Prólogo
- Ela é sua esposa, Leonardo.
O silêncio tomou conta do quarto. As palavras ecoaram como um idioma desconhecido, incapaz de fazer sentido dentro da mente vazia do homem deitado na cama do hospital.
Esposa?
Leonardo De Santis desviou os olhos lentamente para a mulher parada o lado da porta. Ela segurava um buquê de lírios brancos com tanta força que algumas pétalas já estavam amassadas. Os olhos castanhos estavam vermelhos de tanto chorar, mas, ainda assim, havia um brilho de esperança neles. Como se estivesse esperando apenas um único gesto... um sorriso, um olhar de reconhecimento.
Qualquer coisa.
Leonardo a observou por alguns segundos.
Ela era linda.
Os cabelos castanhos dourados caíam em ondas delicadas sobre os ombros, e o vestido claro parecia simples diante da elegância que ela carregava naturalmente.
Mas, havia um problema.
Ele nunca a tinha visto antes.
- Quem.. é você?
A pergunta saiu baixa, quase um sussurro.
O sorriso que começava a surgir no rosto da mulher, desapareceu imediatamente.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
- Léo.. sou eu.
Ela deu um passo a frente.
- Isabella.
Nada. Nenhuma lembrança, nenhuma imagem, nenhum sentimento. Era apenas um nome.
Leonardo franziu a testa, tentando encontrar qualquer fragmento daquela mulher em sua memória. Um rosto, uma voz, um perfume... Nada.
- Desculpe.. - murmurou, sem conseguir esconder a confusão. - Acho que está acontecendo algum engano.
O buquê escorregou de suas mãos.
As flores atingiram o chão com um som quase imperceptível.
Mas, para Isabella, foi como ouvir o próprio coração se partir.
Cinco anos.
Cinco anos de casamento. Cinco anos construindo uma vida ao lado do homem que prometeu amá-la para sempre. E bastaram alguns segundos para que tudo deixasse de existir.
O monitor cardíaco acelerou.
Os médicos entraram rapidamente no quarto.
O Dr. Gabriel Montenegro pediu que Isabella se afastasse.
Ela obedeceu sem dizer uma única palavra.
Permaneceu do lado de fora, observando pela pequena janela da porta enquanto o homem que conhecia melhor do que qualquer pessoa era examinado por estranhos.
Naquele instante, compreendeu uma verdade cruel.
Leonardo De Santis não havia morrido no acidente.
Mas, o homem que a amava... esse talvez nunca mais voltasse.





