Personalizar legibilidade
Aa

A Guardiã Nascida da Tempestade

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Outrora, Riley era uma soldado sem tempo para sonhos... até que um terremoto, um tsunami e um fio de alta tensão interromperam sua vida em um instante. Renascida em um mundo governado por monstros e Guardiões elementais, ela desperta como Velira Ashbane. Durante doze anos, sua vida foi tranquila, até comum, treinando como se fosse seguir os passos de seu pai como um Guardião do Fogo. Mas, na noite em que Haybridge cai, um raio desperta em suas veias. A primeira Guardiã do Relâmpago da história. Sua família queria que ela se escondesse discretamente para sua própria segurança. Velira escolheu o exílio. Anos de treinamento brutal, isolamento e caçadas a monstros a forjaram em algo mais afiado do que a mera sobrevivência. Contudo, enquanto a corrupção se espalha e os reinos se agitam, ela começa a encontrar o que nunca julgou possível: aliados em quem pode confiar e a primeira centelha de um romance que pode mudar tudo. O exílio a tornou uma sobrevivente. A guerra que se aproxima testará se ela pode se tornar algo mais.

Status
Completo
Capítulos
54
Classificação
4.8 5 avaliações
Classificação Etária
18+

When the World Breaks

O cheiro da floresta do Alasca me atingiu primeiro: o pinho afiado como uma lâmina, o musgo úmido carregado com a chuva de ontem e, por baixo de tudo, o leve toque de sal vindo da enseada. Depois de meses de areia, suor e metal chamuscado, o ar parecia quase irreal, como respirar em outro planeta. O verde era tão denso que doía olhar; eram mil tons sobrepostos, selvagens e vivos.

Maya estava certa. Eu precisava desse descanso.

“Mais dez minutos”, ela disse, com uma mão firme no volante e a outra acionando a seta. “Bear Creek fica logo ali.”

Sua voz era a mesma de sempre: confiante, provocadora e com um toque de aspereza. A vida civil a tinha suavizado um pouco, com o cabelo comprido e o sorriso mais leve, mas seus olhos ainda guardavam o aço de sempre quando ela queria.

“Você passou meses fazendo propaganda desse lugar”, eu disse, encostando-me no banco, com as botas batendo impacientes no assoalho. “É melhor ser tão bom quanto a promessa na sua cabeça.”

“Ah, vai ser.” Ela deu um sorriso de lado, desafiando-me a discordar.

Ela tinha um plano: faculdade de medicina, noivo, estabilidade. Um futuro inteiro alinhado como peças de dominó. Eu a invejava mais do que admitiria. Eu? Eu tinha me realistado, subindo na carreira até sargento como se as divisas fossem placas de armadura. As missões te mudavam; faziam a ideia de uma vida após a guerra parecer um luxo que eu não merecia.

A caminhonete sacolejou em um trecho mais estreito, com as árvores se fechando. Sombras cortavam o para-brisa, e a floresta se inclinava para perto, como se quisesse ouvir.

Maya tamborilou os dedos no volante. “Então me diga, sargento Riley Maddox, recém-promovida. Você já pensou no que vem depois? Quando terminar?”

Eu ri, um som curto e seco. “Terminar? Essa é uma palavra que as pessoas ganham quando sobrevivem tempo suficiente para usá-la.”

“Você sabe o que eu quero dizer. Vida civil. Um trabalho de verdade. Talvez até...” ela inclinou o queixo, com os olhos brilhando, “...um homem.”

Revirei os olhos. “Você andou vendo filmes românticos demais.”

“Estou falando sério. Você nunca nem tentou.”

“Eu pensei sobre isso”, admiti. “Depois, pensei em morrer em algum deserto e deixar um homem com uma bandeira dobrada nas mãos. Passo longe.”

O sorriso dela suavizou para algo mais firme, mais pesado. “Esse não é o único jeito de terminar.”

“Talvez não. Mas é como termina para muitos de nós. Prefiro não ter laços do que ver um homem que amo se destruir quando eu não voltar para casa.”

O silêncio que se seguiu foi denso. Os pneus zumbiam no cascalho, a floresta parecia nos pressionar e, por um momento, senti como se a própria caminhonete carregasse o peso do que eu tinha dito.

Finalmente, Maya suspirou. “Você é impossível.”

“É”, murmurei, encostando a testa no vidro frio. “Eu sei.”

O peso permaneceu. Tentei sacudi-lo, focando nas árvores que passavam, verdes e infinitas.

Um corvo cruzou a estrada à frente, as asas brilhando em preto sob o sol do entardecer.

E então eu congelei.

Alguém estava parado logo depois da linha das árvores.

Um homem; alto, com o cabelo branco como a geada, brilhando levemente sob a última luz. Seus olhos estavam fechados, seu rosto imóvel, perfeito demais. Ele não se movia. Não respirava. Apenas estava lá, como se esculpido de algo mais antigo que a própria floresta.

Meu pulso falhou bruscamente.

Pisquei —

Sumiu.

O lugar onde ele estivera estava vazio, com os galhos sussurrando como se ele nunca tivesse estado ali.

“Tudo bem?”, Maya perguntou, notando a rigidez nos meus ombros.

“Sim. Só estou cansada.”

Ela me deu aquele sorriso compreensivo. “Você vai adorar este lugar. Confie em mim.”

A caminhonete entrou no cascalho fazendo barulho. Cabanas surgiram na clareira, com paredes de troncos escuras pela idade e chaminés expelindo uma fumaça de cedro que se agarrava ao ar frio. Pareciam estar ali desde sempre, agachadas contra o tempo.

Saí. O silêncio me atingiu como uma onda: sem trânsito, sem motores, sem tiros. Apenas o vento passando pelas agulhas dos abetos, suave e infinito. A sensação penetrou minha pele até eu quase esquecer como se respira.

O noivo dela esperava na varanda. O rosto de Maya se iluminou ao vê-lo. Ela praticamente se atirou da caminhonete, com risadas e beijos ecoando como um idioma diferente. Deixei que aproveitassem. Aquilo não era para mim.

Arrastei minha mochila até a cabana mais distante. Lá dentro, o ar cheirava a cedro e poeira, com o chão rangendo sob minhas botas. Beliche. Fogão pequeno. Era simples, mas era meu.

Caí no colchão, com a espinha doendo como se eu tivesse marchado cem quilômetros. O silêncio me envolveu, denso e completo. Sem botas batendo fora do meu quarto. Sem exercícios às 04h.

Apenas quietude.

Finalmente, deixei que ela me levasse.

Acordei com um som que não pertencia àquele lugar.

Baixo. Profundo. Como algo enorme se virando durante o sono.

A cabana estremeceu. Pássaros gritaram, e então o silêncio. Não apenas quietude. Uma ausência, como se a própria floresta tivesse parado de respirar.

O chão deu um solavanco tão violento que pensei que a cabana tivesse sido chutada por um gigante. Meus joelhos cederam, e minhas costelas bateram contra o fogão de ferro com tanta força que vi estrelas. O som estava em todo lugar ao mesmo tempo: não era apenas ruído, mas um rugido que encheu meu peito, como um trem de carga rasgando meus ossos.

As paredes gemeram como animais moribundos. Pregos gritaram enquanto as tábuas se soltavam. Louças explodiram pelo chão em estouros agudos. Poeira desceu das vigas e arranhou minha garganta enquanto eu me agarrava ao batente da porta, com farpas de madeira cravando nas palmas das minhas mãos.

“Maya!”, gritei, mas o tremor engoliu seu nome.

O chão deu outro solavanco, me jogando contra a parede. Meu ombro bateu nos troncos, com uma dor intensa descendo pelo braço. O vidro da janela trincou em formato de teia, tremendo como se fosse explodir para dentro a qualquer segundo.

O som ficou mais profundo, mais pesado, como se a terra estivesse rangendo os dentes. Meus ouvidos estalaram com a pressão. O ar ficou denso, sufocante, como se tentasse me expulsar da cabana. Minha visão ficou turva, a poeira ardia e meus pulmões lutavam por ar.

Lá fora, árvores se chocavam como gigantes em uma briga, com galhos quebrando e troncos gemendo à medida que as raízes eram arrancadas do chão.

Meus instintos gritavam para *me mover*, mas minhas pernas se recusavam. O chão ondulava sob mim, subindo e descendo como o convés de um navio em uma tempestade. Agarrei-me com força, com o peito ofegante.

E, por baixo de tudo, jurei que senti algo mais do que apenas pedra se movendo. Um ritmo. Um pulso. Como se algo vasto e enterrado estivesse despertando.

“Maya!” Minha garganta arranhou ao emitir o som.

Então, em meio ao caos, ouvi sua voz — aguda, aterrorizada — e, de repente, ela foi cortada. Um estalo rasgou o ar, ensurdecedor, como se o planeta tivesse quebrado a própria coluna.

Uma quietude brutal e repentina tomou conta.

O silêncio após o terremoto era insuportável.

Sem pássaros. Sem vento. Apenas o zumbido agudo nos meus ouvidos e o bater do meu próprio coração, como se eu fosse a única coisa viva restante no mundo.

Minha respiração estava irregular, e a poeira queimava meus pulmões. Forcei-me a levantar da parede, com as pernas trêmulas e farpas cravadas nas mãos enquanto cambaleava em direção à porta. Cada passo parecia errado, como se o chão ainda estivesse se movendo sob minhas botas, balançando mesmo depois que o tremor parou.

O batente da porta estava torto. Quando empurrei, as dobradiças gritaram e cederam completamente. A madeira se soltou, batendo no chão lá fora.

E eu congelei.

O mundo no qual pisei era irreconhecível.

As cabanas eram carcaças estilhaçadas, com troncos espalhados como ossos pela lama. Fumaça saía de chaminés quebradas, misturando-se ao cheiro ácido da terra revirada e da seiva de pinho. Árvores jaziam partidas, com suas raízes retorcidas para cima como costelas expostas. O ar estava tão denso de poeira que transformava a luz da manhã em uma névoa doentia, e cada respiração arranhava minha garganta como vidro.

Minhas botas escorregavam no terreno irregular enquanto eu tropeçava, tossindo. Cada passo enviava choques de dor pelas minhas costelas, mas o pânico me impulsionava mais do que o ferimento.

“Maya!” Minha voz falhou, pequena demais diante da destruição.

Em algum lugar na névoa, um vulto se moveu. Um telhado meio colapsado, uma parede inclinada em um ângulo bizarro. Então, meu estômago despencou: a cabana dela. Ou o que restou dela.

Um abeto do tamanho de um míssil tinha caído direto no centro, esmagando tudo em tábuas irregulares e farpas. Fumaça saía dos destroços como se fosse o sopro saindo de um corpo.

A visão me deixou vazia por dentro.

“Não...” A palavra quebrou na minha garganta.

Corri. Meus pés escorregavam na terra solta, mãos arranhando o tronco enquanto eu subia. A casca rasgava minhas unhas. Minhas costelas gritavam a cada movimento, mas não parei. Não podia.

“Maya!”

O som da minha própria voz voltou vazio.

Quando cheguei ao topo, eu a vi.

Presa sob o tronco maciço, com metade do corpo visível, a pele suja de terra e sangue que escurecera nas sombras. Seu peito não se movia. Seu rosto — céus, seu rosto — estava parado demais, com os lábios entreabertos, parecendo que poderia sussurrar se eu prestasse mais atenção.

O mundo se resumiu apenas a ela. A poeira e a ruína desapareceram. O silêncio pressionava meu crânio como um peso.

Abaixei-me, com a mão tremendo, e toquei seu ombro. Quente. Ensanguentado. Errado.

Meus joelhos cederam, com a força nos braços esvaindo-se como se a terra tivesse me esmagado também.

“Maya...” O nome saiu de mim mais suave desta vez, quebrado, inútil.

Não houve resposta.

O silêncio era pesado, denso de luto. Meu peito parecia vazio, e minhas costelas gritavam a cada respiração, como se meu corpo quisesse desmoronar ao lado do dela.

E então...

Um som.

Agudo. Fino. O grito de uma criança, cortando a ruína.

Cambaleei em direção ao som, tropeçando em raízes arrancadas e vigas estilhaçadas até encontrá-la.

Ela não devia ter mais que oito anos. Estava ajoelhada na lama ao lado de uma mulher estirada na terra: sua mãe. O sangue escurecia o solo sob a cabeça dela, já encharcando profundamente. As mãos da menina estavam manchadas de vermelho enquanto ela sacudia os ombros da mãe repetidas vezes, chorando roucamente, dizendo palavras que eu não conseguia entender.

Ajoelhei-me. Pressionei dedos trêmulos contra a garganta da mulher, embora eu já soubesse. Nada. Sem pulso. Apenas uma quietude fria.

Os soluços da menina me arranhavam, mais afiados do que qualquer ferida que eu já tivesse recebido de uniforme.

“Ei, ei...” Minha voz quebrou. “Estou aqui com você. Você não está sozinha.”

Ela não me ouviu. Não me viu. O mundo dela era apenas o corpo à sua frente.

O chão roncou novamente — mais profundo desta vez, rolando sob minhas palmas como se um coração enorme ainda batesse sob a terra.

Um cheiro forte cortou o ar. Sal. Salgado e cru.

A água escorria entre as raízes estilhaçadas, pequenos riachos escuros correndo pela lama. Espalhava-se rápido, acumulando-se ao redor das vigas caídas, lambendo meus joelhos. O oceano estava vindo atrás de nós.

Meu peito travou. *Tsunami.*

E então...

Uma voz. Não a da menina. Nem a minha.

Suave. Gentil. Meu nome, respirado como se pertencesse ao próprio ar.

Virei a cabeça rapidamente em direção ao som.

E congelei.

O homem da estrada.

Ele estava de pé, com a água na altura dos tornozelos, o cabelo pálido brilhando como vidro sob a geada. Suas roupas estavam completamente secas apesar da água. Seus olhos permaneciam fechados, serenos, como se ele estivesse sonhando enquanto o mundo se afogava ao redor dele. Ele não pertencia àquele lugar; não à ruína, não àquele momento. Parado demais. Perfeito demais. Intocado enquanto todo o resto se quebrava.

Pisquei —

Sumiu.

O grito da menina me trouxe de volta.

Ela finalmente olhou para mim, com o rosto marcado por lama e lágrimas, os olhos verdes arregalados e aterrorizados. Seus lábios tremeram ao redor de uma única palavra: “Ajuda”.

Eu a peguei em meus braços. Ela se debatia, chorando pela mãe, seus punhos minúsculos batendo no meu peito. O luto dela doía mais do que os golpes.

“Sinto muito”, sussurrei, apertando-a contra mim, com minhas botas já escorregando enquanto a água subia.

A enchente nos atingiu como uma parede — gelada, afiada como dentes, forte o suficiente para arrastar um adulto. Minhas costelas gritaram, meus pulmões travaram, mas forcei-me a seguir em frente, mantendo-a acima da água com cada grama de força que me restava.

À frente — em um terreno mais alto — um trailer balançava contra a correnteza. Sobreviventes se agarravam ao teto, acenando e gritando, com rostos pálidos de terror enquanto a água lambia as janelas abaixo deles.

“Continuem!”

A correnteza arranhava minhas pernas, com a água chegando ao meu peito. Meus músculos tremiam, quase não aguentando. A menina soluçava em meu ombro, com as mãos agarradas à minha jaqueta como se fosse uma boia salva-vidas.

A correnteza desviou, quase arrancando-a dos meus braços. RuGindo, arrastei-a para mais alto, com os músculos queimando e, com o último esforço que me restava, arremessei-a em direção às mãos estendidas.

“Peguem ela!”, gritei.

Mãos alcançaram, pegaram-na e a puxaram para o teto. O choro dela se transformou em um soluço ao desaparecer no limite da segurança.

Então o céu rachou.

Um cabo de energia se soltou, faíscas gritando ao cair.

Mal tive tempo de sussurrar: “Não...”

O mundo se iluminou em branco.

A dor me rasgou, um relâmpago inundando cada veia. Meu corpo convulsionou, os músculos travaram, pulmões lutando por um ar que não vinha. A enchente me engoliu por completo.

A última coisa que vi foi a menina no teto do trailer: viva. Segura.

Então — escuridão.

Exceto por uma voz.

Mais perto, agora.

“Velira.”

Não era um som, na verdade. Passou por mim como uma carícia na alma, gentil onde o mundo fora cruel. O nome que eu ainda não reconhecia parecia familiar, carregava peso, calor, algo estável na escuridão. A tempestade dentro de mim se acalmou, cada aresta irregular aquietando-se como se aquela voz estivesse esperando o tempo todo.

E, naquele silêncio, eu me entreguei.

Deixe S.B. Murdock saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

6

Amo isso

Engraçado

0

Engraçado

Picante

0

Picante

De Suspense

4

De Suspense

Emocional

4

Emocional

Profundo

1

Profundo

Tocante

0

Tocante

Chocante

3

Chocante

Boa Escrita

4

Boa Escrita

Enredo Envolvente

3

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

2

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

1

Diálogo Forte

author

What an incredible start to this story 👏 well done!

um mês
1

Outras Recomendações

Die verschmähte Mate

Angela Dahmen: Nicht ganz logisch. Sie studiert Medizin und kennt sich mit der alten Kräuterkunde aus und schluckt trotzdem die Tabletten ohne zu wissen was drin ist.

Leia Agora
Werewolf Hollow

Nikole: I hadn't read a werewolves story with this kind of werewolves and dynamics, really interesting

Leia Agora
 Mehrfach zurückgewiesene Gefährtin

Silvia: Sehr schön geschrieben, mit Spannung von Anfang bis Ende. Tolle Geschichte .

Leia Agora
Mystic Wolf

Akthea: Fantastica

Leia Agora
Silver's Second Chance

natstarr: Druid? That’s so interesting. Love these little surprises you give

Leia Agora
Stadt der Alphas

Uschi: Sehr gut geschrieben aber durch die kleinen Happen baut sich keine Spannung, Erotik, Romantik oder ähnliches auf

Leia Agora
Bloodlines

Diana: Would recomend a good read, I like it's not to long

Leia Agora
Luna auf der Flucht

Uschi: Gute Story, guter Spannungsbogen

Leia Agora
His Unexpected Luna

ockelmann1960: Loved the story and the ending. Looking forward to more stories from you. Keep ✍️. Love the colors and description of the woolf more of that across the board of all major characters would be great to aid envisioning them.

Leia Agora