Prólogo - Primeiro Contato
Antes de começar: Um agradecimento enorme a @Adshajira por esta capa incrível!
Primeiramente, obrigado por escolher a minha história. O inglês não é minha língua nativa e ainda estou aprendendo. Peço desculpas antecipadamente por meus erros de ortografia e gramática.
Em segundo lugar, esta história contém temas difíceis e é bastante sombria. Por isso, prefiro avisar com antecedência.
Tudo estava desmoronando no bando Black Moon. Nos últimos cinco anos, o bando entrou em declínio. Depois da descoberta da terrível verdade, nada foi igual. A confiança desapareceu, substituída pela traição e pela dor. Ninguém sabia se conseguiriam se reerguer ou se aquele era o fim. Era impossível negar que o bando estava definhando. Ninguém conseguia esquecer o que aconteceu e todos estavam presos naquilo, junto com sua chefa em sofrimento, incapazes de esquecer ou perdoar. Por isso, ela não conseguia liderar como deveria.
Quem acreditaria que este bando era pacífico e um dos mais fortes da América, há apenas alguns anos? O Beta olhou pela janela de seu escritório. De lá, ele conseguia ver o parquinho das crianças. Costumava ser cheio de vida, mas agora estava vazio e destruído, assim como o bando. A vida estava deixando estas terras, ele sabia. Era isso mesmo que ele queria para seu filho? Não, ele nunca tinha imaginado isso. Ambos tiveram que ver seus melhores amigos se perderem e se tornarem sombras do que um dia foram. Alphas, assim como Betas, são colíderes. Seu melhor amigo está consumido pelo remorso e já não consegue ser o Alpha forte de antes. Seu filho, por outro lado, não tinha controle e não conseguia superar seu luto. O contato de uma Luna seria útil para ele, mas ele se recusava a escolher outra parceira, mesmo após a perda de sua companheira destinada. Sua mãe — e única Luna do bando — fazia o que podia, mas ela também estava consumida pela culpa. Ela não conseguia se perdoar por ter sido tão cega.
No mês passado, ele recebeu uma ligação do bando Green Valley; eles estavam procurando por um Beta. Ele queria oferecer o cargo ao filho. Queria sua felicidade e um futuro seguro para ele. Coisas que ele não teria mais aqui, no bando Black Moon. Não mais. Mas será que seu filho aceitaria ir? Afinal, ambos eram iguais e não abandonariam seus melhores amigos. E, no fundo, ele sabia que o filho nunca iria embora. Ele era muito apegado ao amigo, ao bando e àquela terra. Ele nem sequer partiu para tentar encontrar sua companheira!
Ambos eram Betas ativos porque, com dois Alphas disfuncionais, eles tinham muito trabalho e, mesmo dando o seu melhor, não era o suficiente. O bando havia perdido sua chama, sua razão de existir. O tempo estava correndo e eles não tinham muito mais. O número de ataques e invasões por lobos renegados aumentava a cada mês. Os membros não se sentiam mais seguros e começaram a deixar o bando. No ano passado, perderam mais de 100 membros. Ele também sabia que, em breve, o Alpha seria desafiado. Era uma questão de tempo. Ainda assim, como seu filho, ele jamais abandonaria seus melhores amigos e seu lar. Mas a situação estava se tornando desesperadora e só um milagre poderia salvá-los. Mas será que eles mereciam ser salvos? Ele não tinha certeza, apenas esperava que sim.
“Beta Steeve, desculpe incomodar, mas os Alphas não estão acessíveis no momento. Orion está na fronteira, ele quer permissão para entrar. Ele quer visitar a família. O que devemos fazer?” Ethan, um guerreiro, perguntou através do mindlink.
Orion, aquele que começou tudo isso...
“Ele está sozinho?” Steeve indagou em resposta.
“Não... O senhor deveria vir.” Ethan respondeu, mas Steeve sentiu seu desconforto.
“Estaremos aí em cinco minutos.” Steeve disse antes de fechar o mindlink.
“Aaron, vamos! Tem alguém na fronteira pedindo para entrar.” Steeve chamou seu filho.
“Certo, pai. Quem é?” Aaron respondeu ao pai.
“Orion.” Ele ouviu o filho prender a respiração, surpreso.
“Orion, você disse?” Alpha Sloan perguntou ao sair de seu escritório.
“Sim, Alpha. Ele quer visitar a família.” Steeve confirmou.
“Por que entraram em contato com você?”
“Seu mindlink está fechado, Alpha.”
“Ah... Certo... Eu também vou.” O Alpha declarou.
"Como desejar, Alpha.”
Ninguém mais passava pela entrada oficial. O bando já foi um santuário para aqueles que buscavam ajuda. Renegados sempre foram aceitos, assim como outras espécies. Mas isso era antigamente. Agora, os renegados apenas vinham para levar o que queriam: mulheres, comida, dinheiro... Eles tinham se tornado fracos e todos sabiam disso. A caminhada até a fronteira foi silenciosa; nenhum deles falava, perdidos em seus próprios pensamentos. Os rostos estavam fechados. Ethan e Henry, o segundo guarda no portão, ficaram surpresos ao ver um de seus Alphas. O bando já não estava acostumado a vê-los, já que ficavam no escritório e resolviam as coisas sozinhos. Eles baixaram a cabeça em sinal de respeito. Mesmo que ele não fosse mais o grande Alpha que já foi, os membros do bando ainda tinham um enorme respeito por ele. Aqueles que permaneceram, todos rezavam por um milagre.
Beta Steeve, Beta Aaron e Alpha Sloan olharam para o carro e para Orion, que estava de costas para eles, conversando com uma jovem. Ao sentirem a aura deles, a dupla parou de conversar e Orion se virou para encarar o Alpha e os Betas, escondendo a mulher atrás de si.
“Alpha Sloan, Betas Steeve e Aaron. É um prazer vê-los novamente.” Orion baixou a cabeça em respeito.
“Orion, por que você está aqui? Depois de tanto tempo, por que voltar?” perguntou o Alpha.
“Vim ver minha família, Alpha. Sinto muita falta deles e gostaria de passar um tempo aqui. Seria possível, por favor?” Orion respondeu.
“Claro. Essa é sua companheira atrás de você?” Alpha Sloan perguntou, e ele pôde ver os dois guerreiros inquietos, mudando o peso de um pé para o outro.
“Não, Alpha Sloan. Eu não sou a companheira dele. Eu também gostaria de passar um tempo aqui, tenho alguns assuntos para terminar.” a mulher disse enquanto aparecia no campo de visão deles.
O choque passou pelo rosto do Alpha e dos Betas.
“Mara...” O Alpha murmurou, incrédulo.
“Se for possível, por favor?” Mara acrescentou.
“Claro, Mara. Foi aqui que você nasceu, é o seu lar.” respondeu o Alpha.
Como seu filho receberia a notícia? Como ele lhe diria? O Alpha pensou, mas antes que pudesse encontrar uma solução, uma sombra saiu da mata.
“Companheira!” Sage rosnou, fazendo Mara pular de susto.
Era isso! O momento da verdade chegara: o milagre que todos esperavam ou o golpe final que acabaria com o bando de vez. Só o tempo lhes daria a resposta. Afinal, tudo começou com Orion e Mara, então era lógico que terminaria com eles. A questão é: como?