The Plus Size Baddie
Kiara
O apartamento está uma bagunça de caixas.
Tipo, uma zona de desastre mesmo. Paredes de papelão se erguendo em cada canto, dispensadores de fita adesiva espalhados pelo chão como se eu estivesse operando uma empresa de logística na minha sala, e plástico-bolha estalando sob os pés não importa onde você pise.
Estou nisso desde as dez da manhã e, sinceramente? Minhas costas começaram a gritar comigo. O sol do fim da tarde entrava pelas persianas entreabertas, lançando longas faixas douradas sobre o caos, e eu conseguia ver a poeira dançando na luz toda vez que uma das meninas se movia. Me fez perceber o quanto este lugar estava sujo agora que tudo tinha sido retirado.
Tocava uma música no meu celular, apoiado contra uma estante meio vazia em cima de uma pilha de livros didáticos antigos que eu ainda não tinha tido o trabalho de organizar.
Uma faixa de R&B animada que normalmente nos faria dançar enquanto trabalhávamos, mas agora era apenas um ruído de fundo para o cansaço que pesava no ambiente.
Eu estava parada no meio de tudo aquilo, com o cabelo preso em um coque bagunçado que definitivamente estava começando a cair, uma camiseta grande pendurada em um ombro, e eu conseguia sentir uma marca de poeira na minha bochecha, mas, sinceramente? Eu nem me importava mais. Limpei a testa com as costas da mão e olhei em volta para o apartamento que chamei de lar nos últimos dois anos. Parecia tão vazio agora. Tão... temporário. Como se eu já tivesse ido embora, mesmo ainda estando lá.
"Se eu tiver que passar fita em mais uma caixa, vou surtar", disse Jade do chão. Ela estava sentada de pernas cruzadas ao lado de uma caixa com a etiqueta 'COZINHA - FRÁGIL' na minha caligrafia, segurando um dispensador de fita como se ele tivesse ofendido ela pessoalmente.
Seu cabelo escuro estava preso em um rabo de cavalo elegante, sua maquiagem ainda impecável mesmo após horas ajudando, porque Jade era o tipo de pessoa que parecia impecável até enquanto sofria.
Ela gesticulou dramaticamente para a montanha de papelão ao nosso redor. "Tipo, perder a cabeça de verdade. Aquele tipo de surto de sair correndo nua pela rua."
Eu bufei. "Ninguém quer ver isso, Jade."
"Desculpe? Eu sou uma obra de arte."
"Quando você vai se mudar para o apartamento novo, afinal?" perguntou Nia do sofá.
Ela estava esticada como uma estrela-do-mar, com um braço pendurado na borda, o celular segurado frouxamente na outra mão. Ela tinha desistido de ser útil fazia uma hora. Suas tranças estavam espalhadas atrás dela de um jeito que definitivamente ia embaraçar depois.
"Sem que vem", dei de ombros, fechando uma caixa de livros com um barulho de fita rasgando que fez Nia estremecer.
As três meninas gemeram juntas. Um som harmonioso de pura exasperação, como se tivessem ensaiado.
"Qual é", gemeu Nia, jogando a cabeça para trás. "Sem que vem? Kiara, faltam literalmente sete dias."
"E que porra você vai comer se já empacotou as panelas, pratos e frigideiras?" Jade perguntou sarcasticamente, apontando seu dispensador de fita para os armários vazios da cozinha como se fossem provas.
"Vou pedir comida", respondi com um sorriso tímido.
"É, não", disse Nia, sentando-se agora. "Estamos empacotando há horas. Minhas costas doem. Meus dedos doem." Ela gesticulou em direção a Jade. "A Jade parece que está prestes a cometer um crime."
"Sabemos que você está empolgada por entrar na universidade dos seus sonhos, mas qual é, gata, precisamos de uma pausa", disse Cameron suavemente de seu canto, empurrando uma mecha de cabelo para trás da orelha.
"É, vamos fazer uma pausa, sair", disse Nia, com os olhos brilhando.
"Porra, sim, e eu tenho uma ideia", disse Jade, animando-se. "Deixem-me mostrar a cidade para vocês. Conheço todos os lugares bombados. Poderíamos ir a uma balada, nos divertir, comemorar."
"Porra, sim, vamos nos trocar", disse Nia, pulando do sofá e indo em direção ao quarto.
Nia, Jade e Cameron são minhas melhores amigas desde o ensino médio. Tipo, desde o primeiro dia. Antes da maquiagem, antes dos homens, antes de qualquer uma de nós saber quem realmente éramos. Elas são minhas parceiras para a vida toda. Aquele tipo de amiga que aparece na sua porta às 2 da manhã com um bastão se você ligar chorando. Sem fazer perguntas.
Somos todas diferentes de maneiras que provavelmente não deveriam funcionar, mas de alguma forma dão certo.
Jade é a explosiva. Extrovertida, ousada, barulhenta em qualquer lugar que entra. Ela não apenas fala o que pensa, ela joga na sua cara como uma arma. Ela é do tipo "mexeu, levou". Aquele tipo de garota que rebate um estranho no supermercado sem piscar. Ela sempre foi assim, até mesmo no ensino médio, quando todas nós tínhamos medo de levantar a mão na aula. Jade era a que era mandada para a diretoria por responder e voltava com um sorriso no rosto como se tivesse vencido alguma coisa.
Depois tem a Nia. Nia é a socialite confiante. Ela conhece todo mundo e, mais importante, todo mundo a conhece. Ela entra em uma festa como se fosse dona do prédio. Mas aqui está o segredo da Nia: por trás daquele sorriso lindo e todo aquele charme, não era alguém com quem se brincar. Ela não fazia o tipo de confronto barulhento como a Jade. Nia apenas olhava para você com aquele olhar calmo e gélido e dizia algo tão cortante que você ficaria pensando naquilo por três semanas. Jade era o fogo. Nia era o gelo. E nenhuma das duas recuava de nada.
E depois tem a Cameron. Minha doce Cameron. A fofa tímida e silenciosa do grupo. A mais nova de todas nós por quase um ano, e sinceramente? Às vezes isso aparecia. Ela era a que sentava quietinha no canto da sala, observando tudo, dizendo pouco, mas notando tudo. Ela não precisava ser barulhenta para ser ouvida. Quando Cameron falava, você ouvia, porque geralmente era algo que valia a pena. Ela era a cola que nos mantinha unidas quando eu e Jade batíamos de frente ou Nia estava sendo teimosa sobre alguma coisa.
E eu? Eu sou a plus size baddie. Pelo menos é assim que as meninas me chamam. Eu costumava recuar com a palavra "plus size" como se fosse um insulto. Levei anos para vesti-la como uma armadura. Coxas grossas, quadris largos, barriga macia e um rosto que fazia homens adultos gaguejarem. Ou pelo menos é o que me dizem. Alguns dias eu acredito. Alguns dias não.
Nós nos mudamos juntas logo depois da formatura do ensino médio. Todas as quatro espremidas em um apartamento de dois quartos que era pequeno demais, caro demais e absolutamente perfeito. Por um ano inteiro, fomos nós contra o mundo. Dividindo contas de mercado, brigando pelo banheiro, compartilhando um espelho entre quatro garotas como se ainda estivéssemos no ensino médio.
Então, Jade foi aceita na universidade dos meus sonhos. A universidade. Aquela pela qual eu estava obcecada desde o segundo ano. Aquela para a qual eu tinha um painel no Pinterest. E ela fez as malas e foi embora. E doeu. Não porque eu estava brava com ela — eu estava orgulhosa. Mas porque parecia que o universo estava me dizendo que a vida não estava pronta para mim ainda.
Cinco meses atrás, conheci meu namorado. E Cameron e Nia conseguiram seu próprio apartamento bem ao lado do meu. Perto o suficiente para bater na parede quando precisassem de algo. Perto o suficiente para nunca me sentir realmente sozinha.
E agora eu estava prestes a me mudar também. Finalmente indo para a universidade dos meus sonhos. Finalmente seguindo Jade para a cidade.
"Vou ajudar a Kiara a se arrumar, vocês duas vão se arrumar, eu me troco no meu apê", disse Jade, me puxando para o quarto antes que eu pudesse responder. Sua mão no meu pulso estava firme, mas familiar, do jeito que sempre era quando ela tomava uma decisão e não aceitava argumentos.
"Por que perder tanto tempo? Você pode pegar emprestado um dos meus", gritou Nia da sala, já indo para o apartamento delas ao lado.
"Beleza, me arruma algo curto e justo", Jade gritou de volta.
A risada de Nia ecoou pelo corredor antes que a porta batesse.
"Ok, gata, vamos celebrar você", disse Jade, virando-se para mim com aquele olhar nos olhos. O olhar que significava que ela ia assumir o controle, quer eu gostasse ou não.
"E por que exatamente você tem que me ajudar a me arrumar? Não sou uma criança", disse, cruzando os braços sobre o peito. Eu sabia exatamente onde isso ia parar. Jade fazia isso desde o ensino médio: escolher minhas roupas, me empurrar para fora da minha zona de conforto, se recusar a me deixar me esconder. Na maioria dos dias, eu agradecia por isso.
"Porque você tem a mania de esconder esse corpo maravilhoso", disse ela, já vasculhando meu guarda-roupa como se fosse dona dele. Cabides arranhavam contra a barra enquanto ela empurrava moletom após moletom, camisa grande após camisa grande. Toda a minha armadura. Todas as coisas que eu usava para desaparecer. "Achei", ela murmurou, puxando um vestido vermelho curto e justo que comprei por impulso seis meses atrás e nunca tive coragem de usar. Nem uma vez. As etiquetas provavelmente ainda estavam nele.
Ela jogou em mim. O tecido pousou no meu peito, macio, leve e aterrorizante.
"Use isso", ela disse, já se agachando para vasculhar o fundo do meu armário. Ela emergiu com um par de saltos pretos que eu nem lembrava que tinha. "E estes." Ela os pressionou contra minhas mãos, com a expressão séria como se estivesse me entregando armas para uma batalha.
"Agora se arrume. Vou buscar o vestido da Nia. Quando eu voltar, é melhor você estar vestida, com o cabelo e a maquiagem prontos", disse ela, apontando para mim com um dedo perfeitamente feito.
Revirei os olhos enquanto ela saía, um sorriso brincando nos meus lábios.








