The proposal
"Seja minha namorada. Eu te dou cinquenta mil bahts."
Nalin engasgou com a própria saliva.
"Como é?" Ela limpou a boca com as costas da mão, mortificada, enquanto Arisa estava parada na porta parecendo satisfeita demais consigo mesma. "Você está falando sério? Disse isso com toda essa naturalidade?"
"Na verdade, não tem nada de natural nisso." Arisa sorriu. "E esse é o ponto."
"Arisa." Nalin largou o esfregão que estava usando — mal, por sinal — e cruzou os braços. "Eu te conheço desde que tínhamos sete anos. Eu vi você chorar por causa de uma Barbie quebrada. Uma vez, vi você engolir uma formiga inteira sem querer só por causa de uma aposta. Você não pode entrar aqui e me pedir em namoro como se fosse uma reunião de negócios."
"E é, de certa forma, uma reunião de negócios." Arisa entrou mais no cômodo, totalmente tranquila. "Eu até preparei uma apresentação."
"Uma apresentação."
"Slide um." Arisa levantou um dedo. "Você ganha cinquenta mil bahts por mês."
"Tem slide dois?"
"Slide dois." Outro dedo. "Eu paro de ter crises de pânico toda vez que meu pai menciona a palavra 'casamento'."
Nalin abriu a boca, fechou-a novamente e finalmente apenas encarou a outra. "Você quer explicar o slide dois direito ou vamos fazer essa apresentação inteira na base da contagem nos dedos?"
O sorriso de Arisa vacilou, apenas um pouco, e por um segundo a máscara caiu. "Meu pai está arranjando meu casamento. Com um homem. Um cara muito legal e entediante chamado Tenzin, que fala de golfe do jeito que as pessoas normais falam dos filhos."
"Entendi."
"E eu não posso me casar com ele, P'Nalin, porque nunca na minha vida tive vontade de beijar um homem, e tenho quase certeza de que isso é um requisito para o casamento, falando de forma geral."
O quarto ficou em silêncio. Nalin piscou.
"Você é..."
"Devastadoramente, sim." Arisa pressionou a mão no peito como se tivesse levado um tiro. "Eu sei disso desde os quatorze anos, quando chorei depois de assistir a um videoclipe de um grupo feminino por motivos que eu não entendia na época."
Sem querer, Nalin bufou. "Qual vídeo?"
"Isso não é relevante para o slide dois."
"É extremamente relevante. Eu preciso saber o que transformou Arisa Suthiwong em..."
"BLACKPINK," Arisa admitiu, inexpressiva. "Mais especificamente, a Jennie. Eu nunca me recuperei."
Nalin caiu na risada antes que pudesse se conter, e o rosto de Arisa se iluminou como se ela tivesse ganhado um prêmio.
"Viu só? É exatamente por isso que tem que ser você", disse Arisa, apontando triunfante para ela. "Você é a única pessoa que consegue me fazer rir no meio de uma crise."
"Isso não tem graça, Arisa. Seu pai vai ter um troço."
"É por isso que eu preciso de uma namorada. Uma namorada de fachada. Por três meses. Tempo suficiente para ele cancelar o casamento e para eu descobrir como contar a verdade sem que ele me deserde na hora." A voz de Arisa baixou, e a brincadeira sumiu por completo. "Eu preciso que ele veja que é sério. Que não é uma fase. E ele nunca vai acreditar se eu aparecer com uma estranha."
"Então você quer uma namorada falsa que ele já conheça e em quem confie."
"Eu quero você." Arisa disse aquilo com tamanha simplicidade que o estômago de Nalin deu um nó involuntário e vergonhoso. "Você vive nesta casa há anos. Ele respeita a sua mãe. Ele respeita você. Se eu disser que estou com alguém que esta família já conhece e ama, ele não vai poder simplesmente ignorar."
"'Ama' é uma palavra forte para uma mulher que limpa os banheiros dele desde que eu tinha doze anos."
"Ele ama a comida da sua mãe. Isso é basicamente a mesma coisa."
"Não é nem um pouco a mesma coisa."
"Certo, ele tolera você com profundo respeito. Melhor assim?"
"Um pouco." Nalin sentou-se no braço do sofá, esfregando as têmporas. "Arisa, você entende o que está me pedindo? Eu teria que mentir na cara do seu pai. O tempo todo. Por três meses. O que acontece quando ele perguntar como nos apaixonamos? O que eu devo dizer? 'Ah, um dia ela chorou por causa do BLACKPINK e eu simplesmente não consegui resistir'?"
"Essa é uma ótima história de origem, acho que deveríamos usar."
"Arisa."
"Tá, tá bom." Arisa ergueu as mãos em sinal de rendição e, sem aviso, sentou-se na almofada do sofá bem ao lado dela, muito mais perto do que o estritamente necessário. Nalin sentiu o perfume dela — algo caro, algo que não deveria ser tão bom. "Diremos que nos conhecemos na faculdade. Mantivemos em segredo porque eu não estava pronta. É simples. Você só precisa ficar perto de mim às vezes. Segurar minha mão. Olhar para mim como se não quisesse jogar meus sapatos no rio."
"Eu quero jogar seus sapatos no rio desde que tínhamos nove anos."
"Viu? Já estamos indo muito bem, temos química."
Nalin virou o rosto para encará-la, cometendo o erro estratégico de não calcular a proximidade de Arisa. Seus rostos estavam a poucos centímetros de distância, e qualquer comentário ácido que Nalin tivesse preparado evaporou no fundo da sua garganta.
Arisa também não se afastou.
"...Certo," conseguiu dizer Nalin, com a voz um pouco menos firme do que desejava. "Química."
"Eu te disse." A voz de Arisa soou suave, quase provocante, mas seus olhos tinham parado de rir. "Então, é um sim?"
"Eu preciso do dinheiro para o tratamento da minha mãe", disse Nalin calmamente, o humor esvaindo-se do cômodo em um instante. "Você sabe disso. Você está usando isso contra mim."
"Eu não estou usando contra você. Estou te dizendo que é verdade, e que preciso de você. As duas coisas podem coexistir sem que nenhuma de nós seja uma pessoa horrível." Arisa estendeu a mão e pegou a dela, entrelaçando os dedos com uma facilidade que parecia ensaiada demais para quem dizia estar em pânico. "Por favor, P'Nalin. Três meses. É só isso que eu peço."
Nalin olhou para as mãos unidas. Dezoito anos de história sustentavam aquele gesto, mas aquilo, qualquer que fosse aquela nova sensação estalando por baixo, parecia completamente desconhecido.
"Está bem", ela disse. "Três meses. Mas se o seu pai me fizer uma única pergunta sobre golfe, eu conto a verdade na hora."
Arisa riu — uma risada verdadeira, clara e aliviada — e, antes que Nalin pudesse se preparar, puxou-a para um abraço tão repentino que lhe tirou o fôlego.
"Obrigada", sussurrou Arisa contra seu ombro. "Você não tem ideia do que isso significa para mim."
"Você me deve muito mais do que cinquenta mil bahts por isso."
"Eu compro um autógrafo da Jennie para você."
"Arisa, eu juro que—"
O celular de Nalin vibrou intensamente sobre a mesa de centro, interrompendo-a. Ela se afastou para conferir, franzindo a testa — uma mensagem de um número desconhecido, enviada para sua linha pessoal que quase ninguém tinha.
"Parabéns pela nova namorada. O Khun Anucha já sabe? Adoraria estar presente quando você contar a ele. — T."
O estômago de Nalin gelou. "Arisa. Quem é T?"





