Capítulo 1
Por toda a sua vida, Juliette Carter acreditou que quase tudo era possível.
Sonhos mudavam.
As pessoas mudavam.
Planos mudavam.
A vida tem um jeito engraçado de nos surpreender.
Mas se alguém tivesse perguntado a ela cinco anos atrás qual era a coisa mais impossível do mundo...
Ela teria respondido sem hesitar.
Easton Carter se tornar pai.
Seu irmão mais velho passou a maior parte dos vinte e poucos anos insistindo que crianças não eram para ele.
Ele mal conseguia manter uma planta viva.
Agora...
Ele tinha uma filha de dezoito meses que, de alguma forma, o deixava tão enrolado em seu dedinho que toda a família Carter já tinha aceitado que ele era uma causa perdida.
Juliette sorriu para si mesma enquanto Lucy Carter estava sentada de pernas cruzadas no tapete colorido do cantinho das crianças na Biblioteca Pública de Heartline.
Bem...
Mais ou menos tentando sentar de pernas cruzadas.
Ela balançava de um lado para o outro antes de soltar uma risadinha e bater palmas para si mesma.
"Pronta?", Juliette perguntou suavemente.
Lucy abriu um sorriso radiante.
"Tô."
Juliette riu.
"Certo."
Ela abriu o livro ilustrado em seu colo.
"'Urso-marrom, Urso-marrom, o que você vê?'"
Lucy inclinou-se para a frente, seus dedinhos alcançando as páginas imediatamente.
"Urso", ela sussurrou orgulhosa.
"Isso mesmo."
Juliette sorriu.
"É um urso-marrom."
Lucy apontou animada.
"Passarinho!"
"Muito bem."
Pelos vinte minutos seguintes, Juliette leu todos os livros que Lucy escolhia da cesta ao lado delas.
Na metade do tempo, Lucy prestava atenção.
Na outra metade, ela estava mais interessada em virar as páginas cedo demais ou apontar para animais aleatórios e anunciar nomes completamente errados com orgulho.
"Vaca."
Juliette piscou.
"Luce..."
Ela olhou para a figura.
"Isso é um pinguim."
Lucy pensou por exatamente um segundo.
"Vaca."
Juliette riu.
"Sabe de uma coisa? Tá bom."
Alguns pais por perto sorriram com a troca.
Juliette sempre amou isso.
O silêncio.
O cheiro de livros.
Ver as crianças descobrirem histórias pela primeira vez.
Isso a lembrava do porquê de estar terminando a pós-graduação para se tornar uma especialista em leitura.
Do porquê de ser voluntária toda quinta-feira à tarde na hora da leitura para crianças pequenas da biblioteca.
Porque em algum lugar nessas prateleiras...
Uma criança poderia encontrar sua história favorita.
Assim como ela encontrou.
Lucy soltou um gritinho de repente.
"Mamãe!"
Juliette olhou para cima.
Parada perto da entrada, vestindo um suéter creme apesar da brisa de primavera do Tennessee, estava Joslynn Hayes — bem...
Joslynn Carter agora.
Mesmo após quase dois anos de casamento, Juliette ainda se pegava pensando nela pelo nome de solteira.
Ela sorriu.
"Lucy."
Juliette ajudou gentilmente a menina a ficar de pé.
"Sua mamãe chegou."
Lucy deu um suspiro dramático antes de cambalear em uma corrida infantil entusiasmada.
"Mamãe!"
Joslynn mal teve tempo de se ajoelhar antes que Lucy se jogasse em seus braços.
"Ah, aqui está minha pequena."
Ela beijou o topo dos cachinhos de Lucy.
"Você se comportou bem com a tia Jules?"
Lucy acenou com entusiasmo.
"Livros!"
"Eu soube."
Joslynn olhou por cima da cabeça de Lucy e sorriu calorosamente para Juliette.
"Obrigada por cuidar dela. Easton foi chamado para uma reunião e eu tive que terminar o expediente na clínica."
Juliette levantou-se, colocando os livros de volta na cesta.
"Não foi exatamente um sacrifício."
Ela esticou a mão para fazer cócegas na barriga de Lucy.
"Tivemos uma conversa muito educativa sobre o porquê de pinguins não serem vacas."
Joslynn riu.
"Ah, ela é definitivamente filha do Easton."
"Como se seu marido não fosse discutir comigo que um pinguim é uma vaca só para não admitir que estava errado."
O sorriso de Joslynn se alargou.
"Vou deixar você contar isso para ele."
"Com certeza vou."
Elas riram juntas enquanto Lucy pegava outro livro.
Juliette se abaixou para pegá-lo.
"Quer mais um antes de ir para casa?"
Lucy acenou tão forte que seus cachinhos balançaram.
"Mais um."
Juliette sorriu.
Ela nunca conseguia dizer não para mais uma história.
Não quando olhinhos azul-esverdeados olhavam para ela daquele jeito.
Não quando momentos como esses a lembravam de que a felicidade nem sempre chega em grandes gestos.
Às vezes...
Ela é encontrada simplesmente entre as páginas de um livro muito querido.





