Os Gêmeos Hembry

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Resumo

"Não sei o que é mais fácil: encontrar alguém por quem você se sente atraído e gradualmente se apaixonar, ou ser destinada a alguém e sentir uma atração inegável por essa pessoa." - Leora Erstad. Leora está voltando para casa após o treinamento Alpha para passar o Natal com seu irmão e a família dele em sua nova alcateia. Sua intenção é ficar até o aniversário de seu cunhado e depois voltar para casa. Então, ela conhece seus companheiros. Sim, dois! A vida nunca foi feita para ser fácil. Como seus planos mudarão agora que ela os conheceu? Eles a rejeitarão ou a aceitarão? Um romance de fantasia, drama e erotic fiction.

Status
Completo
Capítulos
32
Classificação
4.7 38 avaliações
Classificação Etária
18+

Trem

POV – Leora

Fico parada em frente ao quadro de honra e passo os olhos pelos nomes. No topo está Hamish Stillman, Alfa da Alcateia Greenwood. Só que agora ele é um Ancião. O segundo é Christopher Morris, outro Alfa. Mas o terceiro, o terceiro é meu irmão, Henrik Erstad, Beta. Ele é o único Beta entre os dez primeiros, e está nessa posição há mais de dez anos.

Lembro quando cheguei à Escola de Treinamento Alfa, no Estado da Capital. Tinha dezoito anos, e era logo depois da guerra. Recordo de ficar ali, olhando para o quadro de honra, vendo o nome do meu irmão. Amo meu irmão. Apesar de ele parecer intimidador, com aquele corpo grande, piercings e tatuagens, é um fofo, principalmente quando se trata da companheira e da família.

Todo ano, filhos de Alfas e Betas que completam dezoito anos vão para a Escola de Treinamento Alfa. Todos os filhos, não só os primogênitos. Aprendemos sobre negócios da alcateia, lendas dos lobos e, claro, como lutar. Alguns são melhores que outros, mas Henrik, por ser Beta, é um daqueles que muitos tentam superar.

— Seu nome está aí? — Olivia provoca. Ela é uma fêmea Alfa, segunda filha como eu, e nos tornamos boas amigas nesses últimos dois anos.

— Vigésimo terceiro — sorrio, apontando para o meu nome como se ela pudesse ver. Na verdade, as posições mudam todo ano, menos as cinco primeiras. A única alteração foi quando meu irmão famoso ficou em terceiro. Fora isso, sua posição sobe ou desce dependendo de mortes (que a deusa nos livre) ou quando alguém toma o lugar de outro lobo. E estou feliz com o vigésimo terceiro. Estou entre os cinquenta lobos de sangue puro mais bem classificados, e entre eles, sou uma das dezesseis Betas, incluindo meu irmão e meu pai.

— Pronta? — Olivia sorri para mim. Assinto, saímos pela porta do saguão principal e seguimos para o Uber que nos espera.

A estação de trem está lotada, e ficamos todos juntos em grupo. Somos seis indo de volta para nossas alcateias ou cidades próximas, e este é nosso último adeus.

— Temos que manter contato! — Mason grita, nos abraçando um por um. Concordo com a cabeça.

— Onde será o próximo Baile da Mudança? — Fiona pergunta. O Baile da Mudança é um evento formal realizado no norte para celebrar o Solstício de Outono e é organizado todo ano por alcateias diferentes. Também é uma chance para lobos sem companheiros encontrarem seus pares.

— Crimson Tides — Garrett responde, enquanto Olivia e eu assentimos.

— Se eu não encontrar meu companheiro, nos vemos lá — provoco. Temos mais ou menos vinte anos, e a maioria dos Alfas e Betas encontra seus pares depois do treinamento. Os azarados acham antes — e passam dois anos longe deles.

Um sino toca para marcar a hora, e Garrett e Olivia entram em pânico.

— Cinco minutos! Temos que ir! — Olivia grita, olhando para nós. Nos abraçamos e nos despedimos antes de seguirmos caminhos separados.

Meus pais me levaram de carro até o Acampamento de Treinamento Alfa, do outro lado do país. Demorou quase uma semana para chegar. Mas não vou voltar de trem para Little Vallis, a maior cidade perto da minha alcateia. Vou para Sefton, uma cidade perto da alcateia da família da minha cunhada, a Alcateia Genesis.

Procuro a plataforma de que preciso e suspiro, entregando meu bilhete ao funcionário na porta do trem.

— Quarto vagão, andar superior — ele diz, e assinto. O trem que meu irmão reservou é noturno, atravessa doze estados e faz várias paradas até chegar a Sefton. Vou levar três dias e duas noites para chegar, e meu fim de semana vai embora.

Conto os vagões e mostro meu bilhete a outro funcionário, que assente e se afasta. Entro no vagão, subo as escadas e procuro meu compartimento, 04U14B. Quarto vagão, andar superior, cabine quatorze, lado B. Quando o encontro, digito o código do bilhete e entro, largando minhas malas em um dos dois assentos.

Suspiro, levanto as pernas e relaxo, torcendo para a viagem ser rápida.

Sou interrompida para o serviço de jantar e ando pelo corredor só para mexer as pernas. Agradeço à deusa por Henry ter me colocado na primeira classe, em uma cabine só para mim. Observo o dia virar crepúsculo pela janela, casas e quintais passando rápido enquanto o trem atravessa cidades e vilarejos rumo ao meu destino.

Olho as instruções de como transformar a cabine em cama pela décima vez e acho que entendi. Abaixo a mesa, levanto os apoios para os pés e faço uma espécie de colchão. A cabine supostamente vira duas camas de casal, com um corredor estreito entre elas, pelo que calculo. De novo, agradeço a Henry por ter reservado uma cabine privativa. Abro o armário acima da cama e pego lençóis, cobertores e travesseiros. Depois de arrumar a cama, me enfio debaixo das cobertas e ligo o celular para assistir *Yellowjackets* na Amazon Prime.

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No dia seguinte, transformo a cama de volta em assento e passo a manhã entediada. Observo a paisagem pela janela: campos, florestas, montanhas e subúrbios. O trem para algumas vezes para deixar e pegar passageiros, e nesses momentos fico trancada na cabine com as cortinas fechadas, tentando maratonar minha nova série favorita, *Yellowjackets*.

Por volta das duas da tarde, vou até o vagão-restaurante e peço um bife grande com salada, batatas fritas, um pãozinho com manteiga e uma fatia de bolo de chocolate de sobremesa. Os humanos me olham estranho ao verem a mesa cheia de comida. Dou um sorrisinho. Sou uma lobisomem e adoro comer.

Uma coisa que o trem noturno não tem é chuveiro. Tem banheiros com pia para escovar os dentes, pelo menos, mas nada de banho. Me sinto suja e mal posso esperar para tomar um quando chegar aonde vou ficar em Sefton.

Acordei na manhã seguinte e decidi tomar café no vagão-restaurante, então deixei a cama montada. Ainda faltam três paradas até o trem chegar a Sefton, e de novo estou entediada. Pelo menos não estou presa em um carro, né? Já terminei a primeira temporada de *Yellowjackets* e comecei a assistir *Bridgerton*. Sorrio com a ideia. Antigamente, se os humanos dançassem com o mesmo pretendente quatro vezes, já eram considerados praticamente casados. Diferente de nós, lobos, que temos nossas almas gêmeas predestinadas pela deusa da lua. Não sei o que é mais fácil: encontrar alguém de quem você gosta e se apaixonar aos poucos, ou ser unido a alguém e sentir uma atração irresistível.

Suspiro enquanto me sento no assento e olho pela janela enquanto o trem segue seu caminho até Sefton, minha última parada. Sefton não é uma cidade enorme, tem um centro comercial e é dividida em bairros como Little Vallis, mas não é uma metrópole como Titan ou Capria. Suspiro quando o trem para na estação principal, pego minha mochila, mala e bolsa do bagageiro.

Ajusto a mochila nas costas e pego as malas, saio da cabine e vou para o corredor. Desço as escadas e saio do vagão, olhando para as placas para ver qual saída devo pegar. Vou encontrar Henry na Rua Leste, e seguindo a placa, acompanho a multidão por um corredor subterrâneo até os portões.

As pessoas passam apressadas por mim, correndo para onde quer que vão saindo da estação de trem no meio do dia, e me vejo do lado de fora de um grande prédio de arenito com lojas vendendo comida.

— Lee! — escuto à minha direita. Viro para lá e vejo meu irmão alto me olhando com um sorriso enorme. Henry é mais alto que os homens humanos na multidão. Tem um e oitenta e oito e é forte, e vejo os homens passarem nervosos por ele, enquanto as mulheres o olham com interesse. Henry usa o cabelo penteado para trás, com um degradê clássico, o que destaca os vários piercings nas orelhas e no rosto. Se você não o conhece, pode se intimidar, mas ele é um grande fofo.

— Henry! — sorrio, largo as malas no chão e o abraço. Henry é dez anos mais velho que eu, mas graças aos genes de lobisomem, parece mais novo.

— E aí, mana, como foi a viagem? — Henry pergunta, levantando minha mochila e mala como se não pesassem nada.

— Um tédio — admito, fazendo-o rir.

Sigo Henry até o estacionamento externo e em direção à sua caminhonete.

— Essa é maior que a última? — pergunto a Henry enquanto o vejo colocar minha bagagem na caçamba. Ele me olha e sorri, mostrando os dentes brancos.

— Cala a boca — ri, abrindo a porta para eu entrar.

Henry sai do estacionamento e dirige para fora do centro da cidade, sem rumo certo.

— Vamos ficar na Casa Hembry — Henry explica, quebrando o silêncio enquanto dirige.

— A Casa Hembry — repito, olhando para meu irmão. Henry sorri de novo. Eu tinha ouvido falar dos Hembry quando estava no Hospital da Alcateia Lua Minguante depois da guerra. Eles são uma família de lobos brancos, ou melhor, de lobas brancas. A melhor amiga das minhas sobrinhas é a primeira loba branca nascida na família depois de uns sessenta anos — são muito raras.

— Como está a Rhiannon? — pergunto, pensando na minha sobrinha. Nos últimos dois anos, tenho recebido cartas com desenhos dela, e já tivemos conversas pelo Zoom. Ela é uma mini-eu.

— Arteira. Ela começa a escola no ano que vem e está super animada — Henry responde.

— Vocês já decidiram o que vão fazer? Vão voltar para a Silva Luporum? — pergunto. Henry e eu somos da Alcateia Silva Luporum, do outro lado do país, e Henry é nosso Beta. Por motivos que não vou entrar em detalhes — Tatum, a companheira de Henry, acabou na Alcateia Lua Minguante (que é irmã da Genesis — elas são vizinhas e dividem uma fronteira), e terminou o curso de Fisioterapia Aplicada na Universidade de Sefton. Henry se mudou para cá para ficar com a família enquanto nosso pai assume temporariamente o cargo de Beta.

— Bom, como eu disse, a Rhiannon começa a escola no ano que vem, e a formatura da Tatum é no começo do ano que vem também. Estamos pensando em ficar mais um ano e depois voltar para a Silva Luporum — explica. Assinto. Eu não tinha decidido o que queria fazer depois do treinamento. Sou uma Beta reserva, e a menos que meu companheiro seja um Beta ou um Alfa, ou eu assuma um cargo temporário como meu pai está fazendo, é uma habilidade que provavelmente não vou usar. Não tenho interesse em ser Delta, que é um guerreiro da alcateia, depois da minha breve participação na guerra. Fui bem no uso de armas, o que ajudou na minha classificação, mas quero fazer outra coisa. Estava pensando em dar aulas, mas não tenho certeza. Sei que a carga de trabalho é pesada.

— Chegamos — Henry sorri, olhando para mim.

Silva Luporum – (latim) floresta dos lobos

Leora pronunciado Li-ora

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