TANGIBLE LOVE
HÁ SEIS MESES
APOSENTOS DE VOSS — 22:38
O pau dele já estava duro antes mesmo de ela aparecer na tela.
Isso estava se tornando um problema. Uma constante fisiológica. O corpo dele tinha aprendido o horário—toda noite, no mesmo horário, no mesmo servidor criptografado, a mesma mulher de máscara que o chamava de seu Newton e fazia as orelhas dele ficarem de cores que não existem na natureza.
Ele não sabia o nome real dela. Não sabia onde ela morava. Não sabia nada sobre ela, exceto que ela era brilhante e linda, que dançava para ele todas as noites e que se recusava a aceitar o dinheiro dele.
A luz piscou em verde.
Hypatia24 está online.
Ela estava de vermelho hoje à noite. Carmesim. Um vestido feito de algo fino e sedoso que se moldava a cada curva. A máscara combinava—rubis e granadas emoldurando aqueles enormes olhos castanhos. O cabelo era preto, uma cascata de tinta sobre os ombros nus.
“Olá, meu Newton.”
O pau dele latejou contra o zíper. “Olá.”
“Você está sem camisa. Bom. Eu gosto quando você está sem camisa.” Ela se ajeitou na cadeira, cruzando aquelas pernas longas. O vestido subiu pelas coxas. “Como foi o seu dia?”
“Operacionalmente adequado.”
“Isso é código para entediante.”
“Isso é código para ‘passei quatorze horas reestruturando empresas de fachada e meus olhos estão cansados’.”
“Então não leia. Apenas observe.” Ela se levantou. O vestido girou ao redor dos tornozelos. “Tenho trabalhado em algo novo. Uma dança. Quero que você veja.”
“Eu sempre quero ver você.”
“Essa é a coisa mais legal que você disse o dia todo.”
“É uma declaração de fatos.”
“É um elogio. Aceite.”
Ela se moveu.
Não havia música—ou pelo menos não música que ele pudesse ouvir. Apenas o corpo dela, lento e hipnótico, os quadris girando, os braços fluindo, a coluna curvando-se de maneiras que faziam a garganta dele fechar. Ela dançava como se estivesse tocando alguém. Como se estivesse tocando a ele. As mãos dela percorriam a própria garganta, os seios, os quadris, e ele sentia como se ela estivesse no quarto.
“Porra,” ele sussurrou.
Ela sorriu. “Você nunca diz porra.”
“Você nunca dança desse jeito.”
“Tenho praticado.” Ela se virou, de costas para a câmera, e deslizou o vestido de um ombro. Depois do outro. A seda vermelha se acumulou aos pés dela.
Ela não usava nada por baixo.
A mão dele já estava no pau antes mesmo de perceber que tinha aberto o zíper da calça. Ela se virou de frente para ele—nua, completamente nua, o corpo curvilíneo, macio e dourado sob a luz fraca do quarto cinza. A cintura era pequena. Os quadris eram fartos. O triângulo escuro de pelos entre as coxas fazia a boca dele salivar.
“Você está encarando,” ela disse.
“Você está nua.”
“Notei.” Ela sentou-se novamente, cruzando as pernas, os braços apoiados no encosto da cadeira como se não estivesse completamente exposta. “Você está se tocando?”
“Sim.”
“Bom. Quero que faça isso.”
Ele se acariciou lentamente, com os olhos fixos na tela. Ela o observava observá-la. O silêncio se estendeu entre eles—não era desconfortável, mas carregado, elétrico, o tipo de silêncio que significava que ambos estavam fazendo a mesma coisa.
“Abra as pernas,” ele disse. As palavras saíram rudes. Incomuns. Ele nunca tinha dito nada parecido antes.
Ela as abriu.
Ela estava molhada. Reluzente. Os dedos dela encontraram o clitóris e começaram um círculo lento e provocante. A cabeça dela tombou para trás. O gemido foi suave e ofegante.
“Mais rápido,” ele disse.
Ela foi mais rápido.
“Mais devagar.”
Ela foi mais devagar.
Ele não sabia por que estava dizendo essas coisas. Não sabia de onde as palavras estavam vindo. Ele só sabia que queria observá-la, queria vê-la perder o controle, queria ser o motivo de ela gozar.
“Estou perto,” ela arfou. “Isaac—estou perto—”
“Goza. Agora.”
Ela explodiu. As costas se arquearam, a boca se abriu, o prazer jorrou sobre os dedos dela. Ele assistiu a cada segundo, a mão batendo no pau, os testículos se contraindo—
Ele gozou com um gemido, espalhando-se sobre a barriga, o peito, a mesa. A visão dele ficou embaçada. Os ouvidos rugiram.
Por um longo momento, houve apenas a respiração. A dele. A dela. O zumbido estático da conexão do servidor.
“Puta merda,” ela suspirou.
“Esse é—um resumo preciso.”
“Acho que desmaiei por um segundo.”
“Isso é uma resposta vasovagal.”
“Você acabou de diagnosticar o meu orgasmo?”
“É um fenômeno médico.”
“Você é um fenômeno médico.” Ela puxou os joelhos, abraçou-os com os braços, com um sorriso bobo e satisfeito. “Mesmo horário amanhã?”
“Mesmo horário amanhã.”
“Adeus, meu Newton.”
“Adeus, Hypatia.”
Ela desconectou.
Voss sentou-se no escuro, coberto pelo próprio sêmen, o coração disparado, a mente a mil. Ele se limpou. Tomou banho. Vestiu-se. Recuperou a compostura, voltando a ser o tesoureiro de colete de lã cinza, camisa branca e estatisticamente preciso que o clube esperava que ele fosse.
Ele não entendia o que estava acontecendo. Nunca tinha sentido isso antes. Nunca tinha desejado isso antes. Ele era um homem de controle, de sistemas, de variáveis que se comportavam—e essa mulher, essa mulher impossível, brilhante e caótica, o tinha reduzido a algo desesperado, dolorido e completamente desconhecido.
Ele não sabia como chamar aquilo.
Ele só sabia que estaria de volta amanhã.
Então ele saiu dos aposentos.
A sala de convivência na sede dos Sons of Ash tinha sido preparada para crianças.
Voss encarou um protetor de quina de plástico na mesa de centro e sentiu algo profundamente errado em seu peito. Não o errado familiar de traumas não processados ou inaptidão social—ele tinha planilhas para isso—mas o erro específico de ver a sede de um motoclube se transformar em uma creche.
“Por que,” ele disse de forma monótona, “tem uma caixa de suco no armário de armas?”
Luna olhou para cima, de onde estava desmontando sistematicamente o cubo mágico dele. “Porque homens maus não podem tomar suco. É a regra.”
“Isso não é uma regra.”
“Eu criei a regra. Eu sou a princesa.”
Voss abriu a boca. Fechou. As pontas das orelhas ficaram cor-de-rosa.
Do outro lado da sala, Tank segurava seu filho bebê, Alexander, à distância, como se fosse uma bomba prestes a detonar. O bebê estava gritando. O rosto de Tank era granito esculpido em pânico.
“Ele não gosta de mim,” Tank disse.
“Ele tem três meses,” Rose disse, sem tirar os olhos do celular. “Ele não gosta de estar vivo.”
“Você disse que ele gostou de mim semana passada.”
“Aquilo eram gases. Você estava quente.”
“Rose.”
“Terrence.”
Luna puxou a manga de Voss. “Princesa de Salto, por que o Alexander está chorando?”
Voss massageou a ponte do nariz. “É provavelmente o complexo de Édipo. Ansiedade de castração. Ele percebe o pai como um rival pela atenção e recursos da mãe.”
A sala ficou em silêncio.
Tank franziu a testa. “Que porra é um Édipo?”
“Freud. Desenvolvimento psicossexual. Seu filho tem ciúmes de você. Ele acredita que você vai acasalar com Rose e gerar descendentes concorrentes. Está no livro.”
“Que porra de livro.”
“O livro. Aquele que tem páginas.”
“Voss.”
“Posso enviar o PDF.”
Tank olhou para Rose. Rose olhou para o teto. Alexander gritou mais alto.
“Voss,” Tank disse, muito lentamente, com um assassinato à espreita nos limites de sua calma, “você está me dizendo que meu filho bebê quer—transar com a mãe dele?”
“Não. Isso é uma simplificação grosseira. Ele quer eliminá-lo e possuí-la. É algo do desenvolvimento. A maioria das crianças supera isso.”
Sydney apareceu ao lado de Voss, jogando um braço pesado sobre os ombros dele. “Cara. Cara. Para de falar. Agora mesmo, porra. Para a segurança de todo mundo.”
“Estou fornecendo contexto psicanalítico relevante—”
“Você está dizendo a um homem de cento e quarenta quilos que o bebê dele quer matá-lo. Isso não é contexto. Isso é um elogio fúnebre, caralho.”
Do outro lado da sala, Grimm não tirou os olhos de onde Rain estava encolhida ao lado dele, lendo. “Mas ele não está errado.”
“FLOR DE LARANJEIRA,” Luna gritou, abandonando o cubo mágico. “FLOR DE LARANJEIRA, EU FIZ UM DESENHO PARA VOCÊ!”
Grimm a segurou quando ela se lançou contra o peito dele. O desenho era um boneco de palito roxo com cabelo vermelho e o que pareciam ser asas de borboleta. “É você,” Luna explicou. “Você está voando. Porque você é uma princesa.”
“Eu sou um homem adulto.”
“Você é um homem adulto princesa. Aceite.”
Grimm olhou para Rain. Os olhos de Rain brilhavam. “Aceite,” ela disse.
Um segundo de pausa. “Eu aceito.”
“Ótimo”, disse Luna. “Agora, onde está o meu suco?”
Hound estava no chão, sendo usado como móvel novamente. Tara estava sentada em suas costas, discutindo a disposição dos assentos do casamento com Scarlett. O rosto de Hound estava esmagado contra o tapete. “Eu não consigo respirar.”
“Você não precisa respirar. Você precisa decidir entre o salmão e a carne bovina.”
“Os dois.”
“Você não pode escolher os dois.”
“Eu tenho o tamanho de uma maldita geladeira. Eu posso ter os dois.”
Scarlett, radiante com seu brilho de recém-casada — três meses de casada e ainda insuportável — batia com a caneta em sua agenda. “Axle teve os dois no nosso casamento.”
“Porque eu sou o Presidente”, disse Axle de sua cadeira, sem desviar os olhos do celular.
“Você é o Presidente porque ameaçou incendiar o restaurante se eles não te dessem os dois”, disse Scarlett.
“Isso se chama negociação.”
“Isso se chama incêndio criminoso com passos extras.”
Os lábios de Axle tremeram. “Mesma coisa.”
Sydney apertou o ombro de Voss, ainda sem soltá-lo. “Viu? Olha para eles. Casados. Estabelecidos. Scarlett já está com aquele brilho — aposto cinquenta libras que ela anuncia um bebê até o Natal. Grimm e Rain não conseguem tirar as mãos um do outro. Hound vai casar em dois meses. Tank já tem dois filhos. Sobramos eu, você, Raze e Doc. A balança está equilibrada. Quatro solteiros contra quatro casais.”
“Eu não sou solteiro”, disse Raze do canto, desenhando algo em um caderno.
“Você é literalmente não casado.”
“Sou casado com a minha arte.”
“Essa é a coisa mais triste pra caralho que eu já ouvi.”
“Você chorou em um comercial de cachorro ontem.”
“O cachorro estava PERDIDO, Raze. Ele não conseguia encontrar o caminho de CASA.”
Doc levantou a cabeça de onde estava reabastecendo um kit médico. “Eu não sou solteiro. Eu sou emocionalmente indisponível. Existe uma diferença.”
“Na verdade, não existe”, disse Sydney.
“Na verdade, não existe”, concordou Scarlett.
Voss se mexeu sob o braço de Sydney. “Com licença.”
“O quê?”
“Não é como se você estivesse saindo com alguém. Além disso, você gosta de ficar sozinho.” Sydney apontou para ele. “Você é nosso solteiro eterno. Nossa constante. Nossa estrela polar emocional da solidão.”
Um músculo no maxilar de Voss tremeu.
Sua mente o traiu imediatamente.
Olhos castanhos. Escuros, enormes, observando através de uma máscara cravejada de joias. Cabelo preto que caía em ondas sobre ombros nus. Uma voz como fumaça e pecado chamando-o demy Newtoncomo se ela tivesse inventado o apelido só para ver as orelhas dele ficarem vermelhas.
Seu pau latejou.
Ele era um homem adulto. Um profissional. O tesoureiro do Sons of Ash Motorcycle Club. Ele tinha contas no exterior em sete países e um convite permanente para um servidor privado onde uma mulher que se autodenominava Hypatia24 dançava para ele, chamava-o de lindo e se recusava a aceitar seu dinheiro mesmo quando ele...
“Eu preciso de uma pausa”, disse ele.
“Você está aqui há vinte minutos.”
“Eu preciso de uma pausa maior.”
Ele se soltou do aperto de Sydney, pegou seu laptop e caminhou para seus aposentos sem olhar para trás.
CLUBE SONS OF ASH — NA MANHÃ SEGUINTE
Voss saiu de seus aposentos às 6:47 da manhã.
Ele estava banhado. Vestido. Composto. Seu colete de lã era cinza. Sua camisa era branca. Ele dormiu cerca de duas horas e se sentia totalmente funcional.
A sala comum já era um caos.
Scarlett estava no sofá com uma xícara de chá, com os pés no colo de Axle. “Você parece diferente”, disse ela quando Voss entrou.
“Eu não pareço diferente. Eu pareço o mesmo.”
“Você parece que transou.”
“Eu não transei.”
“Você parece que transou nos seus sonhos.”
“Eu não sonho.”
“Todo mundo sonha, Voss. É uma função biológica.”
“Minhas funções biológicas não são da sua conta.”
Axle desviou o olhar do celular. “Você está na defensiva. Você nunca fica na defensiva. Quem é ela?”
“Não existe nenhuma ela.”
“Definitivamente existe uma ela”, disse Hound, entrando com Tara debaixo do braço como se ela fosse uma bola de rúgbi. “Suas orelhas estão fazendo aquela coisa.”
“Minhas orelhas não fazem coisa nenhuma.”
“Elas estão fazendo agora”, disse Tara. “A coisa vermelha. A coisa de ‘estou escondendo algo’.”
“Não estou escondendo nada. Estou parado na sala comum bebendo café.”
“Você não está bebendo café”, apontou Rain de onde estava encolhida no colo de Grimm. “Você está segurando uma caneca vazia.”
Voss olhou para baixo. A caneca estava vazia.
Ele tinha esquecido de colocar café.
Ele nunca tinha esquecido de colocar café em toda a sua vida adulta.
“Porra”, disse ele.
A sala explodiu.
“ELE DISSE PORRA!” Sydney saltou sobre o encosto do sofá. “VOSS DISSE PORRA! ALGUÉM ESCREVA ISSO! COLOQUEM A DATA! COLOQUEM O HORÁRIO!”
“Ela é real”, disse Grimm, seus olhos claros brilhando. “Ela é real e o deixou tão bagunçado que ele esqueceu o ritual de cafeína.”
“Eu não tenho um ritual de cafeína.”
“Você tem um protocolo de cafeína de sete passos que você descreveu em uma apresentação de PowerPoint no ano passado”, disse Doc. “Eu ainda tenho os slides.”
“Aquilo era para eficiência operacional.”
“Aquilo era para o seu vício em cafeína.”
“Não é um vício. É uma dependência.”
“Essa é a definição de vício”, disse Raze do seu canto, sem tirar os olhos do caderno de esboços. “Estou citando sua própria apresentação de volta para você. Slide quatro. ‘As Bases Neuroquímicas do Consumo Habitual de Estimulantes’.”
As orelhas de Voss mudaram de rosa para um vermelho intenso.
Knuckles, que estava em silêncio todo esse tempo, levantou a mão como se estivesse em uma sala de aula. “Eu só quero dizer que estou feliz por você, Voss. Seja quem for ela. Você merece ser feliz.”
“Eu não estou feliz. Estou irritado.”
“Esse é o jeito dele de ficar feliz”, disse Sydney. “É o mais próximo que ele chega.”
Voss girou nos calcanhares e caminhou até a cafeteira. Ele encheu uma caneca. Bebeu em três goles. Encheu outra.
Atrás dele, a aposta já tinha começado.
“Cinquenta que ela é uma hacker”, disse Sydney.
“Cem que ela é uma bibliotecária”, contra-argumentou Hound. “Ele gosta de ordem.”
“Uma bibliotecária não o faria esquecer o café”, disse Tara. “Eu vou de dominatrix. Olhem para ele. Ele é um submisso.”
“Eu NÃO sou submisso”, disse Voss sem se virar.
“As orelhas dizem o contrário, querido.”
Voss bebeu seu segundo café. Seu celular vibrou no bolso. Ele o pegou.
Hypatia24 (Servidor Privado):Você tentou a minha ideia?
Seus polegares se moveram antes que seu cérebro pudesse pará-los.
Voss:Sim. Funcionou. A conta está limpa.
Hypatia24:Eu te avisei. Eu sou um gênio.
Voss:Você é uma anomalia.
Hypatia24:Essa é a coisa mais legal que você já me disse. Estou corando.
Voss:Você não está corando. Você não cora.
Hypatia24:Você não sabe disso. Você não pode me ver agora.
Voss:Você está corando?
Hypatia24:Não adoraria saber, meu Newton.
Voss:Sim. Adoraria.
Uma pausa. Três pontos. Então:
Hypatia24:Estou corando. Minhas bochechas estão rosa. Meu peito está rosa. Estou pensando em você me chamando de linda ontem à noite e não parei de pensar nisso por oito horas.
Voss encarou seu celular.
Suas orelhas estavam tão vermelhas que praticamente brilhavam.
“O que tem no seu celular?”, perguntou Sydney, de repente atrás dele.
Voss enfiou o celular no bolso. “Nada.”
“Suas orelhas estão roxas.”
“Elas não estão roxas. Roxo não é uma cor fisiológica de orelha.”
“Elas estão em uma cor que não existe na natureza. Você inventou um novo tom de vermelho. Os cientistas vão batizar com o seu nome.” Sydney agarrou seus ombros. “Quem é ela? Qual o nome dela? Ela é real ou é uma planilha?”
“Ela não é uma planilha.”
“AHA! ELA! CONFIRMADO!”
A sala comum mergulhou no caos.
Voss estava no meio de tudo, a mão ainda no bolso, os dedos envoltos no celular, e pensou em olhos castanhos e cabelo preto e uma voz que o chamava de lindo.
Ele estava em apuros.
Ele estava em apuros pra caralho.
E pela primeira vez na vida, ele não queria calcular um jeito de sair disso.









Ooooh, my sweet, brilliant Voss! I can't wait to see you get completely charmed by the female version of yourself haha. This is going to be so much fun to read! ❤️ P.S Looks like Voss has a mischievous side in the bedroom 😈🔥
Am I crazy or has the slang and currency changed all of a sudden?
I am so so so hooked