Capítulo 1
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Agora, vamos começar a história!!!
Rowan
A última fileira do ônibus 42 era minha. Sempre foi.
Eu estava com os fones de ouvido pendurados no pescoço, ouvindo o Miller relembrar o jogo da noite passada, quando o ônibus parou bruscamente na esquina da Elm Street. As portas se abriram com um chiado alto e uma garota subiu.
Ela era totalmente nova. Eu conhecia cada rosto nesta cidade e nunca a tinha visto antes.
Ela caminhou pelo corredor como se tentasse se misturar ao piso de vinil rachado, apertando uma mochila de couro gasta contra o peito. Ela tinha cabelos escuros caindo em mechas soltas ao redor do rosto e olhos que pareciam grandes demais para seu corpo pequeno. Quando se aproximou do fundo, percebeu que o único lugar vago era o assento vazio ao meu lado.
Ela congelou por uma fração de segundo e, então, deslizou silenciosamente para o banco, mantendo-se o mais perto possível da janela.
Recostei-me no banco, apoiando o braço na parte de trás da cadeira dela, e deixei um sorriso familiar e descontraído surgir no meu rosto. "Nova por aqui?", perguntei, mantendo a voz calma. "Sou o Rowan. Qual é o seu nome?"
Nada.
Ela não riu. Não corou. Não me deu nem um sorriso tímido ou educado. Em vez disso, a garota nova virou o rosto lentamente. Ela fixou seus olhos nos meus — um olhar tão feroz e cauteloso que me pegou completamente de surpresa — e então, sem dizer uma única palavra, ela voltou a olhar para a janela, me ignorando por completo.
Atrás de nós, Miller soltou uma risada alta e debochada. "Droga, Mercer. Parece que a novata acabou de te dar um fora daqueles."
Meu sorriso sumiu. Apertei o maxilar com tanta força que um músculo saltou na minha bochecha. Fiquei encarando o perfil do rosto dela, observando o subir e descer silencioso e desafiador de seus ombros.
Tudo bem, pensei, uma pontada repentina e afiada de irritação surgindo no meu peito. Você quer bancar a arrogante e silenciosa? Vamos jogar.
O resto dos vinte minutos de viagem até a escola foi pura tortura.
Geralmente, eu ignorava a paisagem passando pela janela, mas hoje, não conseguia tirar os olhos do reflexo dela no vidro. Ela estava sentada rigidamente, com as mãos pequenas ainda apertando as alças da mochila como se fosse um colete salva-vidas. Ela não olhou para o celular. Não se mexeu. Apenas encarava a manhã cinzenta, ignorando totalmente o caos do ônibus ao redor dela.
"Ei, Mercer", Miller se inclinou para frente, jogando um papel de bala amassado no meu ombro. "Você vai deixar ela fazer isso com você? Cara, sua reputação está na lama antes mesmo da primeira aula."
"Cala a boca, Miller", murmurei, sem tirar os olhos do perfil dela.
Ela nem se mexeu com o barulho. Isso era enfurecedor. Eu estava acostumado com as pessoas reagindo a mim — fosse por caras tentando me passar a perna ou garotas tentando chamar minha atenção. Mas essa garota? Ela tratava minha presença como um incômodo leve. Como se eu não fosse nada além de fumaça de escapamento.
Quando o ônibus finalmente parou com um guincho na frente da Ravenwood High, os freios soltaram um chiado ensurdecedor. O corredor foi imediatamente invadido por adolescentes barulhentos, todos ansiosos para sair.
Ela não se moveu. Esperou, mantendo as costas pressionadas contra a janela, deixando a multidão diminuir.
Levantei-me, ficando bem acima dela naquele espaço apertado, e deliberadamente demorei para pegar minha bolsa de ginástica do compartimento superior. Fiz uma pausa bem na frente do assento dela, bloqueando sua saída.
"A gente se vê por aí", disse, baixando a voz para que apenas ela pudesse ouvir, garantindo que tivesse um tom afiado e cheio de promessas. "Aproveite seu primeiro dia."
Ela finalmente olhou para cima. Seus olhos encontraram os meus, escuros e indecifráveis, mas houve um brilho intenso passando por eles antes que ela desviasse o olhar. Sorri, virei as costas e desci do ônibus para o ar fresco da manhã. Ela queria bancar a fria? Tudo bem. Mas a Ravenwood High era meu território, e eu não ia deixar ela esquecer disso.
Daisy
Meu coração batia contra as costelas tão forte que eu tinha certeza de que o garoto sentado ao meu lado podia ouvir.
Subir no ônibus 42 parecia caminhar direto para um pelotão de fuzilamento. Todos estavam olhando, sussurrando, avaliando a novata. Mantive o queixo erguido, agarrando minha mochila como um escudo, e segui para o único assento vago. Bem ao lado de um cara que praticamente irradiava problemas.
Ele estava recostado, totalmente relaxado, vestindo uma jaqueta universitária com um 'R' ousado no peito. Quando me sentei, ele se virou para mim com um sorriso preguiçoso e confiante que me dizia que ele estava acostumado a conseguir exatamente o que queria. "Nova por aqui?", ele perguntou, com a voz suave e alta demais naquele espaço apertado. "Sou o Rowan. Qual é o seu nome?"
O pânico tomou conta da minha garganta. Minhas mãos tremiam contra a bolsa. Meu caderno estava enterrado no fundo da mochila e meu celular estava trancado no bolso. Eu não conseguia simplesmente invocar uma voz para dizer a ele que eu não podia falar.
Então, fiz a única coisa que podia para me proteger. Virei-me, olhei diretamente nos olhos dele com toda a rebeldia feroz que consegui reunir e, então, virei o rosto para encarar a janela.
Ouvi os amigos dele rindo atrás de nós, zombando por ele ter levado um "fora". Pelo reflexo no vidro, pude ver o sorriso dele sumir, substituído por um maxilar tenso e perigoso. Ele estava bravo. Ele achava que eu estava sendo arrogante.
Bom. Deixe que pensem que tenho uma atitude. É muito mais seguro do que deixar que saibam que estou quebrada.
Soltei um fôlego que nem sabia que estava segurando no segundo em que a sombra enorme dele passou pelas portas do ônibus.
Meus pulmões doíam de tanto que eu estava respirando superficialmente. Rowan Mercer era perigoso. Não era apenas a jaqueta universitária ou o jeito que os outros garotos olhavam para ele em busca de aprovação; era a pura intensidade do foco dele. Quando ele olhou para mim, senti como se ele estivesse tentando rasgar uma tela para ver o que estava escondido por baixo.
Esperei até que o ônibus estivesse completamente vazio antes de finalmente me levantar, com os joelhos levemente trêmulos. Colocando a mochila nos ombros, desci os degraus de borracha e entrei no pátio da Ravenwood High.
A escola se erguia à frente — um prédio de tijolos enorme e intimidador que parecia mais uma fortaleza do que um lugar de aprendizado. Centenas de alunos formavam grupos no gramado, rindo, gritando e vivendo em um mundo dominado pelo som. Um mundo do qual eu estava completamente excluída.
Caminhei em direção à entrada principal, mantendo a cabeça baixa, mas podia sentir os olhares sobre mim. Notícias viajam rápido em uma cidade como essa, e eu já sabia sobre o que seriam os sussurros. A novata que ignorou o Rowan Mercer.
Quando cheguei às pesadas portas duplas de vidro, alguém entrou deliberadamente no meu caminho.
Parei bruscamente, meus tênis arranhando o concreto.
Era ele. Rowan estava encostado no pilar de tijolos perto da entrada, cercado por alguns caras do ônibus. Ele tinha um sorriso nos lábios e seus olhos escuros fixos em mim enquanto jogava uma moeda para cima e para baixo na mão. Desta vez, ele não disse nada. Ele apenas me observava, um desafio silencioso claro em sua postura: Vamos ver quanto tempo você consegue manter isso.
Meu peito apertou, mas me recusei a deixá-lo me ver desmoronar. Apertei minhas mãos nas alças da mochila, endireitei os ombros e passei direto por ele, sentindo o ar frio do prédio da escola me envolver por completo.
Eu não tinha voz. Mas tinha meu orgulho, e não ia deixar o Rowan Mercer tirar isso de mim.
Esta história foi um pedido da @Wen yifan, obrigada pela sugestão querida 💖









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