Água Rosa
Prólogo
O Pavilhão de Seline
Ninguém com um pingo de juízo ousava encostar o dedo nas caixas que traziam o sinete de ferro da Imperatriz Seline.
Lorde Corin conhecia essa regra melhor do que ninguém. Estava ciente também das histórias sombrias que vinham da capital. Sussurros sobre o que a jovem consorte de Maro, fazia nos porões com os prisioneiros de guerra, e rituais esquisitos para garantir que a coroa não saísse da cabeça do marido. Por isso, quando o pavilhão de suas terras foi transformado em depósito temporário para o leilão imperial, Corin apenas baixou a cabeça e aceitou, fingindo uma ignorância caipira que não possuía.
O pavilhão cheirava a mofo e fumaça de tocha. Havia espelhos de prata vindos de famílias élficas que já tinham sido apagadas do mapa, adagas com cabos feitos de osso de quimera e jarros cheios de um óleo escuro que ninguém sabia para que servia. Para Corin, aquilo tudo era só um problema político que precisava engolir. Ele não se importava com magia ou relíquias antigas, o que almejava era a garantia de que o Imperador continuaria olhando para o Sul e permitindo que cobrasse cada moeda dos camponeses que se matavam de trabalhar no trigo.
— Não saia do lugar. Nem um palmo. Avisou o enviado real, um sujeito pálido que cheirava a incenso de capela. — Seline quer ver lote por lote quando chegar. Ela está atrás do que os antigos tentaram esconder na terra. Principalmente as coisas das Casas que se rebelaram contra as legiões de Maro.
O sujeito apontou com o queixo para um cinturão de couro velho em cima de uma mesa capenga. Ostentava placas de bronze cheias de uma escrita estranha, daquelas que a coroa tinha proibido há anos. Para Corin, parecia só sucata exótica que algum nobre arrogante pagaria caro para pendurar na parede de um castelo.
O lorde garantiu que ninguém chegaria perto. Espalhou seus capatazes pelas saídas, sujeitos brutos com porretes que batiam em qualquer lavrador se sumisse uma única espiga do celeiro. A gente dali era miserável, assustada pelos discursos que os arautos faziam nas feiras sobre como o mundo fora dos muros do Império, era cheio de monstros que comiam gente viva.
A noite caiu fria e pesada. Corin foi dormir no seu quarto quente, achando que o medo manteria os famintos longe. Ele só não sabia que, bem na beirada da floresta, uma garota oculta no escuro, vigiava os guardas com uma audácia que nenhuma lei imperial conseguia segurar.
A Lenda de Abeni
Capítulo 1
-Água Rosa
A terra no Sul tinha a cor de sangue seco e cobrava caro por cada grão de trigo que tentávamos arrancar dela.
O sol estava caindo, uma linha vermelha esmagada no horizonte, esticando sombras compridas na plantação de Lorde Corin. Limpei a testa com o braço, deixando um rastro de lama escura misturada ao suor na minha pele morena. Minhas costas ardiam. Naquela primavera, eu mesma tinha cortado meu cabelo na altura dos ombros usando uma faca de capina cega. Os vizinhos disseram que era pecado, que mulher sem os cachos longos e arrumados não arranjava marido para tirá-la da miséria. Não dei a mínima. Cabelo cumprido só servia para os outros puxarem numa briga ou para grudar na cara quando eu estava treinando escondida entre as árvores.
Do meu lado, meu pai, Barak, fincava a enxada com aquele ritmo de bicho de tração que o Império lhe impusera. Ele era largo, com a espinha meio torta de tanto eito, mas seus olhos cuidavam de nós no silêncio.
— Zian, para um pouco. Meu pai falou, com aquela voz grossa de quem está exausto. — Bebe um gole de água. Suas mãos estão tremendo.
O caçula largou o feixe de palha. Zian era miúdo, compartilhava os mesmos traços terrosos que eu e ainda tinha cara de quem perdera os dentes de leite há pouco tempo. No entanto, as palmas de suas mãos já estavam cheias de bolhas estouradas, grossas como couro. Seus olhos eram opacos, sem aquela vivacidade que uma criança costuma ter. A lavoura roubava a infância antes de conseguirmos entender o tamanho do mundo.
— Eu aguento, pai. Zian resmungou, tentando engrossar a voz sob o mormaço. — O sino já vai bater.
Olhei para o meu irmão com um aperto no peito, mas logo desviei o olhar para Kaelen. Ele era enorme, tinha o peito largo de um homem feito, mas parecia que o cansaço não o atingia. Estava agachado perto da vala de água, rindo sozinho enquanto usava um graveto para empurrar uma fileira de formigas em cima de um pedaço de madeira. Ele chamava aquilo de cavalo. Kaelen tinha a força de dois homens nos braços, mas sua mente era um canto limpo, onde os cobradores de impostos e as leis do Imperador Maro não conseguiam entrar.
— Olha, Abeni. Ele me chamou, sorrindo com uma inocência que me dava vontade de chorar. — Meu cavalo está levando o exército delas para o castelo de folhas. Elas correm muito.
— Correm sim, Kaelen. Respondi, passando a mão no ombro dele com cuidado. — Mas vamos juntar as coisas. O sol já sumiu.
Quando chegamos ao casebre de barro na beirada da vila, minha mãe, Zola, estava esperando na porta. Ela era o que mantinha aquela casa de pé. Mas seu olhar foi direto para a minha postura, para os meus braços marcados pelo cabo da enxada como se eu estivesse empunhando uma espada.
Mais tarde, enquanto meu pai ajudava Kaelen a tirar a terra dos sapatos e Zian desabava de sono na esteira, minha mãe me puxou para o canto do fogão, onde uma sopa rala borbulhava.
— O povo estava falando de você na praça hoje, Abeni. Ela disse, baixinho, com aquele medo antigo na voz. — Disseram que viram você pulando as pedras do rio ontem, dando golpes no vazio, com um galho de carvalho. Estão dizendo que você é esquisita, que sua cabeça está cheia de vento.
— Eles são covardes, mãe! Aceitam viver na lama do lorde. Falei, sentindo o sangue subir.
— Eles aceitam continuar vivos. Ela me corrigiu, tocando minha bochecha com os dedos calejados. — Tenho medo do que vai ser de você. Essa fúria... Você fala igualzinha à sua tia Naomi. E você sabe onde o orgulho a levou. Morreu sozinha, largada na floresta, caçada pelos sussurros do povo até o corpo esfriar. Eu amo sua força, minha filha, mas o Império esmaga quem tenta voar. Não quero ter que enterrar você.
Meu pai largou a bacia onde lavava as mãos e aproximou-se, em silêncio. Ele conhecia os meus sonhos de guerreira e os horizontes que eu reuni no peito. Pousou a mão pesada no meu ombro.
— Abeni, as estradas estão cheias de soldados. Gente com fome não tem direito a ser herói. Esqueça os galhos, esqueça as histórias. Amanhã o trigo nos espera.
Fui deitar com aquilo martelando na cabeça.
Tudo era cinza de dia, mas quando eu fechava os olhos, o mundo antigo aparecia com outra cor. Nos meus sonhos, tudo era de um âmbar escuro, da cor das folhas de outono, quando o sol da tarde passa por elas bem antes de caírem. Cheirava a resina de pinheiro, terra molhada de chuva e o som de um rio limpo batendo nas pedras, um lugar que eu nunca tinha visto acordada.
Na minha frente, descalça no musgo, estava a tia Naomi. Fazia dois anos que a febre a tinha levado, mas ali ela não era pálida, parecia esculpida em madeira escura e forte, com a mesma tez firme que a nossa. Ela usava tranças com pedaços de corda e contas de osso, a face de uma mulher que nunca tinha abaixado a cabeça para ninguém.
— Olha para as suas mãos, minha pequena. Naomi falou. A voz dela não era um grito, mas parecia um tambor batendo no fundo de uma caverna. — O que você vê nelas?
Olhei para as minhas palmas no sonho. Mãos de uma garota de dezesseis anos, escuras, cheias de calos do cabo da ferramenta, sujas de fuligem do fogão.
— Só vejo a sujeira do campo, tia. Sussurrei, com aquela angústia que eu sempre sentia na vila. — A sujeira que eles jogam na gente todo dia.
Naomi deu uma risada baixa, meio triste pela minha cegueira. Deu um passo, espantando o frio do sonho, e segurou meu rosto com uma força que quase doeu.
— Eles jogam terra em você, Abeni, porque têm medo do aço que há por baixo. O tempo dos muros está cobrando o preço. Os homens daqui esqueceram quem mandava nas ilhas antes de os reis levantarem essas torres de pedra. Acham que a força está nas armaduras. Mas a verdadeira força... a que não se curva... está no sangue que eles tentam derramar. Você está crescendo. Não deixe que apaguem seu fogo antes da hora.
O calor da mão dela sumiu de repente. Um frio esquisito cobriu minha pele e o som do rio virou um estalo seco, violento, real.
A batida na porta foi tão forte que a poeira das vigas flutuou e caiu nos meus olhos. Dei um salto da esteira, com o coração na boca. O dia mal tinha clareado, a luz que entrava pelas frestas era de um azul doentio, gélido ao extremo, típico das manhãs do Sul.
— Abre isso aí! Cobrança da guarda provincial! Não façam a gente quebrar essa cabana! O grito lá fora veio junto com o barulho de metal batendo. Armaduras.
Movi-me sem fazer barulho até o vão da cozinha, com os batimentos acelerados. No meio da sala, meu pai já estava de pé. Pelo canto do olho, vi minha mãe segurando Kaelen pelos ombros no quarto, mandando que ficasse quieto. Ele já estava balançando o corpo, assustado com o estrondo. Se saísse dali com aquela força bruta e a mente de criança, os guardas o matariam sem pensar duas vezes. Eu odiava ver nossa casa daquele jeito. Meu pai, que já tinha sido um homem alto e forte, parecia carregar o peso do Império inteiro nas costas. Ele tremia tanto que errou o trinco duas vezes.
— Já vai... já estou abrindo, senhores... por favor. A voz dele era um fio, uma humilhação que me fez morder o lábio.
Quando o trinco cedeu, a porta foi empurrada com o pé. Meu pai cambaleou para trás. Dois homens imensos entraram, quebrando o pouco de paz que possuíamos. Usavam as cotas de malha pesadas de Lorde Corin, com tabardos escuros que cheiravam a couro velho e sebo de cavalo. O da frente tinha uma cicatriz feia na sobrancelha esquerda e um olhar de puro desprezo.
— O sol já saiu, velho. O lorde não gosta de esperar o dízimo de emergência. O da cicatriz falou, batendo o cabo da alabarda no chão de terra. A cabana inteira tremeu.
— Senhor... dízimo de emergência? Mas nós pagamos a cota regular faz duas semanas. Meu pai levantou as mãos, mostrando os dedos magros, a própria miséria em pele e osso. — A geada destruiu metade do trigo que tínhamos guardado. Se levarem mais, não comeremos até o próximo mês. Amanhã eu volto ao campo para colher o que sobrou... Eu imploro, pelos deuses...
— Os deuses não pagam os guardas, e o Lorde Corin precisa arrumar as carruagens para a comitiva imperial. O guarda deu um passo, encurralando meu pai contra a mesa desgastada. — Se não têm moedas, olharemos o curral. O intendente disse que vocês têm uma rês. Levem a vaca.
— Não! Um grito agudo cortou a sala.
Zian correu e se meteu na frente da porta do curral. Abriu os braços, o corpinho moreno tremendo de pavor, mas encarando os soldados. O animal lá dentro, sentindo a confusão, batia os cascos no cocho.
— A vaca não! — Zian chorava, a voz sumindo no desespero. — Ela é nossa! Vocês não podem levar!
O outro guarda nem parou. Com um movimento curto e totalmente displicente do braço de ferro, ele empurrou o menino para fora do caminho. Não foi um soco, foi como quem afasta um galho seco na estrada. O corpo de Zian bateu direto na parede de barro da cabana. O baque foi surdo, tirando todo o ar de seu peito. Ele desabou no chão, encolhido, soltando só um chiado, sem conseguir respirar.
Minha mãe abafou um grito no quarto, prendendo Kaelen contra o peito com toda a força que tinha. Queria correr até o menor, mas sabia que, se soltasse o mais velho em pânico, todos morreriam ali.
Olhando para o meu irmão caído sem ar e ouvindo a bota do outro homem invadindo o curral, o que tia Naomi falou sobre o aço virou uma onda quente na minha cabeça. Não pensei em lei, em Império ou no que ia acontecer. Saí do escuro do corredor e me joguei na frente do líder da patrulha, cravando as unhas na cota de malha dele, empurrando com toda a fúria que meus dezesseis anos conseguiam juntar.
— Saiam daqui! Seus monstros! Vermes do lorde! — berrei, extenuando a voz.
O guarda da cicatriz parou, surpreso com a audácia de uma garota do vilarejo. O deboche na cara dele virou um ódio frio num segundo. Para ele, um pedaço de trapo não tinha o direito de morder.
O movimento dele foi rápido, curto. O dorso da manopla de couro grosso pegou em cheio na minha bochecha esquerda.
O impacto foi horrível. O mundo deu uma volta completa dentro da minha cabeça e meu corpo voou contra a mesa, caindo pesado no chão. Uma dormência fria cobriu o lado esquerdo do meu rosto, seguida por uma queimação que parecia rasgar o osso. Tossi, e a terra debaixo de mim ficou manchada com um filete grosso de sangue que escorria da minha gengiva, cortada contra os meus próprios dentes.
Meu pai, vendo Zian sem ar e o meu rosto machucado, quebrou por completo. Ele não avançou, não levantou a mão para defender a gente. Tomado por uma impotência que me deu mais nojo do que pena, aquele homem que já fora forte, caiu de joelhos no meio da sala, cobriu o rosto e começou a chorar. Um choro convulsivo, sem dignidade nenhuma. Entregou-se inteiro, alisando o chão com os dedos, tentando sumir para que os homens não decidissem ferir o resto da família.
Com a visão meio turva e o sabor metálico na boca, vi de lado, com o rosto colado na poeira, o soldado mais novo passar arrastando a nossa vaca por uma corda. O animal fincava os cascos na terra, soltando um mugido assustado que ecoou nas vigas como um lamento fúnebre.
— Se voltarmos na próxima lua e o dízimo não estiver pago, levamos o que sobrou da casa. O líder avisou, limpando a manopla na túnica antes de sair.
Os homens foram embora, deixando a porta escancarada para o frio.
A casa parecia morta. Meu pai continuava de joelhos, soluçando baixo. Zian estava encolhido perto da parede, tentando puxar o ar entre os espasmos de choro. No canto escuro, minha mãe saiu do quarto, ajoelhou-se do lado de Kaelen, abraçando-o forte e balançando o corpo para ele se acalmar. Ele continuava sem entender a violência, olhando para o nada e murmurando aquela música sem nexo dele: “A pele cai... o osso fica... o fogo limpa o que a terra suja...”
Empurrei o chão com as mãos, sentindo a poeira grudar no sangue dos meus dedos. Eu não ia chorar. Andei firme até o balde de água perto da porta, quebrei a película de gelo da superfície e enfiei a cara inteira lá dentro.
A água congelante anestesiou a carne rasgada por dentro da boca. Fiquei ali embaixo de olhos abertos na escuridão do balde, vendo as linhas vermelhas saindo do meu nariz e se espalhando como fumaça na água limpa. Quando puxei a cabeça de volta, a água estava rosa.
Limpei a boca com o braço, olhei para o meu pai arruinado no chão, para a minha mãe tentando segurar os pedaços de Zian, e sem falar nada para ninguém, cruzei a porta escancarada, saindo para a manhã cinzenta. O frio na minha bochecha ardia, mas a fome que começava a morder o meu estômago, aquela que não se resolve com leite ou trigo, era muito pior. Eu não era mais uma menina, eu era o que sobrava quando o fogo passava e não encontrava mais nada para queimar.
Mal dei o primeiro passo para fora, uma mão firme e calejada segurou o tecido gasto do meu braço. Era a minha mãe. O cheiro de gordura velha e nabo cozido que grudava nas roupas dela veio junto, um aroma que sempre me dava conforto, mas que ali parecia o próprio perfume da nossa miséria.
— Abeni, para! Pelo amor dos deuses, olha para mim! Zola implorou.
Os olhos dela analisavam o estrago do meu rosto. Ela tinha um pedaço de pano velho e molhado na mão. Vi os dedos dela tremerem quando tentou levantar o tecido para aliviar o inchaço na bochecha, que já estava roxeando.
— Você está ferida, minha filha. O corte por dentro da boca... seu nariz não para. Deixa eu limpar isso, entra, sai desse vento — a voz dela era um sussurro sufocado, com medo de os guardas ainda estarem por perto.
— Não! Respondi. Minha voz saiu rachada, áspera e seca. Puxei o braço com força. A fúria dentro de mim, era um bicho faminto que recusava qualquer carinho. — Não vou ficar trancada naquela sala fingindo que somos feitos de barro. Não vou me esconder enquanto eles levam o resto do que roubaram da gente.
— Você não entende as coisas... você é só uma menina...
— O que eu entendo é que o meu pai é um covarde! As palavras saíram da minha boca como cacos de vidro quente. Senti a carne interna repuxar quando gritei. Apontei para o meio da sala, onde ele ainda estava jogado no chão. — Ele viu tudo de joelhos, mãe! De joelhos! Deixou aquele miserável de armadura jogar o Zian na parede como se meu irmão fosse um saco de palha podre. Entregou nossa única rês sem levantar um punho. Chorou! Um homem feito, chorando e alisando o chão para agradar soldados! Eu tenho nojo, mãe. Nojo de ter o sangue dele!
O silêncio que veio depois foi mais pesado que o imposto do Imperador. Minha mãe baixou a mão com o pano devagar. O rosto dela pareceu murchar, envelhecendo dez anos num segundo. Não havia raiva nos olhos dela, só aquela sabedoria trágica e gélida de quem já tinha visto o mundo quebrar muito homem orgulhoso nas províncias.
— Se o seu pai tivesse levantado um dedo contra aqueles homens, Abeni... A voz dela desceu para um sussurro cortante, colada no meu ouvido. — Aqueles soldados não teriam levado só a vaca, tinham limpado o aço das alabardas no meu pescoço, no do seu irmão caçula que mal consegue respirar, no do Kaelen que não sabe se defender e no seu, ensopando esses seus cachos de sangue na lama da cozinha. Você acha que a força está em morrer sangrando no chão? Seu pai não foi fraco, minha filha. Ele engoliu o orgulho, mastigou a dignidade e se cobriu de lama para que você estivesse viva agora, tendo o luxo de me gritar esses insultos.
Virei as costas antes que a angústia represada virasse lágrima. Eu me recusava a chorar! Choro era o anúncio da derrota, e eu não estava derrotada. Saí pisando fundo pela ruela de terra batida, deixando a minha mãe na porta, e o lamento silencioso da nossa cabana para trás.




