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Resumo

Por doze anos, Charlotte Austin esteve perdida. Agora, aos dezoito, ela finalmente foi encontrada. Ao retornar para uma família da qual mal se lembra, Charlotte luta para se ajustar a um mundo que seguiu em frente sem ela. Traumatizada e emocionalmente presa ao passado, ela encontra conforto apenas em sua ovelha de pelúcia e na paciência daqueles determinados a ajudá-la a cicatrizar. Enquanto sua família luta para se reconectar, uma amizade gentil, um jovem de bom coração e uma cidade aprendendo a recebê-la de volta mostram a Charlotte que a cura é possível. Mas, para seguir em frente de verdade, ela precisa encarar as sombras de sua infância roubada e aprender que ser encontrada é apenas o começo. Será que Charlotte conseguirá finalmente deixar o passado para trás e encontrar o caminho de volta para si mesma?

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
5.0 (1 avaliação)
Classificação Etária
13+

Capítulo 1 - A Garota na Floresta

A névoa se agarrava às árvores como um manto, transformando a floresta densa nos arredores de Willow Creek em algo saído de um sonho quase esquecido. Já era fim de tarde, mas o sol havia se rendido, filtrado em uma luz fraca e pálida que mal penetrava a espessa copa de pinheiros e carvalhos. O ar estava úmido e pesado, carregando o cheiro forte de terra molhada, folhas em decomposição e algo levemente metálico que fez a pele do policial Robert Lambert arrepiar.

Robert apertou um pouco mais o volante da viatura enquanto eles sacolejavam pela trilha de terra estreita e coberta de vegetação. Aos quarenta e dois anos, ele já tinha visto sua cota de ocorrências estranhas naquela cidadezinha — adolescentes dando festas em celeiros abandonados, caçadores invadindo propriedades privadas, o laboratório de metanfetamina ocasional escondido nas colinas. Mas aquela denúncia parecia diferente. Anônima. Insistente. Uma voz feminina na linha de emergência alegando ter visto “uma garota fantasma” perto da cabana de um velho caçador que deveria estar vazia há anos.

“Provavelmente não é nada”, disse seu parceiro, David Carter, do banco do passageiro. David era mais jovem, trinta e um anos, com a confiança tranquila de alguém que ainda acreditava que a maioria das chamadas terminava em papelada, e não em pesadelos. Ele verificou a espingarda montada entre eles, mais por hábito do que por necessidade. “Crianças brincando ou algum invasor. Vamos verificar e tomar um café no caminho de volta.”

Robert não respondeu de imediato. Seu olhar permaneceu fixo no caminho sinuoso à frente. Ele tinha uma filha em casa — Emily, quinze anos, com seu sorriso gentil e atrasos no desenvolvimento que tornavam o mundo, para ela, ao mesmo tempo mais suave e mais intenso. Algo naquela ligação despertava o mesmo instinto protetor que ele sentia por Emily. “Denúncias anônimas nestas matas raramente não significam nada”, ele finalmente murmurou. “Da última vez que ignoramos uma, encontramos aquele garoto que estava desaparecido há três dias.”

David assentiu, seu sorriso de costume desaparecendo. O carro solavancou sobre um galho caído, e ambos ficaram em silêncio quando a cabana surgiu no campo de visão.

Era uma estrutura lastimável — madeira gasta, escura pelo tempo e pela umidade, meio engolida por heras e mato. O telhado curvava-se como ombros cansados. Uma janela estava tapada com tábuas; a outra estava rachada, uma teia de fraturas capturando a pouca luz que restava. Sem fumaça saindo da chaminé. Nenhum veículo estacionado lá fora. Apenas silêncio, interrompido apenas pelo coaxar distante de um corvo e o leve tamborilar da névoa condensando nas folhas.

Eles estacionaram a vinte metros de distância, com os motores desligados. Robert pegou sua lanterna e verificou o rádio. “Central, aqui é Lambert. Estamos na cabana no prolongamento da Old Mill Road. Seguindo a pé para verificar a denúncia.”

“Recebido”, veio a resposta chiada. “Reforço a caminho, se necessário. Mantenham-se em segurança.”

Os dois policiais avançaram com cautela, as botas afundando no solo macio da floresta. David tomou o flanco esquerdo, Robert o direito. Suas lanternas cortavam feixes brilhantes através do crepúsculo que caía. O ar ficava mais frio à medida que se aproximavam, como se a própria floresta estivesse prendendo a respiração.

Robert se aproximou da porta primeiro. Ela estava ligeiramente entreaberta, as dobradiças gemendo em protesto enquanto ele a empurrava com a bota. “Polícia de Willow Creek”, ele chamou, com a voz firme e autoritária. “Tem alguém aí? Saiam devagar.”

Sem resposta.

Ele entrou, varrendo o feixe de luz pelo cômodo único. O interior era esparso e imundo. Uma mesa bamba. Um colchão manchado no chão. Latas de comida empilhadas em um canto, algumas com anos de validade vencida. Mas foi o canto mais distante que fez seu coração falhar.

Uma garota — não, uma jovem mulher — estava encolhida ali, com os joelhos contra o peito, os braços envoltos com força em algo macio e cinza. Seu cabelo era longo, embaraçado e emaranhado, caindo como uma cortina suja sobre o rosto. Ela usava o que parecia ser a camisa masculina de tamanho grande e calças puídas, ambas muito maiores para sua estrutura franzina. Seus pés descalços estavam imundos, os dedos curvados contra o piso de madeira, como se tentassem desaparecer nele. Mesmo sob a luz fraca, Robert conseguia ver o quanto ela estava dolorosamente magra — maçãs do rosto afiadas, pulsos frágeis, pele pálida, exceto pela sujeira e por hematomas antigos.

Ela não olhou para cima. Apenas balançava levemente, abraçando o objeto em seus braços com mais força. Um bicho de pelúcia. Uma ovelha, Robert percebeu, com a lã gasta até o tecido em alguns lugares e uma orelha pendurada por um fio.

David soltou um suspiro baixo atrás dele. “Jesus Cristo…”

“Calma”, Robert disse suavemente, abaixando a lanterna para não cegá-la. Ele guardou a arma e levantou ambas as mãos, com as palmas voltadas para fora. “Somos policiais. Não estamos aqui para machucar você. Pode nos dizer seu nome?”

A jovem estremeceu ao som da voz dele. Seus ombros se curvaram ainda mais para dentro, e um som pequeno e choroso escapou de seus lábios — o tipo de ruído que uma criança assustada faria. Ela pressionou o rosto contra o corpo da ovelha de pelúcia.

O peito de Robert apertou. Ele já tinha atendido a chamados domésticos, acidentes de carro, até algumas cenas de overdose, mas aquilo parecia diferente. Aquilo parecia ter encontrado algo quebrado que o mundo havia esquecido. Ele se agachou lentamente, mantendo distância, até ficar ao nível dos olhos dela, a alguns metros de distância.

“Meu nome é Robert”, ele disse, com a voz gentil, o mesmo tom que usava com Emily quando ela ficava sobrecarregada. “Este é meu parceiro David. Recebemos uma ligação de que alguém poderia precisar de ajuda por aqui. Você está ferida? Precisa de atendimento médico?”

Por um longo momento, houve apenas o silêncio, interrompido por sua respiração curta. Então, bem lentamente, ela levantou a cabeça o suficiente para que as mechas de cabelo embaraçado se separassem. Seus olhos eram grandes, enormes, um avelã marcante que parecia jovem demais para o rosto dela. Eles disparavam entre os dois policiais como um animal encurralado avaliando rotas de fuga.

David permaneceu perto da porta, dando-lhe espaço, mas Robert podia ouvi-lo chamando baixinho uma ambulância e reforços pelo rádio. Bom. Ela precisava de mais ajuda do que eles poderiam oferecer naquela cabana esquecida por Deus.

“Eu… eu não sei”, ela sussurrou finalmente. Sua voz estava rouca, mal audível, como se não a tivesse usado há muito tempo. “Não… não me levem de volta.”

O estômago de Robert afundou. “De volta para onde, querida? Não vamos levar você a lugar nenhum onde você não queira ir. Só queremos garantir que você esteja segura.”

Ela balançou a cabeça violentamente, agarrando a ovelha com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. Lágrimas brotaram em seus olhos, mas não caíram. “Ela disse… ela disse que eles parariam de procurar. Mas eles nunca fazem isso. Eles nunca param.”

David trocou um olhar com Robert. O rosto do policial mais jovem estava pálido. “Precisamos verificar se há uma identidade ou algo assim”, ele murmurou baixinho.

Robert assentiu, mas não se aproximou. “Posso te mostrar uma coisa? É uma foto. Talvez você a reconheça.”

Ele alcançou o bolso muito lentamente e tirou o celular. Anos na força o ensinaram a manter alertas de pessoas desaparecidas à mão, especialmente em áreas rurais onde casos antigos permaneciam. Ele rolou até encontrar uma das atualizações mais recentes do Amber Alert para a região. A foto era antiga — uma criança sorridente de seis anos com maria-chiquinhas e um dente da frente faltando — mas os olhos eram inconfundíveis.

Ele virou a tela para ela, mantendo a distância.

A reação foi imediata. A respiração da jovem falhou. Seus olhos se fixaram na imagem, arregalando-se com algo entre o terror e o reconhecimento. Seus lábios se moveram sem emitir som por vários segundos antes que uma única palavra escapasse, quebrada e frágil.

“Charlotte.”

O coração de Robert martelou. “Esse é o seu nome? Charlotte?”

Ela assentiu uma vez, depois duas, mais freneticamente. “Charlotte Austin. Eu acho… eu acho que sou eu. Ela me chamava de outra coisa, mas… mas às vezes eu lembro.”

David deu um passo à frente, com a voz cautelosa. “Austin? Como os Austin de Willow Creek? Richard e Caroline?”

A cabeça dela girou em direção a ele. Pela primeira vez, uma centelha de algo parecido com esperança brilhou naqueles olhos assombrados. “Mamãe… Papai?”

Robert engoliu em seco. Ele estava na força policial quando Charlotte Austin desapareceu doze anos atrás. O caso assombrou a cidade inteira — cartazes por toda parte, vigílias à luz de velas, o rosto banhado em lágrimas de Caroline Austin nos noticiários locais por meses. A maioria das pessoas acabou aceitando o pior. Mas não a família. Nunca a família.

“Sim”, Robert disse suavemente. “Nós vamos ligar para eles, tudo bem? Mas antes, precisamos tirar você daqui e levá-la a um hospital. Você está segura agora. Eu prometo.”

Ela começou a balançar novamente, mas desta vez ela avançou apenas uma fração. Quando Robert estendeu a mão — lentamente, com a palma para cima — ela encarou por uma eternidade. Então, com uma confiança que parecia custar tudo o que ela tinha, ela estendeu a mão e a agarrou. Seus dedos estavam gelados e trêmulos.

Enquanto ele a ajudava a se levantar, ela cambaleou, as pernas fracas pelo desuso e pela desnutrição. Robert a segurou gentilmente e, de repente, ela estava agarrada à frente da jaqueta de seu uniforme com uma força surpreendente, o rosto enterrado contra o peito dele, a ovelha de pelúcia presa entre os dois.

“Não deixe ela voltar”, ela sussurrou contra o tecido, com a voz abafada e desesperada. “Por favor. Ela sempre volta nos meus sonhos.”

Robert envolveu os ombros dela com um braço, cuidadoso para não apertar muito. “Ela não vai voltar. Não enquanto eu estiver aqui. Você vai para casa, Charlotte.”

David falou baixinho no rádio, a voz carregada de emoção. “Central, temos uma pessoa desaparecida confirmada. Charlotte Austin. Ela está viva. Repito — Charlotte Austin está viva. Precisamos de atendimento médico e de uma equipe de apoio completa aqui agora.”

A floresta parecia prender a respiração enquanto as palavras ecoavam. Lá fora, a névoa girava mais espessa, como se a floresta estivesse relutante em libertar a garota que havia escondido por tanto tempo.

Charlotte não soltou a jaqueta de Robert durante todo o tempo em que esperaram pela ambulância. Ela mal falou de novo, mas a cada poucos minutos sussurrava algo para sua ovelha — “O Sr. Fluff diz que está tudo bem” ou “Nós vamos para casa, né?” — com uma voz tão infantil que fez os olhos de Robert arderem.

Quando os paramédicos finalmente chegaram, com as luzes piscando através das árvores como faróis de esperança, Charlotte entrou em pânico com os rostos novos. Ela se pressionou com mais força contra o lado de Robert, tremendo.

“Está tudo bem”, ele murmurou, acariciando o cabelo embaraçado dela uma vez, do jeito que fazia com Emily. “Essas são boas pessoas. Elas vão ajudar você a se sentir melhor. Eu vou com você se quiser.”

Ela assentiu contra ele.

Enquanto a colocavam na ambulância, enrolada em cobertores e ainda agarrada à sua ovelha de pelúcia gasta, Robert subiu ao lado dela. David seguiu na viatura. Pela pequena janela, Robert observou a cabana desaparecer na névoa, uma mancha escura na paisagem que finalmente havia revelado seu segredo.

No hospital, horas depois, após exames de sangue, avaliações e garantias silenciosas dos médicos, Robert ficou até que os resultados do DNA saíssem. Compatibilidade positiva. Charlotte Austin — dada como morta por tantos — estava viva.

Ele saiu da sala de exame para fazer a ligação que nunca pensou que faria em sua carreira. O número de Caroline Austin ainda estava nos arquivos de casos arquivados do departamento.

O telefone tocou duas vezes antes que uma voz cansada, mas familiar, atendesse.

“Sra. Austin? Aqui é o policial Robert Lambert do Departamento de Polícia de Willow Creek...”

Dentro do quarto, Charlotte Austin sentou-se na beira da cama do hospital, com as pernas balançando, olhando para as luzes fortes e as máquinas apitando com olhos arregalados e assustados. Ela abraçou o Sr. Fluff com força contra o peito, balançando suavemente.

“Encontrada”, ela sussurrou para a ovelha. “Nós fomos encontradas de novo.”

Mas, à medida que a realidade do que viria a seguir começava a se instalar — família, cidade, memórias, liberdade — seu corpo pequeno tremia com um medo mais profundo do que a floresta que ela havia deixado para trás.

A verdadeira jornada estava apenas começando.

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

author

para ser el primer capítulo está súper bien

13 dias

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Amanda: Poesia e arte. E muito romance 👏🏻👏🏻👏🏻😍🥰

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