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A Perspectiva

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Resumo

"É... sente a vibe. 🎧 Duas décadas se passaram, como um suspiro. Então, bum — um reinício repentino. Mesmo tempo, mesmo espaço, encarando um rosto que amadureceu. A química? Instantânea. Dá para sentir no ar, densa e doce. Mas aquele passado? Hum, é pesado. Segredos correm nas entrelinhas, e estamos aqui nos esforçando para não deixar a barragem romper. Então, o que estamos fazendo? Estamos desenvolvendo sentimentos reais ou apenas colocando o papo em dia? Estamos bebendo um amor fresco ou apenas enchendo uma xícara familiar? É hora de dar o play. Vamos descobrir se o remix é melhor que a faixa original. Apague as luzes. Ouça com atenção."

Gênero
Erotica
Autor
Ann Oh
Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

1 ~ Disrupted

O calor fantasma de uma mão grande permanecia.

Envolvia o espaço entre o quadril e a coxa.

Lento.

Pesado.

Um ritmo possessivo de veludo e fumaça.

Uma queimadura adocicada pulsava contra sua pele.

Grave como um baixo ressoando no escuro.

Então, o som metálico e estridente do alarme.

A melodia se estilhaçou.

Sienna sentou de supetão.

A respiração presa na garganta seca.

Sedenta.

Os lençóis torcidos prendiam suas coxas, úmidos de suor.

A dor era localizada. Pesada.

Fazia seu peito doer fisicamente.

Tateou às cegas para o lado esquerdo do colchão.

Procurando um contrapeso para o vazio repentino dentro do peito.

Linho frio.

Espaço. Vazio.

Ele não estava lá.

7:00 da manhã.

O relógio digital sangrava vermelho pelo quarto.

— Merda.

Pressionou a base das mãos contra os olhos com força.

Empurrando as imagens em tons de âmbar de volta para baixo.

Para os cantos escuros do subconsciente.

Uma hora atrasada.

Os auditores do escritório regional já estavam rondando o centro de Sydney.

Conferindo relógios de ouro.

Batendo sapatos lustrados no chão.

Folheando pastas de conformidade.

Sua equipe dava conta deles.

Tinha passado anos montando uma equipe que não desmoronava.

Mas, como gerente financeira regional, a aprovação final era dela.

Ela gostava de controle.

Precisava dele.

A única coisa que impedia o caos de se infiltrar.

No fim do corredor, uma porta pesada bateu.

O baque abafado de uma mochila escolar atingindo o assoalho.

Os gêmeos.

Sienna se arrastou para fora da cama.

Passou direto pelo espelho.

Não precisava ver as olheiras cansadas debaixo dos olhos.

Havia sete anos, as manhãs eram eficiência militar.

Executadas no automático.

Banho frio. Roupa de trabalho. Cabelo preso frouxamente com um prendedor.

Tudo pronto antes que os filhos pudessem pedir o material de esporte.

Não havia tempo para o calor persistente de um sonho.

Ainda mais um tão visceral.

Tão próximo.

Sete anos exatos.

O dia em que o universo arrancou Matteo dela.

Deixando-a para segurar um navio afundando.

Fechou os olhos.

Deixou a lembrança do falecido marido lavá-la por inteiro.

Tentando usar o fantasma gentil dele para apagar o gosto do sonho.

De pé sob o jato gelado, tentou lavar o toque fantasma da pele.

Mas a água não conseguia enxaguar a geometria daquilo.

O peso pressionado contra suas costas não era Matteo.

Matteo era esguio.

O toque dele era familiar, suave, como uma velha canção acústica decorada nos seus vinte e poucos anos.

O homem na cabeça dela naquela manhã era mais largo.

Sólido.

Um homem grave como um baixo vindo de outra vida.

Uma sombra de um passado que ela não tinha o direito de ressuscitar.

Tinha cheiro de universidade.

Imprudente. Barulhento.

Grande demais para a vida quieta e blindada que ela levava agora.

7:45 da manhã.

A mala de rodinhas cruzou a soleira do corredor principal.

Joe estava sentado na bancada da cozinha, uma caneca de café aquecendo suas mãos.

— Você tá com uma cara péssima, Sie — disse ele, os olhos grudados no celular. — O voo sai em quanto, duas horas?

— Uma hora e meia.

Ela fechou o zíper da mala de mão com um estalo seco.

— Os gêmeos sabem as regras. Nada de festas. Cozinha limpa, ou eu corto o plano de dados.

Joe fez uma continência preguiçosa com dois dedos.

— Vai lá pro seu retiro corporativo, mana. Deixa os auditores acabarem com o espírito de outra pessoa.

Sienna não respondeu.

Seus dedos encontraram instintivamente a pequena argola de ouro na orelha direita.

Os restos derretidos da aliança de casamento.

Girou o metal até que ele beliscasse.

Até que a dor aguda a trouxesse de volta ao chão.

A transição de Sydney para Surfers Paradise foi uma queda brusca de pressão atmosférica.

A correria fria e estressante substituída por um ar pesado e carregado de sal.

O táxi a deixou no Altitude Solis.

O sol mergulhava abaixo do horizonte.

Roxo arroxeado e âmbar sangravam pela fachada de vidro da torre.

O lobby cheirava a jasmim artificial e pedra fria e cara.

— Sinto muitíssimo, Sra. Vance.

A voz da recepcionista desceu para o tom grave reservado a desastres corporativos.

— Houve uma falha na migração do sistema. Seu quarto executivo foi registrado como reserva duplicada.

Sienna se apoiou no balcão de mármore.

O cansaço da viagem se instalou direto na lombar.

— Ou seja, eu não tenho quarto.

— Ou seja, fizemos um upgrade para o andar da cobertura — corrigiu rapidamente, exibindo um sorriso ensaiado. — Uma suíte de ocupação dupla. Portas de segurança dividem em Suíte A e Suíte B. Totalmente privativas. Com isolamento acústico.

— Desde que tenha uma cama e uma tranca.

Sienna deslizou o cartão corporativo pelo balcão de pedra.

A subida de elevador até o último andar foi silenciosa.

Uma ascensão lenta acompanhando o pulsar constante dos seus pensamentos.

As portas se abriram.

Um hall amplo e minimalista revestido de painéis de madeira escura.

A Suíte B ficava à esquerda, sua fechadura apagada e adormecida.

Ela virou à direita.

Passou o cartão na Suíte A.

Entrou no seu refúgio.

A porta pesada de madeira se fechou com um clique.

O zumbido do corredor morreu.

Chutou os sapatos de couro.

Os calcanhares descalços afundaram num tapete fofo como uma nuvem.

O piso frio de cerâmica capturava o sol dourado da tarde.

O espaço era deslumbrante.

Pedra limpa. Detalhes em preto. Texturas profundas e macias.

Mas seus olhos foram direto para o vidro do chão ao teto.

À frente, o mundo se abria.

O Oceano Pacífico se estendia sob o céu como um vasto lençol de seda azul cintilante e enrugada.

Soltou a alça da mala.

As malas bateram no chão com um baque suave.

O peso de Sydney finalmente escorregou dos seus ombros.

As mãos foram para a gola.

Soltando o tecido rígido da sua armadura corporativa.

Tirou o blazer sob medida e jogou sobre uma poltrona preta.

A brisa úmida do litoral vinda das saídas de ar atingiu a pele úmida do seu pescoço.

Suspirou.

Revirou as fileiras organizadas de roupas de trabalho dentro da mala.

Os dedos encontraram o jeans desbotado e macio.

As calças de linho engomadas saíram.

O conforto imediato e já amaciado do seu short jeans favorito tomou o lugar delas.

Ela se levantou, ajeitando a camisa branca de linho folgada.

Puxou-a para baixo.

O tecido caía solto e leve sobre o ombro direito.

Ela captou seu reflexo no vidro.

O tecido roçando a clavícula nua.

Banhada pela luz quente e dourada da Gold Coast.

Pela primeira vez no dia inteiro, sua pele podia respirar.

Desfez as malas rapidamente.

Tudo arrumado. Em ordem.

Não queria pensar na auditoria.

Nem nos gêmeos.

Nem no aniversário que pesava no peito.

Precisava comer. Beber alguma coisa.

Algo para afogar as memórias fantasmas daquela manhã.

Uma margarita lá embaixo.

Depois voltaria, trancaria o mundo do lado de fora e dormiria.

O restaurante avançava sobre a areia.

Um perímetro de vidro em 360 graus fazia as mesas parecerem suspensas sobre a maré.

No alto, tocava uma faixa lenta de neo-soul.

A linha de baixo pesada e sincopada vibrava direto no peito dela.

Ela escolheu uma mesa pequena e isolada no canto mais afastado.

Escondida da conversa dos primeiros delegados do congresso.

A cadeira à sua frente estava vazia.

Uma mesa feita para quatro.

Três vastas extensões de madeira polida.

Menos como mobília.

Mais como uma acusação.

Trinta e oito.

A voz sussurrou do canto escuro e silencioso da sua mente.

O lugar onde ela mantinha seus piores impulsos trancados a sete chaves.

Dois anos dos quarenta, Sienna.

Sentada sozinha numa sala cheia de casais.

Ela cortou o pensamento. Com força.

Pressionou o vidro gelado de condensação da margarita contra a bochecha.

Esfriando o rubor repentino na pele.

Romance não era um espaço em branco que ela quisesse preencher.

Era uma montanha de esforço administrativo.

Significava deixar outro ser humano entrar numa casa que ela levou sete anos aprendendo a navegar sozinha depois de Matteo.

Deu um gole lento e cortante.

Deixou o limão queimar os pensamentos não convidados.

Ela estava bem.

Os dias bons finalmente superavam os ruins.

Mas desejo não é algo com que se possa argumentar.

Sete anos de exílio autoimposto não tinham feito nada para silenciar a dor física.

Daquele tipo que exercício nenhum resolve.

Então, o ar ao redor da mesa mudou.

A brisa carregada de sal vinda das portas de vidro foi cortada de repente.

Por algo denso. Quente. Assustadoramente familiar.

Atingiu o fundo da garganta dela primeiro.

Cedro rico. Afiado e limpo.

Ancorado pela resina pesada e doce de sândalo puro e tabaco caro.

O coração dela não apenas falhou uma batida.

Explodiu contra as costelas.

Cada músculo do pescoço travou.

Aquele cheiro não pertencia a um resort público.

Um cheiro íntimo.

Um cheiro de quarto.

A fragrância exata presa entre seus lençóis às sete da manhã.

Uma sombra grande caiu sobre a toalha de linho.

Sem pedir, sem dizer uma palavra à recepcionista, um homem puxou a cadeira da mesa imediatamente à direita dela.

Ele era enorme.

De perto, o linho azul-marinho escuro do paletó desabotoado ocupava todo o campo de visão dela.

O tecido caro e impecável se esticava contra a largura pesada dos ombros dele enquanto se sentava.

Ele carregava aquele luxo praiano e descontraído sem esforço algum.

Mas havia um peso bruto nele.

Que tornava o ar instantaneamente mais denso.

Ele não olhou para ela.

Não olhou para o cardápio.

Inclinou-se para frente.

Apoiou os cotovelos na madeira escura.

Levou uma mão grande e pesada para pressionar a base dos dedos contra as têmporas.

Um gesto de puro esgotamento, sentido nos ossos.

Como água parada, Sienna ficou imóvel, traída apenas pelo leve tremor da respiração.

O copo dela estava suspenso a poucos centímetros da mesa.

Daquele ângulo, ela só conseguia ver a linha afiada do perfil dele.

Um maxilar letal, de traços definidos.

Escurecido por uma barba espessa e bem aparada, salpicada de prata.

Meia-idade. Sólido.

Completamente alheio ao fato de que a mulher a um metro de distância estava esquecendo como respirar.

Ela tirou o celular do bolso.

Encarou a tela escura sem ver nada.

Só para dar aos olhos um lugar onde pousar.

Não funcionou.

Sua pele se arrepiou.

Viva e vibrando com uma atração magnética e aterrorizante por um homem cujo rosto ela nem tinha visto por completo ainda.

Discreta, Sienna. Muito discreta.

Ela estava completamente fora de prática.

A chama lenta e constante de sete anos de paz estava se desintegrando.

Derretendo sob o calor puro da presença dele.

Ela não sabia nada sobre o trabalho dele.

Não sabia nada sobre a história dele.

Não sabia por que, entre quarenta mesas vazias naquela sala enorme, ele tinha escolhido exatamente a que ficava ao lado da dela.

O silêncio entre as mesas se esticou.

Denso. Pesado.

Vibrando como uma nota grave de violão.

O homem expirou.

Um som longo e áspero que sacudiu o ar quieto entre eles.

Deixou as mãos caírem do rosto.

As palmas largas descansaram espalmadas contra a madeira escura da mesa dele.

Ele ainda não estava olhando para ela.

Mas a cabeça dele inclinou levemente.

O perfil dele capturou o brilho âmbar da iluminação baixa do restaurante.

O cheiro dele a envolveu como uma mão física.

Arrastando-a de volta às sombras aveludadas do sonho que a tinha partido ao meio ao amanhecer.

Um tremor pesado desceu pela espinha.

Acumulando-se direto naquela dor profunda e familiar.

As mãos dela tremiam de leve enquanto encarava o celular.

Tentando desacelerar o pulso disparado.

Tentando forçar o oxigênio de volta aos pulmões.

Tentando fingir que era apenas mais uma delegada corporativa curtindo um drinque tranquilo à beira do oceano.

Mas o corpo dela sabia mais.

Cada célula estava em alerta.

Reconhecendo o peso da sombra dele antes que a mente pudesse sequer processar a verdade impossível.

A paz frágil e bonita da sua vida estruturada estava prestes a explodir.


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Enredo Envolvente

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

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@LukeMoore I'm exhaling rn. Not going to lie, this was hard, but I worked on this chapter, taking on board your feedback. Lmk what you think :) (Is it weird I feel like you're my writing mentor lol - truly grateful for the help) Cheers

24 dias
1
author

A stronger, better focused opening chapter.

18 dias
1
author

this a good story

12 dias
2

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