CAPÍTULO 1
LEXI
Estou sentada em um restaurante chique no centro de San Francisco em uma quarta-feira à noite há exatamente cinquenta e três minutos. Visto calças sociais azul-marinho, uma blusa creme e salto alto combinando. Nada confortável.
São 19h48.
Não que eu esteja olhando as horas a cada dois minutos.
Nossa reserva era para as 19h. Eu cheguei na hora, é claro, ou alguns minutos antes. Como sempre. Pontualidade é importante.
Encontros românticos estão difíceis hoje em dia. Sempre uma emergência no trabalho, um cliente, uma reunião, o cachorro de um amigo distante ou o tempo.
Sarcasmo, eu sei. Exagero? Nem tanto.
Nós combinamos que teríamos um encontro hoje. Um de verdade. Faz semanas que não saímos. Não é aniversário nem nada, nenhum grande evento. Só uma quarta-feira qualquer em que pensei que poderíamos passar um tempo de qualidade juntos.
Este restaurante é novo e chique. Tem um código de vestimenta e o cardápio está em francês, o que eu não entendo. Não que eu me importasse. Foi ideia dele vir aqui. Ele reservou esta mesa com três semanas de antecedência. E agora, ele sumiu. Ótimo. Fucking perfect.
Para ser sincera, isso já está ridículo da minha parte. Eu sempre acredito nele.
Sempre uma nova chance.
Sempre alguma desculpa para ele.
Sempre eu que tenho que aceitar isso.
Eu realmente acreditei que, hoje, ele teria tempo para mim, que talvez hoje ele quisesse arranjar tempo para mim. Ou pelo menos que teria a decência de me ligar se não pudesse vir.
Ele não ligou. Obviamente.
Estou sentada aqui, nesta mesa, sozinha. Bem, com meu terceiro gin tônica e talvez cinco palitos de muçarela. Esperando por sabe-se lá o quê. Mais cinco minutos, outro gin tônica, outro sorriso sem graça do garçom que já está vindo para a minha mesa. De novo.
“Deseja mais alguma coisa?”
“Não, obrigada. Acho que vou esperar mais cinco minutos.” — eu digo, mas nem sei por quê. Principalmente por mim mesma.
Espero por mais cinco minutos, mas para quê? Zeke claramente não virá e provavelmente esqueceu a noite toda.
Mas, ainda assim, essa sou eu. Eu espero pelas pessoas, eu me diminuo pelos outros. Eu sorrio quando poderia chorar e insisto mesmo quando já deveria ter desistido.
É um conceito maluco, mas se eu prometo algo, eu cumpro. E se eu não posso, eu fucking ligo. Isso é o mínimo. Talvez eu não valha nem o mínimo. Talvez eu não seja boa o suficiente. Talvez.
O restaurante está lotado. Tem uma festa de aniversário no fundo com bolo e cantoria, uma reunião de negócios duas mesas ao lado com vinho caro e testosterona demais, e um grupo de amigas perto do bar, o que me lembra que eu e Lila deveríamos fazer isso logo.
Todas parecem perfeitamente felizes, se divertindo em um lugar lindo, enquanto eu estou sentada sozinha na minha mesinha triste, tomando meu drink e sem a menor vontade de comer os palitos de muçarela.
Meu celular vibra na mesa. Por um momento de felicidade, penso que é ele. Ainda acredito que ele apenas se atrasou, algo aconteceu, algum cliente importante, quem sabe, mas ele está vindo.
Não é ele.
É um dos meus clientes, que já fez um chilique por causa de recibos faltando como uma criança mimada de três anos. Agora ele os encontrou. Milagre. Eu disse a ele hoje cedo que ele nunca tinha me entregado, mas ele insistiu. Aos gritos.
Pelo menos não sou tão burra.
É reconfortante pensar nesse babaca metido a besta que, depois de gritar comigo no meu escritório por uma hora, agora está me escrevendo um e-mail como se fôssemos amigos. Nós não somos.
Graças a Deus minha chefe maravilhosa veio me salvar, porque esse idiota não entenderia que eu nunca recebi aqueles documentos. Ele não acreditou em mim. Claro que não. Mas ele acreditou na Kelly, minha chefe. É claro que acreditou. Patético.
E agora ele os encontrou. Bom trabalho, Brad.
Chega, cansei.
Está na hora de ir para casa.
Este dia está ficando cada vez pior.
Felizmente, o garçom — que estava me olhando mais cedo como se eu fosse um filhote abandonado na beira da estrada — está vindo na minha direção agora.
“Com licença, pode trazer a conta, por favor?” — peço, mas nem tento sorrir mais. Recebo um aceno e um sorriso compreensivo dele.
“Gostaria que eu embalasse seus aperitivos?” — ele pergunta, educadamente.
“Não, obrigada. Não estou com fome.”
Ele acena novamente e sai.
Cinco minutos depois, estou na rua. A cidade está agitada, gente por toda parte, alguém tocando violão ao longe, uma criança gritando do outro lado da rua, grupos de amigos atravessando a rua, rindo.
Normal. Completamente normal.
Exceto que não é, não realmente. A ficha cai. Tudo de uma vez. Agora eu consigo ver.
O padrão.
As desculpas.
Meu aniversário, dois meses atrás.
Os encontros para comer tacos que ele inventou no início do nosso namoro.
Nosso aniversário de seis meses.
Sempre a mesma explicação.
Trabalho.
Clientes.
Dinheiro.
Como se, durante todos esses meses, eu não fosse importante o bastante, como se eu simplesmente não fosse suficiente.
Dói, mas se eu parar para pensar, não surpreende; eu só não queria enxergar até agora.
O tempo estava agradável em maio, mas agora está ficando frio. É claro que não trouxe um casaco e definitivamente não consigo andar com estes sapatos. Preciso de um táxi.
Mas preciso de ar primeiro.
Respirar.
Pensar por alguns minutos sem interrupções, sem olhos de julgamento ou de pena ao meu redor.
Felizmente, tem um parque perto. Ando com meus saltos absolutamente desconfortáveis. Acho que nunca mais vou usá-los. O parque está praticamente vazio. Sento em um banco, olhando para o pequeno lago no meio. Eu deveria estar brava, deveria ligar para ele, deveria reagir.
Mas não faço isso.
E isso é o mais assustador. Porque significa que, lá no fundo, meu coração e minha mente já sabem: não tem volta a partir daqui.
Não depois de eu ficar sentada sozinha em um restaurante por uma hora, sem nem uma mensagem.
Isso é demais, mesmo para mim.
Preciso da minha melhor amiga.
Pego o celular no bolso, procuro o contato de Lila e ligo. Ela atende no segundo toque.
“O que ele fez agora?” — ela pergunta.
“Olá para você também.” — reviro os olhos.
“Não vem com ‘olá’ para cima de mim, Lexi. Me conta o que ele fez.”
“Ele não apareceu.”
Silêncio. O que é estranho vindo de Lila, que geralmente é mais barulhenta que um pátio de escola primária.
“Ele fez o quê?”
“Não apareceu, não mandou mensagem, não ligou. Eu estava sentada lá, sozinha. Foi humilhante, Lila.”
“Eu vou matar esse cara.”
“Ele não vale a pena, Li.” — e, desta vez, essa afirmação soa verdadeira.
“Não me importa, eu vou machucá-lo de verdade. Ele merece.”
“Ele merece. Mas é inútil e você sabe disso.”
“Você está bem?” — a voz de Lila fica mais baixa, quase um sussurro.
“Não sei. Vou ficar.”
“Estou aqui se precisar de qualquer coisa.”
“Eu sei. Estou indo para casa agora, preciso de um banho longo e quente e realmente preciso tirar estes sapatos. Não acredito que me arrumei toda para isso. Hoje foi o pior dia.” — suspiro.
“Você vai ficar bem, Lex. Eu te amo. Me liga se precisar de qualquer coisa. A qualquer hora. Estou falando sério.”
“Eu sei, também te amo, Li.”
Respiro fundo, saio do parque, meus pés doem como o inferno. Arrumar-se é estúpido. Salto alto é estúpido. Encontros são estúpidos. Homens são estúpidos. E eu sou estúpida.
Chega, já chega mesmo.
Felizmente, um táxi vira a esquina, eu o chamo e, um minuto depois, estou a caminho do meu apartamento aconchegante para tomar um banho longo e quente. Lavar até a lembrança deste dia. Meu apartamento não tem nada de chique — nada como a cobertura gigante do Zeke no centro —, mas é perfeito para mim.
O trajeto leva apenas quinze minutos, mas me dá tempo para apenas olhar pela janela e observar a cidade se movendo, vibrando, vivendo sem mim. As luzes do centro, as risadas que consigo ouvir em um sinal vermelho através da janela abaixada do motorista, a música baixa vindo de algum bar na calçada.
Normal, completamente normal.
A cidade não se importa comigo e com a minha vida amorosa um desastre. Minha vida amorosa inexistente, para ser mais precisa.
Enquanto passamos pelo bairro chique onde o Zeke mora, consigo ver aquele espaço impecável, de capa de revista, praticamente inútil, que nunca poderia parecer um lar. É legal quando você vê no Pinterest, mas quando você mora em um lugar assim? É deprimente depois de um ou dois dias.
Meu apartamento, por outro lado, é minúsculo, às vezes bagunçado, mas tem muitas almofadas, plantas — que estou constantemente tentando não matar —, canecas que não combinam e pratos lascados. Está tão longe de ser perfeito, mas para mim, é tudo.
A casa do Zeke parece um museu; eu morria de medo de sentar no sofá caro ou beber em um copo de cristal.
Entro no meu apartamento, chuto meus sapatos horríveis, já tirando a roupa. Meu primeiro destino é o banheiro. Coloco a água bem quente. Entro e deixo a água escaldante levar embora tudo o que este dia foi.
Fico ali por vinte minutos, tentando esvaziar a cabeça sem nenhum sucesso. Saio do banho, pego o moletom mais confortável que tenho, coloco uma legging e me encolho no sofá com um cobertor fofinho.
Deveria ir para a cama. Este dia é uma bagunça, desde o momento em que entrei no escritório até o minuto em que passei pela soleira da minha porta.
Ainda assim, meu cérebro não para de tagarelar.
Ele ainda tenta entender o que fiz de errado.
Como eu deveria ter agido?
Como poderia ter evitado isso?
Por que não sou suficiente?
Por que sou difícil demais?
Por que sou intensa demais?
Por que ele não consegue me amar o suficiente para pelo menos me ligar se não puder aparecer?
Uma lágrima rebelde rola pelo meu rosto sem meu consentimento. Eu não deveria estar chorando por causa disso, por causa dele.
Mas estou.
É patético, na verdade. Fiz tudo o que ele queria que eu fizesse. Eu estava lá quando ele precisava de mim em festas da empresa, para me exibir. Era isso que era importante para ele. A aparência.
Eu não via dessa forma. Achei que éramos um time e que eu estava ajudando-o a seguir em frente do jeito que podia. Mas, se paro para pensar, ele nunca me ajudou quando precisei dele. Eu não tinha percebido isso, embora a Lila estivesse tentando me dizer há meses.
Ela via de fora.
O jeito que ele estava me usando.
Não acho que Zeke Williams seja uma pessoa má. Ele não é. Caso contrário, eu não teria saído com ele no início.
Ele é bonito, charmoso, engraçado quando quer, mas geralmente sério demais. Ele gosta de coisas chiques — clubes de campo, spas e vinícolas. Não estou dizendo que nada disso é ruim, só não é para mim. Não de verdade.
No início do nosso relacionamento, ele se esforçava muito. Ele era mais despreocupado. Ele me levava para sair. Ele era criativo. Jantares à beira-mar, caminhadas sob as estrelas, noites de filme só com nós dois e muito sorvete.
Simples. Aconchegante. Perfeito para mim.
Acho que todas essas coisas ainda estão dentro dele em algum lugar. Talvez o dia a dia, a pressão do trabalho e o fato de que eu estava sempre ao lado dele o tenham deixado menos entusiasmado com isso.
Depois de um tempo, ele não precisou mais se esforçar tanto. Ele me teve como garantida. A garota que estaria sempre lá quando ele precisasse.
Tenho que admitir agora: ele definitivamente não é a minha pessoa. Consigo ver que queremos coisas completamente diferentes da vida.
Isso é aceitável. Essa parte.
A parte de me usar? Isso não é aceitável.
Não que ele tenha feito nada disso de propósito, tenho certeza de que não. Talvez, na cabeça dele, o significado de um relacionamento seja diferente do meu. E tudo bem também. Mas não vou mais chorar por causa disso. Sim, talvez tenha sido um ano e sim, houve momentos bons, momentos legais, encontros adoráveis e gestos atenciosos, mas ele simplesmente não é a minha pessoa.
Isso não torna as coisas mais fáceis. Nem um pouco. Sinto como se tivesse vivido em uma espécie de névoa nos últimos doze meses.
Eu queria que desse certo, eu estava me esforçando para isso.
Não foi o suficiente.
Nunca será o suficiente.
Nem para ele, nem para mim.
Preciso ir para a cama. Preciso dormir, mas provavelmente não vou. Não porque seja difícil demais, mas porque passei doze meses tentando acreditar que poderia fazer isso dar certo, que poderia construir algo a partir disso.
Eu fracassei.
Não porque não me esforcei o suficiente.
Porque eu estava fazendo tudo sozinha.
Levanto do sofá, vou para o quarto, quando meu celular começa a vibrar na minha mão.
É ele.
São 22h30.
É tarde demais. Literalmente e figurativamente também.
Não atendo e não atendo nas cinco vezes seguintes em que ele liga.
Coloco meu celular virado para baixo no criado-mudo e me enfio debaixo das cobertas.
Talvez amanhã seja mais fácil.








