1883 Sombra De Butte by Gabriel at Inkitt
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1883 - Sombra De Butte

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Summary

Os primos Fenrir Nechestnyy e Cody Martin se veem encurralados em uma situação de desconfiança extrema entre ambos, em um mundo onde a presença de lobos, vampiros, orcs e magia negra é constante desde sempre. Os dois primos se encontram em meio ao caos criminoso local e corporativo dos Estados Unidos, enquanto precisam lidar com os problemas que suas próprias ações trazem, durante a guerra que estão começando em Butte, Montana. Eles tentam sobreviver à recompensa colocada sobre suas cabeças pelo submundo corporativo-criminoso, imposta pela Agência Internacional de Combate ao Narcotráfico e Narcoterrorismo (AICNN), que começa a notar a bagunça que eles estão causando no tranquilo estado de Montana, ligado à maior rede de distribuição de drogas e armas dos Estados Unidos. Este não é um conto sobre herois.

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

Chapter 1

CAPÍTULO 1

R.I.P 2013 - 2021

Butte, Montana — 2021

É sete da manhã em uma casa da Silver Creek Hollow Drive. Fenrir acorda com o primo batendo em sua porta com algo que parecia pesado. Ele joga o que parece ser um livro velho com a capa feita de pele que estava em cima dele — "A arte de dominar o básico da magia negra" — se levanta sonolento e abre a porta, para ver seu primo Cody com a boca e os dentes sujos de sangue, os olhos totalmente negros e "mortos", e um taco de beisebol que ele deixa do lado de fora do quarto do primo para bater na porta. Cody, com sua fala arrastada e cansada de ter ficado a noite toda "curtindo"

— Eae, veja se o Aleksei mandou os contatos dos novos caras lá de Los Angeles.

Fenrir responde ao Cody ainda com olhos fechados e bocejando

— É, eu tô ligado, eles vêm hoje. Já já eu olho se mandaram alguma coisa.

Cody para e olha o Fenrir quase dormindo enquanto fala, ele sopra o ar de sua boca com aquele hálito de sangue que acorda o Fenrir imediatamente

— Aproveita que você vai ficar o dia na pista. Vai cobrar lá aquela dívida daquele moleque que estudou com você, Arthur não sei o quê. Ele pegou uma grana comigo e era pra ter pago semana passada. Mora perto daquela casa que a gente comprou em Williamsburg no nome daquele laranja.

— Só isso? — Fenrir, balbuciava com os olhos cansados e ainda fechados

Cody, largando o taco de beisebol do lado de fora do quarto, antes de se virar pra ir pro banheiro.

— Na verdade não. No caminho voltando pra casa compra duas pizzas e aquele jogo novo de tiro que lançou.

Antes de bater a porta com força, Fenrir responde com mais sono do que quando foi acordado

— Demoro.

Cody se vira e vai para o banheiro tomar um banho. Fenrir, por outro lado, se senta em sua cama, limpa os olhos, olha pro celular jogado no lençol, vê que chegaram algumas mensagens de sua mãe e irmã, mas ignora. Ele pega uma seda na gaveta, um pouco de flor da melhor qualidade do estado, e fecha um baseado perfeito de "café da manhã". Arruma o travesseiro para se encostar bem na cama, pega o isqueiro e acende o baseado, se estica para pegar o celular do outro lado da cama, desbloqueia e vai direto nas conversas do contato mais recente: DeShawn "Grave" Lamar Holloway, o chefe da gangue com quem eles estavam "fazendo negócios". Já tinha uma mensagem dele lá das seis e quarenta e sete da manhã.

— Oia, bom dia com Deus, cria.

Fenrir imediatamente responde de volta dando mais um trago no baseado.

— Bom dia com Deus pra nóis, azedo.

E manda uma foto sua no quarto com o baseado nos dedos para DeShawn, que responde quase no mesmo momento com uma foto de volta dentro do carro mostrando a estrada e o baseado que ele estava fumando.

— De tarde já tô por aí. Quando tiver mais perto dou um toque.

Fenrir responde de volta.

— Demoro cria. Qualquer coisa eu não tiver por aqui, você da um salve no meu primo.

Fenrir coloca o celular no bolso da calça, veste uma camisa, põe a bota, sai do quarto e desce as escadas para a sala, onde pega uma xícara de café ainda com o baseado em uma das mãos. Ele não se preocupa em trancar a porta numa situação em que alguém invadisse a casa — a maior preocupação de qualquer invasor seria em como sair de lá, com vida.

Fenrir abre a porta da frente de sua casa e raios de sol fortes batem no seu rosto, o que lhe traz uma sensação reconfortante, junto do café quente e da onda que o baseado estava trazendo. Ele entra na sua caminhonete preta que estava estacionada na frente de casa, dá mais um gole no café antes de ligar e começa a dirigir até Williamsburg, o som alto dentro do carro, o café em uma das mãos e o baseado na que estava entre os dedos no volante, começando a criar uma neblina dentro do carro que parecia quase mágica de tão densa, o trap alto tocava no som dentro da caminhonete.

Olhando pela janela do seu lado, Fenrir avista uma mercearia aberta às oito e meia da manhã. Ele para e estaciona, deixa o café e traz o baseado — parou para comprar alguns Crimson Daily, sucos de sangue falso para o primo. Tinham esquecido nas semanas passadas.

Sangue falso fresco à base de porco. Evite sua caçada semanal e mude seu cardápio com o nosso suco, que além de gostoso é nutritivo.

Fenrir lê no rótulo de uma das nove garrafas que pega. Vai até o caixa para pagar.

— Crédito, por favor. — Fenrir disse com o baseado preso nos lábios, colocando as garrafas no balcão e abrindo a carteira.

— Achei que lobisomens não podiam abrir contas em bancos. — A caixa comentava com uma voz familiar para os ouvidos de Fenrir, que então levanta a cabeça para ver que era Chloe, uma amiga que ele não via há um ano e meio.

— Se fosse uma cobra tinha te picado. Aliás, é proibido fumar aqui. — Chloe disse com um sorriso de canto meio sem graça. Era uma das únicas humanas mulher que Fenrir já fez amizade.

— É o cartão da minha irmã. Esqueci meu dinheiro em casa. — Ele percebeu que não havia sentido o cheiro dela por estar fumando, aquele cheiro delicioso que escapava de seu nariz. Era quase triste — Me dá três carteiras de cigarro Lunar Black. — Fenrir falou enquanto dava um último trago para matar o baseado.

— Então como você está, lobo mau? Sabia que você tinha mudado seu gosto, mas não a ponto de beber esse "veneno vermelho". Não era essa sua opinião sobre o Crimson Daily? — Chloe dizia olhando para o Fen com um sorriso, enquanto ele se inclinava para pegar as carteiras de cigarro de trás da bancada e ela colocava os Crimson Dailys em sacolas.

— É, tô bem, valeu. Resolvi dar uma nova chance. Esses novos estão até que com um gostinho legal. Tomei um pouco semana passada na casa de um amigo e... — Ele faz uma pausa de um segundo, que é mais que suficiente para sentir o cheiro da pele dela inundar seus pulmões. — Até que tá legalzinho. E você sabe, a maioria é para o Cody. — Ele terminou enquanto tirava um cigarro de uma das carteiras, aquele cheiro parecia mecher com quimica da sua mente. Guardou as outras carteiras e colocou o cigarro nos lábios. Antes de acender, para e pega as sacolas enquanto a Chloe pegava o cartão de crédito que ele havia deixado em cima da bancada e passa somente as carteiras de cigarro.

— Valeu, mas você esqueceu de passar o principal, né?

Chloe devolve o cartão a ele.

— Tudo bem, só uma carteira dessas que você fuma é trezentos e trinta dólares mesmo. Quarenta e nove não vai fazer tanta diferença.

Ela termina de falar com um pequeno sorriso olhando para o Fenrir, que por um momento fica lá, parecendo perdido naqueles olhos verdes e fios de cabelos louros. Tão dourados quanto seu sangue quente. Tão dourados quanto o mar de sangue de 2012. E por um breve momento é levado de volta ao Front de Licans, — uma nevasca na Rússia, um raso mar dourado de sangue espesso na neve, corpos de homens licanos de diferentes idades espalhados em trincheiras e no campo aberto, alguns congelados em permafrost soterrados na neve, centenas de fuzis russos Mosin-Nagant M1891. Em meio a tiros, uivos, rugidos e gritos de ambos os lados, alguns licanos ainda vivos. Um garoto de cento e vinte e nove anos que tinha aparência de uma criança de nove anos, e ainda não havia passado pela "Maldição de Prata" que fazia um licano envelhecer igual a um humano. — Aquele cheiro, aquele ar com os gases que saiam do sangue dourado, deixa o mais forte licano tonto. E lá estava ele na trincheira russa atirando nos inimigos turcos. Um deles é atingido no ar pelo Fenrir, que com um reflexo rápido atira na cara daquele lobisomem que tinha dado um pulo tão alto do outro lado da trincheira inimiga para chegar até ele, o inimigo caio com so um tiro do fuzil que o rasgou no meio. — Até que ele é atingido por um turco que conseguiu ver o flash do disparo de seu fuzil revelando sua posição no meio daquela nevasca. Ambos, de lugares e situações completamente diferentes, são trazidos de volta para o mundo real por uma buzina alta. Era Arthur, apertando a buzina da caminhonete dele que estava com a janela abaixada.

— Tá tudo bem? — Chloe pergunta com aquele olhar... aquele olhar que parecia uma armadilha. Uma armadilha que, assim que ele se deixasse cair, ela — mesmo sendo humana — estaria pronta para devorá-lo vivo.

— Tô sim, valeu pelo suco... a gente... — Fazendo uma pausa, dando uma última olhada naqueles olhos verdes esmeralda. — A gente se vê por aí.

Fenrir sai acendendo o cigarro, para disfarça o cheiro dela de seu nariz. Esse não o incentivo que ele estava procurando pra começar aquele tipo de manhã.

— Ei, você vai à festa que vai ter amanhã à noite? — Chloe saindo de trás do caixa, mas ainda distante, segurando o pingente de seu colar de ouro.

— Tô sabendo. Acho que vou sim. Fazia um tempo massa que não rolava nada interessante por lá. — Fenrir estava parado na porta antes de sair, olhando para os dedos dela naquele pingente de cruz cravejado em diamante.

— É aquela cabana velha que a gente ia quando éramos mais novos. Saudade daquele tempo. — Ela faz uma pausa olhando pra ele, como estivesse memorizando cada momento do passado, fenrir poderia dizer quais lembranças eram essas atrasves de seus olhos. — Já que é caminho, por que não passa lá em casa? A gente pode ir junto — eu, você e minha irmã — assim a gente... — Antes que Chloe pudesse terminar o que estava falando, Arthur buzina de novo, interrompendo-a e fazendo ela soltar o pingente.

Fenrir, olha para arthur lá fora, olha de voltá nos olhos dela, e balança a cabeça devagar, concordando.

— Demorou... — É, demorou. Vou colar por lá sim. Onze horas, quando tiver saindo de casa, ligo pra você pra avisar que tô colando

Antes que Fenrir pudesse sair, Chloe continuou por cima dele com um sorriso que não conseguia disfarçar por mais que tentasse.

— Legal! Eu já peguei seu número novo com a Lila, tudo bem?

Quando Fenrir ia abrir a boca pra responder ela, Arthur buzina novamente. Fenrir olha pro lado de fora e vê ele com os braços abertos, se queixando da demora.

— Meu Deus, tô parecendo uma adolescente. Vai logo antes que ele entre com a caminhonete na mercearia do meu pai. — Ela havia dito com uma voz sem graça enquanto olhava fundo na íris âmbar e castanha fraca do Fenrir. Por um momento ele se esquecia de tudo que havia acontecido, e se lembrava somente dos sentimentos que sentia na época que comprou aquele colar pra ela e que ela era oito anos mais velha que ele. Não que nenhuma dessas coisas importasse muito para ele hoje em dia.

Do lado de fora da mercearia de esquina, Arthur, encostado na caminhonete, já estava impaciente, até que finalmente vê Fenrir passando pela porta de vidro. Vai em direção à caminhonete, mudando completamente sua feição.

— Porra, mano, achei que vocês iam ficar lá se paquerando pra sempre.

Arthur fala antes de Fenrir empurrá-lo pra longe da porta da caminhonete. Eles não eram muito proximos, nem tinha muita intimidade, mas fenrir nunca se importou de expressar sua aversão a ele.

— Eae, filha da puta, cadê meu dinheiro?

Fenrir perguntou enquanto abria a porta do motorista pra colocar as sacolas no banco de trás. E se incomodava com o cheiro que exalava de arthur, se assemelhava ao cheiro de um viciado em pedra morta. Se ele não tivesse acostumado com aquilo a alguns anos estaria vomitando agora.

— Então, tava passando por aqui, vi sua carroça e vim pedir uma carona. — As batidas do coração dele ecoavam na mente do Fenrir com um eco grave. — A moeda do seu primo tá lá em casa. Tu já aproveita pra pegar ela e livrar minha careta também. Minha massa acabou, vei.

Arthur fala entrando pela porta do banco do passageiro e pegando um dos cigarros. Fenrir olha aquilo e não pode deixar de se sentir incomado pela presença de arthur. Antes que ele possa acender, Fenrir segura o pulso de Arthur que estava segurando o isqueiro, com força suficiente para deixar um hematoma.

— A moeda toda? Por que minha paciência já tá se esgotando com você tem um tempo massa. Pega a porra da droga fiado, usa mais do que vende, ainda vai pegar com meu primo pra me pagar, nem me paga, e começa a pegar as paradas com os nojentos dos espectros. — Ele faz uma pausa olhando fundo na iris azul de Arthur, vendo sua pupila dilatar de medo e o ritimo de seu coração acelerar. — Quando você olha pra mim, você vê o quê em?

Fenrir termina de falar mas não solta o punho de Arthur, que responde com voz nervosa.

— Precisa disso não, Fen, sem violência, mano. Você não é esse bichão todo. Tá lá em casa os oitenta e três mil, mano.

Fenrir continua o observando por alguns segundo ate que solta o punho dele e deixa ele acender o cigarro. — E dá um tapa de mão cheia na cara dele, fazendo Arthur derrubar o cigarro.

— Oitenta mil é o caralho. Tu tá devendo é cento e vinte.

Fenrir termina de falar e levanta a mão para dar outro tapa, até que olha para dentro da mercearia, onde estava estacionado na frente, e vê Chloe olhando para eles, balançando a cabeça como se desaprovasse aquilo. Ele abaixa a mão, liga a caminhonete e começa a sair com ela.

— Nóis vai na sua casa. Eu só volto de lá com meu dinheiro todo.

Fenrir fala enquanto volta a dirigir e olha para Arthur tentando pegar o cigarro de volta do assoalho. Então, com sua atenção dividida, Ele dá um murro nas costas de Arthur.

— Tá escutando, né, viadinho? Diga logo, que se lá não tiver meu valor, eu pelo menos não perco meu tempo e tomo logo a sua alma, seu nojento!

No momento que Fenrir fala isso, Arthur fica branco e se endireita no banco com o cigarro que ele pegou na mão.

— Não, mano, faz isso não, Fen. Nóis praticamente cresceu junto, mano. Sua moeda tá lá, eu juro por Satã. Você tá ligado, né?

Arthur termina de falar completamente em branco, assustado o suficiente para que qualquer um que o visse naquele momento não dissesse que ele era um vampiro.

— Demorou então, sugador de rola. Mas se você tiver mentindo pra mim, faço você conhecer esse outro viado vermelho de chifres que você tanto adora.

Fenrir fala e segue a estrada para a casa de Arthur em Williamsburg.

Eles chegam lá às nove e meia da manhã, Fenrir e Arthur descem da caminhonete. Fenrir acende outro cigarro, antes de da um forte respirada no ar puro do lugar.

— O que aconteceu com sua casa?

Fenrir, estranhava não estar sentindo nenhum tipo de cheiro vindo de dentro. Normalmente o cheiro daquele lugar era tão ruim quanto o dono.

— Como assim? Tá normal. — Arthur dizia procurando a chave em dos bolsos, enquanto ia em direção à porta de sua casa, um pouco rápido na frente do Fenrir.

— Sei lá, ela não tá fedendo mais. — Fenrir parava por um momento e observava seu relógio no pulso direito, seguindo logo atrás de Arthur enquanto ele destrava a porta da casa.

Arthur abre a porta e vai direto pro quarto.

— Espera aí. Vou pegar uma seda e sua moeda. Senta aí no sofá.

Fenrir ouvia arthur antes dele entrar no quarto e fechar a porta. Era uma casa pequena, mas aconchegante. Era a segunda vez que Fenrir ia lá e, apesar do sentimento, ele não estava achando aquilo naquele dia. A falta de odor, a ausencia dele era incômodo. Ele sentou no sofá e tirou um pequeno ziplock do bolso com um pouco da sua maconha. O silêncio da casa parecia ensurdecedor — nunca tinha sido assim antes. Ele conseguia escutar os ratos embaixo da casa, as tábuas rangerem. Algo não tava certo.

Ele tratava a maconha de cabeça baixa no sofá, distraído. Olha para o chão ao lado, procurando algo para fazer de piteira, e vê um vaso de flor — estranha, já que nunca tinha visto nenhuma ali antes. Nunca achou que o Arthur fosse do tipo que tem plantas em casa. Uma flor delicada, quase etérea. As pétalas são de um cinza-prateado bem claro, quase translúcidas, com veios finos azulados que parecem pulsar de leve quando a luz bate nelas. Ele finalmente percebe o porquê não havia sentido cheiro nenhum no local: a flor era um Lírio do Véu. Fenrir não sabia muito sobre elas — era a primeira vez dele vendo uma em muito tempo. Um tipo de flor específico, mágico, que impede que um licano sinta o cheiro de um lugar fechado.

Fenrir finalmente escuta a porta do quarto abrindo e Arthur voltando.

— Eae, cadê a seda? Tá tratado já?

Fenrir murmurou de cabeça baixa tentando tocar a pistola em sua cintura, antes de levantar a cabeça e vê Arthur na sua frente com mais três vampiros atrás dele. Aquela casa era pequena demais para tanta gente. Antes que Fenrir pudesse reagir à situação, Arthur aponta e atira com uma espingarda na cara dele, que abre um rombo que deixa o rosto do Fenrir irreconhecível. Seu corpo fica lá sentado no sofá com a frente do rosto aberta por tiro a queima-roupa. O cerebro dele pintava e se prendia as frestas da parede de madeira velha, alguns dentes cairam quebrados juntos de sangue no sofá e no resto de seu corpo. A maconha do baseado que tratava, estava agora molhada com seu sangue dourado e com alguns pedaços que ninguem sabia dizer ao certo que parte eram do rosto dele. — Aquela cena poderia ser quadro, a monalisa dos espectros. — Um dos vampiros que estava com Arthur: Logan Miller parecia liderar eles.

— Bora enterrar ele logo antes que se recupere. Brody vai pegar as pás. Tyler fica com esse 38 apontado pra ele. Se esse bicho acorda, nóis tá fudido. Arthur, vem comigo, larga essa doze e me ajuda a levar ele pros fundos. — Logan ia em direção ao corpo do Fenrir enquanto Arthur vai ajudá-lo, e Tyler fica perto, pronto pra atirar com aquele 38 velho — mas carregado com quatro balas de prata — a qualquer movimento mínimo que Fenrir fizer.

Eles carregam o Fenrir até o quintal, onde o Brody já estava cavando uma cova funda para ele. O sangue arrastado do corpo começar a soltar um pouco de fumaça em contato com a madeira, Até que no quintal o rosto do Fenrir começa a voltar em partes pro lugar, deitado la no chão, formando um rosto desfigurado, já que uma parte dele ainda estava grudada no sofá e nas paredes da sala. Os poucos gases que sairam do corpo dele e foram inalados pelos Tyler que estava proximo foi o suficiente para causar uma leve náusea no rapaz. — Pessoal, eu acho que eu não to bem não. — Tyler começar a querer regurgitar algo. E então sua mão que estava com o 38 apontado é agarrada pelo Fenrir. Tyler dá um disparo que pega na costela esquerda do Fenrir e assusta os outros que estavam ajudando a cavar a cova. Arthur assustado acaba cainda dentro da cova. Fenrir arranca a mão do Tyler fora com seus dentes totalmente tortos e desorganizados. — Ela foi jogada pro lado ainda segurando aquele 38 enferrujado que poderia ser confundido com um estilingue para derrubar passarinhos. — E pula do chão em direção ao Tyler e devora seu rosto.

Brody começa a bater em Fenrir com uma pá enquanto Logan correu em direção à mão arrancada do Tyler, que estava segurando forte o 38 e, mesmo no chão, tinha efetuado mais um disparo. Logan puxa o 38 da mão do Tyler, que ainda repetia o movimento de puxar o gatilho. Ele apontou para o Fenrir — que agora estava totalmente transformado em um lobisomem monstruoso de dois metros e nove. — Ele deu mais dois disparos nas costas daquela criatura, que com uma de suas mão rasga a garganta do Brody, que tentou escapar virando fumaça, mas as garras do Fenrir não permitiram.

Fenrir se vira de pé para o Logan, que estava segurando um 38 sem balas, revelando um rosto animalesco completamente deformado, com dezenas de longos e tortos dentes amarelos, um rosto todo sujo das vísceras do Tyler, o seu sangue dourado pingava junto do sangue vermelho do Tyler, e cada gota que pingava no chão soltava mais daquele gás com um odor quase impossivel de resistir sem fazer alguem vomitar. Pelado pela transformação, que havia rasgado suas roupas. Aos poucos ia regenerando o rosto e lentamente dava passos em direção ao Logan, que ficou paralisado de medo — até que Arthur atinge um dos braços do Fenrir com um longo e afiado facão de prata, fazendo ele dar um rugido alto e carregado de dor em resposta, dando uma pequena brecha para o Logan fugir como uma fumaça escura e densa em sua forma espectral vampira, que rapidamente sumia no céu.

Sorte que o Arthur não teve. Fenrir conseguiu se virar a tempo e agarra o Arthur pelo pescoço e o levanta do chão com seu braço direito — no qual estava seu relógio feito de platina com esmeraldas e diamantes, que não havia quebrado com a transformação. Na verdade, a parte de dentro dele possuía um desenho de um licano que brilhava leve em verde, um feitiço que ajudava o Fenrir a não perder o controle da transformação.

Arthur continuava golpeando Fenrir agora no ombro com aquele facão de prata, que sempre que ele puxava de volta para desferir o próximo ataque, o sol das dez horas batia na prata e refletia forte nos olhos âmbar do Fenrir, que estava completamente transformado. Mesmo em seu rosto desfigurado, Arthur tinha a visão da face de um lobisomem — um focinho acompanhado de longos dentes. Fenrir transformado era extrremamente magro. Sua pele, que agora de parda estava totalmente negra, era fina como a de um viciado em crack. Por baixo dela podia se ver cada músculo e osso, que pareciam lutar para manter a transformação. Alguns pelos cinzas espalhados pelo corpo. Olhos negros com a íris brilhando em um âmbar que refletia nos olhos do Arthur como se estivesse se alimentando do medo dele.

Fenrir segura o braço dele que estava com o facão e o quebra no meio, expondo o osso. O facão cai no chão. Fenrir continuou segurando Arthur pelo pescoço enquanto se destransformava e gritava de dor — gritos tão altos que todos em Williamsburg poderiam escutar. Pelado, seu corpo de pele parda revelava as marcas fundas de prata que ferviam em sua pele soltando uma fumaça que ardia os olhos. Marcas que nunca se regenerarão por completo e se tornarão cicatrizes permanentes: quinze cortes profundos no ombro, um no antebraço, um disparo na costela e mais dois nas costas.

— Seu desgraçado. Você por acaso tem ideia da merda que você fez?

Fenrir estava irado e quase chorando de dor, com uma boa parte do rosto ainda faltando. Ele apertava o pescoço do Arthur tão forte que ele não conseguia falar. Segurando Arthur, ele vai de volta até a sala, joga ele na TV da parede, e começa a fazer um desenho com o próprio sangue dourado no chão no chão. Arthur tossindo e com muita dificuldade para falar. — Aquela sala já estava com uma fina névoa, que fazia os olhos de Arthur arderem e lacrimejarem. Era difícil dizer o que era efeito dos gases e o que era choro real.

— Qual é, cara? Não faz isso comigo não, por favor. Eu falei pra eles que só tinha pegado com eles uma vez e traficava pra você e seu primo, mas eles não gostaram. Eles vieram aqui em casa e me obrigaram.

Era um pouco difícil entender o que Arthur dizia em meio ao choro. Ele se contorcia no chão pela dor nas costas ao ser jogado na parede. Fenrir, com o rosto completamente regenerado, grita com raiva.

— Vai se fuder. E a droga dessa planta do lado do seu sofá, seu desgraçado. — Foi eles que te obrigaram a ficar 5 meses plantando essa merda?

Arthur começa a chorar mais intensamente, começando a rezar por seu deus, Satã!

— Eles também botaram uma arma na sua cabeça e te obrigaram a atirar na minha? E como eles sabiam que eu vinha aqui? Eles devem ter adivinhado, não é?

Fenrir terminava de gritar ao mesmo tempo que termina de fazer o desenho de sangue no chão da sala: um pentagrama gigante com o nome dele e o nome de Arthur em uma das partes.

— A partir de hoje e para toda a eternidade, sua vida e sua alma me pertencem. Você não terá vontades ou desejos, não poderá me ferir ou tramar contra minha pessoa. Será uma marionete, até que chegue o dia que você sucumbirá ao seu maldito Deus, envergonhado por ter um crente tão fraco e vazio, sem vontade nenhuma. Você viverá apenas para servir. Terá tanta importância para esse mundo e as pessoas dele quanto uma mísera formiga.

Fenrir termina de recitar o feitiço com suas próprias palavras. Se aproxima de Arthur, que começa a flutuar na sala até sua direção. Fenrir, usa sua mão direita com o relógio de platina e esmeralda com diamantes, e enfia no peito do Arthur, que grita e geme de dor. — A casa tremia um pouco fazendo a Tv quebrada, cair do suporte do parede. — Fenrir puxa de dentro do Arthur sua alma, que ao ser retirada de seu corpo aparece agora brilhando em uma das esmeraldas do relógio. Então tudo para, o pentagrama some do chão e o Arthur cai.

Fenrir, desesperado pela dor que começava a se intensificar agora que o sangue quente passou, tira a calça do Arthur, a veste, deixa ele só de cueca no chão da sala com o braço quebrado. — Os gases naquela casa o fizeram desmaiar. Ainda havia muito sangue e partes do Fen espalhadas pela sala. — Fenrir abre a porta da frente e sai correndo até uma casa tão pequena quanto a do Arthur que ficava duas ruas na frente.

Até lá, Fenrir não vê mais ninguém fora de casa. Todas as casas estão com as portas trancadas e as janelas cobertas. Um tiro é comum em Williamsburg, mas o uivo de um lobo certamente assustou todos o suficiente para não quererem saber o que estava acontecendo.

Ele chega à porta da casa que se diferenciava das outras: tinhas vários filtros de sonhos na varanda e alguns feitos de dentes — dentes de lobisomens, vampiros e orcs. Ele bate na porta sem parar, todo sujo de sangue, enquanto seu corpo vazava mais pelas feridas abertas, parecendo um galão d'água.

— Vovó, vovó, abre a porra da porta por favor. Eu preciso de ajuda... — Ele espera impacietimente uma resposta — Vovó, droga, abre essa merda!

Fenrir grita enquanto bate na porta.

— EU NÃO VOU ABRIR PORRA NENHUMA, SEU MERDINHA. PASSAM ANOS E VOCÊ NUNCA VEM ME VER. VOCÊ VEM AQUI, FAZ SUAS MERDAS INTOXICANDO A CIDADE E MESMO ASSIM NÃO PENSOU UMA VEZ SE QUER EM VIR ME VER! — gritou velha de dentro da casa, enquanto o Fenrir conseguia escutá-la carregando uma espingarda.

— Eu te mato, sua velha maldita... — Me ajuda, por favor. Tô sangrando muito. Só preciso que você tire umas balas de mim e eu vou embora. — Ele novamente, para e espera uma resposta. — Sua velha caduca do caralho, deveria ter te jogado em um asilo! — Fenrir gritava, batendo cada vez mais forte na porta da casa.

— VAI SE FUDER COM SUA PRATA EM OUTRO LUGAR E MORRE LOGO. AÍ PELO MENOS ASSIM VOCÊ DÁ MENOS TRABALHO, SEU INGRATO! — A velha gritou de volta de dentro da casa.

Fenrir então se afasta da porta, segura o fôlego e pula em direção a ela com toda sua força, derrubando-a. Revelando uma velha senhora que parecia ter seus setenta anos, com uma espingarda apontada pra ele. Ela se afastou pelo susto e atirou bem no meio dos olhos do Fenrir na hora em que ele cai no chão dentro de sua casa, fazendo-o desmaiar ali mesmo.

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