O Faraó e a Devota

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Resumo

Seu noivo roubou uma relíquia antiga e a enfiou em suas mãos sem lhe dizer o que ela realmente era. E foi assim que, sendo uma mulher devota, Alexandria não fazia ideia de que acabara de se tornar a mulher mais caçada da Terra. A relíquia pertence a ele. Nfcer, o Faraó imortal das lendas, outrora um deus-rei, agora é uma força sombria envolta em ternos sob medida e um poder contido. Ele passou milênios recuperando o que é seu. E no momento em que sente a relíquia, ele sente a presença dela. Ele a rastreia. Ele a observa. Ele poderia arrancar o artefato de suas mãos trêmulas em um instante... mas ele não o faz. Porque o Faraó decidiu que quer algo muito mais precioso do que sua relíquia perdida. Ele a quer. Onde quer que Alexandria vá, Nfcer está lá. Ele a encurrala na igreja, a segue até um confessionário e a prensa contra a parede de seu próprio apartamento com quase dois metros de músculos imortais e um desejo mal contido. Com um toque abrasador de cada vez, o deus-rei despoja sua piedade e seus protestos, substituindo-os por prazer pecaminoso e uma obsessão perigosa. Ele sussurra promessas obscenas com a mesma voz que um dia comandou impérios, saboreando-a como se ela fosse a única oferenda digna de um Faraó. Mas a relíquia não é a única coisa que Nfcer está escondendo... e quando segredos antigos vierem à tona, ela viajará no tempo para encontrar o Faraó quando as pirâmides antigas ainda estavam vivas. CONTEÚDO EXPLÍCITO E PARA PÚBLICO ADULTO.

Gênero
Romance
Autor
iyshire
Status
Completo
Capítulos
72
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Prólogo

O ar na câmara é denso. Não de poeira, mas de tempo. Sal. Ouro. Sangue seco. Ele adere à pele. O peso dos séculos é carregado de memórias.

Não há janelas. Apenas pedra fria e úmida. Uma única escadaria serpenteia para baixo.

Um homem desce.

Suas botas sussurram contra os degraus, cada passo é medido. Não é cautela. É reverência. E raiva. Ele não carrega nenhuma luz. Não precisa. Ele já percorreu este caminho antes. Em outras vidas. Outros nomes.

Seu casaco se move atrás dele. O cabelo está preso na nuca, um cordão que um dia foi usado por sacerdotes que fizeram voto de silêncio. Sua mandíbula está cerrada. Sua postura é ereta. Pois a realeza não se curva, nem mesmo sob o luto.

Mas ele sente. Algo está errado. Um vazio onde algo deveria estar.

O dele.

Ele alcança o último degrau.

A câmara se abre diante dele. Vasos de fogo se acendem conforme ele entra, um por um, como se o reconhecessem. As chamas queimam constantes, alimentadas por algo mais antigo que a compreensão.

Relíquias revestem as paredes. Lâminas intocadas pelo tempo. Penas de criaturas há muito desaparecidas. Ouro que emite um zumbido baixo e lúgubre. Hieróglifos se estendem pela pedra, contando sobre guerras, sobre deuses, sobre reis que se recusaram a morrer.

Ele não olha para eles. Seu olhar está fixo à frente.

O altar. Pedra negra, esculpida no formato de um leão em meio a um rugido. Sua superfície está gravada com uma língua morta há quatro mil anos.

E está vazio.

A mandíbula que antes segurava a relíquia está aberta, quase zombando. Ele dá um passo à frente, lento, silencioso, até ficar onde ela antes descansava, aninhada entre presas esculpidas. Ele olha para baixo.

A pedra está nua. Um homem menor teria gritado. Virado o altar. Destruído a câmara parede por parede. Exigido sangue.

Ele não faz nada disso.

Sua mão enluvada aperta-se uma vez. Seus lábios se estreitam. E seus olhos mudam. Não são humanos. Não mais. Um predador. Ele inspira.

A câmara estremece. As paredes se lembram dele. E temem.

Ele se agacha, as pontas dos dedos roçando o vão raso deixado para trás. Poeira se acumula em sua curva, perturbada apenas por uma única marca.

Uma impressão digital. Recente.

E, sob ela, algo mais, tão tênue que ele poderia ter perdido se não soubesse como ouvir com algo além dos sentidos. Colônia. Forte. Moderna. Sagrada, ou fingindo ser.

“Mortal”, ele murmura, com a voz baixa, antiga, entrelaçada com uma ira crescente. A palavra ecoa pela câmara.

Ele se levanta por completo. Seu casaco tremula levemente. Em sua garganta, o fecho dourado de seu colar, um ankh, fosco devido aos séculos, reflete a luz das chamas. Ele se vira para a parede. Para o mural.

Seu próprio rosto o encara de volta, coroado, impiedoso, eterno.

Ele sorri. Não há calor nisso.

“Quando você toca no que é meu… você desperta algo de que não pode escapar.”

As palavras não são para a pedra. São para o ladrão que já se foi.

Ele estende a mão para a parede e desembainha uma lâmina. Ela é curva. E estremece, como se estivesse esperando por isso, esperando há séculos. Ela se ajusta ao seu lado como se pertencesse ali.

Ele se vira. E sobe. Cada passo mais pesado que o anterior. Os vasos de fogo se apagam atrás dele, um por um.

Lá fora, o mundo continua girando. Ele não sabe que acabou de acordar algo que estava enterrado.

Mas saberia. Ah, ele saberia.

Capítulo 1

Aconteceu no meio do culto da igreja.

A luz do sol entrava pelos vitrais, espalhando cores pelos bancos enquanto orações silenciosas eram murmuradas e o incenso se enrolava pelo ar.

Então a porta se abriu, não com um som, mas com um silêncio tão completo que paralisou a sala. Como se a própria igreja tivesse prendido a respiração e esquecido de soltá-la.

A luz entrou atrás dele, projetando sua silhueta sobre os bancos. Alto. Magro. Imóvel. Como uma estátua que tivesse descido de seu pedestal.

Ele usava um casaco de lã preta, preso na garganta com um ankh dourado. Por baixo, uma camisa branca como o osso estava aberta na gola, combinada com calças escuras e bem passadas. Nada nele era moderno. Ele se vestia como um homem moldado pelo poder, não pela moda. Luvas pretas cobriam suas mãos.

Ele se movia com precisão deliberada. Havia tensão nele, como alguém fluente em violência, em guerra, em contenção. Isso não poderia ser aprendido. Era hereditário.

Seus traços eram afiados demais para este mundo. Uma mandíbula angular, maçãs do rosto altas, uma boca que não suavizava sem motivo. Ele poderia estar na casa dos trinta. Ou ser muito mais velho. Era impossível dizer.

Apenas uma coisa era certa: ele não pertencia ali. Não neste século. Não neste lugar.

As cabeças se viraram lentamente, atraídas por algo instintivo. Uma criança no fundo silenciou no meio do choro, com os olhos arregalados. Uma mulher em oração levantou a cabeça, a respiração falhando sem saber o porquê.

Até o padre vacilou, as mãos suspensas no meio do gesto enquanto o hino se desfazia ao seu redor. Seu olhar se fixou no homem na entrada, como se ele também tivesse esquecido como se mover.

O homem caminhou lentamente pelo corredor central, como se fosse dono do chão sob seus pés porque… um dia, ele realmente foi. Ninguém falou. Ele não tirou as luvas. Ele não curvou a cabeça. Seus olhos varreram a igreja, não com reverência, mas com cálculo. Ele estava vendo tudo. Não poupando nada.

Ele não se sentou. Ele permaneceu de pé. Uma mão descansava levemente contra uma coluna de pedra perto do corredor lateral, sua figura capturada na luz fraturada de um anjo de vitral. A ironia curvou o canto de sua boca, mas nunca floresceu em um sorriso.

Ele esperou. Em silêncio.

Somente quando estudou a sala, seu ar, suas pessoas, seu pulso, é que ele se moveu novamente, caminhando em direção ao padre com uma calma certeza. Seu olhar era fixo. Então, ele falou.

“O passado não pode ser enterrado dentro deste vitral; algo aqui dentro pertence a mim.”

As palavras eram baixas. Profundas. Antigas. Quando ele falava, as pessoas se calavam sem querer. Era instinto, algo mais antigo que a linguagem que dizia: ouça. A congregação ficou ainda mais imóvel, prendendo a respiração, embora ninguém soubesse o motivo. O padre abriu a boca para responder. Nenhuma palavra saiu.

Foi nesse momento que o homem imortal a viu.

Ela não era a mais equilibrada, nem a voz mais alta. Outras estavam mais adornadas, mais treinadas na arte de atrair olhares. Mas ela o alcançou antes mesmo de seu olhar.

Era sua energia. Sem proteção. Sem filtros. Uma chama silenciosa em um mundo de neon cintilante.

Seus olhos, grandes, azuis e impossivelmente abertos, encontraram os dele em uma investida avassaladora. Havia inocência neles, sim, mas não ignorância. Curiosidade, sim, mas também algo mais antigo. Dor. Maravilha. Fome, não por toque, mas por verdade.

Ela cantava como se fosse a única maneira de impedir que algo apodrecesse dentro dela. Como se a música fosse o único fio ainda a mantendo inteira. Não era uma performance. Não era um apelo. Era um desabafo.

Ela não era um peão. Ela não era uma rainha. Ela era algo muito mais perigoso: uma mulher que ainda sentia. Crua. Sem filtros. Sem sombras.

E pela primeira vez em anos. Em séculos. Talvez pela primeira vez na vida, o imortal Imperador do Egito, o Eco da Vingança do Sol, o Senhor das Eras sem Fôlego, Nfcer, não respirou.

Ele hesitou. Observou seus lábios enquanto ela cantava. Observou sua coluna enrijecer no momento em que ela sentiu seu olhar.

Ela baixou os olhos, um calor florescendo em suas bochechas. Seus dedos se apertaram em volta da borda do hinário, como se ele pudesse ancorá-la a esta terra.

E ele sabia. Ele sabia que ela me sentiu. Não apenas o viu. Sentiu-o. E em vez de levantar o queixo em desafio, ou encolher-se de medo… ela desviou o olhar. Não por vergonha. Não por fraqueza. Modéstia? Não.

Contenção. Porque até as lobas abaixam a cabeça na curva do pescoço de seu parceiro, não em submissão, mas para dizer: eu conheço sua escuridão e ainda assim ofereço calor.

Ele não piscou. Porque, em um mundo cheio de olhos vazios e vozes ocas, os dela continham algo sagrado. E se ela era sagrada, então ele a destruiria. Ou pior: ela o destruiria.

Ele a observou terminar o hino, nota por nota. Então, ele se virou. Caminhou silenciosamente até o fundo da igreja, sentou-se no último banco onde podia ver tudo e esperou.