Capítulo 1 — O Ianque na Poeira
Afeganistão, 2013
Róisín Kavanagh tinha vinte e três anos, três horas de sono, duas xícaras de café e puro rancor correndo nas veias. Na opinião dela, esse era o estado operacional ideal.
"Você está encarando o horizonte de novo", Mac observou.
Roe não desviou os olhos da limpeza de seu fuzil. "Estou analisando minhas opções."
"É mesmo? Quais opções?"
Ela finalmente ergueu a cabeça. "Se devo cometer um assassinato antes ou depois do café da manhã."
Mac bufou dentro de sua caneca. Ao redor deles, Camp Bastion despertava entre fumaça de diesel, poeira, barulho de rádio e o tilintar pesado dos equipamentos. A manhã afegã já estava quente o suficiente para fazer o metal queimar. Do outro lado do estacionamento dos veículos, um comboio havia chegado durante a noite. Americanos. O que explicava o barulho.
A primeira coisa que Roe notou foi o volume. A segunda foi um soldado específico encostado em um veículo. Alto. Ombros largos. Cabelo loiro escuro. Olhos azuis. Pele bronzeada pelo sol. Um sorriso que a irritou imediatamente.
"Quem é aquele?", ela perguntou.
Mac seguiu o olhar dela. "Ah. Isso é um problema."
"Por quê?"
"Porque ele está olhando para você."
O americano estava, de fato, olhando para ela. Quando seus olhos se encontraram, ele sorriu. Roe encarou de volta até o sorriso dele vacilar.
"Cristo, Kavanagh", disse Mac. "Você olhou para ele como se tivesse encontrado um rato morto no seu café da manhã."
"Talvez eu tenha."
O americano se desencostou do veículo e caminhou em direção a eles com a confiança relaxada de um homem confortável demais com a própria pele. Homens tão confortáveis costumavam ser idiotas ou oficiais. Às vezes, os dois.
"Bom dia", ele disse. Definitivamente americano. Possivelmente do Texas. Ele tinha um tom de voz que lembrava sol e decisões erradas. "Caleb Walker."
Ele ofereceu a mão. Roe olhou para a mão dele, depois para o rosto dele, e tomou outro gole de café. A mão dele permaneceu suspensa, sem jeito, no ar. Mac quase engasgou.
Caleb baixou a mão lentamente. "Turma amigável."
"Nós somos britânicos."
"Isso explica muita coisa."
"Explica?"
"Não."
"Então para de falar."
O sorriso dele aumentou, o que era profundamente preocupante. "O Capitão Harris disse que fui designado para a sua equipe."
Claro que ele foi. Porque Deus a odiava.
O briefing durou uma hora. Roe sentou-se ao lado de Mac perto do fundo, enquanto Caleb sentou com o contingente americano. Duas vezes ela o pegou olhando. Duas vezes ela o encarou até ele desviar o olhar. Na terceira vez, ele sorriu. Roe odiou aquele sorriso, principalmente porque estava começando a suspeitar que, na verdade, não odiava.
A patrulha do dia saiu duas horas depois. Infelizmente, Roe descobriu que compartilharia o veículo com Caleb. O interior já estava quente o suficiente para cozinhar comida. Mac sentou-se do lado oposto. Caleb acabou ficando ao lado de Roe, perto demais. Ela conseguia sentir o calor que emanava dele.
"Confortável?", ele perguntou.
"Não."
"Bom."
Aquilo arrancou uma risada dela. Pequena. Curta. Desapareceu imediatamente. Caleb parecia absurdamente satisfeito consigo mesmo. Mac viu tudo; o olhar presunçoso em seu rosto prometia constrangimento futuro.
O comboio seguiu para as montanhas áridas, areia sem fim e assentamentos que se agarravam teimosamente à existência. Caleb falava demais. Sorria demais. E, apesar de seus melhores esforços, Roe se pegava checando onde ele estava sempre que ele saía de vista. Não porque estava interessada. Não porque gostava dele. Era porque ela era responsável por todos na patrulha.
Era só isso.
Infelizmente, Róisín Kavanagh nunca foi muito boa em mentir para si mesma. Em algum lugar lá no fundo, ela já sabia que o americano bonito ia se tornar um problema. A parte realmente irritante era que ela suspeitava que ia deixar isso acontecer.









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