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Criei o Filho Dele Então Ele Se Casou Com Outra

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Resumo

Oito anos atrás, eu me apaixonei por um viúvo e pelo garotinho que precisava de uma mãe. Enquanto todos viam Daniel reconstruindo sua vida, era eu quem a mantinha nos trilhos. Enxuguei as lágrimas de Noah, comemorei seus aniversários, cuidei de suas febres e o amei como se ele tivesse nascido de mim. Toda vez que eu perguntava sobre casamento, Daniel prometia: "Em breve". Eu acreditei nele. Até o dia em que descobri que ele não estava planejando o nosso casamento. Ele estava planejando o casamento com outra mulher. Para piorar a situação, a mulher com quem ele iria se casar não fazia ideia de que eu existia. Ela acreditava estar se casando com um pai solteiro dedicado, enquanto o garotinho que me chamava de "mamãe" não tinha noção de que sua família estava prestes a desmoronar. Ir embora deveria ter sido fácil. Exceto que Noah se recusou a me deixar partir. Um romance psicológico de partir o coração sobre amor, sacrifício, traição, cura e a descoberta de que, às vezes, a maior história de amor começa no momento em que você para de implorar para que alguém escolha você.

Gênero
Romance
Autor
S_Kasie
Status
Completo
Capítulos
35
Classificação
5.0 (1 avaliação)
Classificação Etária
16+

Capítulo 1 — A mulher que ele nunca precisou escolher

A primeira vez que Noah me chamou de mãe, ele tinha dois anos de idade.

O quarto ficou em silêncio.

A colher dele escorregou da mãozinha e bateu no chão da cozinha. Havia purê de maçã na bochecha dele, e seus cachos estavam para todos os lados por causa da soneca da tarde.

Ele olhou diretamente para mim.

“Mamãe.”

Uma palavra.

Um batimento cardíaco.

Um erro.

Daniel parou de secar a louça.

Eu parei de respirar.

Noah sorriu, orgulhoso de si mesmo, como se tivesse acabado de aprender a palavra mais maravilhosa do mundo.

Ele estendeu os braços em minha direção.

“Mamãe.”

Cruzei a cozinha antes mesmo de perceber que estava me movendo.

Ele envolveu meu pescoço com seus bracinhos, sua bochecha quente pressionada contra a minha com total confiança.

Segurei-o com cuidado, com medo de que, se eu me movesse rápido demais, aquele momento desaparecesse.

“Estou aqui”, sussurrei.

Os dedos dele se enrolaram em uma mecha do meu cabelo.

“Eu te amo.”

As crianças dizem essas palavras sem entender o quanto elas podem ferir.

Enterrei o rosto no ombro dele para que nenhum dos dois visse meus olhos se enchendo de lágrimas.

Daniel aproximou-se silenciosamente.

Por um segundo impossível, esperei que ele corrigisse Noah.

Que dissesse: Ela é a Evelyn.

Para lembrá-lo de que sua mãe havia morrido.

Em vez disso, Daniel pousou a mão levemente nas costas de Noah e sorriu.

“Parece que você foi promovida.”

Era para ser uma brincadeira.

Eu ri porque ele riu.

Mas, em algum lugar dentro de mim, uma promessa nasceu.

Não porque ele tivesse me pedido para fazer uma.

Porque eu queria que aquele garotinho crescesse sem nunca duvidar de que era amado.

Eu não fazia ideia de que um dia…

Eu me tornaria tudo para Noah.

Sem nunca me tornar a esposa de Daniel.

Seis anos depois.

O cheiro de café invadiu nosso quarto antes que meu despertador tocasse.

Sorri sem abrir os olhos.

Daniel.

Ele sempre passava o café primeiro.

O colchão ao meu lado já estava vazio, ainda guardando o calor suave de onde ele havia dormido.

Estendi a mão por hábito.

Vazio.

O sorriso permaneceu, mesmo assim.

Em algumas manhãs, o amor vive nas pequenas coisas.

Café fresco.

Um cobertor puxado sobre meus ombros quando adormeci lendo.

Seus passos silenciosos para não me acordar antes do amanhecer.

As pessoas falavam sobre grandes gestos românticos.

Eu aprendi a valorizar os comuns.

Coloquei meu roupão e segui o cheiro até a cozinha.

Uma caneca esperava ao lado da cafeteira.

Exatamente do jeito que eu gostava.

Sem açúcar.

Apenas leite o suficiente para suavizar o amargor.

Um bilhete dobrado descansava embaixo dela.

Reunião cedo.

Não quis te acordar.

Dê um beijo no Noah por mim.

Com amor, D.

Sorri enquanto passava o polegar pela última linha.

Ele não escrevia seu nome completo havia anos.

Apenas a letra.

Como se tivéssemos ficado tão íntimos que até os nomes eram desnecessários.

Guardei o bilhete na gaveta da cozinha onde mantinha os outros.

Dizia a mim mesma que os jogaria fora algum dia.

Nunca o fiz.

“O papai já saiu?”

Virei-me e encontrei Noah parado no corredor, esfregando um olho sonolento.

Aos oito anos, ele era todo pernas longas, cachos bagunçados e perguntas intermináveis.

“Ele teve uma reunião cedo.”

Noah suspirou de forma dramática.

“Ele sempre sai antes de eu acordar quando tem reuniões.”

“Ele estará em casa hoje à noite.”

“Ele prometeu?”

“Prometeu.”

Noah aceitou a resposta com a fé inquestionável que só as crianças possuem.

Ele subiu na cadeira.

“Estou morrendo de fome.”

“Você estava morrendo de fome antes de dormir.”

“Fiquei com fome de novo.”

“De alguma forma, você sobreviveu oito horas inteiras.”

“Por pouco não sobrevivi.”

Eu ri.

“Você merece uma medalha.”

“Eu mereço panquecas.”

“Você negocia como seu pai.”

“Aprendi com o melhor.”

Enquanto as panquecas fritavam, Noah narrava cada detalhe de um sonho envolvendo piratas, dinossauros e um pinguim falante que, aparentemente, se recusava a dividir o tesouro.

Suas histórias raramente faziam sentido.

Eu amava cada uma delas.

Quando coloquei as panquecas na frente dele, ele olhou para cima de repente.

“Posso perguntar uma coisa?”

“Você costuma perguntar.”

“Quando você e o papai vão se casar?”

A espátula escorregou levemente na minha mão.

As crianças fazem perguntas que os adultos passam anos evitando.

Forcei um sorriso tranquilo.

“O que te fez pensar nisso?”

Ele deu de ombros.

“Os pais de todo mundo são casados.”

“Nós somos felizes, não somos?”

“É.”

Ele espetou uma panqueca com uma seriedade exagerada.

“Mas as pessoas casadas se beijam na escola.”

Ri antes que pudesse me impedir.

“Essa é a sua preocupação?”

Ele assentiu.

“Acho que o papai esquece.”

Meu coração apertou.

“Então você acha que casar com ele o lembraria?”

“Funciona nos filmes.”

Olhei pela janela da cozinha.

Nuvens de chuva se acumulavam silenciosamente além do vidro.

“Vai acontecer”, eu disse.

“Quando?”

“Em breve.”

A palavra saiu da minha boca com uma facilidade já treinada.

Eu a vinha dizendo há quase quatro anos.

Logo.

Depois que Noah se adaptasse.

Depois que Daniel terminasse o projeto do hospital.

Depois que o trabalho ficasse menos exigente.

Depois da promoção.

Depois do próximo prazo.

Depois…

Sempre havia um "depois".

Eu parei de pedir por datas, porque cada motivo parecia razoável.

E atrasos razoáveis nunca pareciam permanentes.

Até se tornarem anos.

Depois de deixar Noah na escola, fui andando para casa pelo ar fresco da manhã.

O apartamento parecia estranhamente silencioso sem ele.

Dobrei as roupas.

Reguei as plantas.

Respondi a dois e-mails de antigos colegas perguntando se eu consideraria voltar a lecionar.

Fechei as mensagens sem responder.

Lecionar já foi o meu sonho.

Então, Daniel precisou de ajuda.

Um pai de luto.

Um garotinho assustado.

Um ano virou dois.

Dois viraram oito.

Eu nunca me arrependi de escolher Noah.

Nem uma vez.

Às vezes…

Eu me perguntava se tinha deixado de escolher a mim mesma aos poucos.

Meu celular vibrou logo depois do meio-dia.

Daniel.

Atendi no segundo toque.

— Oi.

— Ei.

Sua voz trazia o som familiar de papéis sendo remexidos.

— Odeio pedir isso.

— Então não peça.

Ele riu baixinho.

— Esqueci uma pasta azul na minha mesa.

— Preciso dela para esta tarde.

— Eu levo.

— Você não precisa.

— Eu sei.

Um breve silêncio se instalou entre nós.

Então ele suspirou suavemente.

— Não sei o que eu faria sem você.

As palavras me aqueceram da mesma forma de sempre.

— Estou saindo agora.

— Obrigado.

— A gente se vê mais tarde.

— Até.

A ligação terminou.

Por um momento, apenas encarei a tela.

"Não sei o que faria sem você."

Ele dizia isso com frequência.

Talvez fosse assim que o amor parecia depois de tantos anos juntos.

Não flores.

Não declarações dramáticas.

Apenas saber que alguém se tornou parte da sua vida diária.

O escritório de Daniel em casa cheirava levemente a cedro e papel novo.

A luz do sol se espalhava pelas mesas de desenho cobertas de esboços arquitetônicos.

Cada sucesso que ele celebrou nos últimos oito anos começou naquela sala.

Eu o vi trabalhar durante prazos impossíveis.

Trazer prêmios para casa.

Perder o sono por causa de clientes.

Eu silenciosamente me tornei parte do cenário.

Fazendo café.

Mantendo Noah entretido.

Pedindo o jantar quando ele esquecia de comer.

Encontrei a pasta azul exatamente onde ele disse.

Quando a levantei, vários papéis soltos escorregaram para o chão.

— Ah…

Abaixei-me imediatamente.

Plantas baixas.

Faturas.

Anotações de reuniões.

Então algo mais pesado deslizou para debaixo da mesa.

Um envelope creme grosso.

Elegante.

Caro.

Já estava aberto.

Peguei-o automaticamente, com a intenção apenas de colocá-lo de volta no lugar.

O cartão dentro escorregou pela metade.

Meus olhos captaram uma única linha.

Junto com suas famílias…

Um convite de casamento.

Quase sorri.

Outro cliente.

Daniel participava de casamentos o tempo todo para colegas e sócios.

Deslizei o convite de volta para o envelope.

Então meu olhar captou um nome.

Daniel Carter.

Meus dedos congelaram.

Não.

Tinha que haver outro Daniel Carter.

O mundo de repente pareceu muito parado.

Desdobrei o cartão.

Lentamente.

Cuidadosamente.

Como se mover depressa demais pudesse tornar as palavras mais reais.

Daniel Carter

e

Sophia Bennett

pedem a honra de sua presença…

Tudo depois daquilo se dissolveu em tinta sem sentido.

O quarto girou.

Meu coração batia forte contra minhas costelas.

Li de novo.

E de novo.

Os nomes não mudaram.

Nem a data.

Ou o local.

Ou as elegantes letras douradas.

Não era outra pessoa.

Era ele.

O homem cujo café eu tinha acabado de beber.

O homem cujo filho me chamava de mãe.

O homem com quem dividi a cama na noite anterior.

O convite escorregou das minhas mãos trêmulas para o chão de madeira.

Ele caiu virado para cima.

Como se se recusasse a me deixar desviar o olhar.

Então notei algo que não tinha visto antes.

Escrito de forma organizada na letra inconfundível de Daniel, no canto inferior, havia seis palavras.

Confirmar a lista final de convidados até amanhã de manhã.

A tinta estava fresca.

O que significava apenas uma coisa.

Ele não planejava se casar algum dia.

Ele planejava se casar…

Agora.

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