Personalizar legibilidade
Aa

Além do Preto

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Aos vinte e um anos, Sadie Byrne é diagnosticada com adenomiose, endometriose e SOP após anos de médicos ignorando sua dor por causa de seu peso. Ferozmente independente e escondendo-se atrás de roupas pretas, sarcasmo e horários de trabalho impossíveis, Sadie convence a si mesma de que não merece mais ser amada — especialmente após descobrir que talvez nunca possa ter filhos. Como gerente de projetos que sobrevive à base de cafeína e teimosia, a última pessoa por quem ela espera se apaixonar é Nathan Cole: o engenheiro de TI ranzinza que parece permanentemente irritado com sua existência. Mas quando são forçados a trabalhar juntos em uma caótica implementação de SAP, olhares furtivos se transformam em noites em claro, uma amizade relutante e algo muito mais perigoso. Então, a saúde de Sadie entra em colapso e uma histerectomia se torna sua única opção. Entre a recuperação, o luto, as cicatrizes, a menopausa cirúrgica e a possibilidade aterrorizante da esperança, Nathan se recusa a deixá-la enfrentar tudo isso sozinha — mesmo quando Sadie acredita estar quebrada demais para amar. Com uma Staffordshire Bull Terrier ferozmente protetora chamada Peaches julgando a todos pelo caminho, este é um slow-burn romance sobre doença crônica, cura, confiança corporal e o aprendizado de que ser amada nunca dependeu do que seu corpo é capaz de fazer.

Status
Completo
Capítulos
41
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
16+

Black Was Easier

Sadie Byrne estava com três adesivos térmicos colados na barriga e uma quantidade de ibuprofeno na bolsa suficiente para sedar um cavalo. Ela tinha exatamente seis minutos antes da reunião operacional de segunda-feira de manhã.

Segundas-feiras de manhã deveriam vir com avisos legais.

Ela se levantou da cadeira lentamente, cuidando para não se mover rápido demais enquanto uma dor revirava o baixo ventre, como se arame farpado estivesse sendo puxado com força. Por um segundo perigoso, pontos pretos piscaram no limite de sua visão.

Hoje não.

Definitivamente hoje não.

Ela apoiou uma das mãos na mesa e respirou fundo, tentando controlar o mal-estar.

Pelo escritório, ninguém notou. Ou talvez notassem e simplesmente escolhessem o caminho socialmente aceitável de fingir que não. Telefones tocavam. Alguém riu perto da impressora. Uma notificação do Teams apitava a cada três segundos em algum lugar próximo, como uma tortura psicológica.

O mundo continuava girando.

Sempre continuava.

Sadie ajeitou as mangas de sua blusa preta, ajustou os anéis prateados nos dedos e pegou seu café.

Blusa preta. Calça preta. Botas pretas.

Seu guarda-roupa parecia menos uma escolha de moda e mais como se ela estivesse permanentemente de luto pela própria paciência.

“Bom dia, Sadie.”

Ela olhou para cima e encontrou Kelly, do RH, sorrindo radiante ao lado dos arquivos, segurando uma daquelas garrafas de água agressivamente alegres, cobertas por adesivos motivacionais.

Pessoas do tipo "Live Laugh Love" a assustavam.

“Bom dia”, respondeu Sadie.

O sorriso de Kelly vacilou um pouco. “Você está bem? Está um pouco pálida.”

Sadie quase riu.

Estar pálida era praticamente parte de sua personalidade àquela altura.

“Só estou cansada.”

A mentira saía automaticamente agora. Era mais fácil do que explicar que seu sistema reprodutor aparentemente havia declarado guerra contra ela antes mesmo de ela terminar a faculdade.

Adenomiose. Endometriose. SOP.

Três diagnósticos aos vinte e um anos.

Dez anos depois, ela ainda se lembrava do especialista mal olhar para ela antes de sugerir a perda de peso, como se estivesse recomendando uma nova rotina de cuidados com a pele.

Alguns médicos viam uma mulher plus-size e paravam de investigar imediatamente. Sadie tinha aprendido isso da pior maneira.

Kelly deu a ela um sorriso compreensivo. “Você deveria realmente pegar mais leve às vezes.”

Que fofo.

Como se pegar leve pagasse contas e mantivesse os projetos dentro do cronograma.

“Vou anotar para o ano que vem”, disse Sadie, seca.

Kelly piscou, confusa, antes de ir embora.

Sadie pegou seu laptop e foi em direção à sala de reuniões antes que outra cólica a dobrasse ao meio na frente de testemunhas.

A reunião operacional já estava pela metade quando ela entrou. Derek, seu gerente, estava na frente, ao lado de uma apresentação de PowerPoint intitulada "Estratégia de Eficiência do Q3", o que parecia suspeitosamente com algo projetado para sugar a alma do corpo humano.

“Sadie”, chamou Derek. “Na primeira fila hoje.”

Claro.

Fantástico.

Nada dizia "bom dia" como sofrer em público.

Ela se sentou cuidadosamente na cadeira mais próxima e abriu o laptop.

A tela piscou uma vez.

Duas.

Então morreu de vez.

Sadie encarou a tela.

“Não.”

Ela apertou o botão de ligar várias vezes.

Nada.

Uma profunda sensação de traição a atingiu.

“Você só pode estar brincando comigo.”

Mark, do Financeiro, inclinou-se na cadeira. “Talvez ele finalmente tenha desistido da vida.”

“Sinceramente? Eu também.”

Algumas pessoas riram.

Derek suspirou dramaticamente. “Você pode levar para a TI antes da reunião do SAP hoje à tarde?”

Cada músculo do corpo de Sadie ficou tenso.

TI.

Especificamente, um membro profundamente irritante da TI.

Nathan Cole.

O homem parecia permanentemente ofendido com a existência humana.

“Claro”, ela murmurou.

A reunião se arrastou por mais quarenta minutos enquanto Sadie lutava contra cólicas fortes o suficiente para deixá-la enjoada. Ao final, seu café estava frio, seus adesivos térmicos tinham parado de funcionar e alguém tinha usado a expressão “dar um retorno offline” duas vezes.

A linguagem corporativa era uma doença.

No segundo em que Derek liberou todos, Sadie escapou com seu laptop morto debaixo do braço.

O departamento de TI ficava no andar de baixo, ao lado das salas de servidores, onde a iluminação era fraca e o ar tinha um cheiro permanente de café queimado e desespero.

Apropriado.

Ela empurrou a porta.

Três pessoas estavam sentadas atrás de mesas bagunçadas, cercadas por cabos, monitores e equipamento de tecnologia suficiente para sobreviver a um apocalipse.

Apenas um olhou para cima.

Nathan Cole.

Claro.

Cabelo escuro um pouco comprido demais. Mangas dobradas expondo antebraços tatuados. Olhos cansados. Expressão entre o exausto e o levemente homicida.

O homem nunca sorria.

Pelo menos, não para ela.

O olhar dele saltou para o laptop nas mãos dela.

“O que você fez com ele?”

Sem "olá".

Sem "bom dia".

Direto para a acusação.

Sadie colocou o laptop na mesa dele. “Bom te ver também, raio de sol.”

Nathan puxou o laptop para perto dele. “Tão ruim assim, hein?”

“Ele morreu durante a apresentação do Derek.”

“Laptop de sorte.”

Ela estreitou os olhos.

Nathan conectou algo na lateral da máquina, totalmente indiferente ao olhar dela.

“Você derrubou café nele?”

“Não.”

“Deixou cair?”

“Não.”

“Tentou desligar e ligar de novo?”

Sadie o encarou sem expressão. “Uau. Que original.”

Um canto da boca dele tremeu tão rapidamente que ela quase perdeu o momento.

“E ainda assim”, disse ele, “as pessoas continuam não fazendo isso.”

Ele se concentrou na tela enquanto Sadie se encostava na mesa, pressionando discretamente a mão contra o estômago conforme outra onda de dor a atingia.

Aguda.

Quente.

Enjoativa.

Sua respiração falhou antes que ela pudesse impedir.

Nathan olhou para cima instantaneamente.

“Você está bem?”

A pergunta a desestabilizou mais do que a dor.

“Estou bem.”

Os olhos dele se estreitaram um pouco.

Claramente, ele não acreditou nela.

Infelizmente para ele, nem ela.

Nathan voltou a olhar para o laptop. “Seu disco rígido está corrompido.”

“Isso soa caro.”

“Isso soa irritante.”

“Bem, pelo menos nós dois estamos sofrendo.”

Outro quase-sorriso.

Interessante.

Um telefone tocou em algum lugar atrás deles. Ninguém atendeu.

Nathan digitou algo rapidamente antes de olhar para ela novamente, seu olhar caindo brevemente para a forma como ela estava parada.

Protegendo o estômago.

Defendendo-se.

“Você deveria sentar.”

Uma irritação imediata surgiu em seu peito.

Não porque ele estivesse errado.

Mas porque ele tinha notado.

“Estou bem.”

“Você já disse isso duas vezes.”

“E daí?”

“Pessoas que estão realmente bem geralmente só dizem isso uma vez.”

Sadie abriu a boca.

Fechou-a novamente.

Porque, irritantemente, ele tinha razão.

Nathan deslizou outro laptop pela mesa em direção a ela.

“Substituição temporária.”

Ela piscou. “Já?”

“Sou bom no que faço, Byrne.”

“Isso soou perigosamente parecido com confiança.”

“Não é confiança se é verdade.”

Apesar de si mesma, Sadie sentiu o canto da boca tremer.

Nathan hesitou por um segundo, como se a expressão dela também o tivesse surpreendido.

Estranho.

O celular dela vibrou no bolso antes que qualquer um dos dois falasse de novo.

IMPLEMENTAÇÃO DO SAP — ATRIBUIÇÕES FINAIS DA EQUIPE

Um pavor se instalou imediatamente em seu estômago.

Ela abriu o e-mail.

Líder do Projeto — Sadie Byrne

Líder Técnico — Nathan Cole

Absolutamente não.

Lentamente, ela ergueu a cabeça.

Nathan estava encarando o próprio telefone com a expressão de um homem repensando cada escolha de vida que o levara àquele momento.

Seus olhos se encontraram através da mesa.

“Ah, isso vai ser um pesadelo”, disse Sadie.

Nathan recostou-se na cadeira lentamente.

“Para um de nós”, respondeu ele.

E, de alguma forma, isso foi pior.

Deixe SammyJWrites saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

0

Amo isso

Engraçado

0

Engraçado

Picante

0

Picante

De Suspense

0

De Suspense

Emocional

0

Emocional

Profundo

0

Profundo

Tocante

0

Tocante

Chocante

0

Chocante

Boa Escrita

0

Boa Escrita

Enredo Envolvente

0

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

0

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

0

Diálogo Forte