A Promessa Esquecida

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Resumo

O conhecimento é o maior poder nas mãos do homem, que foi concebido pelos Deuses. Nas mãos de um homem sábio, a busca pelo conhecimento pode condená-lo à própria morte, resultado de muitas guerras por esse poder insaciável. Entretanto, haverá apenas uma que escapará das garras da morte, uma criança perdida que foi vítima de uma guerra ganânciosa. A única maldição de Morigan foi a perda de sua memória, o mistério por trás de sua amarga história. Ela desistiu de encontrar respostas sobre seu passado e seguiu em frente com uma nova vida. Porém, todas as noites ela era atormentada pelas almas dos mortos que gritavam seu nome, sua alma estava prometida à morte, e ela sabia que estava se aproximando a cada dia.

Gênero
Fantasy
Autor
Escritor
Status
Em Andamento
Capítulos
3
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Prólogo

O conhecimento é o maior poder nas mãos do homem, que foi concebido pelos Deuses. Nas mãos de um homem sábio, a busca pelo conhecimento pode condená-lo à própria morte, resultado de muitas guerras por esse poder insaciável. Entretanto, haverá apenas uma que escapará das garras da morte, uma criança perdida que foi vítima de uma guerra ganânciosa. A única maldição de Morigan foi a perda de sua memória, o mistério por trás de sua amarga história. Ela desistiu de encontrar respostas sobre seu passado e seguiu em frente com uma nova vida. Porém, todas as noites ela era atormentada pelas almas dos mortos que gritavam seu nome, sua alma estava prometida à morte, e ela sabia que estava se aproximando a cada dia


Dedicatória


Para todos os sonhadores que não encontraram a resposta de suas próprias existências, que carregam um sonho que os tortura durante toda a vida e não conseguiram sentir a verdadeira razão da liberdade


Capítulo I


Prólogo


Uma pilha de corpos afundando sobre o mar, corvos famintos saciando a sua fome, homens que estavam determinados a lutar pelas suas vidas e tiveram seus destinos traçados pela morte. As ondas levaram os últimos vestígios do ataque da noite passada, houve apenas uma sobrevivente - uma criança. Estava inconsciente sobre a margem do mar, mas o seu subconsciente trazendo-lhe cenas que a faziam acreditar estar sonhando, estaria sonhando com o paraíso, um modo de poupar sua alma do Inferno.


Entretanto, começara a despertar lentamente e sentiu ser jogada com brutalidade pelo mar á superfície, sentira algo lhe puxar de volta para o mar e encarar a escuridão, quem estaria tão determinado a envia-la para morte junto consigo - uma alma amaldiçoada, ou várias. Resmungos da morte estavam ao pé do ouvido - dizendo-lhe para continuar com os olhos fechados e abraçar a escuridão - o seu corpo estavam sendo puxado de volta ao mar novamente, a criança não tinha forças para lutar e nem para sobreviver - por mais que quisesse lutar, não encontrava motivos para continuar a sobreviver - então aceitou o que as vozes lhe disseram para fazer e permitiu que voltasse ao mar, como discutiria com a própria morte para lhe ter misericórdia da sua vida miserável.

No entanto, os laços do seu destino mudaram, como se estivesse previsto de que ela não morreria naquele dia fatídico. Passos desconhecidos vinham em sua direção, aquelas pobres almas apressaram-se para levar a criança quando ouviram os passos, motivados a levarem aquela alma inocente e tortura-la por toda a eternidade - por que ela estava sendo salva, porque a vida lhe deu mais uma oportunidade e não há eles? Eles gritaram furiosamente quando o desconhecido agarrou o corpo da criança e a pegou no colo, aquelas almas a reconheceram, eles afundaram lentamente ao mar encarando o homem que impediram os seus planos. A criança abriu os olhos minuciosamente e amaldiçoou o calor do sol, que pensará ser o calor do submundo, o desconhecido resgatou-a das garras da morte, começou a caminhar, afastando-se do mar amaldiçoado, e cada passo ela fitou a pessoa que a carregava, mas a mesma cobria o rosto com um pano preto e só conseguiu encontrar seus olhos negros. Seu corpo foi depositado no chão e ela entrou no mundo dos sonhos novamente.


A noite caiu impiedosamente trazendo um frio congelante castigando a todos na cidade, a criança abriu os olhos devagar e percebeu haver um pano sobre ela, havia certeza que entregou a sua alma a morte. O vento batia em seu corpo pequeno e trêmulo, seguiu um caminho sem rumo, seu coração pesava no peito, não se lembrava do que havia acontecido ou mesmo como havia parado naquele lugar. Mas quando tentava organizar seus pensamentos, sentirá uma dor agonizante atormenta-la. Ela notou um movimento barulhento do outro lado da rua, que ligava um beco. Caminhou apressada sem ser notada, afastou-se de olhares curiosos e encostou-se na parede, sentou-se no chão exausta. Era desesperador pensar que não sabia em que local estava, e nem mesmo o seu nome. Quem sou eu, e como eu vim parar neste lugar?

Questionamentos nublar a sua mente vazia, um turbilhão de pensamentos enigmáticos. Um caminho sem rumo e sem saída, como um labirinto: perdida no seu próprio mundo.

Na manhã seguinte acordou antes que o sol levantasse os últimos resquícios, sentiu o estômago roncar de fome, obrigando-a a se levantar e procurar comida. Ela não tinha domínio dos seus próprios pés, apenas deixava sua mente guiá-la. No final do beco notou movimento das pessoas, chegou perto o suficiente e percebeu estar no centro de uma cidade desconhecida. Encontrou comércios abertos, homens e mulheres vestidos como se faziam parte da nobreza e isso a fascinou. Por outro lado, vira soldados caminhando pelas ruas com autoridade, recebendo olhares de admiração de muitos, mas medo de poucos. E ela estava entre eles, por instinto seu corpo tremeu e suas mãos de repente soarem. Ela deu passos para trás e voltou para a escuridão, sentou-se no chão novamente.


A frustração naquela manhã se tornou um belo café da manhã.


Todas às vezes que ela fechava os olhos, sentia como se seu corpo estivesse flutuando no mar e algumas flechas surgissem de repente em suas memórias, ruídos agudos disparados.


Era uma alma perdida no inferno?


Aconchegou seu corpo na parede rígida ao lado, observando o movimento da rua até que seus olhos pesaram. Esperaria a cidade esvaziar para continuar a explorar o território: esse era um dos seus pensamentos insistentes, explorar a cidade o máximo que podia.


Não demorara muito até que cidade estivesse calma, a criança caminhará timidamente pelas ruas, aproveitando a curiosidade para conhecê-la. Alguns sem-tetos que avistou, pegaram algumas migalhas dos prisioneiros e as esconderam dentro de suas roupas surradas. Recebeu olhares curiosos sobre sua presença e ao sentir que alguém tentava se aproximar, rapidamente acelerava passo. Sentiu o corpo tremer a cada passo, a pele começou a ficar vermelha sob as roupas surradas, atravessou a rua, voltou ao beco onde havia se abrigado.


Sentada no chão, passara as mãos pelo rosto; encarou os seus braços, sentia uma queimação embaixo das roupas. Apenas respirava fundo e ignorava o sentimento triste que irradiava o seu peito. A verdade que martelava sua mente: você está sozinha não só aqui. Mas dentro da sua mente. Como qualquer criança, gritaria pelas ruas afora pedindo ajuda para encontrar a sua casa, mas ela não era uma criança comum.

Após alguns dias voltou pelo mesmo caminho, passos apressados encarando os próprios pés, seus sentidos foram despertos por um cheiro delicioso que fez seu estômago roncar. Havia uma pequena cafeteria, enfeitada de flores do lado de fora para maior transparência, as paredes pintadas de vermelho, direcionando seu olhar para a placa acima.


A paixão do café


Desceu as escadas uma mulher morena, as roupas dela diferenciava outras burguesas que vira. Um vestido vermelho-vinho abaixo dos joelhos e, por cima usava um conjunto bege, em volta do seu pescoço um lenço. Em uma das mãos, ela segurava uma sacola, a mulher depositou a sacola no chão e correu novamente para a cafeteria. A criança passou em frente ao estabelecimento; curiosa, olhou o que havia na sacola.


A ponta dos seus dedos formigou, era um bolo com cobertura de chocolate.


Estava por um fio para não roubar o bolo da mulher, mas surgiu uma voz sussurrante dizendo-lhe que era errado. Andava de um lado para o outro pensando no que poderia fazer, estava dividida entre a fome e a razão. Seus instintos diziam ser certo a se fazer, mas sua consciência era ao contrário daquela ideia; estava dividida. Se esse era o seu futuro, ela continuaria fazendo isso para sua própria sobrevivência, encarou novamente a sacola decidida, olhará para os lados e notou estar sendo observada.


Seus olhos fitaram a janela da cafeteria, estudando se havia oportunidades de ser flagrada no ato, porém, encontrou um indivíduo parado na janela, as cortinas cobriam parcialmente o corpo de um homem, ele estava afastado da luz e estava parado, ficará observando por alguns minutos aquela figura, que por um instante chamou sua atenção e despertou nela um misto de medo.


Percebendo que puxaria às cortinas lentamente expondo suas roupas, ela semi cerrou os olhos para o homem e a luz começou a iluminar seu corpo.


- Olá, pequenino - não notou a aparição surpresa da mulher, estava concentrada em ver o rosto do homem.


Ela abaixou a cabeça e virou as costas para ela, dera alguns passos enquanto ouvia outros passos atrás dela.


- Espere! Trouxe isso aqui para você - ela parou de caminhar e olhou para trás, a mulher lhe oferecia uma sacola - pode pegar, não precisa ter medo.


O seu olhar subiu estudando as afeiçoes da desconhecida, admitindo-te que a mulher era idêntica os detalhes de uma deusa, os seus olhos castanhos passavam tanta confiança como se estivesse enfeitiçada pelo seu encanto, que seria quase impossível de acreditar nas suas palavras.

- Eu te vi pela janela encarando o bolo com muito desejo - notou que ela tinha um sotaque diferente.


Dera um passo na direção da mulher, perguntou-se como estava sendo gentil com ela após ter visto estar quase sendo roubada. Porquê ela ajudaria uma criança que estava a um passo de ser ladrona?


Estava faminta. Sem moradia. Não sabia nada sobre si mesma.


Esticou suas mãos lentamente a sacola, a mulher notou que seu rosto havia criado cor e percebeu que não era um menino.


- Você é uma menina...


Seus dedos tocaram o laço da sacola sutilmente, o cheiro que vinha na sacola estava lhe deixado atordoada. Quando decidirá pegar da mulher, ouviu passos na direção de ambas.


- Senhora Zahra! - apareceu uma mulher adulta, com os mesmos detalhes de seu vestido - estamos atrasadas!


A senhora se virou para atendê-la e quando voltou sua atenção para a garotinha novamente, ela havia sumido.


[...]


A chegada do frio foi dura e impiedosa, o vento forte atingiu o rosto da criança enquanto ela se protegia dos efeitos da natureza, aquecendo-se com o calor do próprio corpo. Seus olhos ficaram pesados e ela sentiu o sono obscurecer lentamente seus pensamentos. Naquele momento ela sentiu seu corpo flutuando, quando abriu os olhos ela estava no mar - ela não conseguia se mover nem gritar - ela olhou para cima e percebeu a luz desaparecendo lentamente enquanto seu corpo era puxado para a escuridão.


Contudo, teve vontade de olhar para o seu destino - a escuridão - seus olhos viraram para o lado e ela encontrou uma arma descendo para o fim do esquecimento, sentiu a arma pousar na ponta dos dedos e de repente, num piscar de olhos ela desapareceu, no meio da escuridão densa, manifestou olhos amarelos a fitaram intensamente. Ela moveu seu corpo desesperadamente, nadando para de volta para a superfície, e aquele mesmo olhar continuou a tê-la, faltavam pouquíssimos segundos para ela chegar à superfície.


A alma dos mortos surgira novamente para levá-la escuridão, lutou com todas as suas forças que lhe restaram, como a morte estava sendo tão insistente por sua alma - seu corpo foi puxado para baixo bruscamente. Ela abriu os olhos novamente e voltou para sua realidade. Seu coração estava acelerado, sua mente martelava de dor e seu rosto estava úmido, notará um objeto envolto em um pequeno pano que estava em cima de um entulho. Assim que viu, puxou-o e desamarrou o pacote e seus olhos brilharam.


Enquanto saciava sua fome negra, ela procurou autor da boa ação - e não encontrará nada - ouvirá um barulho vindo de cima e quando foi procurar o que era, encontrou apenas um vulto.


- Muito obrigada! - gritou, mesmo sem resposta, mas esperava que a pessoa pudesse ter ouvido.


Ao terminar a refeição, aproveitava o pouco movimento das ruas para procurar outro lugar para descansar - aquele beco estava longe de ser um lugar seguro - entravam homens bêbados e ela sentia medo de algo que pudesse acontecer com ela. O pior não era apenas a falta de teto, mas o estado em que se encontrava - sua pele estava mais sensível sob aquelas roupas, e ela estava longe de encontrar uma cura para resolver seu problema. Sua caminhada a levou até a cafeteria onde estava antes, ela encontrou um pequeno banco nos fundos do estabelecimento e sentou-se lá. Suas lembranças voltaram ao sonho no mar - os rostos desfigurados daquelas almas que queriam ter sua alma a qualquer custo, sua vida estava sendo atormentada e totalmente bagunçada - poderia sua mente estar pregando peças nele para deixá-lo louco e dar-lhe se levantou? Se desesperar de uma vez?

Mas que vida maldita é essa em que vivemos?


E o misterioso ser de olhos amarelos que apareceram no fundo do mar, olhando-a querendo causar medo na criança. Mas ela não sentirá isso, apenas uma curiosidade. A menina não sentirá medo pelo mar, pelo contrário, ela temeu o que era o que havia puxado para baixo.


- Você não deveria ter corrido daquele jeito hoje mais cedo - dera um sobressalto no banco pela aparição sinuosa ao seu lado - eu não quis te assustar, me desculpe.

Reconheceu o rosto e era a mulher que, por um instante, roubara seu alimento. Ela não usava mais um vestido vermelho, era um vestido preto e seus cabelos estavam tampados por um véu.

- Você está sozinha? - perguntou inocente, tentou se aproximar da criança, mas ela fora mais rápida e levantou-se do banco afastando-se da sua presença.

Era perceptível o medo que ela se sentirá de qualquer ser humano que se aproximasse. Afinal, estava morando nas ruas, o que esperava que aquela criança fizesse?


Mas não esperava o ato da mulher fosse diferente.

Ela se agachou no chão, retirou o seu véu e fez um gesto com a mão em forma de aviso: eu não quero lhe causar dor. Era essa mensagem que os seus olhos lhe traziam.


- Eu não estou aqui para lhe machucar... - exibiu um sorriso acolhedor e reconfortante - não faço ideia do que tem passado, mas eu espero que acredite em mim. Estou aqui para lhe ajudar.

A criança deixou a sua guarda baixada por alguns segundos, ela queria acreditar em suas palavras - mas sua mente impedir de tal ato.

- Quero te ajudar, mas para isso você precisa confiar e fazer uma escolha... - sua voz soou calma - se continuar morando nas ruas, haverá oportunidades mínimas de continuar morando pelos becos e será levada pelos guardas e possivelmente vendida como escrava - era nítido o medo irradiar a criança - ou venha comigo, e estará mais poupada do inferno que você mesma não poderá suportar.


- Por quê está querendo me ajudar?

Era a primeira vez que ouvirá a voz daquela criança, o seu olhar carregava tanta dor e sofrimento.

- Porque eu não tive essa chance igual a você quando morava nas ruas - a menina sentirá seu corpo ficar imóvel - eu sei exatamente o que esta passando; lutando contra você mesma para não responder seus instintos de sobrevivência, não se deixar ceder por desejo.

Um reconhecimento despontou o seu rosto, apertou suas mãos, aquela mulher estava certa de qualquer maneira - ela seria pega por algum guarda e seria levada há algum lugar, se não aparecesse nenhuma pessoa disposta a adota-la, seria vendida e comprada por mãos dos burgueses. Desfez do aperto das suas mãos e encarou - avermelhadas pela precisão - e havia manchas avermelhadas indo até seus braços.

A mulher não esperou pela sua resposta, virou-se e voltou ao seu caminho. Seus passos estavam lentos, olhando por cima dos seus ombros na esperança de encontrar a sombra da menina. Suspirou desapontada, não poderia julgar-la por sua desconfiança, uma mulher desconhecida a encontra e lhe faz duas propostas, esperava a resposta da criança, por mais que tivesse esperança que aceitaria, não poderia obriga-la. Encerrou os seus pensamentos e apressou o seu passo, entretanto, sentiu seu vestido ser puxado para trás e assustou-se, virou-se e dera de cara com a criança encarando os seus próprios pés.


- Eu... Posso ir com a senhora? - sua pergunta fora inocente, e aqueceu o coração da mulher.

Ela sorriu calorosamente e abaixou-se na altura dela.

- Mas é claro que pode, minha Jasmine.


[...]


Era o restaurante mais bonito que vira na sua vida, no centro da cidade e muito turbulento, iluminado e cantoria por toda parte. Ela seguia a mulher enquanto seus olhos estudava o local atentamente, acreditava-se que quase todos da cidade estavam naquele local, alguns casais que estavam na porta notaram a presença da mulher e a cumprimentaram educadamente, subiram uma escada que ligava ao segundo andar, ela abriu a porta e fez um gesto para que a menina entrasse, era um corredor enorme, o chão de madeira podia-se ver seu próprio reflexo, nas paredes havia quadros de diversas pinturas; paisagens, flores vermelhas como sangue e entre as flores havia uma pintura de dois meninos. Eles estavam embaixo de uma escada, do lado de fora de uma casa antiga, brincando com um coelho branco; o que aparentava ser o mais velho era um rapaz branco, usava uma boina vermelha, vestindo-se com uma blusa social verde-escura, calças pretas e estava descalço. O segundo, estava deitado de barriga para baixo, cabelos castanhos ondulados, sua pele era morena, vestia-se um macacão escuro e ele também estava descalço.

- Podemos ir? - sua voz a fez voltar a realidade, fitou os olhos da mulher e concordou.


- Me desculpe - respondeu com a voz baixa.

A senhora assentiu e sorriu calorosa para a criança.


- Antes de mostrar o seu quarto, vamos ao banheiro, você precisa tomar um banho.

Aceitou a proposta e seguiu a mulher, viraram um corredor e ela abriu a porta indicando o banheiro, havia uma banheira e o cômodo não era tão pequeno, iluminado por algumas velas. A menina entrou tímida, olhou para o seu próprio reflexo no espelho e ficou abismada com o estado que se encontrava.

A mulher caminhou até a banheira e ligou a torneira.

- A água está morna, você quer que esquente para você?

Não estava acostumada com gentileza que recebera, discordou, pois não se importava de qualquer forma.


- Bom, fique a vontade. Eu irei pegar algumas roupas limpas para você.

A mulher fechou a porta deixando a criança sozinha, caminhou a banheira, passou seus dedos pela água conferindo as palavras da mulher, e sim, a água estava morna.

Sentira todo o seu corpo relaxar com a temperatura da água, a ardência sobre as suas costas era suportável, queimaduras que ligava todo o seu braço esquerdo, levantou suas mãos e fez um coque em seus cabelos grisalhos. Seu olhar voltou para o espelho, seu rosto estava pálido e seus lábios secos, não encontrará nenhuma luz sobre seus olhos. Seu olhar caiu sobre o seu braço esquerdo, deixando-a mais angustiada.


Batidas na porta puxaram sua atenção.


- Posso entrar? - reconheceu a voz da mulher.

Não receberá a resposta de imediato, era o que esperava, antes que deixasse as roupas no chão ouviu a sua voz.

- S-sim...


Ela entrou no banheiro educadamente depositando as roupas limpas no criado mudo, fitou a banheira e a menina estava encolhida e a olhava timidamente.

- Eu encontrei algumas roupas para você, espero que sirva em você - ela pode notar os olhos diferentes da menina fitando-a com receio, os cabelos dela eram brancos como a neve.

Era uma criança muito rara de se ver.

- Se precisar de mais algo é só me chamar. - a mais velha voltaria para o seu quarto e deixaria que a menina terminasse o banho.

Antes que ela tocasse a maçaneta, ouviu a voz da criança.

- E-eu... Preciso de um favor. - sua voz saiu abafada, mas a mulher pode ouvi-la perfeitamente - eu estou com um problema...

- Pode me dizer, querida.

Ela observou a criança se virar de costas e colocou a mão sobre a boca para evitar um grito de espanto, as costas da menina havia queimaduras de segundo grau, pareciam recentes.

- E-eu não consigo alcançar... - a mais velha compreendeu, ela caminhou até a menina e agachou-se.

- Eu estou aqui agora, vou cuidar de você.

[...]


Aos olhos de outras pessoas, inicialmente seria julgada apenas só um com um olhar. Aparentando ser um rapaz através das suas novas roupas: uma blusa preta com mangas compridas por baixo e por cima uma blusa de frio, calças escuras. Ouviu a porta se abrir e seus olhos estudarem o seu novo quarto, era um espaço grande e havia duas camas de solteiros, as paredes em tons claros umas das camas estava desorganizada, pensara que já estava ocupada, o que restará a cama do lado da parede perto da porta. Dois criados-mudos acompanhavam às duas camas e havia duas velas acesas.

- Hoje foi um longo dia, e cheio de surpresas... - Senhora Zahra comentou - espero que esteja do seu agrado, minha Jasmine.

A menina a responderia, mas foram interrompidas por outra criança escorada na porta.

- O que está acontecendo aqui? - era uma criança branca, cabelos ruivos ondulados, olhos castanhos, vestia uma blusa branca com uma camiseta verde, ela usava calças e estava descalça.

- Jasmine, está é Ivar... - apontou para a menina, ela caminhou aos seus encontros. - vou pedir-lhe Ivar que a trate muito.bem, está menina passou um verdadeiro inferno nas ruas e não vou aceitar que passe por mais um aqui.

- Sim, senhora Zhara.

Zhara seguiu em direção a porta, antes de ir, olhará pela última vez às duas crianças.

- Tenham uma boa noite - ela dera um olhar caloroso para a menina, sentiu seu coração disparar assim que ela fechou a porta.

Naquele instante elas se entre olharam, o que se passava na mente dela era que a ruiva iria ameaça-la por estar invadindo seu quarto e a sua privacidade.

Mas a reação que a criança ruiva tomou foi outra.

- Você é engraçada, gostei de você! - a menina sorriu genuína. - eu nunca vi uma criança de cabelos brancos, você tem alguma doença?

As palavras saíram tão rápido que se não tivesse tão apreendida, se perderia facilmente. E é claro que essa seria uma pergunta de início, não seria uma surpresa.

- E-eu não sei, talvez seja de família - respondeu simples.

- Se vamos dormir no mesmo quarto, teremos algumas regras por aqui... - Ivar apontou seus dedos sobre o queixo pensativa. Os olhos âmbares da ruiva fitara a criança, notará serem quase da mesma altura, mas a menina de cabelos brancos estava um pouco na frente.

Sentiu-se rígida com a voz ríspida que Ivar soou no seu tom de voz, e novamente aqueles pensamentos de que ela não se daria bem com a sua colega de quarto voltaram a tona.

- P-pode dizer... - respondeu receosa.

- A primeira é... - pensou por alguns segundos nas melhores palavras - é melhor guarda muito bem na sua memória, pois se quebrar estas regras, haverá consequências - o seu corpo ficará rígido por alguns segundos, Ivar ficou de frente para ela, encarando-a com um olhar enigmático, se aproximou ao pé do ouvido para sussurrar as palavras - a última que chegar, apaga as luzes.

Ela piscou algumas vezes, ouvira uma risada vinda da criança apontando em seu rosto - essa ruiva tá' brincando com a minha cara

- É sério isso? - perguntou desconexa.

Ouvira risos dela em resposta após a reação dramática. Ela sentiu-se desconectada com a sua brincadeira e Ivar notou o seu desconforto decidiu mudar de assunto.

- Ah! Nós mal nos apresentamos. Eu me chamo Ivar e qual é o seu nome?

- O meu nome...

Sentiu os dedos da senhora passar gentilmente por suas feridas, estava de cabeça baixa e seus olhos estavam fechados.

- Você havia dito que não se lembrava de nada... - fitou a criança, com curiosidade.

Abriu os olhos e encarou o seu reflexo na água.

- Eu perdi a memória, não faço ideia de onde eu vim. Nem mesmo o verdadeiro nome.

Zhara passou a pomada sobre os seus ombros, sentira a dor nas suas palavras.

- Esqueça o passado. Agora você escreverá a sua nova identidade - a criança assentiu e a fitou por cima dos seus ombros. - me permita lhe dar um nome?

Uma nova vida. Uma nova identidade. Esquecer do passado e suas dores.

Seria inevitável, com o tempo ela se cobraria de tudo, mas até que este dia não chegue, ela tomará sua decisão.

- Eu adoraria, senhora.

- Está bem... - a mulher terminou de passar a pomada pelo seu corpo, a menina virou-se e fitou os seus olhos - o seu nome será...

- Morigan - respondeu-lhe.

- Prazer em conhecê-la, Morigan! - receberá o sorriso caloroso da ruiva - vamos dormir agora? Estou morrendo de sono.

Nem esperou por sua resposta e a ruiva correu em direção ao seu casulo, despediu-se de Morigan e menos de dois segundos ela já estava roncando.

Sorriu inocente e sentou-se na sua cama, apagou a vela ao lado e deitou-se de barriga para cima, a janela estava aberta e as cortinas mexiam em sitônia com o vento, esperou o sono vir sorrateiramente e antes de entrar no mundo do seus sonhos.

[...]

Após algumas semanas, Morigan estava se habituando a a sua nova casa; nova vida e conhecendo as pessoas ao seu redor. Ela ainda não havia conhecido o andar de baixo, que todas as noites surgia música e cantoria. Mas não gostava de estar ao redor de muitas pessoas, gostava de aproveitar sua própria companhia na maioria das vezes. E um dos lugares que ela descobriu na casa era um pequeno jardim, as flores foram esquecidas e estavam morrendo por falta de atenção, dera a liberdade de cuida-las.

As flores transmitiam uma paz familiar que enchia o seu coração, ela notou uma flor branca entre os arbustos, algumas pétalas caídas no chão, e sentiu-se atordoada de repente.

- Morigan - ela fitou a menina com os olhos surpresos - parece que você viu um fantasma.

- Eu estava pensando alto - mentiu, não queria falar sobre o assunto no momento - estava me procurando?

- Por algum motivo eu sabia que você estaria aqui - constatou convincente - este lugar parece bastante com você.

- Estava procurando um lugar tranquilo.

Morigan sentou-se no chão, limpou suas mãos sujas de barro em suas roupas. Ivan fizera o mesmo, estava inquieta como se algo estivesse pertubando-a.

- O que está pensando? - perguntou curiosa, observou ela franzir o cenho.

A menina puxou seu relógio de bolso, estava quebrado.

- Essa é a única coisa que eu tenho da minha família - as horas marcavam seis e meia - e toda às vezes que eu olho para esse relógio, eu sinto que meu mundo para.

Morigan não tinha resposta para conforta-la, a única coisa que poderia fazer é ser uma boa ouvinte. Ivar abaixou seu olhar para o relógio e de repente observou as pontas dos dedos dela esbranquiçar, a força que ela emitia carregava uma dor distante.

- Eu ainda não sei o porquê eu carrego isto, sendo que eu fui abandonada... - sua expressão endureceu, memórias que lutava diariamente para não se deixar abalar, a sua mágoa nublou sua afeição.

Sentirá uma mão pousar sobre a sua lhe tirar dos seus pensamentos torturantes, por instinto ela desfez do contato e Morigan desculpou-se com o ato, mas ela compreendeu o gesto e agradeceu mentalmente. Seu olhar rolou para o chão e encontrou um galho seco ao seu lado, pegou e começou a desenhar no chão.

O desenho de começo tomara forma de um coelho segurando uma cenoura.

- Você está desenhando você mesma? - Morigan provocou e recebeu um empurro, ambas sorriram.

Ivar sorrateiramente encheu a sua mão de terra jogou no rosto de Morigan, ela se distanciou rapidamente.

- Eu vou te fazer comer terra! - procurou uma terra molhada ao seu lado e encheu suas duas mãos, e jogou na direção da ruiva. Inicialmente esquivou-se e a segunda acertou o seu rosto em cheio. Ambas começaram uma guerra brutal naquele momento, nem uma e nem outra se davam por vencidas, como se estivessem levando aquela brincadeira a sério. Na última tacada aceitou a parede ao lado do portão, e seus olhos capturaram uma pessoa se esgueirando de canto encarando-a atentamente, não sentirá medo, mas por algum motivo sentiu-se curiosa em saber quem era aquela pessoa. Contudo, recebeu um tiro de lama no rosto, retirou os resquícios de terra no rosto e quando voltou a encarar o portão novamente a pessoa havia sumido.

- Você tem que parar de se distrair muito fácil - Ivar chegou ao seu lado suja de terra da cabeça aos pés. - cabeça de vento.

- Você tem que fechar essa boca as vezes... - respondeu confiante, antes que as duas continuassem, sentiram uma presença a fuzilaram com os olhos.

Se entre olharam receosas, viraram-se lentamente e encontraram Senhora Zhara encarando-as com um olhar indecifrável, ela desceu os degraus gradativamente e os sons dos seus saltos pontiagudos deixando-as ainda mais tensas do que antes.

- Posso saber o que está acontecendo aqui? - sua voz revelou seriamente.

- Nós estávamos batalhando! - Ivar afirmou - e a senhora atrapalhou a derrota dessa cabeça de gelo!

E em um gesto, ela cruzou os braços e carregou mais o seu olhar sério.

- Isso é verdade, Morigan? - a mulher a fitou curiosa.

- A senhora atrapalhou a minha vitória...

- Mentirosa!

Ivar apontou o dedo no rosto dela e recebe um tapa.

- Admita!

O coração de Zhara ficará mais aliviado ter sua resposta. Ela abaixou na altura das meninas e as puxou para um abraço caloroso, ambas ficaram surpresas com o seu gesto, mas por segundos retribuir o abraço.

- Não sabem como estou feliz em ver que vocês estão se dando bem... - desfez do abraço e recobrou a sua postura - nem parecem serem duas mocinhas...

- Eu sou uma guerreira! - Ivar gritou confiante e correu para dentro do hotel.

Morigan não conteve o sorriso, voltou a olhar novamente para Zhara e recebeu um olhar caloroso.

Antes que ela seguisse o caminho de volta para o Hotel, olhou novamente para o portão, no mesmo lugar onde encontrou aquele desconhecido.

- Quem é você afinal...