A tempestade que ele causou em mim
Lex Silvas
26/05/25
Eu sou Jake McCrane, e quem eu realmente sou é um caçador de tornados, tipo naquele filme dos anos 90, Twister. Não do tipo que se mete atrás de furacões só em busca de adrenalina, mas sim de dados científicos pra melhorar o campo do qual eu estudo. E também porque as garotas estão sempre em cima de um cara como eu — dizem que eu arrisco a minha vida e, por isso, mereço ver elas peladinhas e fazer com elas o que eu bem entender. Eu tenho 34 anos completados exatamente hoje, mas não quero que ninguém da minha equipe saiba disso. Eu odeio aniversários e esse tipo de merda ridícula em todo mundo quer te abraçar, te beijar e cantar músicas de como você está ficando cada vez mais perto da morte. Mas a minha vida está indo até que bem, não posso reclamar: tenho a minha própria empresa, a minha equipe, os meus patrocinadores e a fama de louco e corajoso. O que mais um cara como eu poderia querer?
Eu estou num posto de gasolina, enchendo o tanque da minha picape vermelha, a velha Betsy, companheira de muitas aventuras. Minha equipe toda está aqui reunida, traçando um plano pra melhor enfrentarmos o próximo tornado que está se formando mais à frente naquela cidade. Equipamentos todos calibrados e prontos pra uso. Eu comprei um café na lojinha do posto e tô bebendo ele enquanto encaixo a mangueira pra encher o tanque. O copo do café começa a esquentar na minha mão, então eu coloco no capô do meu carro. De repente, quando vejo, algo o derruba com tudo espalhando café por todo o lado. Eu tomo o maior susto, e quando vou ver, uma bolinha de golfe está no chão, ao lado do copo. Eu olho pro lado oposto do meu carro e, ao longe, vejo um jovem com um taco de golfe tentando se esconder ao percebe que eu o olho. Eu tô puto, pego a bolinha do chão e vou até onde o rapaz está ainda tentando se esconder de mim, porque viu que eu estou indo até ele furioso.
— Ei, seu idiota — digo, nervoso. — Sai daí que eu já te vi, garoto.
Ele se levanta de trás de algumas caixas e mato onde estava se escondendo e, sem graça, olha pra mim.
— Ei, olha só, você encontrou a minha bola — diz ele, com seus olhos grandes atrás de um par de oculos de grau e cabelos castanhos escuros tentando não olhar pra mim.
— Você acha que isso é engraçado?
— Ah, não, Senhor. Eu só mirei errado, queria acertar a placa de “Pare” atrás do seu carro.
— Mas errou, otário — digo, ainda zangado.
— Eu sei, me desculpa por isso.
— Você derrubou o meu café todo.
— Eu peço desculpas por isso também — diz ele, sem graça. — Eu posso te pagar outro, se você quiser.
— Eu não quero outro café.
— Talvez, então, quem sabe... um boquete? — diz ele.
— Um o quê? — pergunto, achando que ouvi errado.
— Um boquete, sabe... quando alguém enfia o pau do outro inteiro dentro da boca e chupa até que você goze.
— Eu sei o que é um boquete, não sou retardado — digo, estranhando. — Eu não quero um... boquete. Vem cá, qual é o seu problema?
— Isso é uma pena, porque eu faço um incrível.
— Você é algum tipo de maluco ou retardado? — pergunto.
— Um pouco dos dois, na verdade.
— Vai à merda — digo, virando de costas pra ele e voltando pro meu carro. — E pare de atirar bolas de golfe em mim, seu idiota.
— Me desculpa — diz ele.
Mais tarde naquele dia, frustrado pelo tempo ter mudado de repente e eu não ter conseguido nada, somos obrigados a voltar pra cidade e nos hospedarmos num hotel. Eu tô tão puto; não gosto de perder meu tempo, então resolvo beber um pouco de álcool no bar local e confesso que acabei passando da conta. Depois de tentar me dar bem com algumas mulheres locais e não ter conseguido nada com nenhuma delas, caminho bêbado pela estrada em frente àquele posto onde parei mais cedo. Ao ver a maldita placa de “Pare”, eu olho diretamente pro outro lado da rua onde o garoto estava mais cedo. Puto, resolvo atravessar a estrada e, sei lá por que, aquele garoto de mais está na minha cabeça. Eu só quero ver ele de novo pra dizer que eu não sou gay e que não gostei dele ter me oferecido um maldito boquete. Quem ele tá pensando que é? Saio resmungando algo sobre isso durante todo o caminho, que era um mato curto que cobria boa parte de tudo ali diante de mim. Caminhei, caminhei e acabei me perdendo.
Onde caralhos eu estou? Resolvo voltar, mas estou mesmo perdido. Onde porra foi parar a estrada? A uma certa altura me sinto cansado e acabo deitando no chão mesmo e pegando no sono.
Desperto do nada numa cama. Olho ao redor e estou num quarto pequeno. Ao olhar mais, vejo o garoto do outro dia, mais ao fundo, mexendo num computador, sentado de costas pra mim.
— Onde eu estou? — pergunto, esfregando os olhos.
— Na minha casa — diz ele. — Mais especificamente, no meu quarto. Você sabia que ronca quando está dormindo?
Eu olho pra baixo e vejo que estou pelado.
— Onde estão as minhas roupas? — pergunto já ficando nervoso.
Ele só aponta pro canto, em cima de uma cadeira, onde elas estão dobradas. Eu as pego, furioso.
— Eu tomei a liberdade e dobrei elas pra você. — diz ele.
— Por que caralhos eu estou pelado no seu quarto, garoto? — pergunto, vestindo minha cueca bravo.
— Você mesmo tirou as suas roupas ontem à noite, depois que eu te encontrei bem perto daqui, caído no chão, super bêbado — diz ele, me olhando simplório. — Disse que queria me mostrar o que eu teria que enfrentar se eu realmente quisesse te chupar. E eu preciso admitir… eu teria tido mesmo muito trabalho com você, mas sei que daria conta.
— Vai se ferrar, seu veadinho — digo, enquanto visto o resto da minha roupa, me levantando da cama depois que já cobri as minhas partes íntimas.
— Não fui eu quem disse que veio atrás de mim pra me mostrar o seu pau, o que eu estava pedindo de verdade — diz ele, rindo. — Se você queria tanto que eu te chupasse, a gente podia ter ido atrás do posto de gasolina ontem mesmo.
— Vai se ferrar, seu bosta — digo, terminando de me vestir.
Começo a procurar nos meus bolsos e não encontro meu celular.
— Que merda! — grito. — Onde está meu celular?
— Você não veio com nenhum — diz ele, ainda digitando no seu computador.
— Devo ter deixado no bar ontem à noite — digo, me sentando na cama, passando a mão sobre as têmporas, pois estou morrendo de dor de cabeça. — Tem alguma aspirina, garoto?
— Devo ter algumas no armário do banheiro, no corredor.
Eu vou até o banheiro, pego no armário as aspirinas e tomo duas. Volto pro quarto e o olho concentrado digitando vigorosamente no computador.
— Quantos anos você tem? — pergunto.
— 19 — diz ele, ainda sem desviar o olhar da tela. — E você?
— 34 — digo. — Fiz aniversário ontem.
— Meus parabéns.
— Obrigado! Você mora sozinho, garoto? — pergunto.
— Não, sou só eu e minha mãe.
— E o que você faz, além de ficar oferecendo boquetes a estranhos na beira da estrada? — pergunto, sério.
— Na verdade, eu só faço isso mesmo — diz ele, rindo. — Tô brincando. Eu sou escritor. Já ouviu falar de “As Aventuras de Chrisbelle”? Eu escrevo isso. Na verdade, tô escrevendo um novo capítulo agora mesmo.
— E sobre o que é?
— As aventuras de um super-herói gay nos mundos caóticos de uma cidade grande — diz ele.
— E quem lê isso?
— Bastante gente. Tenho muitos fãs online, dá pra fazer algumas boas pratas — diz ele, ainda digitando. — E você, o que faz?
— Eu sou meteorologista, especializado em tornados e eventos climáticos extremos.
— E o que faz aqui, na nossa cidade de merda?
— Vim atrás de um tornado que estava se formando ontem, mas essa porcaria se dissipou antes mesmo de virar de fato um — digo.
— E foi por isso que você queria me mostrar o seu pau? Porque estava frustrado que o seu tornado não apareceu?
Eu rio forçado pra ele, mostrando todos os meus dentes com raiva.
— Você é engraçado pra caralho, né, garoto? — digo, me virando pra ir embora. — Valeu por ter me resgatado ontem à noite.
— Valeu por ter me mostrado o seu pinto — diz ele.
Eu volto pra cidade e, mal chego, já tenho que ouvir um monte da minha equipe pelo meu sumiço de ontem. Eu minto e falo que só passei a noite com alguma garota e acabei dormindo demais. Sou informado de que recebemos a notícia de que uma tempestade está pra se formar na cidade vizinha e que precisamos ir até lá pra checar como as coisas estão. Eu vou até o meu quarto, tomo um banho e me arrumo depressa pra podermos ir. Não deixamos o hotel em que estávamos, pois era uma viagem curta, de menos de uma hora até a outra cidade.
Passamos o dia registrando eventos incríveis meteorológicos, ventos de até 160 km/h, foi demais! Conseguimos dados muito bons que nos ajudaram no modelo que estamos criando pra detectar furacões antes mesmo que eles se formem. Eu estou muito feliz e, por isso, levo todos da minha equipe pra jantar num restaurante da cidade onde estávamos hospedados. Depois de uma boa refeição e algumas taças de vinho, eu me pego de novo sozinho, indo até aquela mesma estrada, sei lá porque, e olhando de novo pra aquela mesma placa idiota de “Pare”.
— Por que está aqui? — ouço a voz do garoto me perguntar do outro lado da estrada.
— Eu só saí pra caminhar! — respondo. — E você, por que está aqui, tão tarde da noite?
— Eu estava entediado e vim caçar vaga-lumes — diz ele.
— E pegou algum?
— Alguns. — diz ele. — Mas eu os libertei.
— E onde está a sua mãe? — pergunto.
— Ela deve estar dormindo — diz ele. — Quer ir lá em casa?
Eu não sei por que, mas eu topei vir de novo pro quarto dele, topei vir caminhando até aqui sem dizer nenhuma palavra pra ele. Eu só caminhei pelo caminho que ele me disse pra seguir e aqui estou, de novo. Isso é uma merda. O que eu vim fazer aqui? Eu me sentei na cama dele e o observo mexer em algumas caixas, procurando algo que gostaria de me mostrar. Que idiota da minha parte, eu tô nervoso de estar aqui de novo. Eu não sei o que tem nesse garoto que me faz querer ficar voltando pra ele. Eu, com certeza, devo ter ficado mexido com a sinceridade dele naquele dia na estrada, me oferecendo um maldito boquete. Que tipo de retardado faz isso? Com certeza, um que está bem ali, diante de mim.
Ele finalmente puxa algo e traz pra me mostrar. É uma maldita revista em quadrinhos.
— Uau, que legal, garoto — digo, mostrando nenhum entusiasmo.
— É a edição número um do Homem Radioativo, autografada pelo próprio Morty Mann, em pessoa — diz ele, se sentando ao meu lado na cama.
— Isso deve valer uma boa grana — digo. — Já tentou vender na internet?
— Eu não posso vender.
— E por que não?
— Ela é tudo o que me sobrou do meu pai, antes dele ir embora pra sempre — diz ele, triste.
— E quando o seu pai foi embora?
— Há muito tempo atrás — diz ele, chorando. — Quando eu ainda era bem jovem. Estou guardando pra quando ele voltar.
Eu o olho, com os olhos tristes atrás dos seus óculos, embaçados pelas lágrimas. Retiro os óculos dele e sorrio, enquanto ele me fita diretamente, olhando nos meus olhos.
— Você tem olhos bonitos, garoto — digo, olhando diretamente pra ele. — Não deveria estragar eles com lágrimas.
— Se achou eles bonitos… deveria ver eles quando eu estou sorrindo.
— Tenho certeza de que são lindos de qualquer jeito.
Ele então morde os lábios de leve e os lambe antes de vir diretamente até mim e me beijar. Eu o afasto rapidamente, assustado.
— Uou, garoto — digo, me levantando da cama. — Não foi pra isso que eu vim aqui.
— Então pra que veio?
— Eu… eu… — digo, gaguejando. — Eu não sei. Eu não deveria ter vindo.
— Não sabe ou não quer admitir pra você mesmo?
— Você me entendeu errado — digo, pegando o meu casaco que eu havia esquecido no outro dia, quando dormi lá.
Eu saio de lá e volto pro meu quarto de hotel, e fico o resto da noite pensando naquele maldito garoto que me beijou. Eu não sei por que eu fui inventar de ir até aquele lugar de novo… certamente eu não fui pra nada daquilo que ele estava pensando. Eu só queria ser legal com ele, só isso. Eu fui lá apenas pensando que ele deve ser um garoto solitário, que precisa de um amigo. Eu só queria ser amigo dele, só isso.
No dia seguinte, minha equipe se prepara pra irmos pra outra cidade, já que ali está tudo muito tranquilo. Eu me animo, pois não vejo a hora de ter mais aventuras. Não sou do tipo de pessoa que gosta de ficar muito tempo quieto num lugar tranquilo. Mesmo assim, resolvo tirar o resto do dia de folga, só pra curtir um pouco pela cidade: pego um cineminha, como uma pipoca e almoço fora em algum lugar legal. Deixo eles partirem na frente enquanto eu fico só mais um dia por ali.
Eu recebo uma ligação da Erica, uma antiga namorada que está pela região e quer me ver. Eu me animo, finalmente um pouco de diversão com uma mulher — era tudo o que eu precisava. Colocar o meu pênis pra funcionar numa boceta molhada de uma safada, isso é tudo o que eu sei fazer de melhor, foder. Eu marco com ela no meu quarto de hotel e, por volta das 7 horas da noite, ela aparece, gostosa como sempre.
— Oi, Jake — diz ela, com sua voz melosa e sexy. — Há quanto tempo!
— Erica — digo, a encarando. — Gostosa como sempre — digo, a puxando e beijando.
Nós vamos pra cama e eu ainda não fiquei duro, mas até aí tudo bem, a noite só estava começando. Roma não foi construída em um dia. Nós estávamos naquele rala e rola na cama, e eu estou gostando de estar ali com ela, mas o meu amiguinho ainda está dormindo. Acorda, garotão, o papai precisa te usar. Nessa hora, ela percebe que eu ainda não subi, então coloca a mão bem lá, e começa a me tocar por cima da cueca, mas nada. Eu começo a ficar nervoso e ela percebe.
— O que foi, Jake? — pergunta ela. — Pensei que você tava afim de ficar comigo hoje.
— Eu tô — digo, a beijando sem graça. — Só dá um tempo pra mim.
Nós nos beijamos mais um pouco, nos esfregamos, mas nada acontece da minha cintura pra baixo. Eu começo a ficar mais nervoso. O que tá acontecendo comigo? Meu pênis simplesmente está se recusando a ficar duro com essa mina gata que eu pego há anos. Qual é, carinha, não tá mais reconhecendo a boceta que te deu noites tão felizes? Vai se foder.
Ela percebe que eu ainda não subi e começa a me olhar com uma cara de decepção.
— Talvez eu pudesse… — diz ela, me dando a entender que quer fazer sexo oral em mim, e é claro que eu topo.
Vai ver é só isso que ele precisa mesmo, entrar em algum buraco quente pra saber quem é que manda. Eu me ajeito, pronto pra esperar a língua dela tocar o “gigante”, e quando ela faz, eu só tento relaxar e deixar rolar, mas ainda nada. O que merda tá me acontecendo?
Depois de, pelo menos, cinco minutos ali, tentando me fazer subir e não conseguindo nenhum resultado, ela finalmente desiste. Eu fico decepcionado comigo mesmo e também me sinto humilhado. Ela se levanta e começa a se vestir e eu protesto pra que ela não vá embora. Pelos menos ainda não.
— Tá na cara que você não tá afim — diz ela, pegando as suas coisas.
— Me desculpa, é que eu ando meio estressado ultimamente — digo, tentando me justificar, a seguindo pelo quarto. — Você não pode ir embora.
— Olha, Jake… me liga quando conseguir ficar de pau duro de novo — diz ela, me beijando e indo embora, me deixando lá sozinho no quarto.
— Ai, que merda — grito pra mim mesmo.
Merda de merda, de merda, merda, merda, merda!
Eu olho pra região da minha virilha e só quero segurar o meu pau na mão e arrancar ele fora de ódio. Isso nunca tinha me acontecido antes. Eu sempre fui viril, másculo e potente, mas eu não sei o que está acontecendo comigo. Será que…?
Ai, não… não, não mesmo… o maldito garoto. Ele me beijou e me ofereceu um maldito boquete. Aquele garoto perturbado. Será que ele me jogou alguma praga? Não que eu acredite muito nisso — não sou do tipo supersticioso —, mas que outra explicação eu teria?
Eu vou até o bar, tomo umas cervejas e tento não pensar mais nisso. O que não funciona muito bem, assim como o meu pau. Eu começo a encher a cara cada vez mais, puto comigo mesmo, e toda vez que eu vou no banheiro eu começo a conversar com o meu pênis e a dizer pra ele que eu tô decepcionado com ele, por ter me feito passar vergonha diante de uma mulher gostosa do caralho como a Erica, que só deu alegria e diversão pra ele durante anos e elenem pra se enrijecer por ela mais uma vez.
Lá por certa altura da noite, já bêbado, eu resolvo caminhar de novo meio que sem rumo no começo, mas logo acabo de novo na frente daquela mesma maldita placa de “Pare”, em frente ao posto. Eu fico puto ao olhar pra ela, e por isso o meu único pensamento é arrancá-la de lá e quebrá-la inteira, mas antes mesmo que eu me mexa em direção a ela, eu noto que o meu pênis está com uma ereção maior do que tudo.
Eu fiquei duro novamente. Eu comemoro, alegre, e penso: vou ligar pra Erica imediatamente, pra ela vir e nós fazermos o sexo que ela e eu tanto queríamos. Mas assim que eu pego o meu celular na mão, o meu pênis começa a murchar de novo. Eu não entendo. Eu o coloco pra fora, na estrada deserta e mal iluminada mesmo, e o vejo diminuindo de tamanho e começo a gritar: “não, não murche agora!”. Meus olhos se voltam novamente pra placa de “Pare”, e ele volta a subir. O que me faz questionar: o que está acontecendo comigo?
— Você quer mesmo que eu procure aquele idiota de novo? — pergunto ao meu pênis ereto na minha frente e só o vejo se balançar pra cima e pra baixo.
— Eu não vou atrás daquele idiota — digo, enquanto o vejo descer, como se estivesse se decepcionando.
Eu fico com tanto ódio dele… e de mim, na verdade. Eu gosto de mulher, e só de mulher, porra.
Eu penso por alguns minutos e depois, sem muitas escolhas, decido o que devo fazer finalmente.
— Se eu for procurar aquele otário de novo, você me promete que nunca mais me faz passar vergonha na frente de mulher nenhuma? — pergunto, encarando o meu pau com raiva, e o vejo se balançar de novo, como se estivesse voltando a ficar animado.
Eu saio da estrada xingando e vou em direção à casa do garoto. Chego lá puto, bato na porta e a mãe dele me atende. Ela é uma senhora idosa de poucas palavras, só me diz que ele está no quarto e que eu posso subir as escadas pra encontrar ele. Eu faço isso, entro na casa e vou direto pro quarto dele. A porta está aberta, mas mesmo assim eu bato nela antes de entrar. Ele está novamente digitando no computador, concentrado. Ele me vê lá na porta, mas não parece animado, e volta a atenção dele pro computador.
— O que você quer aqui? — pergunta ele, com seus óculos caindo pelo rosto me olhando.
— Eu só vim aqui pra te fazer uma pergunta.
— E qual seria? — pergunta ele, virando os seus olhos de volta pra tela do computador, digitando.
— Por que você me ofereceu um boquete no outro dia?
— Porque eu queria chupar o seu pau — diz ele. — E por que mais seria?
— Eu sei lá — digo. — Faz isso sempre? Me responde sem ironia, por favor.
— Não, você foi o primeiro que eu fiz isso! Responde ele ainda digitanto.
— Por que?
— Novamente, porque eu queria chupar o seu pau. Diz ele.
Nós dois ficamos em silêncio, que pra mim pareceu uma eternidade, mas não deve ter durado nem 20 segundos.
— E aí? — diz ele, se virando pra mim. — Foi pra isso que você veio aqui? Pra que eu te pague um boquete?
— Claro que não, garoto — digo, indignado.
— Então pra quê?
— Eu vim aqui pra que você retire essa porra de maldição vudu que jogou em mim — digo, me movimentando pelo quarto.
— Do que é que você tá falando?
— Da porra do meu pau, que não quer mais subir com mina alguma — digo. — Depois que você me beijou.
— Sinto muito por isso, mas eu não mexo com essas paradas de vudu — diz ele. — Vai ver seu pau não subiu porque você gostou que eu te beijei. Já pensou nisso?
Eu me irrito com ele, agarro-o pelo pescoço, o tirando da cadeira e o encostando na parede com força.
— Você acha mesmo que eu tô brincando? — pergunto, nervoso. — Hein?
— É claro que não — diz ele assustado.
— Você vai desfazer essa merda agora. Entendeu?
— Tá bom — diz ele lá, pressionado na parede por mim. — Simsim, salabim, pau erectus de novo — diz ele, mexendo as mãos como se estivesse fazendo um feitiço.
Eu e ele estamos frente a frente, e eu estou muito puto, encarando ele com ódio. Enqaunto ele tenta evitar de me olhar.
— Se me permite dizer… — diz ele.
— O quê? — digo, batendo ele na parede, de raiva.
— O seu pau já estava duro quando você veio me agarrar — diz ele, me fazendo olhar pra baixo e ver o volume na minha calça jeans. — Eu senti ele quando você me agarrou.
— Ele já estava assim desde que eu olhei para aquela maldita placa na estrada — digo.
— Que placa?
— A placa de “Pare” que você acertou com a sua bola de golfe, no maldito dia que a gente se conheceu.
— Então, vai ver esse é o seu problema. Você é “placasexual” — diz ele, se contendo pra tentar não rir.
Eu bato ele de novo na parede, o forçando a parar de vez com o riso.
— Eu estou a só isso aqui de quebrar a sua cara, garoto. Digo fechando o meu punho que está livre.
Ele me surpreende passando a mão em cima do meu pênis ereto, me assustando.
— O que você tá fazendo, porra? — pergunto, soltando ele e me afastando.
— Eu só queria sentir o quanto duro eu te deixo.
— Isso aqui não é por você — digo, indignado, me sentando na cama dele.
— Ah, é? Me desculpa… é por uma placa de “Pare”.
— Vai se foder.
— Me responde uma coisa — diz ele, se aproximando. — Por que está aqui? Não foi porque você quer me bater.
— Como assim, por que eu tô aqui? — pergunto, encarando ele, zangado. — Eu… eu vim aqui pra que você retirasse a sua praga ou sei lá o que de mim.
— Ou… só ou… — diz ele. — Talvez você queira que eu te chupe.
— Claro que não, garoto! Deixa de ser idiota.
— Então por que tá de pau duro no meu quarto?
Eu tento me justificar, mas eu não tenho palavras. Ele vem se aproximando mais de mim e se ajoelha no chão, mais perto da cama levando as sua mãos pra cima cintura.
— Se levanta, garoto idiota — digo, enquanto ele se aproxima mais de mim.
— Eu prometo que vou ser gentil — diz ele, mordendo os lábios.
— Eu sinto muito, garoto… eu não sou gay — digo, balançando a cabeça.
— Você vai poder ser hétero amanhã de manhã, se quiser — diz ele, colocando a mão na minha calça e abrindo o meu zíper.
— Eu não… — digo, mas não consigo nem mais ter forças pra nada. — Eu só…
Ele puxa o meu zíper até embaixo e tira o meu pênis pra fora da calça, depois o coloca na boca, chupando. O que me deixa louco já logo no inicio. Eu engulo seco, enquanto sinto os lábios dele subindo e descendo no meu pau, me levando ao êxtase total. Só então, depois de um tempo, eu percebo que a porta do quarto dele está aberta. Então eu peço pra que ele pare e puxo a cabeça dele pra que isso aconteça. Eu subo as minhas calças.
— Eu preciso ir, garoto — digo, tossindo de leve, me levantando da cama.
— Por quê? — pergunta ele. — Eu fiz alguma coisa de errado no seu pau?
— Eu sinto muito — digo, saindo porta afora e depois correndo pra fora da casa.
Eu corro sem parar até chegar à estrada e atravesso ela, dando de frente de novo com aquela maldita placa. Eu tô tão puto que só quero gritar:
— Sua placa filha da puta! — digo, dando um soco com tanta força que arranca ela fora, fazendo voar pra longe.
Eu sinto minha mão doer, pois acertei bem forte mesmo naquele metal. Me contorço de dor e depois caio sentado no chão ainda sugrando a minha mão na outra.
— Maldito garoto de merda! — grito naquela estrada escura e solitária.
E ali, sentado naquele chão, me sentindo um merda, eu começo a rir do nada… apenas rir.
— Maldito garoto de merda — digo novamente, lá sentado no chão. — Maldito, garoto. Por que ele tinha que cruzar o meu caminho naquele dia?
Nessa hora, eu não sei bem o que me dá. Mas eu resolvo voltar pra casa dele, vou até lá feito um furacão. Nem bato na porta, já vou logo entrando e subindo a escada, vou direto pro quarto dele. O vejo sentado na frente do computador, digitando, e ele me olha surpreso.
— Eu pensei que eu nunca mais ia te ver. Diz ele.
— É, eu também. Digo.
Eu vou até ele, o agarro o tiro de novo da cadeira e o coloco de novo contra a parede e o beijo com força, surpreendendo ele… e a mim, com esse ato de puro desejo.
O beijo é tão ardente que eu consigo sentir o gosto dele por inteiro, seus lábios de mel me deixam o meu pinto ainda mais duro que eu já havia sentindo ficar na vida. E ele retribui o beijo depois de alguns segundos, pois demorou um pouco pra perceber que eu o queria. Puta que me pariu, como eu o queria. E foi tão bom, finalmente poder admitir isso pra mim mesmo: eu o quero. Eu só o quero, porra. Eu quero aquele garoto por dentro e por fora.
Eu o pego nos braços e viro e o jogando na cama dele, já vou tirando a minha camisa logo em seguida, estourando os botões dela sem me importar. Ele, mesmo deitado na cama, vendo que eu tirava a minha roupa, começa a tirar a dele também, primeiro os óculos. Eu trato logo, antes de continuar, de fechar a porta do quarto, pra termos mais privacidade, e depois começo a tirar o resto da minha roupa, me deixando nu e exposto na frente dele — e o melhor de tudo: ereto. Muito ereto lá em baixo. Finalmente, não era isso que você queria pau, pois é melhor aproveitar.
E ele está mesmo afim de aproveitar, pois está duro que nem uma pedra, pronto pra mostrar pra aquele garoto tudo do que eu sou capaz de fazer na cama. Ele também fica nu diante de mim, e eu só me deito em cima dele e deixo rolar. Nós fodemos algumas vezes naquela noite, sem nos importarmos com nada. Eu só gozei nele e o fiz gozar como nunca pensei que seria capaz.
O dia já tá quase amanhecendo. Nós nem pregamos os olhos a noite toda. Estamos deitados nus, um do lado do outro, naquela minúscula cama. Enquanto eu o abraço, nós conversamos sobre tudo… até mesmo as coisas que eu nunca disse pra ninguém. Eu tô me sentindo tão bem, poderoso e másculo e também vulnerável, ao lado daquele garoto, é como se ser homem fosse aquilo e só agora eu descobri. Até que a realidade bate e eu me lembro que já estou de malas prontas pra partir, preciso encontrar com a minha equipe logo.
— Eu vou te ver de novo algum dia? — pergunta ele, nu, nos meus braços.
— Provavelmente.
— Provavelmente é um “não” — diz ele. — Só que mais bonito.
— O que você queria? Minha vida é na estrada — digo, o beijando no rosto.
— Eu podia ir com você… sei lá — diz ele. — Não tem nada que me segure aqui.
— E a sua mãe?
— O que tem ela? — pergunta ele.
— Ela não vai ficar com saudades se você partir comigo?
— Ela vai ficar bem — diz ele, se aconchegando nos meus braços. — Acho que você só não quer que eu vá com você porque tem vergonha do que os seus colegas vão pensar.
— Você tá brincando? — digo, rindo. — Eu sou o chefe deles, eles vão ter que aceitar o que eu disser.
— Então só me leva com você… se não eu te jogo outra praga.
— Jogou mesmo uma praga em mim? — pergunto, confuso.
— Não — diz ele, sorridente.
— Eu prometo que volto pra te visitar muito em breve — digo.
— Promete mesmo?
— Eu prometo, garoto — digo, o olhando nos olhos. — Eu prometo.
Eu saio da casa dele, o deixando lá, e na estrada, de volta, vejo a placa de “Pare” caída no chão. A pego e a observo com um sorriso. A coloco debaixo do braço e a levo comigo, feliz, porque finalmente eu encontrei algo que me faz lembrar do cheiro de dias chuvosos que fica no ar, sabe? Ter sucumbido a ele me fez sentir que foi a melhor tempestade que eu já tive que enfrentar. E eu a enfrentei… e como eu gostei disso. Como eu gostei dessa tempestade.
Fim.