VULNERABLE
O ar na cobertura da Madam V está carregado com o perfume de incenso de jasmim, suor e sexo. Corpos se movem à luz de velas como sombras que ganharam vida — alguns suspensos por cordas, outros curvados sobre bancos de veludo, e alguns simplesmente observando do perímetro com olhares famintos. As janelas do chão ao teto emolduram o horizonte da cidade, mas ninguém está olhando para a vista.
Scarlett está em suspensão parcial, seu corpo uma catedral de cordas carmesim. Seus braços estão presos atrás das costas em uma amarração tipo caixa, e seu chicote de peito emoldura seus seios como uma oferenda. Uma perna está erguida, dobrada no joelho, enquanto a outra mal toca o tatame. Ela está vendada, com seus cachos escuros caindo sobre a seda, os lábios entreabertos daquele jeito particular que significa que ela se foi — realmente se foi — flutuando em algum lugar entre o prazer e a rendição.
Axle está atrás dela, com uma mão no anel de suspensão e a outra traçando as linhas da corda ao longo das costelas dela. Ele está apenas de jeans, e sua tatuagem de fênix se move enquanto ele trabalha. Sua voz é um murmúrio grave, feito apenas para ela.
"Você está indo muito bem, querida. Tão incrivelmente gostosa assim. Você quer voar mais alto?"
"Sim, Mestre", Scarlett respira, com as palavras quase inaudíveis.
"Essa é a minha boa menina." Ele ajusta a tensão e ela sobe mais alguns centímetros, um gemido suave escapando de sua garganta. "Olhe só para você. Todos estão olhando. Todos desejam poder te tocar. Mas você é minha. Diga isso."
"Sua. Apenas sua."
Do outro lado da sala, Rain é um tipo diferente de obra-prima.
Ela está amarrada a um banco de madeira — pulsos algemados às pernas, tornozelos bem afastados, seu corpo um arco tenso de vulnerabilidade. Cordas pretas cruzam suas coxas e cintura em uma amarração kosoku, e os nós pressionam seu clitóris a cada respiração. Seu longo cabelo preto está solto, espalhando-se pelo chão sob ela. Sua pele brilha com o suor e as leves marcas vermelhas de um chicote que Grimm ainda segura em uma das mãos.
Ele circula lentamente ao redor dela, com as pontas de couro arrastando por sua espinha, sua bunda e a parte de trás de suas coxas. Ela estremece.
"Conte", diz ele, com a voz suave como fumaça.
"Vinte e três", ela sussurra.
O chicote desce novamente — não com força, mas com precisão, as tiras estalando contra a parte interna de sua coxa. Ela ofega, seus dedos se fechando contra as algemas.
"Vinte e quatro."
"Boa menina." Ele se agacha ao lado dela, seu rosto marcado nivelado com o dela. Seus olhos cinzentos e pálidos são a única coisa que o trai — eles estão ardendo. "Você aguentou seu castigo muito bem. Acha que merece uma recompensa?"
"Sim, Grimm." Sua voz falha. "Por favor."
Ele ainda não lhe dá a recompensa. Ele nunca dá. Ele a faz esperar, a faz ansiar, e ela o ama por isso.
No canto, Julian está estirado em uma poltrona de couro, sua cabeça careca brilhando à luz de velas, com apenas a calça social do seu terno. Sebastian está em seu colo, de frente para ele, cavalgando-o com aquele ritmo requintado e controlado que apenas um submisso treinado consegue manter. As mãos de Julian estão nos quadris de Sebastian, guiando, aprovando.
"Isso", murmura Julian, sua voz culta cortando a música ambiente. "Mostre a eles como você é linda quando pega o que é seu."
Os cachos escuros de Sebastian balançam conforme ele se move, e sua tatuagem de coleira brilha. "Obrigado, Senhor."
As Five Women estão espalhadas pela sala como um coven de bruxas benevolentes. A Juíza Marchetti bebe champanhe em uma poltrona, com seu cabelo prateado impecável, observando as cenas com um distanciamento judicial. Yuki Tanaka está encolhida em uma espreguiçadeira de veludo, digitando em um tablet — provavelmente hackeando algo agora mesmo — enquanto Nala Okonkwo está encostada na parede ao lado dela, de braços cruzados, não perdendo nada. Margaret Chen conversa baixinho com Siobhan Hayes perto da mesa de refrescos, com as cabeças inclinadas uma para a outra.
Madam V circula por tudo isso como uma rainha inspecionando sua corte. Esta noite, ela veste seda preta, seu cabelo com mechas prateadas em um coque severo, e uma única corda enrolada sobre o ombro como uma vestimenta sagrada. Ela para perto de Axle e Scarlett, observando o trabalho de cordas dele com um olhar crítico.
"Sua tensão está melhorando", ela diz. "Ela não está mais forçando a articulação do ombro."
"Ela aprende rápido", diz Axle, sem tirar os olhos de Scarlett.
"Ela tem um bom professor."
Conforme as cenas começam a terminar — Axle descendo Scarlett com mãos reverentes, Grimm soltando as algemas de Rain e puxando-a para o seu colo para o cuidado pós-cena — a energia na sala muda. Os corpos relaxam. Champanhe é servido. A observação se transforma em conversa.
Scarlett está envolta em um roupão de seda, encolhida contra o peito de Axle em um sofá de veludo. Suas marcas de corda ainda estão frescas, linhas vermelhas que desbotarão para roxo pela manhã. A mão de Axle está possessiva em sua coxa, com o polegar traçando círculos na seda.
Rain está no colo de Grimm em uma espreguiçadeira adjacente, ainda tremendo levemente após a cena. Grimm tem um cobertor enrolado nos ombros dela, e sua mão envolve a nuca dela — aterrando, estabilizando. Ela dá beijos ocasionais na mandíbula dele, sussurrando coisas que fazem os olhos cinzentos dele suavizarem.
Sebastian, agora vestido com um roupão de seda, serve champanhe para o grupo. Julian juntou-se às Five Women, discutindo algo jurídico com a Juíza Marchetti em tons baixos.
"Isso foi intenso", diz Scarlett, sua voz ainda sonhadora. "Acho que entrei em subspace por volta da terceira suspensão."
"Você estava longe", concorda Axle, beijando sua têmpora. "Levei cinco minutos para te trazer de volta."
"Valeu a pena."
"Vi Rain aguentar vinte e cinco com o chicote", continua Scarlett, inclinando a cabeça em direção à amiga. "Novo recorde?"
"Vinte e cinco", confirma Rain, com a voz rouca. "Grimm foi generoso."
"Eu não fui generoso", diz Grimm calmamente. "Você mereceu."
O rubor de Rain é visível mesmo à luz de velas.
É então que Madam V bate palmas suavemente, atraindo a atenção de todos na sala. A música baixa. Os corpos se viram.
"Antes que a noite termine", ela anuncia, "gostaria de apresentar uma nova integrante do nosso círculo. Alguns de vocês já a notaram. Ela esteve observando esta noite, sentindo o clima da nossa comunidade. Por favor, deem as boas-vindas à Starlight."
E ela dá um passo à frente.
A mulher que emerge do nicho sombreado é um estudo de contradições. Ela é pequena — pouco mais de um metro e sessenta — mas sua presença preenche a sala. Sua pele é dourada, beijada pelo sol, brilhando contra a renda vermelha profunda de seu bralette e calcinha de cintura alta. Seu cabelo é uma cascata de cachos castanho-avermelhados escuros, da cor de sangue seco e folhas de outono, caindo pelos ombros em ondas selvagens e indomadas. Seus quadris são generosos, sua cintura é impossivelmente fina, e seus seios são fartos e pesados.
Ela tem covinhas de Vênus acima da bunda. Ela também tem covinhas nas costas, duas pequenas depressões logo acima da curva da espinha, visíveis quando ela se vira. Ela é, objetivamente, devastadora.
Julian endireita-se na cadeira. Seus olhos — aqueles olhos afiados e predatórios de advogado — cintilam com uma apreciação nua e crua.
"Ora, olá", murmura ele.
Sebastian segue seu olhar, arqueando uma sobrancelha. "Ela é linda."
"Exuberante", concorda Julian.
A mulher — Tara, Starlight, seja lá quem for — está ao lado de Madam V com as mãos unidas à frente do corpo. Sua postura é recatada, mas não submissa. Vigilante. Seus olhos são a sua característica mais marcante: castanho-âmbar, levemente puxados, como uma raposa avaliando se você é um predador ou uma presa.
"Starlight é nova em nossa comunidade, mas não no lifestyle", continua Madam V. "Ela pediu para observar esta noite antes de decidir se quer participar. Confio que todos a farão sentir-se bem-vinda."
O salão murmura em assentimento. Tara inclina a cabeça, um pequeno sorriso brincando no canto dos lábios.
Julian levanta-se da cadeira, ajeitando as calças com uma descontração deliberada. Ele se aproxima dela como um homem que nunca foi rejeitado na vida — o que é quase inteiramente verdade.
"Starlight", diz ele, estendendo a mão. "Julian Cross. Sou advogado. Também sou switch, e sou muito, muito bom em ambos. Se estiver procurando alguém para lhe apresentar as possibilidades aqui, eu ficaria honrado."
Tara olha para a mão dele. Depois, para o seu rosto. Seus olhos de raposa são indecifráveis.
"É uma oferta generosa", diz ela. Sua voz é suave, quase melódica, com um fundo de algo mais cortante. "Mas não, obrigada. Você não é o meu tipo."
Julian pisca, atordoado. Sebastian, atrás dele, engasga com seu champanhe.
"Não é o seu tipo", repete Julian, como se as palavras fossem em um idioma estrangeiro.
"Tenho certeza de que você é excelente no que faz", acrescenta Tara, e seu sorriso é gentil, porém definitivo. "Só não serve para mim."
Julian recua para sua cadeira com a expressão de um homem que acabou de descobrir que a gravidade, afinal, também se aplica a ele. Sebastian dá um tapinha de consolo em seu ombro, mas há um sorriso debochado em seu rosto.
Juiz Marchetti ri. "Já gostei dela."
Scarlett e Rain observam a troca com expressões idênticas de fascínio. Axle e Grimm, ainda segurando suas mulheres, trocam um olhar sobre as cabeças delas — aquele olhar masculino universal que significa: "Isso realmente aconteceu?"
Mas Tara não terminou.
Um homem se aproxima dela — um dominante de outro canto da sala, bonito de uma forma polida, com um chicote de tiras ainda preso ao cinto. Ele se apresenta com a confiança de alguém acostumado a ser a pessoa mais atraente do ambiente.
"Talvez prefira alguém com uma abordagem diferente", diz ele, com um sorriso fácil. "Eu me especializo em jogos sensoriais. Sem impacto, a menos que você queira. Apenas prazer."
Tara o avalia por um momento. Seu olhar vai até o chicote dele, para as mãos, para o rosto.
"Obrigada", diz ela. "Mas não tenho interesse."
Outro homem tenta. Depois, uma mulher — uma dominante alta e elegante, vestindo um espartilho, que se oferece para fazer um scene com ela como iguais. Tara recusa cada um deles com a mesma polidez gentil e inabalável.
Ela não é arrogante. Ela não é fria. Ela é simplesmente... convicta.
Nala Okonkwo, observando de seu lugar encostada na parede, inclina-se na direção de Yuki. "Ela sabe exatamente o que quer."
"E exatamente o que não quer", concorda Yuki.
Uma submissa do outro lado da sala — uma loira de rosto doce e rendas cor-de-rosa — chama a atenção, sua voz ecoando no salão que se calava. "Ainda está procurando, Starlight? Porque aqueles dois casais são os mais bonitos daqui." Ela aponta para Axle e Scarlett, Grimm e Rain. "Eles são o seu tipo?"
Todos os olhares se voltam para os quatro.
A mão de Axle aperta a coxa de Scarlett. A expressão de Grimm não muda, mas seu braço ao redor de Rain torna-se, por uma fração, mais possessivo. A mensagem é clara, sem que uma única palavra seja dita: essas mulheres não estão disponíveis.
Tara olha para eles.
Ela observa Scarlett, ainda corada e radiante, envolta em seda com as marcas das cordas como tatuagens sagradas. Olha para Axle, enorme, perigoso e totalmente devoto. Olha para Rain, tremendo sob o cobertor, com os olhos escuros ainda nebulosos após a cena. Olha para Grimm, marcado e silencioso, observando-a como um falcão.
Ela os avalia — todos os quatro — e algo cintila em seus olhos de raposa. Reconhecimento, talvez. Respeito. Mas não desejo. Nem fome.
"Eles são lindos", diz Tara, e sua voz soa calorosa e genuína. "Um casal adorável. Ambos. Mas não." Ela inclina a cabeça, seus cachos caindo sobre um ombro dourado. "Ainda não é o meu tipo."
Um instante de silêncio.
Então, Rain ri — um som surpreso e encantado. "Eu gostei dela."
"Eu também", concorda Scarlett, e há algo em seus olhos que é calculista, da melhor maneira possível. "Eu também."
Axle relaxa imperceptivelmente. O aperto de Grimm sobre Rain afrouxa. Eles foram descartados e, em vez de se sentirem insultados, sentem-se aliviados.
Tara cruza o olhar com o de Madam V do outro lado da sala. Algo passa entre as duas — uma comunicação silenciosa, daquelas que surgem de um passado em comum. Então, Tara volta sua atenção para o restante do salão.
"Prefiro ser apenas uma observadora esta noite", diz ela. "Se for aceitável."
"Sempre", responde Madam V.
Tara retira-se para um nicho na penumbra, aninhando-se em uma poltrona de veludo com a graça de um gato encontrando um raio de sol. Ela aceita uma taça de champanhe de um garçom que passa. E observa.
Ela observa Julian e Sebastian retomarem a conversa, com Julian ainda parecendo levemente em choque. Ela vê as Cinco Mulheres se acomodarem em suas diversas posições de observação. Ela observa os demais casais e trios terminarem seus jogos, limparem seus espaços e se envolverem em robes, cobertores e um no outro.
Ela observa tudo. Não perde nada.
E quando a noite finalmente chega ao fim, quando Axle leva Scarlett para o elevador e Grimm guia Rain com a mão em sua lombar, quando o salão esvazia até que restem apenas Madam V e alguns funcionários —
Tara ainda está lá.
"Você encontrou o que estava procurando?", pergunta Madam V, acomodando-se na cadeira ao lado dela.
Tara toma um gole de champanhe. Seus olhos de raposa refletem a luz das velas.
"Ainda não", diz ela. "Mas eu vou encontrar."
Madam V sorri. "Eu não tenho dúvidas."









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And just like that the SIRENS call captured me with a grip as stromg as a vice not hurting just holding ❤️❤️
Tara, knows what she wants, and she's not settling until she gets it! 🤔 Great 1st chapter 😍👏