Capítulo 1
O Frostford Ice Complex não era exatamente o símbolo de glória no hóquei que Alex Foster imaginou quando assinou com os Hawks. O rinque era mais velho do que metade dos jogadores do time, com luzes fracas, assentos que rangiam de forma sinistra quando os torcedores se mexiam e um gelo que parecia mais vidro quebrado do que a superfície lisa e cristalina a que ele estava acostumado.
Alex ficou perto da mureta, mexendo na alça do seu capacete e tentando ignorar os sussurros que vinham dos outros jogadores. Eles não eram nada discretos. Nem precisavam ser. Ele já conseguia imaginar o que estavam dizendo.
“Aquele é o Alex Foster? O cara que deu aquele soco na temporada passada?”
“Ele não fez o time perder uma vaga nos playoffs?”
“Cabeça quente. Ele só está aqui porque ninguém mais o quis.”
Alex apertou o maxilar. Ele não tinha ilusões sobre o motivo de estar ali. Depois daquela briga infame no gelo, onde ele deu um soco tão forte em um adversário que quebrou o maxilar do cara, sua carreira despencou. Os patrocinadores pularam fora, seu nome ficou estampado em blogs de fofoca esportiva e seu antigo time deixou claro que estavam melhor sem ele.
Então ele estava ali, em Frostford — uma cidade tão pequena que a lanchonete ao lado era o melhor restaurante da região — tentando, aos poucos, voltar ao jogo.
“Foster! Pare de sonhar acordado e entre no gelo!”
O grito do técnico Reeves tirou Alex de seus pensamentos. Ele prendeu o capacete, puxou as luvas e entrou no gelo. Estava irregular, esburacado. Ele conseguia sentir cada imperfeição enquanto seus patins passavam por ali.
“Certo, exercícios! Movam os pés!” O técnico Reeves apitou. Alex patinou até a outra ponta do rinque, desviando dos cones com uma facilidade que vinha da prática. Seus músculos vibravam conforme ele forçava mais, indo mais rápido, deixando-se levar pelo ritmo da patinação.
Ele estava fazendo uma curva quando algo — ou melhor, alguém — surgiu no gelo. Alex não teve tempo de parar.
Eles colidiram com um baque surdo.
Alex caiu com força, deslizando pelo gelo antes de parar perto da mureta. Ele gemeu e se apoiou nos cotovelos, já se preparando para qualquer comentário sarcástico que viria do técnico Reeves.
Mas não era o técnico quem estava gritando.
“Que porra há de errado com você?”
Alex piscou, olhando para a figura que estava parada sobre ele.
Era um homem — alto, magro e elegante de um jeito que parecia deslocado naquele rinque velho e detonado. Ele vestia uma roupa de patinação preta e justa que realçava seu corpo, e seu cabelo escuro, preso em um rabo de cavalo baixo, brilhava sob as luzes fortes do rinque.
“Você é cego ou só gosta de bater nas pessoas?”, o homem disparou, tirando o gelo de suas luvas.
Alex se levantou rapidamente, com o temperamento explodindo. “Você é quem entrou no meu treino. Isso aqui é um rinque de hóquei, não um show de patinação artística!”
O homem revirou os olhos. “Certo, porque claramente você tinha tudo sob controle. Você estava patinando como um trator desgovernado.”
Alex deu um passo à frente, com os punhos fechados. “Escuta, não sei quem você pensa que é, mas...”
“Luca!”
Ambos se viraram quando uma voz soou do outro lado do rinque. Um grupo de crianças, talvez com seis ou sete anos, estava aglomerado perto da mureta, acenando empolgado.
O homem — Luca, pelo visto — suspirou e acenou de volta. “Já estou indo!” Ele olhou para Alex uma última vez, seus olhos violeta se estreitando. “Na próxima, tente não passar vergonha.”
Antes que Alex pudesse responder, Luca girou sobre os patins e deslizou para longe, seus movimentos tão suaves que parecia mal tocar o gelo.
O treino dos Hawks terminou uma hora depois, e Alex se viu sentado no banco, desamarrando seus patins enquanto o resto do time ia embora. Sua mente continuava voltando para Luca — a irritação em sua voz, o controle absoluto em seus movimentos.
Alex não estava acostumado a ser superado, muito menos por um patinador artístico.
“Primeiro dia difícil?”
Alex olhou para cima e viu o técnico Reeves encostado na mureta, de braços cruzados.
“Só um pequeno desentendimento”, murmurou Alex, tirando os patins.
Reeves bufou. “Esse ‘desentendimento’ foi com o Luca Marlowe. Ele é treinador de patinação artística aqui. Costumava ser um nome importante — campeão nacional júnior ou algo do tipo.”
“Faz sentido”, resmungou Alex.
Reeves deu um sorriso de lado. “Não leve para o lado pessoal. Ele é assim com todo mundo. Só fique longe do caminho dele.”
Mais tarde naquela noite, Alex se viu de volta ao rinque, incapaz de ficar longe. Ele disse a si mesmo que precisava trabalhar em seu jogo de pernas — seu técnico estava pegando no seu pé por causa de sua técnica desleixada —, mas no fundo, ele sabia que não era o único motivo.
O rinque estava silencioso, o único som era o zumbido do sistema de refrigeração. Alex amarrou os patins e entrou no gelo, aproveitando a calmaria.
Ele estava no meio de um exercício quando ouviu o som familiar de patins raspando atrás dele.
“Você realmente não sabe quando parar, sabe?”
Alex se virou, e lá estava ele — Luca, parado no meio do rinque com um sorriso divertido no rosto.
“Você de novo?”, disse Alex, exasperado.
Luca deu de ombros, colocando sua garrafa de água na mureta. “Eu poderia dizer o mesmo. Você sempre patina como se estivesse tentando fugir de uma avalanche?”
Alex patinou para mais perto, sua irritação borbulhando à superfície. “Você sempre tem o hábito de criticar as pessoas que não pediram sua opinião?”
“Só quando elas merecem”, disse Luca, de forma leve.
Por um momento, eles se encararam, a tensão espessa no ar. Então, para a surpresa de Alex, o sorriso de Luca suavizou.
“Você é rápido, admito isso”, disse Luca. “Mas você está desperdiçando metade da sua energia lutando contra o gelo.”
“O que isso deveria significar?”, perguntou Alex.
Luca inclinou a cabeça, analisando-o. “Você está tentando dominá-lo. O gelo não funciona assim. Não é algo que você vence — é algo com que você trabalha.”
Alex franziu a testa. “E você é um especialista, suponho?”
“Algo assim”, disse Luca com um dar de ombros. “Quer saber? Eu vou te mostrar.”
Alex levantou uma sobrancelha. “Por que você faria isso?”
O sorriso de Luca voltou. “Porque ver você se esforçando tanto é doloroso. E porque eu gosto de um desafio.”






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