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Noites Emprestadas Livro 1 - Casada com o Pai, Apaixonada pelo Filho

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Resumo

Ela se vendeu a um bilionário para salvar o avô. Todas as noites, ela sonhava com o mesmo homem. Então ela o conheceu. Na sua festa de noivado. Olhos cinzentos que ela pintou inúmeras vezes durante três anos. Brilhantes. Perigosos. Completamente proibidos. Ele é o filho do seu noivo. O homem dos seus sonhos é real.

Status
Completo
Capítulos
21
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: Quem é você?

"Quem é você?"

Ela sussurrou a pergunta na escuridão.

Ele não respondeu. Ou talvez tenha respondido. Talvez seus lábios tenham se movido, talvez as palavras tenham atravessado a distância entre eles.

Ela nunca conseguia ouvi-las. Depois de três anos, ela tinha desistido de tentar.

Mas a mão dele já estava lá — pesada em suas costas, firme. Ele a puxou para perto até que não restasse nenhum espaço. O calor dele queimava através de suas roupas, como se ela não estivesse usando nada.

Ele a segurava como se fosse enlouquecer se a soltasse.

Ela não conseguia ver o rosto dele. Nunca conseguia. Apenas a linha marcada do maxilar. E aqueles olhos.

Cinzas. Profundos.

Olhando para ela com uma certeza feroz e ofuscante. Como se ele já tivesse decidido que o destino deles pertencia um ao outro.

Os lábios dele roçaram sua orelha — escaldantes —

BIP. BIP. BIP.

06:47.

Elara Voss sentou-se rapidamente.

A pele estava quente. O corpo ainda buscava por um calor que não estava lá. O tipo de calor que se dissolveva no momento em que ela abria os olhos. Seu coração batia forte contra as costelas. O quarto estava gelado.

O sonho tinha acabado. Sempre acabava.

Ela olhou para as paredes. Dezenas de desenhos a carvão. O mesmo homem. Sem rosto — ela nunca conseguia acertar o rosto — apenas o maxilar, o ombro e aqueles olhos. Cinzas. Vigilantes. Observando de trinta pedaços de papel como se esperassem que ela voltasse.

Por um segundo fraco e estúpido, ela quis se encolher debaixo dos lençóis e persegui-lo.

Então ela viu o aviso de aluguel atrasado. A dívida com materiais de arte. Vinte e cinco anos, falida e uma pintora que ninguém conhecia.

Fantasmas não pagam aluguel.

Ela abraçou o próprio corpo e forçou os pés a tocarem o chão gelado.

---

Às três da tarde, ela estava no depósito na rua 48, movendo caixas de grãos de café.

"Elara. Você está bem?" Emma, do turno da manhã, enfiou a cabeça pela porta. Olheiras sob os olhos. O mesmo olhar cansado que todos ali tinham.

"Estou bem", mentiu Elara.

"Você está com uma cara horrível."

"Obrigada."

Emma baixou a voz. "Ouvi dizer que o dono vai cortar as horas de novo. Fica esperta."

Então ela foi embora. A porta se fechou. Elara voltou para as caixas.

O celular vibrou. Número do hospital.

Ela se enfiou entre duas prateleiras de metal e atendeu.

"Mais quarenta e sete mil por mês, Srta. Voss." A voz do Dr. Merritt era monótona. Clínica. Sem nenhuma empatia. "O estudo exige um leito particular. Os rins do seu avô estão em falência terminal e a função cardíaca caiu para menos de trinta por cento. Se a inscrição não começar em duas semanas, estamos olhando para uma falência de múltiplos órgãos."

Quarenta e sete mil. Por mês.

A garganta de Elara secou. Ela encostou a cabeça na prateleira de metal. Fria contra sua têmpera.

"Quanto tempo eu tenho?", ela perguntou. Sua voz saiu mais fraca do que queria.

"Para conseguir o dinheiro?" Uma pausa. "Duas semanas. Mas o leito não vai esperar tanto. Se você não confirmar a inscrição até sexta-feira, terei que oferecer a outra pessoa."

Sexta-feira. Quatro dias.

Ela fez as contas na cabeça. Mesmo que vendesse tudo o que tinha — o cavalete, as telas, os móveis usados — não chegaria nem perto.

"Eu vou conseguir", disse ela.

"Srta. Voss, entendo que você está sob pressão, mas —"

"Eu disse que vou conseguir." Ela o interrompeu. "Isso não é problema seu, doutor."

Ela desligou antes que ele pudesse responder. Ficou ali no depósito mal iluminado, o telefone pressionado contra o peito. Contando na cabeça. Quarenta e sete mil. Sexta-feira. Duas semanas.

As caixas de café não iriam a lugar nenhum. A dívida também não.

---

A porta do depósito abriu de novo. Seu gerente entrou, esfregando a nuca, recusando-se a encontrar seu olhar.

"Elara. Precisamos conversar."

Ela já sabia. Já tinha visto aquele olhar antes. No rosto do seu último chefe. E no anterior a esse.

"O movimento tem estado fraco", disse ele. "Sinto muito."

"Quanto tempo de aviso?"

Ele mudou o peso de um pé para o outro. "Efetivo imediatamente."

Ela olhou fixamente para ele. "Estou aqui há dois anos."

"Eu sei." Ele ainda não olhava para ela. "Vou te dar uma referência. É tudo o que posso fazer."

Sem rescisão. Sem aviso. Apenas uma referência e a porta da rua.

Não disse mais nada. Não havia mais nada a dizer.

Ela saiu.

---

Dez minutos depois, Elara sentou nos degraus de concreto gelado do beco dos fundos. O fedor de gordura sufocava seus pulmões. Uma lixeira transbordava a um metro de distância. Alguém tinha derramado pó de café por toda parte. Estava manchando os joelhos de seu jeans.

Ela tentou ligar para o quarto do avô. Nenhuma resposta. Apenas a voz automática: O paciente está descansando. Por favor, ligue mais tarde.

Ela tentou de novo. A mesma coisa.

O telefone escorregou de sua mão e bateu no concreto. Ela não pegou de imediato. Apenas ficou olhando. A tela tinha um novo trinco. Na diagonal, do canto superior esquerdo até o botão de início.

Uma onda de pânico violento e sufocante finalmente rompeu sua dormência. Ela enterrou o rosto nas mãos, o corpo inteiro tremendo. Soluços secos e agonizantes escaparam de sua garganta. Ela pressionou as palmas das mãos contra os olhos — mas os números continuavam girando no escuro.

Quarenta e sete mil por mês. Prazo na sexta-feira. Duas semanas para falência de múltiplos órgãos.

O rosto do avô. A voz dele quando ela tinha oito anos, depois que o policial veio à porta com o chapéu nas mãos. Está tudo bem. Eu estou aqui com você.

Dezessete anos disso.

Ela trabalhou até a exaustão, pulou refeições, viveu como um fantasma na própria vida. E para quê?

O mundo não se importava. O mundo não se importava que seu avô estivesse morrendo.

Nenhuma ajuda vindo. Nenhum milagre. Apenas o concreto frio e um vazio negro e sufocante em todas as direções.

Quando suas mãos finalmente caíram, sua pele estava pálida. Seus olhos estavam fundos. Sua dignidade tinha ido embora. Seu orgulho era uma piada.

Ela pegou o celular. Olhou para a tela trincada. Limpou os restos de café. Respirou fundo, trêmula.

O que o vovô diria?

Ela já sabia. Não se atreva a se vender por mim, menina. Eu te criei melhor que isso.

Mas ele não sabia o quão ruim a situação estava. Ele não sabia que ela já tinha esgotado todas as opções. Não sabia da pilha de currículos rejeitados, do aviso final do proprietário, da conta de luz atrasada há dois meses.

Seu polegar pairou sobre a tela. Ela abriu a conversa.

Victor Ashford.

Cinquenta e sete anos. O patriarca implacável de uma dinastia de trilhões. Ele não apenas sobrevivia aos mercados — ele era dono do chão em que pisavam.

Ele tinha comprado três de suas pinturas. Depois, decidiu que queria comprar ela.

Dois meses atrás: uma proposta. Uma transação, vestida em linguagem polida.

"Preciso de alguém bonito no meu braço em galas, Elara. Alguém para fazer este lugar parecer menos um museu. Em troca, seus problemas desaparecem. Todos eles."

Ela riu quando leu pela primeira vez. Depois percebeu que ele não estava brincando.

Ela sabia a verdade. Quando Victor olhava para ela, ele olhava através dela. Você me lembra alguém que perdi, ele disse uma vez, baixinho, quase para si mesmo. Ele se conteve imediatamente. Mudou de assunto.

Ela não estava sendo escolhida. Estava sendo contratada como um substituto vivo e respirante para um fantasma. Um troféu em uma moldura dourada.

Ela deveria achar isso insuportável.

Ela descobriu que não tinha mais forças para isso.

Seu polegar pairou sobre o campo de resposta. O cursor piscava para ela. Acusador.

E então — ela não conseguiu evitar — sua mente foi para ele. O da parede. Os olhos cinzas que ela desenhava há três anos. As mãos que a encontravam toda noite com uma certeza que ela nunca sentiu de ninguém real.

Um fantasma que só aparecia no escuro. Ou um homem que realmente poderia pagar as contas.

Ela ficou sentada ali por um longo tempo. O beco ficou mais frio. Em algum lugar acima dela, uma janela abriu e alguém gritou em espanhol. Um rádio tocava salsa. Um bebê chorava.

O rosto do avô. A voz dele quando ela tinha oito anos.

Acorde, ela disse a si mesma. Escolha o que é real.

Ela digitou as palavras e pressionou enviar antes que sua coragem falhasse.

Eu aceito.

A tela bloqueou. Ela virou o telefone para baixo no joelho e não olhou mais.

"Por favor, que essa seja a escolha certa", ela sussurrou para ninguém.

O beco não respondeu.

---

Uma semana depois, ela entraria em uma sala onde não pertencia. Cheia de pessoas que nunca tinham olhado para uma etiqueta de preço.

E do outro lado da sala, um homem olharia para cima.

Ela reconheceria os olhos dele antes de qualquer outra coisa.

Cinzas. Calmos. Os exatos olhos que ela vinha desenhando nas paredes há três anos.

Mas ela ainda não sabia disso.

Neste momento, ela era apenas uma garota sentada em um beco, com o rosto ainda molhado, segurando um telefone que tinha virado para baixo — tentando se lembrar de como respirar.

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