The Lost Sparrow 🖤
A manhã em Moscou era cruel.
Um sol pálido de inverno lutava para romper as pesadas nuvens cinzentas que pairavam baixas sobre a cidade. A neve caía em sussurros suaves, cobrindo as ruas e os telhados com uma fina camada branca. O vento cortava o ar, gélido e afiado, mordendo qualquer um que fosse tolo o suficiente para sair sem se agasalhar bem.
Mas, dentro do imponente edifício preto que se erguia como um monólito no coração do distrito comercial, o frio era de outro tipo.
A sede da D’Angelo Shipping subia trinta andares em direção ao céu. Sua arquitetura era austera, moderna e intimidadora — tudo em vidro preto e bordas de aço. Sem calor. Sem suavidade. Foi construído para causar impacto, e esse impacto era poder.
Por dentro, o saguão brilhava com pisos de mármore preto polidos até parecerem espelhos. Os tetos eram imensamente altos e a iluminação era baixa, lançando tudo em sombras. Homens em ternos caros caminhavam com um propósito, seus passos ecoando no silêncio. Ninguém sorria. Ninguém ficava parado. Aquele não era um lugar para conversas fiadas ou gentilezas.
Aquele era o reino de Massimo D’Angelo.
E bem no topo desse império frio, em uma sala de canto cercada por janelas do chão ao teto, o próprio rei sentava-se atrás de sua mesa.
Massimo D’Angelo não era um homem que convidava ao conforto.
Aos vinte e seis anos, ele carregava-se como alguém que já tinha vivido várias vidas — todas elas brutais. Seu cabelo escuro era penteado para trás, sem um fio fora do lugar. Seu maxilar era definido, suas maçãs do rosto talhadas como mármore e seus olhos cinzentos continham o tipo de frieza que fazia as pessoas esquecerem como falar.
Ele vestia um terno preto sob medida, o tecido agarrado aos ombros largos e ao corpo esguio. Um relógio de prata brilhava em seu pulso — simples, mas valia mais do que o salário anual da maioria das pessoas. Tudo nele gritava controle.
Ele estava sentado atrás de uma enorme mesa de mogno, com papéis espalhados à sua frente. Seus dedos moviam-se metodicamente, assinando documentos, virando páginas, conferindo números. Sua expressão nunca mudava. Nem um lampejo de emoção cruzava seu rosto.
O escritório ao seu redor era tão frio quanto o próprio homem. Madeira escura, móveis de couro preto, decoração mínima. A única luz vinha do céu cinzento lá fora e de uma única luminária em sua mesa. Sem fotos de família. Sem toques pessoais. Apenas poder e silêncio.
Alguém bateu à porta.
“Entre”, disse Massimo sem erguer o olhar.
Um jovem funcionário entrou, segurando uma pasta contra o peito. Suas mãos tremiam levemente e uma fina camada de suor havia se formado em sua testa, apesar do frio.
“Senhor, o relatório que o senhor pediu”, disse ele, com a voz quase num sussurro.
Massimo estendeu a mão sem desviar o olhar. O funcionário apressou-se e colocou a pasta na palma de sua mão, depois recuou rapidamente, como se estar perto demais pudesse queimá-lo.
Massimo abriu a pasta e passou os olhos pelo conteúdo. Seu maxilar tensionou-se quase imperceptivelmente.
“O que é isso?”, perguntou ele, com a voz baixa e calma.
O funcionário engoliu em seco. “Os números trimestrais, senhor. Como o senhor pediu.”
“Eu pedi números precisos.” Massimo finalmente olhou para cima, e a temperatura na sala pareceu cair. “Isto tem erros. Três deles.”
O rosto do funcionário empalideceu. “Eu... peço desculpas, senhor. Vou corrigi-los imediatamente—”
“Você vai”, disse Massimo, interrompendo-o. Seu tom era suave, quase gentil, mas a ameaça por baixo era inconfundível. “E se eu encontrar outro erro, você não terá mais uma mesa para corrigi-lo. Entendido?”
O funcionário assentiu freneticamente, pegou a pasta de volta e praticamente saiu correndo da sala.
A porta fechou-se com um clique atrás dele.
Do canto, perto da janela, uma risada baixa quebrou o silêncio.
Rocco Genro estava encostado no vidro, com os braços cruzados sobre o peito largo, observando a cena com um sorriso divertido.
“Sabe, um dia você vai causar um ataque cardíaco em alguém”, disse ele.
Massimo não respondeu. Ele simplesmente voltou sua atenção para os papéis restantes em sua mesa.
Rocco balançou a cabeça e desencostou-se da janela, aproximando-se. Ele era alto e musculoso, com cabelos castanhos claros e uma autoconfiança natural que contrastava fortemente com a escuridão de Massimo. Seu rosto era bonito, mas carregava as cicatrizes tênues de um homem que tinha visto a violência e sobrevivido a ela.
Eles cresceram juntos — dois meninos criados em meio a sangue e sombras. Rocco era a única pessoa no mundo que conseguia falar com Massimo sem medo.
“Você precisa pegar leve”, disse Rocco, jogando-se em uma das poltronas de couro em frente à mesa. “Você está assustando os funcionários. De novo.”
“Bom”, respondeu Massimo secamente. “O medo os mantém eficientes.”
Rocco bufou. “Ou faz com que eles peçam demissão.”
“Então eles eram fracos.”
Rocco abriu a boca para responder, mas antes que pudesse, o telefone de Massimo tocou.
Massimo olhou para a tela. Um número desconhecido, mas ele reconheceu o padrão. Ele atendeu e pressionou o telefone contra o ouvido.
“Fale.”
Uma voz chiou do outro lado — baixa, nervosa, falando russo rapidamente sobre uma remessa atrasada perto das docas. Algo sobre mau tempo e problemas na fronteira.
Massimo ouviu em silêncio, sua expressão inalterada.
Quando a voz finalmente parou, Massimo falou. Seu tom era de gelo.
“Não me importo com o tempo. Não me importo com fronteiras. Eu me importo com resultados. Você tem quarenta e oito horas. Se a remessa não for entregue, você também não será.”
Ele desligou sem esperar por uma resposta.
Rocco ergueu uma sobrancelha. “Problemas?”
“Nada que eu não possa resolver.”
Massimo colocou o telefone de lado e voltou ao trabalho, isolando-se do mundo mais uma vez.
Lá fora, a neve continuava a cair.
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CELESTE ROSSI
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Do outro lado de Moscou, uma manhã diferente se desenrolava.
O calor foi a primeira coisa que se sentiu.
Acima de uma pequena padaria escondida em uma esquina tranquila, um apartamento minúsculo brilhava com uma luz dourada. O cheiro de pão fresco e canela percorria os pisos finos, envolvendo tudo em conforto.
Celeste Rossi mexeu-se sob seus cobertores.
Seu quarto era pequeno, mas aconchegante — móveis diferentes entre si, pilhas de livros antigos em uma estante de madeira, flores secas em um vaso rachado perto da janela. As cortinas eram finas e deixavam entrar a luz suave da manhã, que pintava tudo em tons de mel.
Sobre sua cama, sentava-se um coelho de pelúcia gasto, com o pelo desbotado e uma orelha levemente rasgada. Ela o guardava desde a infância — desde antes de conseguir se lembrar de qualquer outra coisa.
Celeste espreguiçou-se lentamente, seus olhos abrindo-se pouco a pouco. Ela piscou para o teto, ouvindo os sons familiares que vinham lá de baixo — o barulho das assadeiras, o zumbido de um forno antigo e uma voz cantarolando uma música ainda mais antiga.
Ela sorriu.
Ela afastou os cobertores e sentou-se, passando a mão pelo cabelo castanho bagunçado. Seu rosto era doce, seus traços suaves — o tipo de rosto que fazia estranhos quererem protegê-la. Seus olhos castanhos eram calorosos e gentis, sem qualquer vestígio de aspereza ou suspeita.
Ela vestiu-se rapidamente com roupas simples — um suéter gasto, uma saia velha, meias grossas para enfrentar o frio. Ela prendeu o cabelo frouxamente e vestiu o avental, ainda polvilhado com a farinha de ontem.
Ela desceu as escadas, os degraus de madeira rangendo sob seus pés.
A padaria era seu lugar favorito no mundo.
Era pequena e rústica, com paredes de tijolos expostos e prateleiras de madeira cheias de doces dourados. Farinha cobria cada superfície como neve. O balcão estava cheio de potes de açúcar e mel, e a vitrine brilhava com pães e bolos frescos.
Atrás do balcão estava Viviana Rossi.
Ela era uma mulher moldada por décadas de trabalho duro e amor silencioso. Seu rosto redondo tinha rugas suaves, e seu cabelo com fios prateados estava preso em um coque bagunçado. Havia farinha em sua bochecha e suas mãos — fortes e habilidosas — sovavam a massa com uma facilidade que vinha da prática.
Ela olhou para cima quando Celeste entrou e sorriu.
“Finalmente acordou, passarinho?”
Celeste riu e atravessou o ambiente, beijando a bochecha de Viviana, que estava suja de farinha.
“Eu estava cansada”, disse ela.
“Você está sempre cansada.” Viviana limpou as mãos no avental e apontou para uma cesta de pãezinhos quentes. “Coma. Você está muito magra.”
Celeste, obediente, pegou um pãozinho e deu uma mordida. O calor derreteu em sua língua.
“Perfeito”, ela murmurou.
Viviana acenou com a mão, dispensando o elogio, mas seus olhos brilhavam de orgulho.
Elas trabalharam juntas em um silêncio confortável por um tempo — Celeste ajudando a arrumar os doces na vitrine, Viviana preparando a massa para a fornada da tarde. O rádio tocava baixinho no canto, uma antiga canção folclórica russa chiando nos alto-falantes.
Então Viviana falou.
“Preciso que você faça uma entrega hoje.”
Celeste parou, com as mãos congeladas no meio do movimento. “Uma entrega?”
Viviana assentiu, alcançando um pequeno papel sobre o balcão. “Uma encomenda de bolo. Algum comércio aqui perto. O endereço está escrito aqui.”
Celeste pegou o papel e apertou os olhos para ler a caligrafia. Seu estômago deu um nó.
Ela raramente saía da padaria. As ruas de Moscou eram barulhentas e avassaladoras — gente demais, barulho demais, excesso de tudo o que ela não entendia.
Ali, naquele espaço pequeno e aquecido, ela estava segura. Lá fora, ela era apenas uma menina perdida.
Viviana notou sua hesitação e suavizou o olhar.
"Você precisa ver o mundo, passarinha", disse ela com gentileza, estendendo a mão para segurar o rosto de Celeste. "Não é tão assustador quanto você pensa."
Celeste forçou um sorriso. "Tudo bem."
Ela embalou o bolo com cuidado em uma caixa firme e amarrou-a com uma fita. Vestiu seu casaco velho — remendado em dois lugares — e enrolou um cachecol no pescoço.
Viviana colocou algumas moedas na palma da mão dela. "Para o ônibus. E tome cuidado."
Celeste assentiu, apertando a caixa de bolo contra o peito.
"Voltarei logo."
Viviana a viu partir, com orgulho e preocupação se misturando em seus olhos envelhecidos.
As ruas de Moscou engoliram Celeste por inteiro.
Ela desceu do ônibus um ponto antes sem perceber e, de repente, estava perdida.
Os prédios ali eram mais altos, mais escuros e mais intimidados. As pessoas caminhavam mais rápido, vestiam-se melhor e olhavam através dela como se não existisse. Carros caros lotavam as ruas. Homens de sobretudo falavam ao telefone com expressões frias.
Celeste segurou a caixa de bolo com mais força.
Ela verificou o papel com o endereço novamente, apertando os olhos para a letra bagunçada de Viviana. Os números se misturavam. Ela olhou para cima, examinando os edifícios ao redor.
Um deles chamou sua atenção.
Uma torre preta imensa com bordas de vidro afiadas. Os números perto da entrada pareciam coincidir com os do seu papel — ou, pelo menos, pareciam próximos.
Ela hesitou.
Aquele não parecia um lugar que encomendava bolos.
Mas ela já estava ali, e o frio atravessava seu casaco fino. Ela só queria terminar a entrega e ir para casa.
Ela empurrou as portas de vidro e entrou.
O saguão a atingiu como uma onda.
Pisos de mármore preto estendiam-se infinitamente, tão polidos que ela podia ver seu próprio reflexo. Os tetos eram altos, e a iluminação era baixa, deixando tudo na sombra. Um logotipo enorme brilhava na parede ao fundo — D’Angelo Shipping.
Celeste paralisou.
Isso estava errado. Isso estava muito errado.
Antes que pudesse se virar, dois homens apareceram à sua frente.
Eles eram altos e largos, vestiam ternos pretos com pontos eletrônicos enrolados nas orelhas. Seus rostos eram duros e inexpressivos.
"Quem é você?", um deles perguntou. "Você tem hora marcada?"
A voz de Celeste travou na garganta.
"Eu... eu tenho uma entrega", ela gaguejou, segurando a caixa de bolo como um escudo. "Este é o endereço, eu acho... talvez eu tenha me enganado—"
Os seguranças trocaram um olhar.
Um deles falou ao ponto eletrônico, com a voz baixa e abafada.
Celeste sentiu o rosto queimar. Todos que passavam a encaravam — uma garota pequena, coberta de farinha, em um casaco remendado, completamente deslocada naquele mundo de vidro e poder.
Ela queria desaparecer.
"Por favor, espere aqui", disse o segurança.
Ela ficou parada, com o coração batendo forte, desejando nunca ter deixado a padaria.
Lá em cima, na sala de segurança, Rocco Genro recostou-se na cadeira e riu.
A tela à sua frente mostrava o saguão — e no centro dele estava a criatura mais deslocada que ele já tinha visto.
Uma garota. Jovem, nervosa, segurando uma caixa de bolo como se sua vida dependesse disso. Farinha sujava seu avental. O cabelo escapava do cachecol. Seus olhos arregalados disparavam para todos os lados como um animal assustado procurando uma saída.
Rocco deu um zoom e balançou a cabeça, sorrindo.
"Bom, isso é adorável."
Ele pegou o telefone e discou para Massimo.
"Você vai querer ver isso, chefe."
A voz de Massimo era monótona. "Estou ocupado."
Rocco deu um sorriso malicioso. "Confie em mim."
Ele desligou e foi para o escritório de Massimo, com o laptop na mão.
Quando chegou, Massimo ainda estava atrás de sua mesa, revisando outro arquivo. Ele não olhou para cima.
Rocco abriu o laptop e virou a tela para ele.
"Uma garota perdida entrou aqui. Devo mandar retirá-la?"
Massimo olhou para a tela com desinteresse.
Então ele parou.
Seus olhos ficaram fixos na imagem.
Ela estava parada no saguão, apertando a caixa contra o peito. Seus lábios estavam cerrados nervosamente. Seus olhos castanhos estavam arregalados e incertos. Uma mecha de cabelo caíra sobre seu rosto e, enquanto ele observava, ela a colocou atrás da orelha.
Algo mudou dentro de Massimo.
Era algo estranho — quase desconfortável. Como gelo rachando após anos de calmaria.
E então, sem aviso, ele sorriu.
Foi pequeno. Mal uma curva nos lábios. Mas era real.
Rocco ficou estático.
Em todos os anos que conhecia Massimo — através de sangue, guerras e perdas — ele nunca tinha visto aquela expressão em seu rosto.
"Que porra foi essa?", perguntou Rocco, com a voz entre o choque e a diversão.
O rosto de Massimo tornou-se frio novamente na hora. Ele limpou a garganta.
"Diga à segurança para informar que ela está no endereço errado", disse ele, com a voz cuidadosamente controlada.
Rocco não se moveu. Ele ainda estava encarando.
O maxilar de Massimo travou. "E certifique-se de que ela chegue ao destino correto. Em segurança."
Rocco levantou uma sobrancelha. "Quer que a gente escolte uma garota aleatória do bolo pela cidade?"
"Eu gaguejei?"
Rocco levantou as mãos em rendição, mas o sorriso em seu rosto era impossível de esconder.
"Como quiser, chefe."
Ele saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
Massimo sentou-se em silêncio.
Seus olhos voltaram para a tela do laptop.
Ela ainda estava lá — pequena, delicada e completamente deslocada em seu mundo frio.
Ele a observou por um longo momento.
Então ele fechou o laptop e se virou.
Mas a imagem dela ficou gravada em sua mente.
Lá embaixo, no saguão, Celeste estava pronta para chorar.
Os seguranças a mantiveram esperando, e cada segundo parecia uma hora. Ela sentia as pessoas a encarando, julgando-a, imaginando por que alguém como ela estava em um lugar como aquele.
Então, um dos seguranças se aproximou.
"Senhorita, esta é a sede da D’Angelo Shipping. A senhora está no endereço errado."
O rosto de Celeste ficou vermelho. "Eu sinto muito — não foi por querer — os números pareciam os mesmos—"
O segurança ergueu a mão, interrompendo seu falatório.
"Está tudo bem. Nós a ajudaremos a encontrar o local correto."
Celeste piscou, confusa. Ela esperava grosseria. Frieza. Talvez até ser expulsa.
Não gentileza.
"Venha comigo", disse o segurança, gesticulando para a porta.
Ela o seguiu para fora, ainda segurando sua caixa de bolo.
Um carro preto estava esperando no meio-fio. Um motorista estava ao lado dele, segurando a porta aberta.
"Nós a levaremos ao seu endereço de entrega", disse ele.
Celeste hesitou. Aquilo parecia estranho. Por que a ajudariam?
Mas o frio estava atravessando seu casaco, e ela estava nervosa demais para discutir.
Ela entrou no carro.
O interior era quente e luxuoso — bancos de couro macio, vidros escuros, o cheiro suave de algo caro.
Ela deu ao motorista o endereço correto, e o carro seguiu suavemente pelo tráfego.
Celeste sentou-se em silêncio, olhando pela janela.
Nada daquilo fazia sentido.
Quem eram aquelas pessoas? Por que se importavam com uma garota perdida com um bolo?
Ela balançou a cabeça, decidindo não pensar nisso.
O carro a deixou em um pequeno prédio de escritórios — o endereço correto. Ela agradeceu ao motorista e saiu, observando enquanto o carro preto desaparecia pela rua.
Ela ficou lá por um momento, com flocos de neve caindo em seu cabelo.
Então ela entrou e completou a entrega.
A caminhada de volta para a padaria foi tranquila. A neve suavizou a cidade, abafando os sons e cobrindo as bordas ásperas com o branco.
Celeste repassou o encontro estranho em sua mente — o prédio preto e frio, os seguranças, a gentileza inesperada.
Ela não entendia.
Mas quando empurrou a porta da padaria e sentiu o calor familiar do pão e do açúcar, ela já tinha começado a esquecer.
Viviana olhou por trás do balcão.
"Como foi, passarinha?"
Celeste sorriu, desenrolando o cachecol. "Me perdi um pouco. Mas deu tudo certo."
Viviana riu e lhe entregou um pãozinho quente.
Celeste deu uma mordida, deixando a doçura derreter em sua língua.
Ela estava em casa.
Ela estava segura.
E ela não fazia ideia de que em algum lugar da cidade, em um escritório escuro envolto em silêncio, um homem olhava para a neve.
Um homem que não sorria há anos.
Um homem que sorriu hoje — por causa dela.




Great start to a romance. Cant wait to see what happens next !