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O Espelho da Meia Noite

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Resumo

ESPELHO DA MEIA NOITE Um Conto de terror . Ana só queria reencontrar o namorado e aproveitar a festa de Halloween. Mas uma visita a uma loja antiga transforma sua noite em uma contagem regressiva para o horror. Quando um espelho se estilhaça diante dela, a lojista faz uma advertência: até a meia-noite, Ana pagará cinco vezes pelo que foi quebrado. Entre reflexos inquietantes e acontecimentos cada vez mais assustadores, ela tenta escapar de uma presença que parece acompanhá-la em qualquer lugar. Seu caminho a leva a uma pousada isolada, onde o passado guarda marcas que o fogo não conseguiu apagar. O relógio está correndo. E há coisas que só precisam de um reflexo para encontrar você. Você teria coragem de olhar?

Gênero
Horror
Autor
CarolPadberg
Status
Completo
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1

O motor do carro roncou baixinho enquanto Ana estacionava perto do campus. Era véspera de Halloween, e o ar úmido de outubro trazia cheiro de folhas molhadas e pura expectativa. Depois de um semestre inteiro estudando fora, ela só conseguia pensar em abraçar o namorado, Ítalo, e curtir a festa da fraternidade.

Para entrar no clima, passou em uma boutique antiga no caminho. A loja parecia congelada no tempo: paredes de madeira escura, teias cenográficas, um cheiro denso de lavanda e poeira, quinquilharias góticas sob castiçais elétricos. Perto do caixa, um recorte de jornal amarelado, emoldurado, noticiava o incêndio da Pousada Vila Serena, com a foto de uma mulher e uma menina de maria-chiquinhas. Atrás do balcão, a lojista, de pele pergaminhosa e coque severo, a observava em silêncio.

Enquanto Ana examinava os vestidos, a porta se abriu com um rangido arrastado. Entrou uma jovem de vestido branco, e o estômago de Ana revirou: o rosto da mulher estava desfigurado por queimaduras, a pele em carne viva e retorcida.

Diante de um grande espelho ornamentado, Ana a encarou pelo reflexo e pensou: "Nossa... as pessoas estão mesmo exagerando nas fantasias."

No instante em que a mulher ergueu o olhar e encontrou o dela através do vidro, o espelho se estilhaçou num estrondo ensurdecedor.

— Você quebrou o espelho?! — disparou a lojista pelo corredor.

— Juro que não fiz nada! Eu nem encostei nele!

A mulher desfigurada sorriu e sussurrou, rouca:

— O espírito encontrou seu alvo.

— Eu pago! — Ana procurava a carteira, aterrorizada. — Quanto custa?

A velha balançou a cabeça devagar.

— Seu dinheiro não tem valor aqui. O preço do que foi quebrado não se mede em moedas. Até a meia-noite, você pagará cinco vezes o dano que causou.

Ana largou algumas notas sobre o balcão e saiu quase correndo. Ao passar pela vitrine, viu o próprio reflexo e o salto prendeu numa fenda do concreto. Caiu de joelhos, o salto partiu-se, o jeans rasgou. "Só um tropeço", pensou, mancando até o dormitório. Mas o frio na espinha não passou.

No quarto, vestiu um espartilho preto, saltos altos (outro par), batom vermelho-sangue e um chapéu de bruxa. Às 21h, chegou à casa da fraternidade. Um rapaz cambaleante, saindo com outra garota, abriu a porta e a deixou entrar.

Subindo as escadas, ouviu gemidos abafados vindos do quarto de Ítalo. Empurrou a porta e olhou para o reflexo do espelho sob a cômoda da suíte. Ali, o sangue dela gelou: Ingrid, a colega que a detestava, estava de joelhos diante do seu namorado nu. Italo estava sentado na beirada da cama, gemendo alto, cabeça jogada para trás em frenesi, enquanto seus dedos agarravam as orelhas de coelhinho da fantasia de Ingrid.

— QUE PORRA É ESSA, ÍTALO? — Bravejou Ana, sem se dar conta do trocadilho.

Ítalo tentou se vestir às pressas, gaguejando desculpas. Ingrid limpou os lábios com a ponta dos dedos e exibiu um sorriso vitorioso. Cega de raiva, Ana avançou.

— SUA PIRANHA! EU VOU TE MATAR! — gritava, arrastando Ingrid pelos cabelos até o corredor escuro.

Na confusão, as duas tropeçaram. Ingrid se chocou contra a janela, o vidro cedeu e ela despencou do segundo andar, num ângulo antinatural, imóvel.

Ítalo surgiu no topo da escada, pálido.

— Ana... o que você fez?!

Ela olhou as próprias mãos trêmulas. "Eu não queria. Meu Deus, eu não queria." Em pânico, fugiu para o carro e pegou a estrada.

Às 22h, a chuva despencou. O asfalto virou um breu quase intransponível, e um zumbido grave e constante vibrava no ar, como se o próprio carro respirasse. Um trovão rasgou o céu e, por uma fração de segundo, Ana jurou ver, pelo retrovisor, uma mulher de branco no meio da pista.

Girou o volante com violência. O carro balançou como se cruzasse uma zona de turbulência, derrapou e bateu contra um barranco. Ana saiu tonta, com um corte sangrando na testa, mas a estrada estava completamente vazia. Sem sinal no celular, abandonou o veículo e caminhou pela chuva.

Às 22h45, avistou uma pousada isolada. O lugar fedia a mofo e umidade, o carpete estava manchado, as paredes descascavam, e uma lâmpada fraca zumbia sobre a recepção abandonada.

— Não temos vaga. Estamos em reforma por causa do último incêndio — disse a recepcionista, sem erguer os olhos.

— Por favor — implorou Ana, sangrando. — Aceito qualquer coisa. Não tenho para onde ir.

— Só um quarto disponível. Era o da antiga dona da pousada. Ninguém mais quis ficar nele desde o incêndio. — Ela pegou uma chave de bronze, pesada e escurecida. — Mas a senhorita pode ficar.

Subiram a escada em silêncio. A porta se abriu para uma suíte suntuosa: madeira escura polida, cortinas de veludo, cama king-size com dossel, banheira vitoriana. O luxo destoava de todo o resto, e tudo parecia bem cuidado, como se alguém ainda morasse ali.

— Ela gostava de espelhos. — comentou a recepcionista, da porta.

Ana quis perguntar o que ela queria dizer, mas, quando se virou, a mulher já tinha ido embora. A chave ficou na fechadura, por dentro.

Às 23h30, Ana tentou relaxar num banho quente para lavar o sangue e o horror da noite. Ao sair, de roupão branco, parou diante do espelho de moldura de prata. No reflexo, num vislumbre, a mulher de branco a observava por cima do seu ombro, sorrindo.

Ana se virou de supetão. O quarto estava vazio. A televisão exibia apenas chuviscos e um chiado ensurdecedor. Ela se deitou, puxou os cobertores até o queixo e fechou os olhos, tentando fingir que nada daquilo era real.

Contou nos dedos, em silêncio: o salto, a traição, Ingrid, o acidente. "Quatro." Faltava uma.

00:00.

As luzes se apagaram de uma só vez. Na escuridão, três batidas ecoaram na porta.

— Quem é? — perguntou Ana, levantando-se com cautela. Nenhuma resposta.

Ela voltou para a cama. Antes de se deitar, as três batidas soaram de novo. Ana foi até a porta e a abriu. No corredor havia uma menina de no máximo treze anos, de vestido branco e maria-chiquinhas, a mesma da foto do jornal.

— Água, por favor?

O corredor atrás dela estava vazio.

— Onde estão seus pais, menina?

— Água, por favor — repetiu a garota, inexpressiva.

— Você não devia incomodar os hóspedes — reclamou Ana, fechando a porta.

Segundos depois, as batidas voltaram. Ao abrir, lá estava a mesma menina.

— Água, por favor.

Sem paciência, Ana foi ao banheiro encher um copo. Quando ergueu os olhos para o espelho sobre a pia, a menina estava parada logo atrás dela. Do outro da porta, o quarto ardia em chamas . A sua frente o rosto da criança começou a escurecer, a rachar e a queimar.

"Cinco."

As luzes se apagaram de vez, e um grito estridente rasgou a escuridão.

—NÃÃOO!

— Senhorita? Senhorita, você está bem? — perguntou uma voz suave, com leves tapinhas no ombro.

Ana acordou confusa, piscando contra a claridade.

— Preciso que coloque a poltrona na vertical. Já vamos pousar — disse a comissária, sorrindo educadamente.

— Ok... — respondeu Ana, ajeitando o assento enquanto o coração ainda disparava. O zumbido das turbinas, o mesmo do pesadelo, vibrava sob seus pés.

Riu sem humor, com o corpo trêmulo.

— Foi um sonho... só um sonho horrível de viagem.

Pegou a nécessaire na bolsa, abriu um pequeno espelho de bolso para arrumar o cabelo e conferir o visual.

No reflexo prateado, bem de perto, o rosto desfigurado de uma mulher de branco a encarava.

Fim.

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author

Que maus bocados a Ana passou por quebrar um espelho. Porque pelo visto não foi só um sonho 🤔
Chocante e arrepiante! 😬

8 horas

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lilianecicarelli: Bem elaborado e prende bastante a atenção

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