Convite Recusado

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Summary

Decidida a se casar a todo custo, Melinda resolve levar a diante um plano maluco para conseguir realizar o casamento de seus sonhos. Isso tudo depois que seu noivo vai preso e um substituto precisa ser chamado, a partir daí as coisas desandam de maneiras inimagináveis.

Genre
Humor
Author
LexSilvas
Status
Complete
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
13+

Convite Recusado

Convite Recusado

Lex Silvas

17/05/2010

Quero deixar uma coisa bem clara, pra que não restem dúvidas mais tarde. Eu, em hipótese alguma, fazia a menor ideia no que estava me envolvendo quando tomei aquela decisão. Eu sempre acreditei que a minha vida já estava definida, sabe quando as pessoas dizem coisas do tipo escrito nas estrelas e essas bobagens, bom são bobagens agora, mas quando eu era mais nova eu fui levada a acreditar que o meu destino era ser a esposa de alguém, eu precisa ser a Senhora “Alguma Coisa” e eu estava disposta a tudo pra conseguir isso. Nossa, mas como eu estava enganada. E agora enquanto eu corro por essa rua vazia, com a noite como minha companhia, vestindo este vestido de noiva horroroso, eu vejo como eu fui tola…

Minha história começa numa noite de quinta-feira, eu estou em um restaurante, ouvindo o meu noivo Ryan Kinnear, o banqueiro mais bem sucedido de Manhattan, fazendo um brinde a nossa união que acontecerá em menos de dois dias, no sábado a noite pra ser mais especifica. Na mesa conosco estão nossos amigos erguendo suas taças e ouvindo atentamente ele falar. Ele fazia grandes elogios para mim, e eu corava cada vez que ele me olhava de canto, eu me sentia especial. O que foi? O meu nome? Me desculpem, estava tão apressada pra contar a história que esqueci de me apresentar. Eu sou Melinda Mills, futura Senhora Ryan Kinnear.

Cabelos: Castanhos escuros e longos

Olhos: Verdes claros Pele: Branca

Altura: Um simples 1,60 M Peso: Esquece Idade: Não revelo

Passei os últimos seis meses, três semanas, dezessete horas e vinte minutos e quinze segundos planejando o casamento perfeito, foram noites inteiras sem dormir, incontáveis telefonemas e muito, mas muito energético pra poder aguentar o ritmo. Ryan me pediu em casamento no dia do meu aniversário no meio de todos os meus amigos, eu já sabia que ele ia fazer isso porque eu sempre checo a conta do cartão dele pra saber se ele vai me dar o que eu quero de presente de natal, ou dia dos namorados ou aniversário, procuro pelo preço exato do que eu quero ganhar e bingo, não tem erro, por isso tive que fingir surpresa e olha eu preciso admitir que todas aquelas aulas de teatro na quinta série valeram a pena, engole isso Karen Orwell que tentou roubar meu papel como Julieta. Estamos juntos a dois anos e meio e agora finalmente vamos oficializar a nossa união. Minha mãe estava sentada no final da mesa segurando um copo cheio de marguerita com cara de quem não estava gostando nem um pouco de estar ali, achei melhor ignorá-la pra não estragar a noite de ninguém, principalmente a minha. As coisas estão prefeitas se melhorar estraga. Ele termina o brinde dizendo o quanto me ama. Ele me beija e depois dá um longo gole no uísque de seu copo. De repente eu vejo uma estranha movimentação do lado de fora. Dois homens fortes usando coletes da policia adentram o restaurante depois de discutirem com a recepcionista eles vem em nossa direção.

— Quem de vocês é Ryan Kinnear? Perguntou um dos homens.

— Sou eu! Algum problema? Disse meu noivo Levantando o braço.

— O Senhor está preso. Tem o direito a um advogado, se não poder pagar o estado providenciara um. Tem o direito de permanecer calado, tudo o que dizer pode e será usado contra você no tribunal. O Senhor entende os seus direito? Disse o outro enquanto o algemava.

— O que está acontecendo? Disse eu me levantando derrubando a garrafa de vinho sobre a toalha branca da mesa. — Ryan?

— Chame o meu advogado Mel.

Não pude acreditar no que estava acontecendo, parecia um pesadelo, o meu noivo estava sendo preso e eu não podia fazer nada. Eu tento protestar pra que ele não seja levado, mas eu fui empurrada por um deles com tanta força que caio sentada no chão. Tom, meu amigo de longa data, veio ajudar a me levantar e tentou me impedir de fazer qualquer besteira. Eu os vejo sair pela porta e entrar numa viatura de policia do outro lado da rua. Estou tão envergonhada, todos no restaurante, incluindo os garçons pararam tudo o que estavam fazendo para ver a confusão, seus olhos julgadores se voltam contra mim assim que eles se vão, ouço os murmurinhos por todos os lados. Eu abraço Tom e começo a chorar.

— Vai ficar tudo bem, Mel. Disse Tom. — Vou te levar para casa.

Mais tarde pelo telefone fico sabendo para onde o Ryan foi levado e o crime do qual ele foi acusado.

No dia seguinte, eu vou até a delegacia, onde ele está preso, o advogado dele doutor Mason conseguiu fazer com que os policias me deixassem ver ele. Ele estava lendo um livro sentado numa cama de ferro com um colchão da finura de uma folha de papel quando eu cheguei.

— Vou deixar vocês sozinho. Disse o advogado pra mim.

— Lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e extorsão. Eu me esqueci de alguma coisa ou isso é tudo Ryan? Disse eu assustando ele.

— Nada disso é verdade Mel, eu juro.

— Não minta pra mim Ryan. Você não vai gostar das consequências. Disse eu ainda mais nervosa.

— Eu estou fodido Mel. Eu fui engano pelo meu chefe, aquele bosta. Disse ele enquanto andava de um lado para o outro da cela. — Ele quem armou esse esquema, tenho certeza. E deu um jeito pra que a culpa toda caísse sobre mim.

— Eu me sinto humilhada.

— E como acha que eu me sinto, hein? Ele se aproxima de mim nessa hora. — Eu fui algemado na frente dos nossos amigos e estou na porra de uma cela com a porra de um olho roxo. Gritou ele alterado.

— Como pode fazer isso comigo. Disse o olhando nos olhos. — Conosco! Como foi capaz de fazer isso conosco? Tratei logo de me corrigir.

— Mel, coloca na merda da sua cabeça que eu não fiz isso. Eu sou a vitima também porra.

— Eu nem tinha notado o seu rosto. Disse eu passando a mão sobre a testa franzida dele pela raiva. Logo ele se acalma e sua testa volta ao normal. Ele até sorri.

— E o nosso casamento? Como é que fica? Pergunto agora eu franzindo a testa.

— Nós teremos que cancelar. Disse ele quase em sussurro.

— Nem pense numa coisa dessas. Disse séria. — Eu investi muito tempo, dedicação e dinheiro para que tudo saísse perfeito. Não vou deixar um simples contratempo atrapalhar tudo.

— Isso é mais do que só um pequeno contratempo.

— Não seja tolo. Disse eu tentando erguer minha voz. — Nenhum juiz vai deixar você preso sendo inocente. Ligue para algum de seus amigos influentes, aqueles que você sempre se gaba nas festas chatas de trabalho.

— Foi a primeira coisa que eu fiz quando cheguei aqui, mas nenhum deles quer se envolver em nada disso. Aqueles bastardos de merda.

— Preste bastante atenção aqui Ryan. Disse eu apontando meu dedo bem no meio do rosto dele. — Eu vou me casar com você amanhã às 19 horas na igreja St. Mary você estando lá ou não entendeu. Disse séria, eu consigo ser bastante persuasiva quando eu quero. — Apenas balance a cabeça. Repeti ao perceber o olhar de descrença dele.

— Meu advogado está fazendo o que pode pra me tirar daqui, mas a verdade é que está difícil.

— Não importa. Eu só quero que você me prometa que o casamento vai acontecer de um jeito ou de outro. Disse eu sabendo que nunca estive tão decidida com relação a alguma coisa em toda a minha vida.

O tempo de visitas acaba, um policial entra na cela e pede para que eu me retire. Eu vou pisando forte no chão sem olhar para trás. Sei exatamente o tipo de olhar que o Ryan estaria me dando, um misto de reprovação e admiração. Era melhor não olhar ele de volta ou desabaria em prantos e eu não queria fazer isso na frente dele.

Chego em casa, algum tempo depois, com o rosto inchado de tanto chorar. Mal entro em casa e vejo a minha mãe. Senhoras e Senhores conheçam a rainha do drama.

— Finalmente, pensei que eles tivessem prendido você também. Disse ela me abraçando.

— Eu estou bem mãe.

— Minha filha isso é um ultraje. Seu pai, que Deus o tenha, deve estar se revirando no túmulo agora mesmo.

— Tenho certeza que o papai está bem, mãe. Disse eu me tentando me soltar do abraço dela. Pra dizer a verdade ele deve estar bem melhor longe dela e das loucuras dela. — Eu só quero tomar um banho e me deitar.

Se eu achasse que as coisas estavam ruins eu deveria ter esperado até esse momento, só pra ter certeza.

— Bem lá no fundo eu sabia que isso ia acabar acontecendo.

— E você continua falando.

— Sexto sentido de mãe.

— Se sabia por que não me avisou?

— Eu te avisei mais de um milhão de vezes.

— Não mãe, o que você fez foi ficar colocando defeitos em tudo, o tempo todo. E quando eu disse que ele tinha dinheiro você disse “você pode viver sem amor, isso você pode com certeza, mas sem dinheiro, isso jamais”.

— Vou preparar um drink, não sei se vou aguentar esse seu mal humor assim de garganta seca. Ela se virou toda emburrada e foi até a cozinha.

— Boa ideia mãe. Vai ficar bêbada. Pelo menos assim você enche menos o meu saco. Disse mas acho que ela nem me ouviu, melhor assim.

Tom apareceu pouco depois querendo saber como eu estava. Ela entrou sem bater, o que não é novidade, e foi logo me abraçando.

— Queridinha, que tragédia. Disse ele em seu tom afeminado.

— Tom, por favor, menos drama.

— Sinto muito pelo seu casamento. Sei o quanto você tem se preparado pra esse dia.

— Do que é que você está falando? Quem foi que te disse que não haveria mais casamento?

— Eu pensei que…

— Pensou? Disse eu ameaçadora enquanto ele retraia seu corpo para trás. — Não pense Tom. Não pense.

Annie estava logo atrás dele, nem havia percebido ela ali parada fora da porta nos olhando. Ela faz isso as vezes fica quieta demais e isso é bem estranho.

— Me desculpem, achei que vocês estivessem tendo um momento especial, não quis estragar. Disse Annie.

— Entra logo sua esquisita. Disse Tom a puxando pra dentro de casa e fechando a porta.

— Tudo bem podem me dar um minuto, por favor. Pedi subindo no sofá. — Quero que todos vocês saibam de uma vez por todas que eu vou me casar amanhã. Olhei para todos presentes em minha casa.

Essas pessoas são: Annie é a minha melhor amiga e minha vizinha a mais de dez anos; Tom é o gay solitário e viciado em pornografias, e não sou eu quem digo isso, ele mesmo tem orgulho em dizer que tem uma coleção com mais de mil filmes, nojento. Conheci ele meio que por acaso quando trabalhei numa loja de cosméticos; Minha gata Lily, que eu a peguei num abrigo a cerca de um ano e meio, ela é da raça persa e está até que bem gordinha; e principalmente para a minha mãe que me olhava da porta da cozinha achando tudo aquilo um absurdo, provavelmente o mesmo que ela achou quando descobriram a pólvora.

— Eu pensei que para haver um casamento deveria ter um noivo no altar também, ou você pretende casar com o Padre. Disse minha mãe entornando sua bebida de uma só vez e me dando aquele olhar de superioridade dela.

— Tenho absoluta certeza de que tudo será resolvido até amanhã. Ele vai sair de lá logo, eu sei. Disse séria.

— E se não sair? Insistiu ela.

Eu fiquei em silêncio.

— Então eu arrumo um substituto.

— E como vai fazer isso? Perguntou ela virando o copo vazio na boca mesmo ele estando vazio. — Vai sair por ai feito uma maluca pelas ruas perguntando “quem quer casar comigo?”.

— Talvez eu faça isso mesmo. Disse descendo do sofá com um pulo que machucou meu pé. Eu não ia fazer isso de fato, só disse para irrita-la.

— Eu conheço um site. Disse Annie depois de limpar a garganta com uma tosse forçada para chamar a nossa atenção. — Um site onde você pode alugar um noivo.

— Não entendi. Disse eu.

— Não um noivo de verdade, é só um cara que vêm pra representar o noivo. É um site bastante popular se vocês querem saber.

— E de que tipo de “noivos” estamos falando? Perguntou Tom fazendo as aspas com as mãos no ar.

— Na verdade são homens muito bonitos, como aqueles modelos de cuecas da Calvin Klein.

— Annie sua danadinha. Tom dá um tapa na bunda dela fazendo a gritar. — E como se chama esse tal site: “TO FODIDA PONTO COM

— Não, provavelmente deve ser: “MATE SUA MÃE DO CORAÇÃO PONTO COM”. Disse minha mãe desaprovadora como sempre.

Tom pega o meu laptop de cima da mesa, pesquisa no Google e encontra o tal site, vira a tela pra mim. E não é que existe mesmo. Eu começo a rir de mim mesma por cogitar essa ideia, eu devo ter pirado, mas uma garota sempre precisa ter um plano B, por mais louco que ele fosse, esse era o meu maldito plano B. Esperava tanto que eu não precisasse usá-lo. Fiquei acordada até tarde ouvindo Annie me falar do ex-namorado dela, o jogador de hóquei bonitão que conheceu na saída do trabalho, pode até parecer uma boa história, mas Annie a enchia de detalhes tão superfulos que eu mal prestava atenção. Tom acabou usando o meu computador pra ficar de paquera com um cara que estava renovando a licença dele para dirigir. Eu ficava pensando em todas as economias, pelo menos boa parte delas que eu gastei nesse casamento, e agora eu estava vendo que ia dar tudo errado. Eu não parava de culpar o Ryan por ele ter sido tão burro.

A marcha nupcial começa a tocar na minha cabeça, assim que eu acordo, Lily está lambendo o meu rosto, adormeci na sala depois de algumas taças de vinho, todos com exceção da minha mãe foram embora. Ligo para o advogado do Ryan, mas as noticias não são nada animadoras. Passei metade da manhã ao telefone, só pra me irrita ainda mais.

— Eu não vou conseguir libertar ele, pelo menos não hoje. Tente entender querida. Dizia o advogado pelo telefone.

— Escuta, eu só preciso dele por uma hora, nem isso. E depois ele pode ficar preso pelo resto da vida. Disse nervosa. —Você precisa me ajudar nessa.

— Eu estou fazendo o que eu posso querida. Seja paciente.

— Pois então tente mais.

— O juiz está irredutível, já tentei de tudo. Falei sobre o casamento, mas ele não deu a menor importância. Parece que o juiz tinha conta no banco onde o Ryan trabalhava. Justificou-se ele.

— Se é assim… como é que eu fico?

— Você vai ficar bem! Agora eu preciso desligar.

— Espere! Gritei — Eu preciso que me arrume outro encontro com ele. Pedi esperançosa.

— Isso não vai ser fácil, mas pode ser feito. Um policial é amigo meu posso pedir um favor a ele. Me encontre em meia hora na delegacia. Será que você consegue chegar lá depressa?

Eu respiro fundo.

— Tudo bem. Eu estarei lá! Disse eu

— Te vejo em breve.

Minha mãe tenta outra vez me convencer a adiar a data, mas eu não posso, se eu fizer isso, vou perder a igreja, que foi bastante difícil de conseguir, ela vai ficar fechada pelos próximos dois anos em reforma, e também tem o bufê que não vai me reembolsar. E sem falar das flores, orquídeas branca e camélias, vindas da Irlanda só para o meu casamento, e tinha o vestido e todo o resto. Eu não iria simplesmente desistir assim. Eu só queria ir até a cadeia para discutir com o Ryan as nossas opções que no momento incluem até mesmo uma pá para ele fuja por um túnel secreto. Ou eu poderia ser presa e tatuar todo o meu corpo com o mapa da prisão e escapar com ele como aquele cara fez naquela série de TV. Todos planos muito ruins, eu sei.

— Por que voltou aqui? Perguntou Ryan ao me ver. — Por favor, me diga que você pensou melhor e criou algum juízo essa noite.

— É o seguinte, nós dois sabemos que eu não vou abrir mão desse casamento e você não vai a lugar algum. Por isso eu te trouxe o meu laptop. Disse entregando a mochila e o terno pra ele. — Tudo o que você precisa fazer é ligar a webcam e eu vou te ver por um computador lá na igreja. E na hora certa é só dizer sim. Expliquei pra ele.

— Você só pode estar louca. Não vai desistir mesmo.

— Eu não posso desistir de tudo por que você foi burro em ser preso dois dia antes do casamento.

— Você está irredutível, pra valer. Não importa o que eu diga, você não vai me ouvir mesmo.

— Sabe muito bem que eu sou uma rosa, não é culpa minha que você insiste em por as mãos nos meus espinhos.

— Como foi que conseguiu passar com esse laptop pelos guardas? Perguntou ele curioso.

— Eu tive que pagar um por fora, mas isso não importa agora. O que importa é que você siga minhas orientações.

— Isso não vai funcionar.

— Não seja negativo.

— Não estou sendo. Disse ele disfarçando que estava nervoso. — E na hora de trocar alianças? Não dá pra fazer isso pela internet.

— Não se preocupe eu dou um jeito.

— Um jeito?

— Eu vou alugar um noivo.

— Como assim? Que história é essa Melinda?

— Não é um noivo de verdade, é só um cara de terno que vai representar você.

— Que cara? De onde veio essa ideia?

— Annie conhece um site, olha deixa os detalhes comigo.

— Ai ai eu não sei não hein… Disse ele se mostrando mais desconfortável do que eu imaginava. — Não me parece uma boa ideia.

— Ryan isso é muito importante pra mim.

— Deveria ser importante pra nós dois.

— Foi o que eu quis dizer. Sabe o quanto eu quero me casar naquela igreja e sem contar todo o resto. Por favor, concorde com isso. Disse de um jeito doce. — Por favor!

Ele ficou em silencio por um tempo.

— Por favor! Insisti.

— Já que é isso que você quer, então eu não tenho escolha se não concordar.

— Você é demais. Disse agradecida beijando ele por todo o rosto.

Ele tenta segurar o sorriso porque quer continuar zangado comigo, ele sempre faz isso, mas eu só paro de beijá-lo quando ele abre um sorriso completo.

— Ótimo, agora eu tenho que ir arrumar o meu cabelo e fazer os outros preparativos.

— Só uma perguntinha antes de você ir.

— O que foi amor?

— E a lua de mel vai ser com quem, comigo ou com ele? Pergunta ele obviamente tirando um sarro da minha cara.

— Isso vai depender de quanto tempo você vai ficar aqui!

— Haha.

Eu o beijo e saio toda animada. O meu casamento vai prosseguir de um jeito ou de outro. Eu mando uma mensagem para Annie pelo celular escrito em letras maiúsculas:

PLANO B

Ela me respondeu com outra mensagem:

PODE DEIXAR COMIGO

Eu passo na cabeleira, arrumo meu cabelo, faço as unhas, a maquiagem, estou quase pronta. Pego um taxi e vou direto para a igreja. Annie me espera do lado de fora, ela me avisa que o meu vestido ainda não chegou e que Tom foi buscá-lo pessoalmente. Eu não vou me desesperar, mesmo que já tenha passado das 17:30. E que tem de mais nisso, meu noivo não vai estar presente no altar, e eu vou ter que me casar pelada. Eu e Annie vamos até um quarto especial reservado para as noivas se prepararem antes do casamento. Minha mãe já estava lá me esperando sempre acompanhada de sua taça com alguma bebida.

— Merda! Disse ela ao me ver. — Pensei que tivesse criado juízo, mas eu me enganei. È tão teimosa quanto o seu pai.

— Agora não mãe. E não acha que está um pouco cedo demais para começarmos os brindes?

Ela fez uma careta e foi para o canto da sala.

— E então, não quer saber como o seu noivo substituto é? Perguntou Annie sem conseguir conter sua animação.

— Pra mim isso é o que menos importa. Ele pode até ser o Batman que eu não me importo. Disse seca.

— Ele veio muito bem recomendado. Todas as avaliações eram de cinco estrelas. Sem contar que ele é o maior gato. Disse Annie com brilho em seus olhos. — Será que ele é casado? Bem seria estranho se eu o chamasse pra sair depois do casamento.

Eu a olho séria e ela fica toda murcha.

— Certo, essa não é uma boa hora pra falar sobre isso. Disse ela desviando o olhar.

— Ainda acho que isso é um erro. Resmungou minha mãe do outro canto da sala preparando um Martini com ingredientes que vinham direto de sua bolsa.

— Escuta bem se você só está aqui pra me chatear é melhor ir embora. Gritei séria com ela.

— Não grite comigo Mel. Eu sou a sua mãe. Disse ela ainda mais séria. — Se é assim que você quer então não está mais aqui quem falou.

Nessa hora Tom entrou pela porta trazendo o meu vestido

— Desculpem o atraso moças o transito está uma droga pra ir ao centro. Dei sorte. Cheguei lá antes que aqueles desgraçados fechassem. Parece que a dona estava com pressa por causa de uma viagem ou coisa do tipo. Vim o mais rápido que pude. Disse Tom arfando, parece mesmo que ele veio correndo.

Eu o peguei de suas mãos e corri para o banheiro, não queria perder nem mais um minuto. Eu o vesti e me pareceu um pouco apertado, mas eu pensei que eu deveria tê-lo vestido errado com a pressa, tirei e vesti novamente. Me olhei no espelho grande do banheiro e só foi nesse momento que eu percebi que algo estava errado. Eu dou um grito, que faz com que todos entrem no banheiro desesperados.

— O que houve? Perguntou a minha mãe preocupada.

— Esse não é o meu vestido! Disse quase chorando.

— Não chore Mel! Disse Annie — Ou vai borrar sua maquiagem.

— Merda, está tudo dando errado. Disse antes de sair correndo pela segunda porta que havia no banheiro que dava num enorme corredor.

Annie e Tom foram atrás de mim, mas eu os despistei entrando em um outro quarto.

— Algum problema? Ouvi uma voz masculina me perguntar.

Eu me assustei por isso me virei rapidamente e dei uma espécie de soco num rapaz, alto, moreno e extremamente atraente que segura minha mão antes que ela sequer o acerte.

— Calma. Eu não quis te assustar. Disse ele estranhamente calmo.

— Eu estou calma.

— Tem certeza?

— Absoluta! Disse forçando um sorriso. — Pode soltar a minha mão agora.

— Você deve ser a noiva.

— Por que acha isso?

Ele me olhou de cima a baixo, eu havia me esquecido do estúpido vestido. Eu devo ter feito uma cara de idiota.

— Eu conheço você? Perguntei.

— Eu sou Jason Diaz e você certamente é a noiva. Melinda certo? Disse ele num tom simpático. — Acho que dá azar ver a noiva antes do casamento.

— Ah você é o noivo de aluguel.

— Eu prefiro ser chamado de acompanhante matrimonial, embora noivo de aluguel seja melhor do que ser chamado de “step”. Brinca ele sem alterar o tom simpático.

— Isso não importa agora, porque não vai ter mais casamento. Disse chateada.

— Por quê? O que houve? O noivo não veio? Brincou ele outra vez comigo. — Eu peço desculpas. Eu não deveria ter dito isso. Corrigiu-se ele ao perceber que eu não gostei nada da brincadeira.

— Está tudo dando errado, tudo. Até o meu vestido está errado. Esse é o pior dia da minha vida. Lamentei.

Ele riu alto.

— Se soubesse o tanto de vezes que eu ouvi isso ficaria surpresa. Disse ele pra me consolar. — E além do mais, se você não quisesse mesmo casar, não estaria aqui. Continuou ele me fazendo sentir um pouco melhor. — E daí que as coisas não saíram como você planejou. Apenas faça o melhor que pode com o que tem.

— Tem razão.

Ouvir conselhos de um cara que estava ali para ser o meu noivo “step” me pareceu sensato naquele momento. O bem da verdade é que esse casamento era um barco furado em alto mar no meio de uma tempestade, e eu estava disposta a afundar junto com ele, como um bom capitão faria. Embora eu nunca tenha ido nem se quer velejar antes na vida porque eu fico facilmente enjoada no mar, mas enfim, melhor não pensar nisso. Do que eu tava falando mesmo…

Os convidados estavam chegando aos poucos e se acomodando em seus lugares, e muitos deles só vieram mesmo pra confirmar os rumores de que o Ryan não estaria de fato lá, pelo menos não em forma física e sim via wi-fi. Podia imaginar o tipo de conversa que eles estavam tendo. Calma Melinda as coisas ainda podem dar certo. Tom bem que tentou fazer a troca do vestido, mas a loja de noivas na confusão acabou enviando o meu vestido para outra cidade. Eu fui obrigada a me contentar com isso, e assim que voltei para o quarto Annie me ajudou a deixá-lo mais confortável. Lá fora o tempo fechou e começou a chover, graças a Deus eu escolhi me casar dentro de uma igreja e não em uma praia qualquer como o Ryan queria.

Pronto esse é o grande momento que eu tanto ansiei. Como o meu pai morreu, o meu tio Gus, que é o mais perto que eu tive de um pai desde então, é quem vai me levar até o altar. A marcha nupcial começou a tocar, todos se levantam e olham pra mim admirados, é tão bom ser o centro das atenções, preciso que admitir isso. Vejo o rosto do Ryan através de um computador ao lado do padre, e também o tal do Jason parado feito uma estatua sorrindo de maneira natural. De repente do nada… Um raio cai clareando as janelas e logo em seguida veio um barulho bem alto do trovão assustando a todos forçando os a gritar, não demorou pra que as luzes se apagassem e ficássemos todos no escuro. Meu Deus eu devo ser a noiva mais azarada do mundo, só pode. Isso só pode ser uma brincadeira de mal gosto, estou esperando as câmeras aparecem e sair alguém dizendo você está na TV. Os convidados ficaram agitados, alguns celulares se ascendem, mas ainda tá muito escuro pra ver alguma coisa, meu tio Gus solta do meu braço, acho que ele tropeçou em alguma coisa e caiu no chão.

— Fiquem todos em seus lugares, por favor. Ouvi alguém gritar.

Fui agarrada pelo braço e acabei me assustando.

— Sou eu o Jason. Venha comigo por aqui. Disse ele que veio do altar até a mim guiado apenas pela luz do celular dele.

Eu o obedeci, não havia mais nada o que fazer mesmo. Ele me levou até uma salinha de orações atrás do altar. Ele aproveita que esta sala está repleta de velas e as ascende com um isqueiro algumas dela, só o suficiente para que fique claro.

— Você está bem? Perguntou ele.

— Eu nem sei mais.

— Não se preocupe, tudo vai ficar bem. Disse ele na voz mais calma que eu já ouvi alguém dizer. — O meu dever é proteger a noiva.

— De que planeta você veio? Perguntei surpresa com a calma dele em tais circunstancias. — Nada vai ficar bem e só um idiota não vê isso.

— Calma, eu já te disse pra se acalmar. Tudo vai ficar bem. Repete ele tentando manter a tranquilidade anterior.

— Não me diga pra ficar calma. Gritei sem querer. — Sua função é só a de ficar parado feito uma estátua enquanto eu me caso.

— Se queria uma estátua então devia ter contratado uma. Disse ele mostrando se ofendido. — Me desculpe não deveria ter falado assim com você.

— Tudo bem eu mereci.

Eu me virei e bati com o braço em um armário, a porta se abre, e o que eu encontro lá dentro são duas garrafas de vinho tinto. Não pensei duas vezes e abri uma delas, tomo metade quase numa golada só. E continuo bebendo.

— O que você está fazendo? Perguntou Jason tentando tirar a garrafa da minha mão. Eu viro e o impeço de conseguir colocando meus cotovelos entre as mãos dele.

— Eu só estou com sede.

Quando me dei conta havia bebido as duas garrafas e elas não demoraram pra começar a fazer efeito. E eu queria mais. Me sentei no chão não me importando se estou amassando ou sujando o vestido. Jason se senta na minha frente.

— Eu sou muito burra. Disse sabendo que já estava alta.

— Não é não.

— Sou sim. Insisto. — Esse casamento é a maior furada. Eu vou te falar uma coisa. Disse aproximando do rosto dele coloco a mão em sua orelha como quando somos crianças e vamos contar um segredo a alguém. — Eu não o amo, pronto falei. Disse e depois voltei a minha posição inicial e abri um sorriso estúpido.

— Se não o ama, então porque vai se casar com ele? Perguntou Jason sério me encarando.

— Porque eu quero me casar.

— Nossa você jura. Se você não falasse isso eu nem teria percebido. Disse ele num tom falso de surpresa. — Agora sério por que você quer se casar?

— Não quero falar mais sobre isso. Disse colocando o dedo entre os lábios dele, percebi que isso foi ridículo e tirei rapidamente. — A quanto tempo você é noivo de aluguel? Pergunto mudando de assunto.

— Há dois anos.

— Nossa! Não me imaginaria fazendo isso.

— Eu adoro esse trabalho.

— Por quê? Deve ser muito chato.

— Muito pelo contrario. Eu estou presente num momento importante da vida de todas essas mulheres e eu tenho a oportunidade de ver elas felizes por realizarem um sonho com qual sonharam a vida inteira. Disse ele com brilho nos olhos juro por Deus. — É bom que você saiba que eu já vi de tudo acontecer. Por isso eu te digo que tudo vai ficar bem.

— Eu acho você tão bonito. Disse soluçando.

— Obrigado, mas acho que a bebida já está falando por você. Disse ele meio constrangido.

— Você não acha que eu sou bonita?

— Quer a verdade? Perguntou ele esperando até que eu concorde com a cabeça antes de prosseguir. — Você é sem sombras de dúvidas a mulher mais bonita que eu já vi na vida. Meu coração disparou quando eu te vi naquele quarto mais cedo, eu pensei tomara que ela não seja a noiva, tomara que ela seja uma maluca que roubou o vestido e agora está fugindo. Disse ele rindo. — A verdade é que eu adoraria ser o seu noivo, bom o verdadeiro… O de verdade.

Eu não sei bem o que me deu, mas eu me inclinei e o beijei, ele foi um pouco para trás e eu me inclinei mais para continuar a beijá-lo. Ele resistiu um pouco no início e depois eu senti os lábios dele serem pressionados com força contra os meus. Eu não me lembro bem dos detalhes, mas eu sei que ele acabou caindo no chão ou se deitou não sei, e eu fiquei deitada por cima dele o beijando. Depois só lembro da Annie entrando na sala e nos flagrando, sei disso porque senti o vento vindo quando ela abriu a porta e então voltei a mim. Não sabia nem o que dizer, por isso nem olhei para ela, fechei os olhos e fiquei de costas. Annie saiu sem dizer nenhuma palavra. A luz já havia voltado e já passava das 20h45 e todos os convidados estavam impacientes. Jason não quis falar sobre o que houve e nem eu. Nos levantamos daquele chão e eu fui atrás do Tom para que ele me trouxesse um café bem forte. Precisava esquecer o que houve e seguir em frente.

Take 2: É agora ou nunca. Novamente a marcha nupcial começou a tocar, meu tio Gus estava do meu lado com a barra da calça levantada até quase no joelho, ele havia se machucado quando caiu e alguém fez um curativo nele. Olhei em direção ao altar, mas tentei evitar contado visual com o Jason. Ryan está no monitor e a cara dele não é uma das melhores. Meu rosto está todo borrado, e eu sinto um gosto amargo na boca, talvez o café estivesse amargo demais, meu estômago está embrulhado. Eu comecei a me sentir tonta e minha visão ficou embaçada, eu perdi a consciência e cai no chão feito um saco de batatas. Acordei pouco depois com a cabeça doendo, acho que a bati na queda. Outra vez a cerimônia foi adiada. Tom me pegou no colo e me levou de volta a sala das noivas acompanhado da Annie. Jason veio nos seguindo e eu o ouvia pergunta o que estava acontecendo e se eu estava bem.

— Ela vai ficar bem, não se preocupe e volte para o seu lugar. Disse Annie ficando na frente da porta não o deixando passar.

Ela o empurrou com a mão e fechou a porta.

— Eu acho que vou vomitar. Disse me colocando sentada no sofá.

— Tom pode pegar umas toalhas para a Mel, por favor. Pede Annie gentilmente, mas a verdade é que ela queria ficar a sós comigo.

— Toalhas? Ela vai precisar de um balde. E um dos grandes.

— Tom será que pelo menos uma vez você pode fazer o que a gente pede sem fazer nenhuma piadinha. Gritou Annie raivosa.

Tom abaixa a cabeça e obedece imediatamente e sai a pela porta as pressas.

— Como sua madrinha e melhor amiga, eu tenho a obrigação de dizer que você só pode ter perdido o juízo pra beijar um homem que não é o seu noivo.

— Ele é o meu noivo.

— Você entendeu o que eu quis dizer. Berrou ela.

— Sim Senhora! Disse levando a mão até a testa e fazendo um gesto militar. — Aquilo… puuff não foi nada demais, Annie.

— Nada demais? Nada demais? Disse ela colocando as mãos na cintura, ela sempre faz isso quando está nervosa.

— É! Não foi nada. Não precisa ficar com ciúmes. Ele ainda pode ser todo seu, depois que eu me casar com ele. Você entendeu!

— Como pode dizer isso?

— Você chegou aqui dizendo que ele era demais e que estava doida pra chupar o pau dele essas coisas.

— Não seja uma vaca. Eu não disse nada disso.

Ela tinha razão eu estava sendo uma vaca, mas ela também estava.

— Annie, eu não preciso de sermão.

— E do que você precisa hein? Gritou ela.

— Eu preciso de um milagre, sei lá. Só assim pra eu conseguir subir naquela merda de altar e me casar com o Ryan. Gritei também.

— Ótimo! Grita ela.

— Ótimo! Gritei de volta.

— Mas depois não vai dizer que eu não avisei.

Ela saiu zangada e acabou deixando a porta aberta. Jason entrou assim que ela saiu.

— Você está bem? Perguntou ele preocupado.

— Eu não poderia estar melhor!

— Discordo de você! Disse ele se aproximando. — Acho que deveria adiar tudo e ir ver um médico.

—Nem pensar… uh-ham… eu vou me casar hoje e ponto final. Disse decidida.

— Eu só digo isso porque eu quero o seu bem. E também porque eu acho que rolou alguma coisa entre nós. Está cometendo um grande erro em se casar com ele. Você sabe disso.

— Jason, o que quer que tenha acontecido, só rolou com você. Faz o favor e vê se esquece.

— Tudo bem, já que você não quer me dar ouvidos então vai ter que em dar seus lábios. Disse ele me agarrando e me beijando.

Desta vez quem tentou resistir fui eu, mas não consegui m livrar dele. Acabei fechando os olhos também e relaxando os meus braços.

— Olha Mel, eu acho que eu passei do limite e fui um pouco grosseira… Disse Annie retornando ao quarto e se surpreendendo com a cena. — Desse jeito não dá! Gritou ela dando meia volta e saindo.

Ainda assim ele não parou de me beijar. Só quando estava sem fôlego que parou.

— E então? Perguntou ele confiante.

— Isso foi incrível. Disse ainda de olhos fechados. — Mas eu ainda vou me casar com o Ryan.

— Não dá pra acreditar. Gritou ele zangado. — Tudo bem se é isso que você quer mesmo. Se você quer mesmo se casar com ele então vai ter que arrumar um outro noivo, porque eu to fora. Disse ele me largando.

— O que? Não… Você não pode fazer isso comigo. Eu não vou permitir. Não posso ser abandonada duas vezes no altar.

Minha mãe entra na sala junto com o Tom, que carregava as malditas toalhas.

— E ai querida, quando sai esse casamento? Perguntou ela séria. — Alguns convidados já foram embora e eu estou quase fazendo o mesmo.

— Mãe diga ao Padre que agora esse casamento vai acontecer, nem que pra isso eu morra.

— Ótimo, mas eu não vou participar disso. Disse Jason saindo logo em seguida.

— Tom vai atrás dele e o convença a ficar. Ordeno e Tom sai correndo atrás de Jason. — E Annie, eu posso te ver ai atrás das flores, entre aqui e em ajude a me arrumar de novo. Disse olhando para um vaso enorme que ficava no corredor. — Eu vou me casar.

Eu respirei tão fundo que um dos botões do vestido voaram longe e acertaram a cabeça da minha mãe. Ela grita de dor.

— Eu to bem, vou só me sentar um pouco.

Já são quase meia noite, todos estavam com a aparência de cansados, a igreja já está bem mais vazia do que antes. Mas eu não vou desistir, não vou não. Não sei o que o Tom fez para convencer o Jason a ficar, mas funcionou. Só que ele não está mais com aquela expressão alegre de antes.

“Round 3: Fight”

A música começa a tocar novamente, e agora eu apresso os passos, esse casamento já teve imprevistos de mais. Cheguei ao altar e até agora nada de ruim aconteceu, o teto continua sobre as nossas cabeças. Eu me senti muito mais confiante.

— Graças ao Senhor finalmente… Disse o Padre aliviado.

Ele começou com uma prece. Ryan estava com uma cara de sono do outro lado do monitor. O Padre continuou falando.

— Se casa comigo. Sussurra Jason bem ao meu lado.

Eu quase me virei pra olhar pra ele, mas me contive.

— E então? Qual é a sua resposta? Perguntou ele sussurrando de novo.

— Eu não posso, eu já estou me casando. Você não está vendo?

— Se Le te amasse de verdade ele estaria aqui agora.

— Fala como se isso fosse uma opção dele.

— Mas é uma sua.

— Cala a boca. Disse por entre os dentes tentando encerrar o assunto.

Jason se vira e desliga o monitor do computador e pede para que o Padre pare com a cerimônia.

— O que está fazendo? Está estragando tudo. Disse zangada religando o monitor.

— Você deveria ficar com alguém que você ama. Disse ele desligando novamente o monitor.

— Isso é o que eu to tentando fazer. Disse eu religando mais uma vez o monitor.

— Você mesma disse que não o amava. Não se lembra disso?

— Eu estava bêbada teria dito que gostaria de transar com o Dalai Lama se você tivesse perguntado. Gritei nervosa ignorando o fato de que todos os convidados estavam nos olhando atentamente.

— Mas que merda está acontecendo ai? Perguntou Ryan confuso. — Me perdoe Padre. Disse ele quando percebeu que o Padre o olhava feio.

— Todo mundo está enlouquecendo e querendo me levar a loucura junto com eles. Gritei olhando para o monitor. — E isso é tudo culpa sua!

Joguei o buquê que se despedaçou inteiro ao bater no monitor. Passei as mãos nos meus olhos e acabei borrando toda a minha maquiagem.

— Melinda se controla você está parecendo com a maluca da sua mãe. Disse Ryan com um olhar extremamente sério.

— Se controla você! Gritei mais alto do que eu deveria, chegou a ecoar no fundo da igreja. — Acha mesmo que eu sou tão burra a ponto de acreditar mesmo que você foi vitima de um golpe, que não estava envolvido em todo aquele escândalo. Faça-me um favor, Ryan.

— Esse casamento foi um erro desde o começo, eu não deveria ter concordado com isso. Ainda bem que eu não estou ai pra ter que passar por tudo isso.

— Está dizendo o que? Que não queria estar aqui de qualquer forma é isso?

— É! É isso mesmo que eu estou dizendo! Disse ele.

— Viu só! Disse Jason desligando o monitor. — Você deveria ficar comigo.

Eu tentei religar o monitor, mas parece que ele quebrou de tanto liga/desliga.

— Você quebrou o meu noivo! Gritei levantando a mão e dando uma tapa bem na cara do Jason.

Eu puxo o meu vestido para que eu possa caminhar o mais rápido possível pra fora daquele lugar, desço os degraus do altar e vou andando pelo corredor sem olhar para os lados, apenas focando na saída.

— Se alguém aqui tiver algo para dizer que impeça esse casamento de ser realizado que fale agora ou cale-se para sempre. Gritou Jason do altar para todos na igreja.

Todos estavam em um silencio constrangedor e pensativo até o momento que alguém o quebrou.

— Eu nunca gostei dele. Disse Annie sem perceber que o dissera alto.

Eu parei e voltei algumas fileiras e a encarei do corredor.

— O que foi que você disse?

— Eu não sei o que eu disse. Falou ela abaixando a cabeça.

— Ela disse que ela nunca gostou dele. Disse Tom que está sentado ao lado dela.

Ela bateu o joelho dela contra o dele para que fique quieto.

— Eu não disse isso. Defendeu-se ela.

— Disse sim, eu ouvi. Falou alguém que estava no banco de trás.

— Annie, se você é realmente minha amiga fale a verdade. Insisti.

— Tudo bem, já que é pra falar a verdade. Disse ela me encarando com raiva. — Eu nunca gostei dele. Sempre achei que ele te tratava mal, como naquela vez que você fez uma festa de aniversário pra ele e ele nem compareceu ou se deu ao trabalho de se desculpar. E também acho que você só aceitou se casar com ele porque você tem medo de ficar sozinha. Disse ela da maneira mais sincera que eu já a tinha ouvido falar comigo. — Pronto falei. Agora me deixa em paz.

Eu estava prestes a falar alguma coisa quando ouvi outra pessoa falar alguma coisa.

— Ele e eu transamos na festa de 15 anos da minha prima. Disse uma das amigas dele do trabalho.

— Ele come de boca aberta e não é tão bonito assim. Disse Tom. — E o pinto dele é pequeno. Não me pergunte como eu sei.

— Espera ai, o que foi que você disse? Perguntei a amiga dele do trabalho.

— Eu soube que ele foi preso por roubo. Eu não me casaria com alguém que fosse desonesto desse jeito. Disse o meu tio Gus.

De repente todos na igreja começaram a protestar um após o outro.

— Ele sempre gostou de mentir.

— Ele é um cara muito insensível.

— Ele tem cabelo no nariz.

— Ele parece velho demais pra idade que ele tem.

— Eu dormi com ele. Gritou minha mãe se levantando e ficando de pé.

— Porra, mãe. O que é isso? Gritei de volta chocada.

— É verdade Mel, e foi uma bela de uma bosta.

— Já chega! Eu não aguento mais ouvir nada disso. Gritei colocando as mãos sob os ouvidos e fechando os olhos.

Como ainda consigo ouvir, eu decido sair correndo para fora da igreja. De repente algo cai atrás de mim e faz um enorme barulho assustando a todos. Olhei para trás para ver o que houve e vi alguns destroços e poeira se espalhando. Parte do teto havia caído e se eu não tivesse saído dalí teria caído sob minha cabeça. Felizmente ninguém parecia ter se machucado.

— Ai não fode. Gritei e sai correndo sem pensar no que estava deixando para trás.

Por essa rua vazia, eu corro, só paro numa fonte grande na praça que fica em frente a igreja. Eu tomo fôlego e dou um grito com todas as minhas forças. Jason aparece logo atrás de mim.

— O que foi que eu fiz de errado pra Deus me odiar tanto? Pergunto olhando para o céu. — Eu só queria me casar, só isso. É pedir demais. Digo quase chorando.

— Não se você pedir pra pessoa certa.

— Eu gostaria que tudo fosse diferente. Digo.

— Mas foi tudo diferente! Disse ele se aproximando. — Eu posso perder o meu emprego, mas eu não me importo, porque eu conheci você.

— Como você pode querer ficar comigo? Pergunto com o rosto repleto de lagrimas. — Você não vai querer fazer parte da minha vida. Isso aqui é uma tragédia shakespeariana. Se nós nos casarmos você vai acabar morrendo ou vamos descobrir que somos irmãos ou coisa parecida. Digo sentando na grama não me importando mais com o vestido.

A chuva começa a cair de novo, Jason se aproxima mais de mim.

— Eu não me importo. E acho muito improvável que sejamos irmãos. Diz Jason me levantando do chão.

Ele me puxa pra perto dele e me beija, eu retribuo o beijo.

— Olha pra mim. Digo toda encharcada pela chuva.

— Se ainda quiser casar, eu estou disponível. Diz ele.

— Tem certeza disso?

— Eu estou absolutamente certo disso. Diz ele me beijando novamente. — Vamos voltar para dentro.

Ele me puxa pelo braço e como estou toda molhada, minhas mãos escapam das dele. Ele continua indo de volta para a igreja e eu o observo e penso que é melhor voltar com ele antes que um raio caia na minha cabeça, o que não seria improvável com a sorte que eu estou.

Estamos novamente diante do Padre, ele estranhou um pouco a mudança, mas aceita sem resalvas, acho que como todo mundo ele só quer que esse dia termine logo. Nada saiu como eu planejei, mas e daí. Eu to fazendo o melhor que eu posso com o que eu tenho. Estou certa de que fiz a escolha certa, apesar de mal conhecer o Jason, mas se ele está disposto a assumir esse risco comigo deve ser por um bom motivo. Tá quase na hora de dizer o “sim”. E depois de hoje aonde mais eu encontraria alguém louco o suficiente para querer se casar comigo. Os poucos convidados restantes estão encharcados com a chuva que cai pelo buraco no teto. É agora…

— Eu aceito! Digo logo depois dele.

Eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva. Diz o Padre.

De repente ele começa a tossir sem parar.

— O que foi Jason? Pergunto desesperada.

— Me engasguei com saliva. Disse ele. — Mas eu to bem.

Ele abriu um sorriso e se aproximou para me beijar.

Nós nos beijamos e agora sim, só o tempo vai dizer se viveremos felizes para sempre. Dessa vez eu tenho um bom pressentimento.

FIM.