Ponto de Campeonato

Quatro horas e doze minutos.
Foi quanto tempo levou para reduzir vinte e três mil pessoas a um único suspiro contido.
Reyna Cho estava a dois pés da linha de base no Arthur Ashe Stadium, com os dedos dos pés cravados na quadra dura azul-marinho. O ar úmido da noite de Nova York pesava, carregado com o cheiro de sal, suor e cerveja cara. Acima dele, as luzes enormes do estádio brilhavam como sóis artificiais, projetando sombras marcantes aos seus pés.
Do outro lado da rede, brilhando sob essas mesmas luzes, estava Devon Ashworth.
Devon era um caos de energia cinética bruta e violenta. Seus cachos castanhos, queimados pelo sol, estavam colados à testa pelo suor. Sua camisa azul-marinho estava encharcada, grudada na largura dos seus ombros, e seus olhos cor de avelã queimavam com aquele tipo de fúria desesperada e inabalável que fazia os comentaristas usarem palavras como selvagem e implacável.
Placar: 6-5, quinto set. Vantagem, Cho. Ponto de campeonato.
Reyna quicou a bola amarela uma vez. Duas vezes. Três vezes.
Nhec.
Seus tênis aderiram à quadra. Reyna não suava como Devon. Ele não gritava ao bater na bola, nem quebrava raquetes quando uma marcação não lhe favorecia. A imprensa o chamava de Rei do Gelo — o número 1 do mundo que jogava tênis como um algoritmo resolvendo uma equação.
Inspire por quatro segundos. Expire por quatro.
Mantenha a máscara, Reyna lembrou a si mesmo, vendo de relance seu pai sentado, estoico, no box dos jogadores, com as mãos cruzadas sobre o casaco. Nunca deixe que eles vejam você sangrar.
Reyna lançou a bola para o alto.
Ele se esticou, atingindo o saque com uma batida limpa e explosiva. Um saque pesado com efeito, direcionado alto para o backhand de Devon.
Devon previu o movimento. Ele grunhiu — um som gutural e grave que ecoou pela quadra — e avançou para a esquerda, chicoteando a raquete para pegar a bola no seu ponto mais alto. O retorno foi um míssil plano e aterrorizante que passou a poucos centímetros da rede, caindo fundo na quadra de Reyna.
Bom, pensou Reyna, sua mente mapeando instantaneamente a geometria do ponto. Ele está se arriscando demais no forehand.
Reyna disparou para a direita, com as coxas queimando e os pulmões implorando por oxigênio. Ele alcançou a bola no segundo quique, ajustou o pulso por uma fração de milímetro e raspou o feltro com força.
Um forehand cruzado de alto risco.
A bola fez um arco sobre a fita branca, mergulhou bruscamente e beijou a borda externa da linha lateral antes de quicar inutilmente na parede de fundo.
O silêncio pairou sobre o estádio por meio segundo.
“Game, set, match e campeonato: Cho!” o juiz de cadeira anunciou no microfone.
O estádio explodiu. Vinte e três mil torcedores entraram em erupção, formando uma parede de barulho ensurdecedor. Flashes de câmeras disparavam como luzes estroboscópicas por todas as arquibancadas escuras.
Reyna não caiu de joelhos. Ele não rasgou a camisa nem chorou no piso acrílico da quadra como outros campeões faziam.
Em vez disso, ele se manteve ereto, soltou uma única e longa nuvem de ar quente e levou lentamente a mão ao rosto para soltar a munhequeira. Por dentro, seu peito era uma estrela moribunda. Seu coração batia violentamente contra as costelas, seu pulso gritava a duzentos batimentos por minuto e seu corpo desesperava-se para desabar sob o peso da exaustão absoluta.
Mas as câmeras estavam dando zoom. O mundo estava assistindo. Então, Reyna ajeitou o colarinho, ajustou a raquete na mão direita e assumiu sua armadura: calmo, indecifrável, intocável.
Ele caminhou lentamente até a rede para realizar o ritual obrigatório.
Devon já estava lá, apoiando seu corpo pesado na rede branca, respirando em arfadas curtas e irregulares. O suor escorria pela linha afiada do seu maxilar, caindo sobre a rede. Ele parecia um titã derrotado — ferido, furioso e devastadoramente vivo.
“Ótima partida,” disse Reyna, com a voz suave, controlada e cuidadosamente despida de qualquer triunfo.
Ele estendeu a mão direita.
O protocolo padrão ditava um aperto de mão de dois segundos: um toque rápido, um aceno de respeito profissional mútuo e um giro em direção ao juiz.
Devon segurou a mão de Reyna.
O contato atingiu Reyna como um choque elétrico.
A palma da mão de Devon estava queimando, áspera devido aos calos grossos, tremendo levemente pelo fluxo intenso de adrenalina. Mas, em vez de um toque breve e educado, os dedos de Devon prenderam a mão de Reyna com uma força possessiva e esmagadora.
Reyna congelou.
Devon o puxou para mais perto, atravessando a rede. De perto, Reyna podia senti-lo — suor salgado, fita da raquete e algo que era puramente Devon: selvagem, quente e perigoso.
Devon inclinou-se, seus olhos avelã travando nos olhos escuros de Reyna com uma intensidade aterrorizante e sem filtros. Não havia ódio em seu olhar. Havia algo muito pior: uma obsessão total, flamejante e perigosa.
“Na próxima, Cho,” Devon sussurrou, com a voz profunda, rouca e carregada de um calor que não tinha nada a ver com a umidade de Nova York. “Eu vou tomar isso de você.”
O ar faltou nos pulmões de Reyna. Seu pulso, que ele tentara acalmar por dez minutos, disparou violentamente em sua garganta.
Devon não soltou. Um segundo se passou. Dois segundos. Três segundos.
Diante de cem câmeras de transmissão internacional, suas mãos unidas ficaram suspensas sobre a rede, uma tempestade elétrica privada rugindo entre eles enquanto o resto do mundo aplaudia um troféu.
Reyna sentiu um impulso repentino e aterrorizante de deslizar o polegar pelas costas dos nós dos dedos de Devon. A percepção o apavorou tanto que ele puxou a mão, afastando-se do espaço pessoal de Devon.
“Pode tentar, Ashworth,” conseguiu dizer Reyna, com o tom seco, frio e perfeitamente defensivo.
Devon deu um sorriso minúsculo e amargo — um lampejo de dentes brancos contra a pele avermelhada — antes de girar nos calcanhares e marchar em direção ao banco, jogando suas raquetes dentro da bolsa.
Dez minutos depois, Reyna estava no centro da quadra, sob uma chuva de confetes prateados, erguendo o pesado troféu de prata do US Open acima da cabeça. As câmeras brilhavam. Seu pai deu um único aceno rígido de aprovação da primeira fila do box. Sua irmã, Min-Ji, aplaudia com entusiasmo, mandando um beijo para ele.
Reyna sorriu seu sorriso treinado pela mídia. Ele disse as coisas certas ao microfone sobre seu regime de treinamento, seu respeito pelo torneio e sua dedicação ao esporte.
Quando a cerimônia finalmente acabou, Reyna caminhou pelo longo túnel de concreto dos jogadores em direção ao santuário silencioso dos vestiários. O pesado troféu de prata repousava sob seu braço esquerdo, gelado contra suas costelas.
Ele parou do lado de fora do seu armário particular, finalmente sozinho no corredor silencioso.
Reyna levantou a mão direita — a mão que segurou a raquete do campeonato, a mão que levantou o troféu. Ele olhou para a palma da mão. A pele ainda formigava, avermelhada, vibrando com uma eletricidade persistente e aterrorizante.
Ele fechou os dedos em um punho cerrado, mas isso não apagou a sensação.
Reyna Cho acabara de ganhar seu quinto título de Grand Slam. Ele era o indiscutível número 1 do mundo. Mas, enquanto estava sozinho no corredor escuro do estádio, tudo o que ele conseguia sentir era o calor fantasma da mão de Devon Ashworth queimando através de sua pele.





