A Chegada à Mansão Lombardo
A imponente mansão da família Lombardo ficava no centro de Mérida e era o maior símbolo de uma linhagem tradicional e muito rica. Com pátios internos cheios de plantas, fontes de água e grandes corredores de pedra polida, a casa mostrava a força de um império construído ao longo de várias gerações. Porém, para Victoria Lombardo, aquelas paredes altas e janelas decoradas não significavam apenas riqueza. Elas eram a moldura elegante de uma vida longa, respeitável e muito solitária.
Há cerca de quinze anos, a morte repentina de seu marido a transformou em uma jovem viúva e na única responsável por toda a família. Sem tempo para chorar por muito tempo ou se mostrar fraca, Victoria assumiu o comando de tudo. Ela carregou sobre os ombros a responsabilidade de criar os filhos, proteger o patrimônio contra pessoas gananciosas e manter limpo o nome de sua família. Com o passar do tempo, Victoria aprendeu a ser firme e fria para não perder o controle da situação.
Naquela manhã quente, o sol brilhava forte sobre o estado de Yucatán, criando sombras bonitas pelos corredores do casarão.
Victoria caminhava pelo pátio interno em direção à sala de estar principal com a elegância que sempre fez parte dela. Ela vestia um conjunto de alfaiataria simples, de cor neutra e corte perfeito, que desenhava seu corpo com modéstia e elegância. A postura reta, a cabeça levantada e o jeito firme mostravam a mulher forte que ela precisou se tornar para enfrentar os olhares exigentes e muitas vezes maldosos da alta sociedade mexicana.
Dentro da sala de estar, onde o ar-condicionado deixava o ambiente agradável e longe do calor da rua, os móveis de madeira de boa qualidade brilhavam com a luz do sol. Alessandro Lombardo esperava pela chegada de sua mãe. Ao lado dele, estava um homem jovem, alto, de ombros largos e rosto marcante.
Fernando Alanis era o amigo mais próximo de Alessandro desde a época em que estudaram juntos na Faculdade de Engenharia da Cidade do México. A amizade dos dois se fortaleceu durante noites inteiras de estudo, conversas sobre grandes obras e uma lealdade verdadeira que ia muito além de um simples coleguismo. Alessandro tinha uma grande admiração pela inteligência, pelo talento prático e pela honestidade de Fernando.
Por esse motivo, quando começaram a surgir os primeiros problemas nas estruturas e na parte prática dos novos projetos de expansão da empresa da família, o herdeiro não pensou duas vezes. Ele convidou o amigo de longa data para ser o chefe da equipe de fiscalização e obras.
A conversa calma entre os dois rapazes foi interrompida pelo som suave das grandes portas de madeira se abrindo. Quando Victoria entrou no ambiente, a luz do sol que passava pelas janelas altas pareceu iluminar a figura da matriarca de um jeito especial. Naquele exato segundo, o tempo pareceu passar mais devagar, e o mundo ao redor de Fernando parou completamente.
O jovem engenheiro tinha se preparado para conhecer a mãe do seu grande amigo. Ele esperava encontrar uma mulher mais velha, séria, distante e brava, sobre quem ouvia elogios e histórias desde os tempos da faculdade.
Mas, em vez disso, seus olhos viram uma mulher incrivelmente bonita, madura e tranquila. Os cabelos bem arrumados, a pele clara e os olhos castanhos expressivos mostravam um respeito profundo e uma força verdadeira, sem nenhuma vaidade, bobagem ou arrogância. Alessandro, sem perceber o choque silencioso que deixou o amigo paralisado, deu alguns passos para a frente com um sorriso carinhoso no rosto.
— Mãe – disse Alessandro, aproximando-se para dar um beijo carinhoso no rosto de Victoria — este aqui é o Fernando Alanis, o engenheiro de quem eu tanto falei para a senhora na época em que eu estudava na capital. Ele aceitou o nosso convite e veio para cuidar da expansão dos novos hotéis e projetos da nossa construtora.
Fernando deu um passo para a frente, obrigando o próprio corpo a reagir e sair do transe. A presença de Victoria não trouxe a ele apenas uma curiosidade simples, mas mexeu com ele com a força de um raio. O sentimento não nasceu aos poucos, depois de convivência ou de conversas planejadas. O amor de Fernando por Victoria aconteceu logo no primeiro olhar. Foi algo rápido, forte e profundo, que entrou no fundo da sua alma no exato momento em que seus olhos azuis e atentos encontraram o olhar castanho da viúva
.
Com muito respeito e tentando manter o controle para não parecer inconveniente, ele estendeu a mão firme em direção à dona da casa.
— É uma honra enorme conhecer a senhora pessoalmente, Sra. Lombardo – disse Fernando. Sua voz grave e suave soou de forma elegante pela sala espaçosa.
Ao aceitar o comprimento e segurar a mão de Fernando, Victoria sentiu na hora o calor do aperto firme e reparou na força do olhar que o rapaz mantinha sobre ela. Era um olhar que misturava um carinho sincero com um respeito impecável. Não tinha nada de desrespeitoso ali, mas trazia uma seriedade que ela não costumava ver nos homens que frequentavam as festas e jantares da sua casa. Por um pequeno segundo, Victoria sentiu o coração acelerar e a respiração falhar um pouco. Foi uma reação do seu corpo que a pegou de surpresa, mas que ela disfarçou rapidamente, voltando a ficar séria e elegante como sempre.
— Seja muito bem-vindo à nossa casa, Fernando – respondeu Victoria, olhando nos olhos do rapaz sem recuar. — Se o meu filho Alessandro confia tanto no seu trabalho e no seu caráter, tenho certeza de que os novos negócios da nossa empresa vão estar em excelentes mãos.
— A senhora pode ter certeza de que o meu trabalho, a minha dedicação e o meu respeito por esta casa e por esse projeto serão totais, Sra. Lombardo – afirmou o jovem engenheiro, fazendo uma leve inclinação com a cabeça em sinal de respeito.
Alessandro, muito animado com a recepção e por ter o seu melhor amigo ali na sede da empresa, caminhou até a grande mesa de centro para pegar os papéis, desenhos e os primeiros relatórios dos novos hotéis.
— O Fernando e eu estávamos olhando os primeiros desenhos do projeto antes de a senhora chegar, mãe – explicou Alessandro, abrindo as grandes folhas sobre a mesa de mármore. — Os estudos do terreno no litoral pedem uma atenção técnica que só o Fernando consegue dar. Ele já encontrou alguns erros no solo que poderiam fazer a empresa perder milhões de dinheiros se ninguém tivesse visto a tempo.
Victoria se aproximou da mesa para acompanhar a explicação do filho, mas a presença física de Fernando tão perto criava no ar uma atração forte e difícil de ignorar.
Enquanto Alessandro falava com empolgação sobre os prazos de trabalho, o dinheiro que seria gasto e as metas para os próximos meses, Fernando continuava prestando atenção nas palavras do amigo. Ele fazia comentários precisos, corretos e demonstrava um conhecimento muito grande da sua profissão. Porém, por trás daquele homem sério e focado no trabalho, o seu coração já pertencia totalmente à mulher que estava parada ao seu lado.
Fernando olhava os movimentos delicados de Victoria enquanto ela mexia nos papéis. Ele reparava no jeito como a luz do sol mostrava os detalhes do cabelo dela e na forma calma como ela fazia perguntas importantes sobre a segurança da construção. Ele sabia, pensando de forma lógica e racional, que aquele sentimento era muito complicado de dar certo. Existia uma grande diferença de idade entre eles, a distância de classe social por causa do sobrenome importante da família Lombardo, as fofocas e o julgamento da sociedade antiga de Mérida e, acima de tudo, a amizade verdadeira que o ligava a Alessandro.
Mesmo assim, ao olhar de novo para Victoria e ver um pouco de tristeza e solidão no fundo dos olhos castanhos dela, Fernando entendeu que nenhuma regra da sociedade seria capaz de apagar aquele sentimento que tinha acabado de nascer. Ele não tinha ido até ali apenas para construir prédios e cuidar de obras para a construtora. O destino tinha colocado os dois no mesmo caminho e criado a promessa de um amor proibido, que mudaria para sempre a vida daquela mulher e o futuro de toda a família Lombardo.




