Quase: O Som Do Vermelho por Gil em Inkitt
Personalizar legibilidade
Aa

Quase: O Som Do Vermelho

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Uma fita vermelha. Uma chave perdida. Ela vive presa numa mansão de ouro. Ele luta para sobreviver nas ruas de Londres. Um tropeço uniu os seus mundos, mas será que a chave serve para libertá-la ou para trancá-lo por fora?🔥 Londres. Chuva miúda. E um erro de cálculo que mudou tudo. Dylan Diamont tem vinte e um anos, um casaco impecável e o cansaço de quem carrega o mundo nos ombros. Dividido entre turnos desgastantes de oito horas num shopping e os livros da King's College, ele não tem tempo para distrações. A sua única âncora é uma fita de cetim vermelha com a chave de casa, um amuleto nervoso preso aos seus dedos. Williana "Will" Cooler vive numa mansão que parece um museu, mas que para ela funciona como uma prisão de alta segurança. Protegida por óculos escuros mesmo sob a chuva e escondida atrás de um lenço, a sua única obsessão é saborear raros momentos de liberdade longe do controlo sufocante da sua família rica. Um choque violento na praça espalha livros pelo chão como pássaros de asas partidas. Faíscas de arrogância e frieza disparam no primeiro olhar. Eles odeiam-se no primeiro segundo. Mas, na pressa do impacto, Dylan deixa cair a fita vermelha. E Will fecha a mão sobre ela. Ela tem a chave do mundo dele. Ele não faz ideia de quem ficou com o seu segredo. Uma colisão inevitável. Quando o orgulho de ambos entrar em guerra, quem será o primeiro a ceder?

Gênero
Romance
Autor
Gil
Status
há 5 dias
Capítulos
4
Classificação
n/a
Classificação Etária
13+

O Som Do Vermelho

O vidro da montra devolvia a Dylan um reflexo que ele mal reconhecia.

O casaco de corte impecável e o estilo que todos no shopping elogiavam escondiam o cansaço de quem carregava o mundo nos ombros aos vinte e um anos.

Para Dylan Diamont, Londres não era apenas um destino de intercâmbio; era o campo de batalha onde o trabalho no shopping e os livros da faculdade travavam uma guerra constante pelo seu tempo.

O cheiro de café caro do Starbucks batia no vento, misturado com chuva miúda e perfume que não era dele.

O turno de 8 horas grudava na camisa. Dylan só queria chegar na aula antes de desmaiar de sono.

— Diamont, o turno acabou! — gritou o gerente.

Dylan nem respondeu. Apenas pegou na mochila e enrolou a fita vermelha da chave de casa entre os dedos, um amuleto nervoso que já fazia parte da sua anatomia.

Cetim frio. Nó gasto. Ele fazia isso desde os 15.

Quinze minutos. Era tudo que tinha pra atravessar a praça e chegar à King's College.

O mundo ao seu redor era um borrão de pressa até que o impacto aconteceu.

Foi um som seco.

Papel contra pedra.

O tempo, que antes corria, decidiu parar.

Dylan sentiu o corpo chocar contra algo macio, mas firme. Livros espalharam-se pelo chão como pássaros de asas partidas.

— Mas o quê...? - Dylan começou, a voz rouca pela irritação. — Vê por onde andas! Tenho horas a cumprir, sabias?

Ele baixou-se bruscamente para apanhar as suas coisas, o sangue a ferver. À sua frente, uma jovem permanecia imóvel por um segundo.

Um lenço simples envolvia-lhe a cabeça e óculos de sol escuros escondiam-lhe o olhar, mas a aura de elegância que emanava dela era impossível de ignorar.

O tempo não parou. Só ficou mais caro.

Cada segundo de silêncio entre eles custava uma vida inteira de "e se".

Dylan sentiu o cheiro dela antes de ver o rosto: lavanda com algo amargo, como se ela tomasse chá preto mesmo no verão.

— Eu? — a voz dela soou como um chicote de seda, fria e arrogante.

— Tu vens a correr como se o mundo fosse acabar e a culpa é minha? Devias ter mais cuidado com o espaço dos outros, estrangeiro.

Dylan travou.

O insulto estava na ponta da língua, mas quando se levantou e os seus olhos encontraram os dela por trás das lentes escuras, o ar pareceu faltar.

Houve um silêncio súbito, um desses momentos em que a cidade de Londres parece emudecer sob a chuva miúda.

Por dentro era guerra: Ela é linda demais pra ser real. Ela deve me odiar. Por que ela usa óculos escuros com chuva? Por que eu fico burro perto de mulher com atitude?

— Desculpa — murmurou ele, a brusquidão a dar lugar a uma timidez súbita que o irritou ainda mais.

— Eu estava com pressa.

— Nota-se — retorquiu ela, apanhando o último livro com uma dignidade que não pertencia àquele chão sujo.

Dylan não ficou para ouvir mais. Encerrou a conversa com um aceno seco e apressou o passo, sentindo o peso do olhar dela nas suas costas.

Ele não percebeu que a sua mão estava mais leve.

Não percebeu que a fita vermelha tinha ficado para trás, repousada sobre uma mancha de luz no passeio.

A jovem, Williana "Will" Cooler, ficou parada, vendo-o desaparecer na multidão.

Tinha acabado de despistar o motorista da família numa ruela perto da biblioteca; pela primeira vez em semanas, era livre.

O seu telemóvel vibrou.

— Sim, pai? Estou a chegar... perdi-me na biblioteca.

Ao desligar, o seu olhar caiu sobre um ponto vibrante no chão. Inclinou-se e os seus dedos tocaram o cetim vermelho.

Frio. Gastado. Presa à fita, uma chave. E na fita, escrita à mão, uma morada que ela conhecia por ser perto da sua zona de estudo.

Will fechou a mão na fita vermelha.

O rapaz brusco do shopping tinha acabado de lhe entregar, sem saber, a entrada para o seu mundo.

O problema era: Will não sabia se queria entrar... ou se queria trancar a porta por dentro e ficar com a chave.

Deixe Gil saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

2

Amo isso

Engraçado

0

Engraçado

Picante

1

Picante

De Suspense

0

De Suspense

Emocional

0

Emocional

Profundo

0

Profundo

Tocante

0

Tocante

Chocante

0

Chocante

Boa Escrita

0

Boa Escrita

Enredo Envolvente

1

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

1

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

0

Diálogo Forte

Outras Recomendações

Quando o Tempo Voltou

Ramon Detoni: Apesar de ser o criador essa história conta momentos que gostaria de ter mudado, mas o tempo é curto e escolhas decide o futuro e destinos.

Leia Agora
No Ritmo Do Teu Silêncio

Amanda: Poesia e arte. E muito romance 👏🏻👏🏻👏🏻😍🥰

Leia Agora
RAINHA BLACK

RAVELLE D’AYS: Uma história impactnte para quem lê, eu amei a leitura e todo os contecimentos, e a família unida independente de tudo o que aconteceu o amor e a confiança entre eles foi d+, foi muito bom escrevê-la🫶

Leia Agora
Entre o Legado e o Amor

Kaka_otaku: Ainda não acabei de ler mais estou amando cada capítulo a história é maravilhosa, estou apaixonada nesse livro 😍

Leia Agora
Entre dois amores.

Batatas: Uma história linda,bem descrita é envolvente sem dúvidas umas das melhores histórias que e já li.

Leia Agora
O Teorema Hayes

Mariana Kaled: Eu amei tudinho! Gostei do enredo, dos personagens , do amor fluindo... muito bom! Leve e acolhedor!

Leia Agora
O Don:A aliança

Tilia jose: Gostei de tudo, do diálogo e da narrativa no geral. Uma história muito boa e merece o reconhecimento do público, o autor foi muito inteligente porque a história é viciante e não é apelativa

Leia Agora
A fortaleza de vidro

jazzed_zebra_782: História bem feita com personagens fortes e de caráter. Não usa de palavrões e nem linguagem chula. Muito bem mesmo. Recomendo, vale a pena ler.

Leia Agora