia nervosa ainda zumbia sob minha pele, mas suas mãos grandes e calejadas mantinham as minhas presas e imóveis. O quarto parecia subitamente menor, a porta trancada, um lembrete pesado de que não havia como fugir esta noite.


Mesmo presa assim, não consegui ficar de boca fechada. "Esposa de verdade?", murmurei, com a voz carregada de sarcasmo enquanto tentava puxar minhas mãos de volta. "Você quer dizer aquela que você comprou da minha tia como se fosse um piano usado? Que romântico."


A boca de Jace se contraiu. Em vez da raiva que eu esperava, seus olhos cinzentos se enrugaram com um leve divertimento, como se minha pequena provocação fosse mais fofa do que ameaçadora. Ele se recostou levemente, mas não soltou meus pulsos. "Atrevida mesmo quando está amarrada e encurralada. Gosto desse fogo mais do que deveria, Lila."


Ele inclinou a cabeça, o divertimento aumentando. "Você realmente quer que eu te alimente? Abra a boca como uma boa garota e eu farei isso colherada por colherada, bem devagar."


O calor inundou meu rosto. Puxei minhas mãos com mais força, a rebeldia audaciosa surgindo antes que eu pudesse detê-la. "Não", respondi, levantando o queixo. "Não sou nenhuma bezerra indefesa que você precisa forçar a comer. Sei comer sozinha muito bem, obrigada."


Jace soltou meus pulsos lentamente, aquele brilho divertido ainda em seus olhos. "Então coma, ora essa."


Peguei o garfo novamente, espetando um pedaço de batata com mais força do que o necessário, empurrando a comida pelo prato em círculos teimosos. O pequeno ato de rebelião pareceu bom, mesmo que não mudasse nada.


Bateram à porta. O rapaz do hotel entrou com uma jarra de água fresca, com os olhos baixos. Vi minha chance e levantei a voz o suficiente para que todo o corredor ouvisse.


"Este homem me comprou da minha tia como se eu fosse gado!", anunciei claramente. "Amarrou meus pulsos e me arrastou para cá contra a minha vontade. É assim que maridos de verdade se comportam em Silver Creek? Alguém deveria avisar o xerife!"


O rosto do rapaz ficou vermelho como um tomate. Ele deixou a jarra escorregar, a água respingou no chão e ele balbuciou algo incoerente antes de praticamente fugir do quarto, batendo a porta atrás de si.


Jace enrijeceu, um rubor fraco subindo pelo seu pescoço sob a barba rala. Por um momento, ele pareceu genuinamente envergonhado por ter sido pego de surpresa na frente dos funcionários. Ele limpou a garganta, o divertimento tremeluzindo, mas não totalmente desaparecido. "Movimento inteligente", disse ele, com a voz baixa e agora carregada de aviso. "Me envergonhando na frente do rapaz. Você acha que isso vai te salvar de amanhã?"


Ele deu outra mordida lenta em sua refeição, mastigando enquanto me estudava. "Isso só me deixa mais decidido a me casar com você direito. Essa sua língua afiada vai precisar ser domada, mas, caramba, como é divertido por enquanto."


Empurrei outro pedaço de carne pelo prato, tentando esconder a satisfação trêmula que senti ao deixá-lo nervoso, nem que fosse por um segundo. Meus dedos coçavam para cutucar minhas unhas novamente, mas desta vez me segurei, olhando cautelosamente para suas mãos sobre a mesa.


A grande cama de ferro surgia no canto como uma ameaça; a porta trancada, um lembrete pesado de que não havia escapatória esta noite. Amanhã de manhã, o pastor voltaria e eu seria forçada a ficar ao lado deste homem e dizer votos que não significavam nada para mim.


Mas, por esses poucos minutos, pelo menos, minha pequena rebeldia ainda ardia, e Jace parecia mais divertido com ela do que verdadeiramente irritado.


Jace parou no meio da mordida, com o garfo no meio do caminho. Seu olhar se fixou no meu, o divertimento se aprofundando em algo mais sombrio e intenso. Ele colocou o garfo de lado lentamente, inclinando-se para a frente sobre a mesa até que seus ombros largos projetassem uma sombra sobre meu prato. Uma risada baixa retumbou em seu peito, não zombeteira, mas genuinamente entretida pela minha audácia.


"Oh, você logo vai descobrir", disse ele, com a voz caindo para um tom baixo e áspero. "Significa ensinar a essa sua língua afiada quando falar e quando ficar quieta. Ensinar essas mãos nervosas a se comportarem em vez de se destruírem. Ensinar exatamente a quem você pertence agora." Seus olhos passaram rapidamente pela grande cama de ferro no canto e voltaram para mim. "E começa amanhã, assim que o pastor oficializar. Continue me desafiando, Lila, e eu posso acabar te dando uma prévia esta noite."


O calor subiu ao meu rosto novamente, uma mistura confusa de raiva e algo mais quente que eu não queria nomear. Espetei outro pedaço de batata, empurrando-o com mais força do que antes, mas mantive a boca fechada desta vez, principalmente porque não confiava no que poderia sair dela.


Jace voltou a comer, aquele leve sorriso divertido ainda brincando no canto da boca. O quarto parecia menor, a porta trancada, mais pesada, e o casamento que se aproximava amanhã de repente parecia muito mais perto.


Eu não conseguia ficar parada. Meu garfo continuava empurrando as batatas esfriando em espirais sem sentido no molho. Depois de um minuto, Jace tirou um pedaço de papel dobrado do bolso do casaco — alguma carta ou documento, amassado pela viagem — e recostou-se na cadeira para ler à luz da lamparina, ignorando-me por um momento.


Eu o observei, ressentimento e curiosidade guerreando dentro de mim. O silêncio se estendeu até que eu não suportei mais. "O que diz aí, afinal?", perguntei, com o tom afiado e exigente.


Jace não olhou para cima imediatamente. Ele virou a página lentamente e, finalmente, olhou para mim com uma sobrancelha erguida. "Você me pediu para dizer o que diz aqui."


Revirei os olhos, a audácia borbulhando antes que eu pudesse engoli-la. "Bem, obviamente. É por isso que perguntei, não é? Ou você acha que estou apenas falando para ouvir minha própria voz?"


Ele colocou o papel de lado, dobrando-o uma vez, e me estudou com a mesma mistura de diversão e aviso. "Talvez eu não ache que mulheres devam meter o nariz nos negócios dos homens. Lendo cada pedaço de papel que cruza minha mesa." Sua voz era baixa, quase provocadora, mas havia um limite rígido por baixo. "Ou talvez eu não esteja te contando agora porque você não tem sido nada além de insolente desde que entramos por aquela porta. Continue assim e talvez eu nunca te conte. Mas..." Ele se inclinou um pouco para a frente, olhos cinzentos travados nos meus. "Se você for doce comigo mais tarde, realmente doce, talvez eu leia para você então. A escolha é sua."


Bufei, cruzando os braços sobre o peito. Doce? Para ele? O homem que me amarrou e me arrastou para cá? A ideia era ridícula. Ainda assim, a pergunta sem resposta me corroía. Enquanto ele voltava para sua carta, avistei um canto em branco de outro papel que ele havia deixado de lado na mesa, provavelmente para anotações. Sem pensar, alcancei-o junto com o toco de lápis deitado nas proximidades.


Comecei a rabiscar linhas afiadas no início, arranhões furiosos que se transformaram em videiras e pequenas flores desafiadoras. Depois, adicionei um esboço tosco de um trem saindo soltando fumaça, deixando um boneco de palito com um chapéu de cowboy em pé sozinho na plataforma, parecendo tolo. Era infantil, mas me fez sentir um pouco melhor, como se eu estivesse recuperando um pequeno pedaço de controle.


Jace percebeu depois de um minuto. Ele baixou a carta e me observou, com a cabeça inclinada. Em vez de me repreender por tocar em suas coisas, sua boca se contraiu novamente, aquele maldito sorriso divertido retornando mais forte. "Olhe só para você", murmurou ele, com a voz mais suave do que antes. "Desenhando figurinhas como uma colegial quando deveria estar comendo. É quase fofo, o jeito que você luta comigo com tudo, menos com palavras às vezes."


Não olhei para cima, mas meu lápis parou. "Fofo?", murmurei, adicionando uma última nuvem dramática de fumaça ao trem. "Não estou tentando ser fofa. Estou tentando me lembrar de como é a liberdade."


Ele riu baixinho, o som baixo e quente no quarto silencioso. "Continue dizendo isso a si mesma, Lila. Mas aquele trenzinho que você desenhou? Ele não vai mais partir sem mim." Ele estendeu a mão e gentilmente puxou o papel para mais perto, estudando meu rabisco por um longo momento. O divertimento em seus olhos não desapareceu. Na verdade, aprofundou-se, como se meu pequeno ato de rebelião fosse mais cativante do que irritante para ele.


Puxei minhas mãos de volta para o colo antes que pudessem começar a cutucar minhas unhas novamente, mas a energia nervosa ainda zumbia sob minha pele. A grande cama de ferro esperava no canto como uma sentença prestes a ser cumprida. Amanhã, o pastor tornaria esse pesadelo oficial.


Jace riu baixinho do meu rabisco, o som baixo preenchendo o ambiente silencioso como se ele realmente achasse charmoso, e não irritante, meu esboço de trem. Ele deixou o papel de lado sem tirá-lo de mim e voltou para sua carta, ocasionalmente olhando para cima como se verificasse se eu não tinha voltado a cutucar minhas unhas.


Eventualmente, a luz da lamparina ficou mais suave e os ruídos da rua abaixo diminuíram. A carne assada tinha esfriado no meu prato e meus olhos começavam a pesar, apesar do quanto eu resistisse. Jace dobrou seu papel cuidadosamente e olhou para mim, com seus olhos cinzentos firmes.


"Está na sua hora de dormir", disse ele simplesmente, afastando a cadeira da mesa.


Pisquei, as palavras me atingindo como um tapa. "Eu não tenho hora de dormir, obrigada", disparei de volta, cruzando os braços com mais força sobre o peito. "O que eu sou, uma criança de cinco anos?"


A boca de Jace se contraiu novamente com aquele divertimento irritante. "Não, você não tem cinco anos." Ele se levantou, alto e largo no quarto pequeno, e caminhou até a bacia. Despejou água fresca da jarra na bacia, mergulhou um pano limpo nela e torceu. Então, voltou para a mesa e inclinou meu queixo para cima com dois dedos, antes que eu pudesse me afastar.


"Fique parada", murmurou ele. O pano molhado estava fresco e gentil contra meu lábio cortado e o sangue seco no meu queixo. Ele limpou cuidadosamente, removendo os últimos vestígios da luta anterior na estação e a bagunça que eu tinha feito enquanto lutava. O toque dele era surpreendentemente cuidadoso para mãos tão ásperas, mas sua voz permanecia firme. "Pronto. Melhor. Agora vá se deitar na cama."


Puxei meu queixo para fora do seu aperto, meu coração batendo mais rápido enquanto olhava para a grande cama de ferro com seus lençóis brancos impecáveis. "Não vou me deitar em cama nenhuma agora, obrigada", disse eu, com a audácia afiada na voz, mesmo com o nervosismo contorcendo meu estômago. "Especialmente não com você me olhando como se eu fosse um cavalo de prêmio que você acabou de comprar."


Jace soltou um suspiro pelo nariz, meio suspiro, meio risada. Ele jogou o pano úmido de volta na bacia e ficou ali, com os braços cruzados sobre o peito largo, olhando para mim com uma mistura de paciência e possessão. "Você teve um longo dia, Lila. Correndo, lutando, ficando com o rosto ensanguentado e ainda encontrando tempo para me desafiar e desenhar trens. Para a cama. Agora. Vou dormir na cadeira se isso te fizer sentir melhor esta noite, mas você vai descansar um pouco. Amanhã é o casamento, e você vai ficar lá na frente sem parecer que foi arrastada pela terra."


Fiquei sentada, com os dedos inquietos, como se quisessem mexer na comida fria novamente ou começar a cutucar minhas unhas. A ideia de entrar naquela cama, mesmo sozinha, parecia definitiva demais, parecia uma rendição. "Você não pode simplesmente me mandar para a cama como se eu fosse uma criança", murmurei, mas minha voz saiu mais baixa desta vez, com a exaustão se infiltrando apesar da minha resistência.


Ele não discutiu. Em vez disso, apenas estendeu a mão, segurou as minhas para parar o meu nervosismo e apertou-as com firmeza, mas sem crueldade. "Eu posso, e é o que vou fazer. Você é minha agora. Isso significa que eu cuido do que é meu, inclusive garantindo que você não se desgaste lutando contra sombras. Vamos. Deite-se."


O quarto parecia mais quente, a luz da lamparina mais suave, e o peso do dia pressionava meus ombros. Meu lábio cortado latejava sob o pano limpo, e meu corpo doía por causa da queda e da longa caminhada, cheia de raiva, até a estação naquela manhã.


Eu não estava pronta para parar de lutar. Não realmente.

Mas meus olhos estavam pesados, e a grande cama de ferro, de repente, parecia menos uma prisão e mais um lugar onde eu poderia, pelo menos, fechar os olhos por algumas horas.


Jace estava parado ali, de braços cruzados, esperando que eu me movesse. O pano úmido deixou meu rosto com uma sensação de frescor e limpeza, mas minha rebeldia ainda queimava intensamente.


"Agora?", zombei, mantendo-me firme na cadeira. "Você não pode me obrigar. Não estou cansada." Inclinei a cabeça, olhando-o de cima a baixo com um sorrisinho sarcástico. "Se você está tão cansado, por que não vai dormir, velhote?"


As sobrancelhas de Jace se ergueram levemente. Ele não era muito mais velho do que eu — talvez uns oito ou dez anos, no máximo —, mas a palavra claramente atingiu o alvo. Seus olhos cinzentos como uma tempestade se estreitaram, embora o canto de sua boca tenha se contraído com uma diversão relutante.


"Velhote?", ele repetiu, sua voz baixa e perigosa.


Antes que eu pudesse escapar ou dar outra alfinetada, ele deu um passo à frente, abaixou-se e me ergueu como se eu não pesasse nada. Um braço forte passou por trás dos meus joelhos, o outro em volta das minhas costas. Gritei e tentei chutar, mas ele simplesmente me jogou sobre o ombro como um saco de grãos; meus pulsos, amarrados mais cedo, ainda dificultavam qualquer reação.


"Me põe no chão!", exigi, batendo meus punhos inutilmente contra as costas dele enquanto ele me carregava pelo quarto. "Isso é ridículo! Eu não sou uma criança!"

Ele não respondeu. Com um movimento ágil, ele me jogou sobre a grande cama de ferro. Quiquei uma vez no colchão, com a saia subindo, e tentei rolar para longe. Jace foi mais rápido. Ele agarrou meus pulsos novamente, puxou um pedaço novo de couro cru de seu casaco sobre a cadeira e amarrou-os firmemente na cabeceira de ferro, acima da minha cabeça. Os nós estavam firmes, mas não cruéis. Eu conseguia me mover um pouco, mas não ia a lugar nenhum.


Puxei as cordas, lançando-lhe um olhar furioso. "Seu bastardo. Me solte agora mesmo!"


Jace se endireitou, olhando para mim esticada na cama com os braços presos acima da cabeça. Seu olhar escureceu, percorrendo meu rosto corado, meu peito arfante e a forma como meu vestido havia subido levemente durante a luta. Um sorriso lento e predatório curvou seus lábios.


"Mal posso esperar para fazer isso com você depois que estivermos casados", disse ele, a voz rouca e baixa com uma promessa. "Vai ser muito mais divertido naquela vez."


O calor inundou todo o meu corpo — raiva, vergonha e algo assustador que eu não queria nomear. Puxei as amarras com mais força, com as bochechas queimando. "Você é nojento. Nunca vou deixar você —"


Ele me interrompeu com uma risada baixa, recuando e finalmente indo em direção à cadeira perto da janela. "Durma um pouco, Lila. Amanhã você se torna a Sra. Jace Harlan, querendo ou não." Ele se acomodou na cadeira, com as pernas longas esticadas, observando-me com aquela mesma mistura de diversão e possessão. "E pare de me chamar de velhote. Ainda tenho muitos anos pela frente para dar conta desse seu fogo."


A lamparina queimava baixo. Meus braços doíam um pouco por estarem presos acima da cabeça, mas a cama era macia sob mim. A exaustão daquele dia longo e terrível finalmente começou a me vencer, por mais que eu tentasse lutar contra isso. Murmurei um último insulto baixo, mas minhas pálpebras pesavam mais a cada minuto que passava.


Lá fora, Silver Creek estava em silêncio. Lá dentro, o homem que me comprou sentava-se observando, esperando pela manhã, quando o pastor tornaria tudo oficial.

Eu não tinha terminado de lutar.

Mas, esta noite, amarrada à cama e completamente dominada, tudo o que eu podia fazer era encarar o teto e esperar que o sono me levasse.


Jace permaneceu sobre a cama por mais um longo momento, aquele sorriso lento e predatório ainda pairando em seus lábios após sua promessa silenciosa. Meus pulsos puxavam inutilmente as cordas de couro cru que os prendiam à cabeceira de ferro, meu coração ainda disparado pela maneira como ele me jogou no colchão como se eu não pesasse nada.

Ele não disse mais nada de imediato. Em vez disso, virou-se e atravessou o quarto até a pequena escrivaninha no canto. A lamparina a óleo estava lá, lançando sua luz dourada e quente pelo espaço. Com uma mão, ele a pegou e a levou para mais longe, colocando-a do outro lado da escrivaninha, perto de sua cadeira. Então, girou o pavio até que a chama diminuísse a quase nada — apenas um brilho trêmulo que mal alcançava os cantos do quarto.


A cama mergulhou em uma sombra profunda. A escuridão envolveu-me como um cobertor pesado, engolindo os pés de ferro e os lençóis brancos até que eu mal conseguisse distinguir a forma das minhas próprias mãos presas acima da cabeça. Apenas o contorno mais tênue de Jace permanecia visível onde ele se acomodou de volta na cadeira perto da janela, com suas pernas longas esticadas e as botas cruzadas nos tornozelos.


"Ei", protestei fracamente, minha voz soando menor na escuridão repentina. "Está escuro demais aqui. Eu nem consigo ver—"


"Durma, Lila", ele disse calmamente das sombras. Sua voz era baixa, calma, quase reconfortante de um jeito que fazia meu estômago vibrar de nervosismo. "Você já lutou o suficiente por um dia. A lamparina fica onde está. Feche os olhos."


Abri a boca para argumentar novamente, para chamá-lo de velhote mais uma vez ou dizer exatamente onde ele poderia enfiar suas ordens, mas as palavras morreram na minha língua. A exaustão daquele dia longo e horrível abateu-se sobre mim de uma vez: a discussão com a Tia Vera, o roubo na estação, a queda na terra, ser carregada e amarrada como uma prisioneira. Meu lábio cortado latejava dolorosamente, meus ombros doíam pela posição desconfortável e minhas pálpebras pareciam impossivelmente pesadas.


Puxei as tiras de couro mais uma vez, um puxãozinho sem vontade que não fez nada. "Isso não é justo...", murmurei, mas até eu pude notar o quanto minha voz estava sonolenta.


Jace não respondeu. Ele apenas ficou ali na semi-escuridão, uma presença silenciosa e vigilante do outro lado do quarto.

A escuridão pressionava, macia e pesada. O brilho fraco da lamparina distante embaçava nas bordas da minha visão. Minha respiração diminuiu, apesar de mim mesma. Em um minuto eu estava encarando sua forma sombria; no outro, meus olhos estavam se fechando e meu corpo afundava mais no colchão macio.


Apaguei sem querer, caindo em um sono profundo e sem sonhos, ainda amarrada à cama, com o homem que me comprara mantendo vigilância silenciosa no canto.


A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas finas quando acordei. Meus pulsos ainda estavam frouxamente presos à cabeceira, mas o couro tinha sido afrouxado durante a noite, então a dor não era aguda. Jace já estava de pé, movendo-se silenciosamente pelo quarto. Ele havia trocado a camisa, e seu chapéu preto descansava sobre a mesa. O cheiro suave de café e biscoitos frescos vinha do corredor.


Ele olhou quando percebeu que meus olhos estavam abertos, aquela mesma mistura de diversão e possessão em seu olhar cinzento. "Bom dia. O pastor voltou à cidade. Temos um casamento para comparecer."


Meu estômago deu um solavanco. A luta voltou a mim de uma vez. Puxei as cordas, olhando para ele. "Eu não vou me casar com você. Você pode me arrastar até lá, mas não pode me obrigar a dizer as palavras."


Jace não discutiu nem aumentou o tom de voz. Ele simplesmente atravessou o quarto, soltou meus pulsos com movimentos rápidos e eficientes e me ajudou a sentar. Então, ele pegou atrás da cadeira uma caixa grande e plana que eu não tinha notado na noite anterior.


Ele a colocou na cama ao meu lado e abriu a tampa.

Dentro estava um vestido — um lindo e simples vestido de chita azul suave com uma delicada renda branca na gola e nos punhos. O tecido parecia fino, mas prático para a vida na fazenda, com um corpete ajustado e saia rodada. Minha respiração falhou.


Era exatamente o vestido que eu vinha namorando na vitrine da loja em Silver Creek por semanas, aquele que eu secretamente desejava poder comprar com minhas economias escondidas.


"Como... como você sabia?", sussurrei, a confusão cortando minha raiva. Toquei a renda com dedos trêmulos. "Eu nunca contei a ninguém."


Jace deu de ombros. "O lojista se lembrou da garota que ficava parada na vitrine. Achei que minha noiva devesse ter algo que ela realmente quer usar no dia do casamento."


Fiquei encarando o vestido, com as emoções em turbilhão. Parte de mim queria empurrar a caixa para longe.


"Você não pode me obrigar a vesti-lo", disse eu, desafiadora, levantando o queixo. "E definitivamente não pode me obrigar a dizer as palavras."


Jace inclinou-se para mais perto, seus olhos cinzentos travando nos meus com uma certeza calma e inabalável. "Eu não posso te obrigar a vestir o vestido, Lila. Mas posso carregar você pelas ruas de Silver Creek vestida apenas com sua camisola, se for isso que for preciso para levá-la à igreja. Todos verão. Todos vão comentar. É realmente assim que você quer que o dia do seu casamento comece?"


A ameaça atingiu como um tapa. A imagem de ser desfilada seminuas pela cidade, com lojistas, garotas de salão e estranhos olhando e cochichando, fez meu rosto arder de humilhação. Eu odiava o quão facilmente ele conseguia me forçar. Eu odiava o fato de que recusar só tornaria tudo pior.


Com um suspiro de frustração, peguei o vestido da caixa. "Está bem", murmurei entre dentes. "Eu vou vestir seu maldito vestido. Mas ainda não vou dizer os votos."


Jace se endireitou, uma satisfação brilhando em seus olhos. Ele se moveu para o canto e desdobrou o biombo alto de privacidade, posicionando-o entre a cama e o resto do quarto. Os painéis de tecido fino deixavam passar a luz suave da manhã, mas bloqueavam a visão direta dele.


"Vá em frente e se vista", disse ele do outro lado, sua voz firme. "Saímos em dez minutos."


Deslizei para trás do biombo, meu coração batendo forte de ressentimento. A chita parecia fresca e macia contra minha pele enquanto eu tirava meu vestido velho e sujo e vestia o novo. O caimento estava surpreendentemente perfeito, a renda roçando suavemente minha garganta e punhos. Fechei os botões com mãos trêmulas, o farfalhar sutil do tecido soando alto no espaço silencioso.


Quando finalmente saí de trás do biombo, com o vestido azul abraçando minha figura de forma modesta, mas bonita, Jace olhou para cima. Seu olhar demorou-se em mim, escurecendo com uma aprovação silenciosa.


"Ficou bom em você", disse ele simplesmente. Então, acrescentou com a mesma certeza calma que me enviou um calafrio pela espinha: "Não se preocupe em dizer as palavras. Eu posso fazer você dizê-las."


Ha. Duvido.


Meu coração martelava enquanto ele oferecia o braço; o lindo vestido, de repente, parecia tanto um presente quanto uma jaula. A ameaça pairava pesada entre nós enquanto deixávamos o quarto de hotel e seguíamos em direção à igreja.


A caminhada até a pequena igreja branca foi curta, mas pareceu interminável. Movi-me rigidamente no lindo vestido de chita azul, a renda em minha garganta e pulsos servindo como um lembrete constante de quão bem Jace havia me encurralado. Ele mantinha uma mão levemente no meu baixo ventre — não de forma bruta, mas firme o suficiente para que eu soubesse que não poderia fugir sem que ele me pegasse instantaneamente. Alguns moradores da cidade olharam para nós, com as sobrancelhas arqueadas ao ver a garota de salão em um vestido de noiva caminhando ao lado do alto fazendeiro, mas ninguém ousou dizer nada.


Dentro da igreja, o ar estava fresco e cheirava a madeira polida e velhos hinários. O Pastor Williams estava esperando na frente, parecendo um pouco atordoado com seu retorno repentino. Ele nos deu um sorriso rápido. "Sr. Harlan. Srta... Lila, não é? Vamos começar?"


Jace assentiu uma vez. "Seja breve, Pastor."


Fiquei ao lado dele no altar simples, com meus punhos cerrados nas dobras do meu novo vestido. Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo nos ouvidos. Quando o pastor começou com as palavras familiares, encarei o horizonte com a mandíbula travada.


"Você, Jace Harlan, aceita esta mulher como sua legítima esposa?"


"Aceito", disse Jace sem hesitar, sua voz profunda e constante.


O pastor virou-se para mim, sorrindo gentilmente. "E você, Lila, aceita este homem como seu legítimo esposo, para amar, honrar e obedecer, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, enquanto ambos viverem?"


Silêncio.


Senti cada olhar na pequena igreja sobre mim, embora estivessem ali apenas o pastor, sua esposa como testemunha e Jace. Os segundos se arrastaram. Minha garganta fechou. Recusei-me a falar.


Jace se moveu ao meu lado. Sua mão mudou para o meu cotovelo, agarrando-o firmemente, mas sem causar dor. Ele se inclinou para perto, sua respiração roçando meu ouvido para que apenas eu pudesse ouvir.


"Diga, Lila", ele murmurou, sua voz baixa e calma. "Ou eu levo você de volta ao Rose & Thorn agora mesmo e digo à sua tia que o acordo está de volta ao preço integral e quero meu reembolso. Ela vai colocar você lá em cima hoje à noite para ganhar de volta o que eu paguei. Todas as noites até a dívida ser quitada. A escolha é sua."


A ameaça atingiu como água gelada. Imagens passaram pela minha mente: os quartos empoeirados no andar de cima, as mãos ásperas de homens bêbados, o cheiro de uísque e perfume barato. O rosto frio e decepcionado da Tia Vera. Eu não tinha para onde mais correr. Não para onde o dinheiro que economizei durasse mais de 3 dias.


Meus lábios tremeram. Lágrimas de raiva impotente arderam em meus olhos.


O pastor limpou a garganta de forma desajeitada. "Srta. Lila?"


Os dedos de Jace apertaram um pouco mais meu cotovelo — um lembrete silencioso.


Engoli em seco, minha voz mal saindo como um sussurro, embargada por fúria e derrota: "...Aceito."


As palavras tinham gosto de cinzas.


O pastor pareceu aliviado e apressou-se. "Então, pelo poder a mim investido, eu agora os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva."


Jace me virou para ele, uma mão grande envolvendo meu maxilar. Ele não forçou o beijo a ser profundo ou apaixonado, apenas uma pressão firme e reivindicadora de seus lábios contra os meus, selando o voto que fui obrigada a pronunciar. Quando ele se afastou, seus olhos cinzentos mantiveram os meus com uma satisfação silenciosa.


"Sra. Harlan", disse ele suavemente, quase gentil, embora a possessão em seu tom fosse inconfundível.


Fiquei ali em meu lindo vestido azul, recém-casada, e o peso das palavras que fui forçada a dizer sentava-se pesado em meu peito. A luta não tinha acabado — nem de longe —, mas, por enquanto, Jace tinha vencido.

Do lado de fora da igreja, seu cavalo esperava. A fazenda e minha nova vida como sua esposa ficavam ao norte da cidade.

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great story thus far ❤️ looking forward to more

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